205 - O Segundo Homem (Julia 205)

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O SEGUNDO HOMEMYvonne WhittalJulia 205The Man From Amazibu Bay

Anna era discreta, sensvel. Debbie tinha fogo nas veias, era extrovertida, ardente. Na hora de escolher entre as duas irms, Andrew no teve dvidas: preferiu Debbie, deixando Anna de corao partido. Afinal, Andrew era noivo dela e jurava am-la at que Debbie surgiu no caminho! Como esquecer uma humilhao dessas? Como acreditar novamente nos homens? Anna no podia e, para se consolar, resolveu casar com Scott Beresford, um milionrio que a levou para uma praia deserta, na frica do Sul. Scott no exigia nada de Anna, embora soubesse despertar-lhe o corpo, deixandoa alucinada de desejo. Ela at pensou que estava se apaixonando por Scott, mas a reencontrou Andrew e ento...

Digitao: Desconhecida Reviso: Cris Veiga

Captulo I

Yvonne Whittal

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A voz do conferencista soava montona no salo de convenes do Hotel Caribbean e Anna Lindsay no conseguia prestar a mnima ateno ao que ele dizia. Alis, s estava ali porque Morris Porter tinha pedido e, felizmente, aquele era o terceiro e ltimo dia que precisava fazer isso. Olhou distraidamente para os lados: parecia mentira que h seis meses vivia uma outra fase de sua vida. Lembrou-se da insistncia dos pais para que deixasse Johanesburgo e aceitasse aquele emprego de recepcionista e contadora do hotel administrado por Morris Porter e a esposa, Sheila. O casal era amigo de sua famlia h muitos anos e procurava algum de confiana para trabalhar com eles. Anna logo sentiu a diferena entre o escritrio de contabilidade em que trabalhava e o Caribbean, que ficava muito bem localizado em Durban, uma das cidades costeiras mais conhecidas da frica do Sul. Mas fugir da vida montona que levava no foi a nica razo para Anna deixar todas as coisas de que gostava e sua casa, onde viveu at os vinte e cinco anos. Somente ela sabia o que realmente a tinha feito tomar uma deciso drstica. Era algo de que preferia no se lembrar. Felizmente o trabalho a mantinha suficientemente ocupada para no ter tempo para pensar. Alis, no tinha tido tempo ainda nem para fazer um balano de sua prpria vida e das mudanas por que passou desde a chegada a Durban. No sabia nem mesmo dizer em que tipo de mulher estava se transformando... Neste momento, seus pensamentos foram interrompidos por um movimento do conferencista que se virou para o quadro negro. Anna se sentiu um pouco culpada por no prestar ateno e procurou se concentrar no que ele dizia. Mas seu esforo durou apenas alguns minutos. Novamente se viu com o pensamento longe, desta vez tentando descobrir o porqu daquela sensao incmoda de estar sendo observada. Tentou no olhar para os lados. Afinal, j devia ter se acostumado com os olhares dos homens. Principalmente ali, onde era a nica mulher presente. Por mais que se esforasse, porm, a sensao continuava. Um frio percorreu-lhe a espinha e uma fora, uma estranha fora, pareceu cham-la. Virou ento levemente a cabea e bateu com os olhos mais azuis que j havia visto em sua vida. E resolveu enfrent-los. Olhou para seu dono friamente, com seu modo altivo e distante, certa de que iria embara-lo. Mas ele no pareceu se incomodar nem um pouco. Ao contrrio, continuou olhando-a da mesma forma. Elegante, seguro de si, com o seu rosto intensamente bronzeado, foi ele quem acabou fazendo Anna desviar o olhar. No era a primeira vez, nos ltimos seis meses, que ela se encontrava frente a frente com Scott Beresford. Alis, considerando-se que ele era dono do Caribbean, e de uma cadeia de hotis ao longo da costa de Natal, nada mais normal do que v-lo de vez em quando. S no conseguia entender por que ele estava assistindo a uma conferncia to sem importncia como aquela. Talvez tenha vindo s dar uma olhada, pensou. E, confirmando seu pensamento, olhou novamente na direo dele e viu que no estava mais ali. Lembrou-se da primeira vez que viu Scott. Ele logo chamou sua ateno, o que no era de se estranhar, j que era muito alto e excepcionalmente bonito.

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Cabelos castanhos e lisos, ombros largos, quadris estreitos. Scott fazia um tipo muito atraente. Mas para Anna isso nada significava. Na verdade, homem nenhum conseguia chamar sua ateno o suficiente para fazer seu corao bater mais depressa. No depois de Andrew Tait. Ele, somente ele, tinha conseguido deix-la cega durante anos. Lembrou-se do tempo em que o adorou desesperadamente sem imaginar que, em dias, ele a trocaria por outra. Ainda hoje seu corao doa com a lembrana. Nem parecia que seis meses haviam passado. Era como se fosse ontem! Sabia que nunca mais conseguiria amar: os homens para ela estavam mortos, todos mortos... Sentia-se condenada solido e amargura para toda a vida. Ainda deprimida com seus pensamentos, Anna escolheu uma mesa para almoar. A conferncia s continuaria dali a uma hora. Tinha tempo suficiente para fazer uma refeio e se distrair um pouco. Posso sentar? Ela levantou os olhos e no acreditou no que viu. Dentro de um perfeito e elegante terno de vero, Scott Beresford estava na sua frente! E puxando uma cadeira para se sentar diante dela, como se isso fosse muito normal! Irritada com a segurana dele, Anna no conseguiu deixar de comentar friamente. H outras mesas. Ah, sim, eu enxergo muito bem. Mas nenhuma delas tem uma mulher to bonita sentada. E eu adoro mulheres bonitas. Ajudam a digesto... O sorriso era cordial, mas impertinente. Tem problemas de digesto? Um bom remdio pode resolver... ela falou, irnica. Ora, para que gastar dinheiro se posso obter o mesmo efeito... de graa? ele respondeu simplesmente, fingindo no ver o dio dela. E fez seu pedido ao garom, voltando a olh-la com evidente admirao. Sou Scott Beresford ele continuou, como se precisasse se apresentar. E voc Anna Lindsay, no ? Parece que est bem informado. Sempre me informo sobre as pessoas que me interessam. ? Pois acho que no h nada em mim que possa interess-lo. Ela no conseguia esconder a irritao. No sabia por que, mas Scott a deixava nervosa. Est enganada. Voc uma mulher muito atraente. Veja s como os homens a olham! No precisa me dizer isso! Anna sabia que estava sendo pretensiosa, mas achou que era uma boa forma de acabar com a segurana dele. Acontece que todos tm sido mais discretos do que voc e nunca me olharam com tanta insistncia ela adotou um tom de voz suficientemente frio para cortar o assunto. Pareo insistente? ele falou, desconhecendo a raiva dela, o que s

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Yvonne Whittalconseguiu irrit-la ainda mais.

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Sabe muito bem que sim. Agora ela j tinha adotado aquele tom agressivo que sempre conseguia afastar os homens de seu caminho. Mas s que nada parecia afetar Scott Beresford. No mnimo, ele pensa que vou cair em seus braos s porque bonito e meu patro, Anna concluiu com raiva. Acho que voc no acredita que eu a acho atraente, ele comentou com uma voz que, ela teve de admitir, era profundamente agradvel e insinuante. J se preparava para dar uma resposta cortante quando serviram o almoo. Fizeram a refeio em silncio, mas Anna sentiu que estava sendo observada o tempo todo. S quando o caf chegou, ele voltou a falar: Voc parecia no estar prestando nenhuma ateno conferncia hoje cedo. Achei o tema elementar e o tratamento muito repetitivo. Mas em alguns pontos foi interessante ele rebateu, oferecendo-lhe uma elegante cigarreira que ela afastou com um gesto. Em seguida, pegou um cigarro de seu prprio mao e acendeu-o antes que ele tivesse tempo de fazlo. Para mim o conferencista nada disse de novo. Bem, vejo que estou diante de uma profunda conhecedora do assunto... Era difcil perceber se ele estava francamente admirado ou duvidando da inteligncia dela. Trabalhei vrios anos em uma firma de contabilidade em Johannesburg ela respondeu calmamente e desviou os olhos, pois acabava de ver, aliviada, Morris Porter entrando no restaurante. Este pareceu bastante surpreso quando se dirigiu mesa. J conhecia Anna, sr. Beresford? Encontrei-a esta manh durante a conferncia. No pensei que fosse almoar por aqui hoje... Realmente, Morris, eu no pretendia. Scott sorriu e olhou bem firme para Anna. Mas quando a srta. Lindsay me convidou, no pude recusar! Pela primeira vez em sua vida, Anna ficou sem ter o que falar. Francamente, que descaramento! Como ele podia mentir daquele jeito? Os olhos dela brilhavam de dio! Morris olhava-a curiosamente, mas como ela nada dissesse, resolveu mudar de assunto: Como foi a conferncia? Nada de novo... ela respondeu quase que repreendendo-o por t-la obrigado a ir. Eu imagino que para voc sim ele admitiu, no sem deixar de

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comentar com Scott. Sabe, sr. Beresford, no imagina como Anna consegue manter em dia a contabilidade do Caribbean. Anna gostava de elogios, mas desta vez sentiu-se embaraada. Era o olhar insistente de Scott que a deixava assim... Elogios no pagam minhas contas, Morris ela disse, sabendo que no estava sendo nada gentil com o amigo, mas sentindo que tocaria Scott. Surpreso, Morris deu-lhe um tapinha nos ombros: Ora, ora! Bem, eu j devia saber que as mulheres mostram as garras quando menos se espera! Com licena ele se afastou sorrindo e piscando o olho para Anna. Ela gostava de Morris e tambm sorriu ao ver seu corpo alto e ligeiramente curvado se afastando. No se deu conta de que sorria pela primeira vez junto de Scott e nem imaginou o quanto aquele sorriso revelava sobre sua sensibilidade. Mas durou s uns segundos. Sua expresso gelou assim que sentiu novamente o olhar de Scott fixo em seu rosto. No tinha o menor direito de dizer a Morris que eu o convidei para almoar. Foi uma mentira e sabe muito bem disso. Faz alguma diferena? ele perguntou impaciente, demonstrando pouco caso pelo assunt