Ambientes fluviais

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ISSN 1679-2599 Dezembro, 2006

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A Geopedologia e sua influncia sobre Espcies Arbreas de Florestas Fluviais

ISSN 1679-2599 Dezembro, 2006Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria Embrapa Florestas Ministrio da Agricultura e do Abastecimento

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A Geopedologia e sua influncia sobre Espcies Arbreas de Florestas FluviaisGustavo Ribas Curcio Alexandre Uhlmann Lcia Sevegnani

Colombo, PR 2006

Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na: Embrapa Florestas Estrada da Ribeira, km 111 Caixa Postal 319 Fone/Fax: (41) 3675-5600 Home page: http://www.cnpf.embrapa.br E-mail (sac): sac@cnpf.embrapa.br

Comit de Publicaes da Unidade Presidente: Luiz Roberto Graa Secretria-Executiva: Elisabete Oaida Membros: lvaro Figueredo dos Santos, Edilson Batista de Oliveira, Honorino Roque Rodigheri, Ivar Wendling, Maria Augusta Doetzer Rosot, Patrcia Pvoa de Mattos, Sandra Bos Mikich, Srgio Ahrens Supervisor editorial: Luiz Roberto Graa Revisor de texto: Mauro Marcelo Bert Normalizao bibliogrfica: Elizabeth Denise Cmara Trevisan, Lidia Woronkoff Editorao eletrnica: Luciane Cristine Jaques 1 edio 1 impresso (2006): sob demandaTodos os direitos reservados. A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao - CIP Embrapa Florestas Curcio, Gustavo Ribas. A Geopedologia e sua influncia sobre espcies arbreas de florestas fluviais [recurso eletrnico] / Gustavo Ribas Curcio, Alexandre Uhlmann. Lcia Sevegnani. - Dados eletrnicos. Colombo : Embrapa Florestas, 2006. 1 CD-ROM. - (Documentos / Embrapa Florestas, ISSN 16792599 ; 135) ISSN 1517-526X (impresso) 1. Geologia. 2. Geomorfologia. 3. Solo - Floresta fluvial. 4. Semente. I. Uhlmann, Alexandre. II. Sevegnani, Lcia. III. Ttulo. IV. Srie. CDD 551.41 (21. ed.) Embrapa 2006

Autores

Gustavo Ribas Curcio Engenheiro Agrnomo Pesquisador III- Embrapa Florestas e-mail: curcio@cnpf.embrapa.br Alexandre Uhlmann Bilogo Professor - FURB e-mail: auhlmann@furb.br Lcia Sevegnani Biloga Professora - FURB e-mail: sevegnani@furb.br

ApresentaoO modelo de desenvolvimento adotado pela sociedade exerceu e ainda exercer uma presso expressiva sobre os recursos naturais. Sem sombra de dvidas, uns dos segmentos de paisagem que mais se alteram com as atividades humanas so os ambientes fluviais, pois sua posio, dominantemente em plancies, favorece o recebimento de todos os tipos de resduos e sedimentos, alm de, na maioria dos casos, terem suas florestas totalmente descaracterizadas. Em outras palavras, verifica-se uma forte alterao das funcionalidades ecolgicas dos rios, trazendo prejuzos expressivos, no s para o prprio homem, mas, sobretudo, para todo o ambiente. Dentro desse enfoque, o rio Itaja, no estado de Santa Catarina, tambm se encontra profundamente alterado, com o comprometimento quase que total de sua cobertura florestal. No sentido de reverter esse processo, a Embrapa Florestas e a Universidade Regional de Blumenau - FURB (representada pelo Departamento de Cincias Naturais - DCN e o Instituto de Pesquisas Ambientais - IPA), efetuaram um levantamento de solos e geomorfologia fluvial, concomitantemente ao levantamento florstico nos rios Itaja do Oeste e Itaja-Au, com o objetivo de obter uma relao de espcies arbreas nativas que possam ser recomendadas para a recuperao das margens do citado rio. Para tanto foi empregada uma metodologia de pesquisa desenvolvida pela Embrapa Florestas, a qual se mostrou muito contundente medida que releva especificidades interativas da geologia, geomorfologia, hidrologia, pedologia e cobertura vegetacional. Este documento apresenta os resultados obtidos no referido estudo, agrupando as espcies em trs grupos funcionais, potenciais para a recuperao de ambientes fluviais do rio Itaja do Oeste e Itaja-au, em concordncia com os padres de solos identificados ao longo da Bacia.

Sumrio

Introduo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 A Plancie do Rio Itaja . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Compartimentos Geopedolgicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Compartimento 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Compartimento 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Compartimento 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Compartimento 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Compartimento 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Compartimento 6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Concluses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Referncias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 Anexo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

A Geopedologia e sua influncia sobre Espcies Arbreas de Florestas FluviaisGustavo Ribas Curcio Alexandre Uhlmann Lcia Sevegnani

IntroduoAs florestas de encostas que se encontram sobre as paisagens da regio Sul do Brasil, em quase sua totalidade, encontram-se sobre solos bem drenados, no sendo verificada uma distribuio florstica atrelada fortemente s caractersticas dos solos, salvo algumas excees. Contudo, nas florestas localizadas sobre as plancies fluviais, muitas vezes, tem-se uma diversidade florstica, assim como um padro de distribuio das espcies, regidas diretamente pelos regimes hdricos dos solos (MANTOVANI, 1989; REICHARDT, 1989; GONZLEZ DEL TNAGO & GARCA DE JALN, 1998 entre outros). Deve ser salientado que, quanto mais o ambiente fluvial se aproxima dos ambientes marinhos, mais as caractersticas qumicas do solo assumem importncia nesse contexto (LIMA et al., 2001), especialmente atravs dos carteres sdico e soldico. O perfeito entendimento da distribuio das espcies na plancie somente possvel aps a compreenso da distribuio dos solos nessas paisagens e, principalmente, a identificao e a dinmica dos regimes hdricos. Reichardt (1989) comenta em seu trabalho a importncia das condies de umidade dos solos em ambiente fluvial para a adaptao das espcies florestais. A forma mais precisa de se conseguir esse tipo de informao compartimentar a paisagem fluvial tendo em conta a geopedologia, ou seja, assumir que o modelamento das paisagens de plancies resultado da atuao da hidrodinmica fluvial sobre os depsitos aluviais e que, de certa forma, pacotes aluvionares menos espessos podem ter forte relao com os corpos rochosos e respectivos lineamentos que constituem o embasamento desses ambientes. Assim, possvel visualizar e, notadamente, ter uma melhor

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A Geopedologia e sua influncia sobre Espcies Arbreas de Florestas Fluviais

compreenso das diferentes feies geomrficas de plancie que, por sua vez, sero formadas por solos com caractersticas qumicas e fsicas distintas. Sem dvida, nas encostas, verifica-se uma relao muito boa entre as caractersticas dos solos e os tipos de rochas que lhes deram origem (BRADY & WEIL, 1999), contudo, nas plancies, a despeito do remanejamento dos sedimentos ao longo do curso fluvial, ainda assim se verifica uma relao importante que deve ser buscada e que servir como uma importante ferramenta para entender a dinmica de ocupao das espcies florestais. Deve se ter em mente que grande parte da rede fluvial regida por estruturas geolgicas (SUGUIO & BIGARELLA, 1979), seja por lineamentos de ordem estrutural falhas e/ou fraturas, ou pela presena de rochas que apresentam maior ou menor resistncia inciso pela linha de talvegue. Em nveis abstracionais mais elevados, pode-se pensar que a amplitude lateral das plancies, assim como o maior ou menor declive longitudinal dos rios, est estabelecido em estreita consonncia do clima com agentes estruturais geolgicos lineamentos/litotipos. Como resultado, so observados padres de leitos fluviais com caractersticas muito diversas, refletindo o grau de energia para cada segmento de seu curso (CHRISTOFOLETTI, 1981). Assim, podem ser encontrados padres de leito do tipo meandrante, sinuoso, anastomosado, entrelaado e retilneo (SUMMERFIELD, 1991), entre outros, dependendo da escala de trabalho. Esses tipos de leitos do evidncias muito fortes da energia presente naquele ambiente (BIGARELLA, 2003; SUGUIO, 2003) e, portanto, servem como indicadores da fragilidade ambiental frente s distintas aes do homem. Infelizmente, ainda no se faz uma aplicao direta das informaes presentes nos ambientes, em funo do grande desconhecimento que o homem tem a respeito da natureza, notadamente, de sua dinmica de modelamento. Evidente que existem muitas variaes dentro desses padres, mas cabe a cada um detectar o que importante e, principalmente, qual a aplicao prtica da informao no contexto de seu trabalho. Quando se tem um rio entalhando diferentes litotipos ao longo de seu curso, h que se ter em conta que, gradualmente, os sedimentos que esto sendo trazidos das encostas para as plancies, atravs da eroso natural ou acelerada, neste ltimo caso provocada pelo homem, vo mudando medida que altera a textura dos solos das encostas em conformidade com o substrato rochoso. Como decorrncia, podero se verificar mudanas granulomtricas e qumicas dos solos fluviais. Por exemplo, a textura dos solos de plancie pode se ajustar, passando de arenosa, quando o rio est incidindo sobre arenitos, para mdia ou mesmo argilosa quando h inciso sobre argilitos. Vale ressaltar que nem sempre esse processo se verifica com tanta eminncia, pois deve ser considerada a expresso geogrfica da rocha que est sendo entalhada, alm da razo fluvial transporte/deposio que, por sua vez, determinada pela capacidade e competncia fluvi