alencar 2013 - versao final

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Text of alencar 2013 - versao final

  • UNIVERSIDADE DE BRASLIA UNB

    INSTITUTO DE LETRAS IL

    DEPTO. DE LINGUSTICA, PORTUGUS E LNGUAS CLSSICAS LIP

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM LINGUSTICA PPGL

    A HERANA DA FALA:

    IDENTIDADE TNICA E MEMRIA DOCUMENTAL DA LNGUA XET (TUP-

    GUARAN)

    Braslia 2013

  • TISCIANNE CAVALCANTE DE ALENCAR

    A HERANA DA FALA: IDENTIDADE TNICA E MEMRIA DOCUMENTAL DA LNGUA XET (TUP-

    GUARAN)

    Dissertao apresentada ao Curso de Mestrado em Lingustica do Programa de Ps-Graduao em Lingustica do Instituto de Letras da Universidade de Braslia, como requisito parcial obteno do ttulo de Mestre em Lingustica. Orientador: Prof. Dr. Aryon DallIgna Rodrigues

    Braslia 2013

  • TISCIANNE CAVALCANTE DE ALENCAR

    A HERANA DA FALA: IDENTIDADE TNICA E MEMRIA DOCUMENTAL DA LNGUA XET (TUP-

    GUARAN)

    Esta dissertao foi julgada adequada obteno do ttulo de Mestre em Lingustica e aprovada em sua forma final pelo Curso de Mestrado em Lingustica da Universidade de Braslia.

    Braslia, 30 de agosto de 2013.

    ______________________________________________________ Profa. Ana Suelly Arruda Cmara Cabral, Dra. Presidente

    Universidade de Braslia

    ______________________________________________________ Profa. Carmen Lucia da Silva, Dra. Membro Externo

    Universidade Federal do Mato Grosso

    ______________________________________________________ Profa. Enilde L. J. Faulstich, Dra. Membro Interno

    Universidade de Braslia

    ______________________________________________________ Profa. Rozana Reigota Naves, Dra. Suplente

    Universidade de Braslia

  • minha pedra angular, Me de Todos Ns.

    Aos Xet de ontem, de hoje, de amanh.

    Ao eterno mestre, Prof. Dr. Aryon Rodrigues.

  • AGRADECIMENTOS

    Sempre me pareceu extremamente peculiar que a contraparte pessoal do trabalho

    acadmico agradecimentos e dedicatrias precedesse justamente o corpo do texto, aquele

    que se respalda no rigor cientfico, nas assertivas asspticas de emoo e nas referidas notas

    para cotejamentos. Assim, isto me faz pensar em Mario de Andrade com o seu Prefcio

    Interessantssimo: duas formas de beleza, antagnicas... que no se complementam, que no

    se suplantam ou refratam, mas se embaralham e assim prosseguem.

    Para muitos, til; para tantos, necessrio: agradecer, aqui para o texto acadmico,

    tem a dor e a delcia do ser. Trabalho concretizado, reelaborado, costurado, difcil de esquecer

    e de elencar quem dele fez parte nas entrelinhas da autora ou da cincia que se lida em teorias

    e dados.

    Assim, agradeo imensamente ao meu orientador, Prof. Dr. Aryon D. Rodrigues,

    pelas valiosssimas lies de cincia e de tica das quais jamais prescindirei. Pela sua extrema

    generosidade em formar novas geraes e com elas compartilhar suas dcadas de estudos,

    certamente no ter seu nome apagado nem em minha memria fugaz, nem na histria da

    cincia lingstica.

    De forma especial, agradeo Profa. Dra. Ana Suelly Arruda Cmara Cabral por

    aceitar a presidncia da banca dessa dissertao em momento to mpar de realizao.

    nossa professora devo agradecer por inmeros pontos, dentre os quais destaco a confiana

    em mim depositada e o cuidado com o rigor acadmico do texto. Agradeo tambm a ela pela

    dedicao, pelo enriquecedor convvio e pelos debates mais do que profcuos.

    Meus sinceros agradecimentos aos membros da banca pela criteriosa avaliao e

    pelos comentrios, Profa. Dra. Enilde Faulstich, Profa. Dra. Carmen Lucia da Silva e Profa.

    Rozana Reigota Naves.

    Mais do que sincera e especial, minha gratido para Francine Nunes pela

    confiana que ela teve na realizao deste estudo, mesmo quando eu no conseguia v-lo

    realizado. Quando me faltavam as palavras e os meios, a sua interlocuo possibilitou-me

    avanar cada vez mais. Desafiamos, mais uma vez e sempre, os limites do possvel.

    Especialmente tambm agradeo a Juvan e Neusa (in memorian) porque sei que

    deles fui a depositria da melhor herana: a busca incessante pelo conhecimento. minha

  • famlia, meu eterno reconhecimento pelo apoio. Se a cada um de vocs dedilhasse meus

    agradecimentos, essas pginas introdutrias certamente no seriam suficientes.

    Agradeo de igual maneira, especialmente:

    Aos pesquisadores do LALI Laboratrio de Lnguas Indgenas da UnB, dos

    quais no citarei nomes por medo de incorrer no silncio de alguns: pelos momentos de

    crescimento na pesquisa e pelo trabalho conjunto com as lnguas indgenas.

    Aos professores Rosangela Clia Faustino, Lcio Tadeu Mota e Simone Jacomini

    Novak , bem como aos demais pesquisadores e funcionrios do Laboratrio de Arqueologia,

    Etnologia e Etno-histria da Universidade Estadual de Maring pela formao inicial e

    decisiva em minha trajetria. Pelas calorosas discusses tericas e pelos frutferos trabalhos

    de campo, meus agradecimentos certamente no se esgotam nessas palavras.

    famlia Raiol Lopes por ter me acolhido na nostalgia paraense sob o cu e os

    desafios brasilienses. Vocs certamente esto nas entrelinhas desse trabalho.

    Aos meus amigos, que aqui vo nominados sem que a ordem traduza a

    importncia em minha vida pessoal e profissional: Camila Andrea, Keros Gustavo, Kleverson

    Sanches, Glauco Constantino, Aluzio Carsten, Vanessa Lana, Flavia Molina, Ronaldo

    Ferreira, Camila Rubia, Eduardo Bueno, Rodrigo Cazangi e Alessandro da Rocha.

    Aos Xet pelas oficinas e pela participao nos trabalhos de campo. CAPES e

    ao CNPq pelo aporte financeiro que decisivamente possibilitou essa pesquisa, especialmente

    por meio do projeto Jan Rek Paranuh O Contar de Nossa Existncia. Aqui, tambm no

    me esqueo da participao da equipe da Coordenao de Educao Escolar Indgena da

    SEED/Paran liderada por Cristina Cremonezzi, a equipe da Escola Indgena da T.I. So

    Jernimo e os pesquisadores do Museu Paranaense, notadamente a Dra. Claudia Parellada.

    Aos professores de minha licenciatura em Letras pela Universidade Estadual de

    Maring, especialmente a Maria Regina Pante, Juliano Antonio, Ana Cristina J. Hintze,

    Renilson Menegassi, Celia Santos, Thomas Bonnici e Marisa Silva pela slida formao e

    pelo incentivo cotidiano ao trabalho cientfico.

    Para concluir, como diria o j citado Mario de Andrade, o convite a novos autores

    e pesquisadores para as fontes e o trabalho aqui apresentados: Alis versos no se escrevem

    para leitura de olhos mudos.

  • Porque, mesmo quando a gente j fala a lngua de outro povo, no significa que entendamos as coisas que eles fazem. isto que difcil. (Tucanamb Jos Paran, Tuca, indgena Xet. In: SILVA, 1998, p. 197).

  • RESUMO

    Essa dissertao pe em relevo a histria da identificao da lngua do povo indgena Xet, a

    partir de uma discusso dos dados contidos nas listas e nas hipteses dos diferentes estudiosos

    que as coletaram ou que as usaram para os seus respectivos diagnsticos lingsticos. A idia

    de reunir tal material e considerar os demais dados existentes sobre a lngua, quais sejam

    dissertaes, artigos, gravaes em udio e em vdeo, materiais didticos, assim como o

    conhecimento que os descendentes Xet guardam em sua memria da lngua falada por seus

    ancestrais, partiu da necessidade de desenvolver um programa de revitalizao da lngua Xet

    reivindicado pelos prprios indgenas nos ltimos 15 anos. O estudo consistiu em um

    inventrio dos dados publicados desde 1878 at o presente e de uma avaliao da

    possibilidade de seu uso em projetos de revitalizao da lngua Xet. Alm da discusso sobre

    a qualidade e a serventia desses dados, fundamentamo-nos na literatura especializada sobre as

    condies e os mtodos de revitalizao lingstica de lnguas em estado crtico, seja pelo

    nmero reduzido de falantes, seja pela situao de contato opressora das lnguas nativas

    vivenciadas por vrios grupos indgenas (HINTON, 2001; ASH, FERMINO & HALE, 2001).

    Considerou-se fundamentalmente as contribuies dos prprios Xet para o conceito de

    revitalizao que eles pretendem aplicar para o seu fortalecimento lingstico e cultural.

    Palavras-chave: Lngua Xet. Documentao Lingstica. Revitalizao Lingstica.

    Identidade lingstica e cultural.

  • ABSTRACT

    This M.A. thesis gathers the studies produced on the Xet language and discuss the data

    published on lists since 1878, as well as some hypothesis developed by different scholars on

    the origin of the Xet language as being genetically related to Tup-Guarani or not. As the

    study aimed to provide an evaluation of the possibility of using this material in linguistic

    revitalization projects favoring the Xet people, we grounded our study on the theoretical

    foundations and methods of linguistic revitalization to endangered languages as exposed on

    HINTON, 2001; ASH, FERMINO & HALE, 2001. The idea of collecting these materials and

    further types of data on the Xet language (such as thesis, papers, audio and video recordings,

    instructional materials and the Xets descendant knowledge about their ancestral language)

    emerged from the need of a revitalization program claimed by Xet Indians in the last 15

    years.

    Keywords: Xet language. Language documentation. Language revitalization. Cultural and

    linguistic identity.

  • LISTA DE ILUSTRAES

    Figura 1 Albert Fri com provveis ancestrais Xet 32

    Figura 2 Excerto de Elliot (1847) 36

  • LISTA DE MAPAS

    Mapa 1 Bacia do rio Iva no Estado do Paran 21

    M