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AS ESTRATÉGIAS DA PROMOÇÃO INTERNACIONAL DO ABORTO - s3. · PDF filejardins, e et cetera. Não foi nada de um trabalho pioneira, mas no fim terminei criticando estas principais

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  • AS ESTRATGIAS DA PROMOO

    INTERNACIONAL DO ABORTO

    Condensado do depoimento autobiogrfico de

    ADRIENNE GERMAIN

    Original disponvel em

    http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/germain-trans.html

    1. Incio de sua vida.

    Nasci em So Francisco. Meu pai foi um administrador hospitalar e quando eu tinha seis ou sete anos, eu imagino, ele foi hospitalizado por causa de um cncer, que naqueles dias era considerada uma doena transmissvel. Foi uma situao muito estigmatizada. De qualquer forma, ele recuperou-se da doena mas em seguida deixou minha irm gmea, minha me, e a mim mesma em So Francisco e mudou-se para a Costa Leste para procurar um novo emprego, que por fim conseguiu. Minha me tornou-se uma assistente social especializada em psiquiatria. Ela retornou universidade depois do cncer de meu pai e por fim obteve seu Ph.D. na Universidade de Columbia e foi uma pioneira em seu trabalho. Eu cursava nesta poca a escola secundria em uma pequena cidade nos arredores de Baltimore quando entrei em Wellesley, e minha vida ento mudou totalmente. Eu fui para Wellesley e todo um novo mundo se abriu para mim, voc sabe, uma grande diversidade de pessoas, uma total autonomia e independncia, e eu amadureci. Eu amava aquilo. E era a famosa turma de 69, a turma de Hillary Clinton.

    At que ponto eu diria que tinha uma conscincia social quando entrei em Wellesley? Bem, eu cresci tendo

    uma conscincia social, porque ambos os meus pais de certo modo estavam envolvidos com trabalhos sociais. Meu pai era administrador hospitalar e minha me assistente social, e de fato ns crescemos rodeados de uma fortssima tica de fazer o bem para os outros. E quando eu era mais jovem, de fato, at eu entrar em Wellesley, eu sempre pensei que eu queria ser uma mdica. Foi ento que, refletindo, medida em que pensava no assunto, eu entendi que eu no queria ter que tomar decises de vida-e-morte sobre quem quer que fosse, e portanto eu no queria estar envolvida em uma posio como esta.

    2. Formada em sociologia, viaja para o Per. Assim, formei-me em Sociologia. Se voc escolhesse fazer uma tese bem feita, o caminho normal seria usar

    o vero entre o primeiro e o ltimo ano, mas eu tive a oportunidade de atravs de amigos de outros amigos de viajar para o Per. Havia uma pesquisa realizada de casa em casa que estava sendo conduzida no Per pela Universidade de Michigan e os tais amigos dos amigos tinham ligao com ela. Pensei que seria uma alternativa interessante em vez de ficar fazendo pesquisa em biblioteca. E Lima, como cidade, estava muito no centro dos debates da Sociologia sobre padres de crescimento urbano. Portanto, eu decidi que eu faria minha tese sobre

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    Lima, mas tendo a possibilidade de trabalhar com o pessoal da Universidade de Michigan. Estamos falando de 1968.

    Bem, eu no falava nada de espanhol. Alm disso, eu tinha recebido um dinheiro, mas no o suficiente para

    viver por mim mesma. Assim, eu aluguei um quarto junto a uma famlia de baixa renda. E ento, quando eu cheguei em Lima, com certeza, eu no falava a lngua e nunca tinha viajada para o estrangeiro. Percebi que era uma famlia muito violenta e eu terminei tendo que montar uma barricada em minha porta todas as noites.

    De qualquer maneira, tudo isso era imensamente desafiador, mas aquilo em que eu gastava a maior parte do

    meu tempo eram as sadas com o pessoal de Michigan quando eles faziam as entrevistas, e muitas destas entrevistas eram nas favelas de Lima, as barriadas, mas depois uma grande quantidade delas eram em cidades menores e tambm em vilas rurais em todo o pas. Assim eu pude atravessar todo o Per.

    Eu no sabia falar espanhol, mas ficava junto e ouvia, e tinha, como ficou evidente, um bom ouvido. O

    pessoal de Michigan era muito gentil para comigo e no se preocupavam em traduzir. Mas o que aconteceu nesta situao foi que eu observava muito. Foi muito, muito intenso. Todos os meus sentidos foram, e nunca tinham sido em nenhuma circunstncia como essa, todos estimulados e algumas vezes at diria assaltados. Eu escrevi uma tese no fim relacionada com os padres espaciais de crescimento. A principal teoria naquele tempo sobre crescimento urbano, o final dos anos 60, era que ele se desenvolvia em crculos concntricos a partir de um miolo rico, e os tericos esperavam verificar que quanto mais longe voc se dirigisse, mais pobre a populao se tornaria. Mas isso decididamente no era o modo como Lima estava se desenvolvendo, quero dizer, em crculos concntricos. A populao abastada ou de classe mdia comeou a mudar-se para lugares menos povoados onde pudessem cultivar jardins, e et cetera. No foi nada de um trabalho pioneira, mas no fim terminei criticando estas principais teorias sobre crescimento urbano, e isso foi divertido.

    3. Casa-se e dirige-se a Berkeley para obter seu PhD. Voltei para Wellesley para completar meu ltimo ano. Naquele tempo eu decidi, assim como muitos de

    minhas amigas tambm o fizeram, casar-me no dia seguinte minha colao de grau. Eu me inscrevi para um programa de Ph.D. na Universidade da Califrnia em Berkeley em Sociologia, e quando eles me mandaram a carta de aceitao, tambm me concederam uma bolsa para cinco anos de carreira, totalmente paga, com um salrio para manuteno, que era uma coisa que no se ouvia falar, patrocinada pela Fundao Ford. Eu no tinha a menor idia do que fosse a Fundao Ford. Eu disse: Ora, bem, muito obrigado. Isso vai ajudar muito. Meu marido no tinha emprego e a idia era que ns dois queramos ficar na Califrnia. Isto foi em 1969.

    E ento, logo depois de fazer isso, ele conseguiu uma oferta de emprego em Nova York, voltou para casa,

    contou-me isso e disse que tinha aceitado. E alguma coisa ento rachou, quero dizer, ele nem me havia consultado. Ali estava eu com uma balsa de cinco anos, bem encaminhada e realmente adorando Berkeley e assim por diante. Mas eu pensei que eu iria porque tendo sido educada do modo como fui eu no podia nem pensar em divrcio.

    No estava casada nem h seis meses. Tinha sido em novembro. E supunha-se que partiramos, no consigo

    me lembrar se era o dia de Natal ou no Ano Novo, um dos dois. Tudo estava empacotado e todo aquele tipo de tranqueira, e nos mudamos para um hotel na ltima noite, eu imagino. Acordamos muito cedo na manh seguinte para tomar o avio, quando o alarme soou e eu entendi que eu no iria. Ele esbravejou um monte de coisas, nem preciso dizer. Mas acabou indo. E eu pensando, como pude ter-me casado com este homem, eu no sei, mas a experincia da vida.

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    J estava chegando junho e eu ainda no tinha resolvido nada com meu marido. Eu ainda no podia pensar

    em divrcio e o que eu decidi fazer era ceder novamente, voltar e tentar salvar o casamento outra vez, em Nova York. Assim eu comecei a procurar emprego. Naquele tempo a seo de demografia do departamento de Sociologia era um dos principais centros de demografia nos Estados Unidos e eu havia estudado com duas das principais pessoas que tiveram um enorme impacto em minha vida, Judith Blake e Kingsley Davis.

    4. Muda-se para Nova York, consegue emprego no Population Council e divorcia-se. Assim eu acabei os nove meses e tudo e me inscrevi em diversos lugares em Nova York para tentar

    encontrar um emprego, pensando que devia tentar fazer o casamento andar e poderia ser que um dia poderia voltar e completar o curso ou qualquer coisa. Eu comecei minhas entrevistas na Fundao Ford, na qual novamente, fui classificada como no registrada ou eles se esqueceram que minha bolsa havia sido paga pela Fundao Ford, fiz entrevistas no Population Council, em grande parte por causa de sua fama, e creio que tambm na Planned Parenthood.

    Eu cheguei e meu marido havia recebido o cargo de consultor itinerante na zona rural de Massachusetts e

    ele esperava que eu fosse com ele, o que eu fiz, e que eu permanecesse naqueles horrorosos motis um dia depois do outro todo o dia por minha conta enquanto ele fazia o seu trabalho de consultor. De qualquer maneira, a partir da eu tinha tambm que viajar por conta das minhas entrevistas, que eu insistia em fazer. Ele no queria que eu fizesse, mas eu insistia.

    Ele queria que fosse uma esposa do lar. Parece que era isso o que ele queria. Mas, nem preciso dizer, a

    entrevista no ia muito bem. Uma coisa que eu lembro a respeito foi que um homem que depois se tornou muito importante estava me entrevistando, olhou para mim e me disse: Bem, agora, eu realmente no penso que nem possamos consider-la para este trabalho porque voc casada. Eu disse: O que?. Ele respondeu: Bem, sim. Voc ir trabalhar conosco por um ano ou dois e depois ir embora para ter os seus bebs.

    Naquela poca no era ilegal dizer estas coisas. E a outra coisa que lembro foi uma pergunta que usei

    novamente muitas e muitas vezes em minha vida, que era, ele me disse, Se voc tivesse dois milhes de dlares para gastar no trabalho populacional, como voc o gastaria? Isso, com certeza, era algo que eu nem tinha pensado a respeito porque eu realmente no sabia o que a Fundao Ford era ou o que eles faziam no mundo. Mas a entrevista no Population Council foi melhor, e John Ross, que era um lder na rea de avaliao do programa de planejamento familiar, contratou-me como pesquisadora associada.

    Meu marido ficou horrorizado. Disse que eu no podia aceitar o emprego porque iam pagar-me nove mil

    dlares e ns iramos acabar pagando mais impostos ou alguma coisa do tipo. Bem, isto e algumas outras poucas coisas do gnero foram para mim a gota de gua e eu decidi, okay, isto no vai dar certo.

    5. O trabalho no Population Council. Iam fazer duas coisas no Population Council naqueles dias. A primeira era alguma coisa chamada de

    programa ps-parto. Algum tinha tido a idia de que o perodo ps-parto, ime

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