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    Crditos Concluses

    Apresentao - Introduo

    Artigo 1

  • Artigo 2

    ALCOOLISMO - ATUALIZAO

    Juberty Antonio de Souza

    HISTRICO

    O alcoolismo uma das patologias que mais afligem indivduos e coletividades, pelas suas particularidades e histria atravs dos tempos to antigo quanto o prprio homem (Fortes & Cardo 1991, Cardim et al. 1986, Vargas 1983, Materazzi 1985).

    As bebidas alcolicas estiveram presentes em quase todas as culturas conhecidas at hoje. A este respeito alguns autores, Masur (1984), Sonnenreich (1976), Sampaio (1988) e Yamamoto et al. (1993), salientam a diversidade de papis ou significados assumidos em diferentes contextos. Assim, mesmo no conhecimento vulgar, aceito que as bebidas alcolicas: ajudam no trabalho duro e dirio; alivia a fome; d energia aos fracos; d calor no frio; refresca no calor; diferencia crianas de adultos; separa os homens dos "maricas"; serve de consolo nas vicissitudes, e muitas outras representaes.

    Todavia, apesar de o lcool ser conhecido desde os tempos mais remotos, lembrado biblicamente e associado ao sexo e luxria, somente no Sculo XVIII o problema foi objeto de maior ateno por parte da medicina, quando Benjamim Rush descreve os seus efeitos no corpo e na mente humana, concebendo esta condio como enfermidade. Em 1849, Magnus Huss (apud Keller, 1980), "cunha" a designao Alcoolismo, no se referindo ingesto excessiva de bebida, mas sim, s conseqncias somticas decorrentes de tal prtica e os efeitos nocivos que a ingesto crnica proporcionava. Apesar disso, a ingesto do lcool ainda continuou a ser considerada como vcio ou fraqueza de carter.

    Tal representao perdurou por dcadas, at que a Organizao Mundial da Sade (OMS) passou a considerar o alcoolismo como uma patologia e, mais recentemente, a Sndrome da Dependncia do lcool (SDA), idealizada por Edwards & Gross(1976), como elemento bsico para seu diagnstico.

    A Sndrome da Dependncia do lcool, tratada como alcoolismo crnico, deve ser entendida como sendo uma gradao - primeiramente com o incio da ingesto de bebidas at chegar a uma situao de dependncia, num perodo que varia entre 5-10 anos - e caracterizada como um grupo inter-relacionado de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiolgicos. Por outro lado, as incapacidades relacionadas ao lcool consistem em disfunes fsicas, psicolgicas e sociais, que advm direta ou indiretamente ao uso excessivo da bebida e a dependncia.

    Pode-se ento considerar dois tipos de quadros clnicos: os decorrentes da ingesto excessiva e a dependncia propriamente dita, e os diferentes quadros clnicos decorrentes das complicaes somticas ou condies associadas (p. ex., epilepsia, cirrose heptica, infees pulmonares, traumatismos etc).

    A ingesto de bebidas alcolicas pode levar a quadros muitos diferentes, com cursos irregulares e prognstico varivel, dificultando o reconhecimento e a aceitao do alcoolismo como patologia. Em funo disto, Keller (1980) recorda e enaltece duas grandes contribuies de Jellineck que, ao descrever os quadros clnicos, deu nfase a diferentes tipos e proposta de se considerar vrios "alcoolismos".

    ALCOOLISMO: PROCESSO SADE/DOENA

  • Historicamente sade e doena tm sido consideradas como categorias diferentes, expressas em determinado momento pelo homem. Assim, na Grcia Antiga era representada pela deusa Higia e, posteriormente, em Roma, foi denominada de Salus, significando bem estar.

    Alonso-Fernandez (1988) considera que sade e doena so categorias fundamentais para todos os ramos das Cincias Mdicas. Enfatiza, entretanto, que apesar das diferentes definies, nenhuma delas reflete totalmente a essncia destes fenmenos. Considera, ainda, que essas duas categorias devem ser interpretadas ao longo da histria da humanidade, por estarem indissoluvelmente ligadas ao grau de conhecimento cientfico, evoluo do pensamento humano e s concepes ideolgicas prprias de cada formao socioeconmica.

    Desde Hipcrates e at hoje, com algumas modificaes decorrentes da evoluo dos conhecimento, a doena conceituada como: "Toda e qualquer condio individual que traga dor, sofrimento prprio ou de outrem, de qualquer etiologia, e que em funo desta condio traga diminuio, limitao, incapacitao, piora da qualidade de vida, seja de forma provisria ou permanente, parcial ou total." Dessa forma o alcoolismo preenche os requisitos estabelecidos desde remotamente para ser reconhecido como doena que, de acordo com Letamendi (apud Miranda S, 1988), traz dor, sofrimento, limitao, impedimento e/ou incapacidade no exerccio das atividades de forma regular.

    Recordando o conceito de sade como o equilbrio, a harmonia, o bemestar bio-psiquico-social adotado pela OMS, Almeida Filho(1992) comenta: "nesta conotao, sade/doena uma expresso composta que denota desde 'o estado de completo bem-estar fsico, mental e social' at o de doena, passando pela coexistncia de ambos em propores diversas; a ausncia gradativa ou completa de um destes estados corresponde ao espao do outro e vice-versa".

    Nesse sentido, Laurell (1983), San Martin (1979) e Miranda S (1988), afirmam que o processo sade/doena deve ser aceito como uma concepo globalista, ressaltando a unidade dos fatores biolgicos, psicolgicos e sociais no organismo e a compreenso da indissolvel identidade do organismo com o ambiente. Portanto, no se trata apenas de identificar o alcoolista na clnica ou em locais de atendimento, mas tambm em seu ambiente, ou seja, na comunidade.

    Da perspectiva clnica, h pelo menos dois sculos, seria necessrio a existncia de uma etiologia presumida ou confirmada, quadros clnicos conhecidos, curso regular e prognstico conhecido para o reconhecimento de uma doena, uma patologia ou uma condio nosolgica. Recentemente, Bertolote (1991) discorreu sobre esse tema, considerando a Sndrome de Dependncia do lcool como capaz de responder s exigncias dos critrios para ser identificada como sintoma, como sndrome ou como doena, e o fez com os seguintes argumentos:

    Ao mesmo tempo, este autor reconhece que o alcoolismo, alm de se constituir em matria mdica, tambm se constitui em matria das Cincias Sociais, da Economia, do Direito, da Poltica, da tica e da Moral.

    QUADROS CLNICOS

    Classicamente h o reconhecimento de diversos quadros clnicos decorrentes da ingesto de bebidas alcolicas, sendo que todas estas condies so aceitas e descritas no Cdigo Internacional de Doenas, em sua 10 reviso, atualmente em vigor:

    "... temos aqui um agente - o lcool; temos as manifestaes sintomticas (ainda que contestadas, em parte); temos uma evoluo relativamente tpica; temos algumas aceitveis hipteses de mecanismo etiopatognico e temos at tratamentos consagrados".

    Embriaguez

    Embriaguez Patolgica

    Dipsomania

  • ETIOLOGIA

    Do ponto de vista etiolgico ou de suas causas, duas modalidades de alcoolismo so aceitas, a saber: a) primrio: quando no se identifica qualquer fator capaz de justificar o incio e/ou manuteno da ingesto de lcool at a dependncia; b) secundrio: quando identificado ao menos um fator, ou conjunto de condies, fatores ou estados prvios, que explicariam o incio e, posteriormente, a manuteno da ingesto.

    Hoje h o consenso da etiologia multifatorial em que um conjuno de fatores biolgicos, psicolgicos e sociais, agindo concomitantemente determinam a dependncia. Desta forma, e de forma simplificada, so mostradas alguns desses fatores.

    BIOLGICA

    HEREDITARIEDADE

    Fisiologia - Ao da enzima Aldeidodesidrogenase - diminuda em algumas etnias. A sua diminuio propicia uma maior presena de acetaldeido no organismo e com isto o apareceimento de sintomas como taquicardia, sensao de queimao no estmago, palpitao, fraqueza nas pernas e fogachos faciais. Entretanto, outros trabalhos tm mostrado a associao de nveis mais elevados de acetaldeido com euforia, o que reforaria que o aumento do uso de lcool parece estar associado com a alterao autossmica.

    ESTUDOS COM GMEOS MONOZIGTICOS

    Estudos apontam que gmeos monozigticos apresentam maior concordncia para o comportamento relacionado ao ato de ingerir bebidas alcolicas e maior concordncia para o abuso do lcool do que os gmeos no-monozigticos.

    ESTUDOS DE ADOO E PARENTESCO

    Em cinco estudos de adoo, 4 mostraram que no houve nenhuma relao significante entre o abuso de lcool, os adotados e os pais adotivos com quem eles viveram, ocorreu, sim, um risco crescente, significativo e consistente de alcoolismo nos adotados, mesmo se a adoo ocorreu ao nascer, se os pais biolgicos abusaram do lcool. Em um dos estudos, Goodwin (apud Vaillant, 1999) demonstrou que homens cujos pais biolgicos eram alcoolistas apresentavam uma possibilidade quatro vezes maior de serem alcoolistas do que os

    Sndrome de Dependncia Alcolica (Edwards) - Alcoolismo Crnico

    Sndrome de Abstinncia

    Delirium tremens

    Alucinose alcolica

    Parania alcolica

    Demncia alcolica

    Sndrome alcolica fetal

  • filhos biolgicos de no alcoolistas.

    Shuckit et al. (1972) observaram que crianas cujos pais biolgicos eram alcoolistas apresentaram um ndice de abuso de lcool trs vezes mais elevado do que aquele de crianas sem pais alcoolistas criados por um pai adotivo ou substituto alcoolista.

    Jellinek (apud Vargas, 1985), estudando mais de 4000 pacientes alcoolistas, refere que pelo menos um tinha parente alcoolista.

    O nico trabalho disponvel que apresenta resultados contraditrios neste sentido foi o de Ann Roe (apud Vaillant, 1999), que estudando pronturios de sessenta e uma crianas, filhas de pais alcoolistas, separados deles desde o nascimento, no encontrou nenhum alcoolista entre eles. Entretanto, alguns aspectos metodolgicos deste trabalho tm sido criticados.

    PSICOLGICA

    Durante