Advocacia Criminal Para Iniciantes

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  • Advocacia Criminal para Iniciantes

  • Advocacia Criminal para IniciantesAutor(a): Eduardo Pereira Dias

    1 Edio 2013

    Advocacia Criminal para Iniciantes

    Todos os direitos desta edio so reservados a Cresa Brasil Editora S/A.

    proibida a reproduo total ou parcial por quaisquer meios, sem autorizao escrita da Editora.

    ISBN: 978-85-8153-196-0

    Cresa Brasil Editora S/A

    Rua Jaime Santos, 530 Jardim Aeroporto - Alfenas/MG CEP 37130.000

    Atendimento: 0800 722 0226

    www.crescabrasil.com.br

    sac@crescabrasil.com.br

  • 1Advocacia Criminal para Iniciantes

    SumrioCaptulo 1 - A Atuao do Advogado na Delegacia de Polcia

    1.1 - Como Iniciar o Trabalho na Delegacia.........................................................................................................31.2 - Rotina da Delegacia Principais Atos..........................................................................................................31.3 - Inqurito Policial e Acesso do Advogado aos Documentos................................................................5

    Captulo 2 - A Atuao do Advogado em Juzo2.1 - Cliente Preso em Flagrante.............................................................................................................................72.2 - Liberdade Provisria e outras Medidas Cautelares.................................................................................72.3 - Revogao da Priso Preventiva....................................................................................................................102.4 - Habeas Corpus.....................................................................................................................................................112.5 - Os Procedimentos no Cdigo de Processo Penal....................................................................................122.6 - Alegaes Finais..................................................................................................................................................142.7 - Crimes de Ao Penal Privada........................................................................................................................142.8 - Ao Penal Privada Subsidiria da Pblica.................................................................................................152.9 - Atuao do Advogado no Jri........................................................................................................................152.10 - Sentena..............................................................................................................................................................182.11 - Nulidades.............................................................................................................................................................202.12 - Recursos...............................................................................................................................................................212.13 - Recurso em Sentido Estrito...........................................................................................................................242.14 - Apelao..............................................................................................................................................................242.15 - Sustentao Oral...............................................................................................................................................242.16 - Reviso Criminal................................................................................................................................................25

    Referncias Bibliogr cas..........................................................................................................................................26Glossrio..........................................................................................................................................................................27

  • 2Advocacia Criminal para Iniciantes

    IntroduoA advocacia criminal um desa o para o advogado que muitas vezes acaba desistindo da rea por

    faltar-lhe a prtica, ou seja, o dia a dia, eis que infelizmente os cursos de Direito, na maioria, no tm condies de fornecer aos alunos uma rotina, bem como ensinar-lhes a lidar com o cliente para traar a melhor forma de defesa.

    A liberdade de uma pessoa muitas vezes est na atuao do advogado criminalista que, s vezes, por desconhecimento no consegue resolver questes burocrticas e conseguir a liberdade de seu cliente.

    O advogado deve buscar a melhor soluo na defesa de seu cliente, uma vez que no processo penal e na prpria lei penal existe uma srie de caminhos e estratgias jurdicas que podem ser utilizadas na defesa. s vezes uma simples atitude do advogado, uma nica pergunta para uma testemunha ou um documento anexado ao processo pode ocasionar na absolvio ou condenao de seu cliente.

    Chamar-se- a ateno para tais nuances e sero demonstradas as principais formas de defesa, bem como se portar em cada situao, visando proporcionar ao aluno a prtica da rotina no dia a dia de um escritrio de advocacia criminal.

  • 3Advocacia Criminal para Iniciantes

    Captulo 1 - A Atuao do Advogado na Delegacia de Polcia

    Neste captulo estudaremos a atuao do advogado na Delegacia de Polcia, conheceremos o inqurito policial e suas nuances e saberemos como instruir o cliente no momento do interrogatrio.

    Veremos ainda como saber se o cliente car ou no preso e quais so as hipteses de arbitramento de ana, bem como o prazo para trmino do inqurito.

    1.1 - Como Iniciar o Trabalho na Delegacia

    Tecnicamente, a expresso trabalhar na delegacia est incorreta, mas na prtica literalmente o lugar onde o advogado iniciante deve car ou tentar car. s vezes sofre at preconceito por permanecer tanto tempo naquele local, como do tipo: advogado de porta de cadeia, mas o advogado deve sempre ser um guerreiro, no pode se abalar com isso, pois quando os resultados vo aparecendo, as bocas e comentrios vo se calando.

    Em pouco tempo o advogado vai se tornando conhecido por seus atos e at pelas pessoas que trabalham nesse local, inclusive comeam a te indicar para outras pessoas. E de boca a boca, com trabalho honesto, com muita tcnica, voc consegue os seus clientes e sucesso em sua carreira pro ssional.

    Todo comeo difcil, mas de alguma forma voc tem que iniciar o seu trabalho como criminalista. Qualquer grande criminalista comeou desta forma, pois no basta ter conhecimento legal se no tiver clientes.

    S o tempo prova sua qualidade, principalmente quem comea a trabalhar sozinho. Trabalhar com outro advogado mais experiente e conhecido tambm ajuda, mas os honorrios e fama, muitas vezes, caro com o outro advogado. Isso no errado, mas o advogado experiente j fez por merecer o seu bom nome e agora sua vez de se tornar conhecido e reconhecido.

    Todo advogado conhecido, se no veio de uma linhagem familiar de militncia na rea, passou por esse momento e cabe a voc galgar o sucesso e repetir tal atuao. No existem milagres, existe muito trabalho. Alm da parte prtica, intrinsecamente o aluno ser estimulado a ser empreendedor e galgar seu prprio lugar no ramo da advocacia criminal.

    1.2 - Rotina da Delegacia Principais Atos

    Basicamente so trs atos que o Delegado faz na rea penal: Portaria, Auto de Priso em Flagrante e Termo Circunstanciado de Ocorrncia (Lei 9.099/95). Mas existem tambm as movimentaes do inqurito que so os chamados despachos de mero expediente, que apenas impulsionam o andamento do inqurito. Con ra a seguir!

    Portaria o ato pelo qual o Delegado determina a apurao dos fatos e da forma que os trabalhos se desenvolvero. Nela determinado, por exemplo, a oitiva de testemunhas, a realizao de percias, a acareao, a reconstituio do crime, ou seja, o Delegado de Polcia analisar cada caso e determinar a melhor forma de investigao para cada inqurito.

    A portaria baixada quando se tem notcia da ocorrncia de um ilcito penal de carter pblico e tambm em crimes de ao privada, mas essas necessitam de representao.

  • 4Advocacia Criminal para Iniciantes

    O Delegado de Polcia no baixar a portaria quando estiver evidenciado que o fato, nem em tese, constitui ilcito penal ou quando j estiver extinta a punibilidade ou quando no houver sinais de existncia do fato. O Delegado deve baixar a portaria mesmo que no se saiba quem o autor do delito. para isso que serve o inqurito policial, para tentar apontar o suposto criminoso e apurar os fatos delituosos. A portaria somente baixada quando no houve a priso em agrante.

    Auto de priso em agranteO Delegado, quando da chegada do preso, veri ca se houve as hipteses de priso em agrante (art.

    302, CPP) lavra o auto de priso em agrante ouvindo o condutor, as testemunhas e anexando as provas e de imediato instaura o inqurito.

    Quando veri cado que a pena mxima do crime em questo no excede 04 (quatro) anos de recluso, dever o Delegado de Polcia arbitrar ana (art. 322 do Cdigo de Processo Penal), sendo que esse benefcio legal depende se o preso no tiver outros processos ou condenaes. Caso seja arbitrada a ana e o cliente no possa prest-la, ser mantida a priso do acusado, bem como seu recolhimento ao crcere.

    Art. 322. A autoridade policial somente poder conceder ana nos casos de infrao cuja pena de liberdade mxima no seja superior a 4 (quatro) anos. Pargrafo nico. Nos demais casos, a fiana ser requerida ao juiz, que decidir em 48 (quarenta e oito) horas.

    Para a confeco do Auto de Priso em Flagrante (APF) a autoridade policial dever observar se o acusado est no perodo de agrncia, tem-se que ter cuidado com essa expresso, pois perodo de agrncia no quer dizer que se o acusado cometer o crime e car escondid