AS INTELIGNCIAS MLTIPLAS NA AULA DE ... - EIEM .Palavras-chave: inteligncias mltiplas, aula

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AS INTELIGNCIAS MLTIPLAS NA AULA DE MATEMTICA1

Guida Dias

ES Campos Melo Covilh guidagomesdias@gmail.com

Jos Manuel Matos

Faculdade de Cincias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa jmm@fct.unl.pt

Helder Vilarinho,

Departamento de Matemtica da Universidade da Beira Interior helder@ubi.pt

Resumo

Esta comunicao tem por base uma investigao em curso centrada na aplicao Matemtica dos trabalhos de Howard Gardner no domnio da inteligncia. Tem como objetivo estudar a ocorrncia das Inteligncias Mltiplas em aula, na perspetiva da sua mobilizao pelos alunos e pelos professores e para tal foi desenvolvido um protocolo para a operacionalizao das inteligncias. A investigao de cariz qualitativo e centrou-se na observao das prticas de aula de cinco turmas de Matemtica. Concluiu-se que as inteligncias lingustica e lgico-matemtica so as mais mobilizadas, tanto por alunos como por professores. No entanto constata-se que outras inteligncias (espacial, corporal-cinestsica e interpessoal) esto presentes .

Palavras-chave: inteligncias mltiplas, aula de Matemtica, interaes

1- Introduo 1.1- O contexto A dinmica e o ambiente de aprendizagem assumem um papel fundamental na forma como os alunos constroem o seu saber e as suas experincias e como as recordam e usam em situaes futuras. Esse ambiente pode traduzir um maior ou menor envolvimento no trabalho e nas relaes estabelecidas entre os diversos intervenientes. (Ponte, Boavida, Graa e Abrantes, 1997). Uma boa prtica educacional aumenta a capacidade das pessoas pensarem, sentirem e ganharem aptido para agirem em situaes posteriores e ser bem sucedida se tiver em conta no s o pensamento do aluno, mas tambm os seus sentimentos e as suas aes.

1 Este trabalho financiado por fundos nacionais atravs da FCT Fundao para a Cincia e Tecnologia no mbito do Projeto Promover o Sucesso em Matemtica (contrato PTDC/CPE-CED/121774/2010).

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1.2- O problema As nossas escolas centram-se principalmente nos conhecimentos lingustico e lgico-matemtico. No entanto, sero esses suficientes numa sociedade em constante mudana que coloca aos seus cidados complexas exigncias em muitas questes das suas vidas? Que competncias so necessrias para que se tenha uma vida de sucesso, individual ou coletivo, de forma a enfrentar os desafios do presente e do futuro? E de que falamos quando nos referimos a competncias? O que ser competente para determinada tarefa? ser inteligente? E o que ser inteligente? ser mais capaz numa rea do que noutra? E quando falamos de inteligncia estamos a falar de um s tipo de inteligncia? Howard Gardner (1983) props uma viso pluralista da mente, no limitada a um tipo nico de inteligncia, mas sim vrias facetas de conhecimento que culminam em diferentes potenciais e estilos cognitivos. Como influenciam ento estas inteligncias o desenvolvimento e o bem-estar de um indivduo, nomeadamente na aula de Matemtica, e portanto nas prticas vivenciadas quer pelos alunos, quer pelos seus professores? Que fazer, para dar mais ateno a outras formas de conhecimento necessrio numa aula, nomeadamente na de Matemtica?

A preocupao central da investigao em curso compreender como so usadas as Inteligncias Mltiplas em aula, tendo por objeto de estudo as prticas de professores e de alunos. Tenta-se entender e dar resposta a algumas questes do tipo: que Inteligncias Mltiplas so mobilizadas pelo professor?; que Inteligncias Mltiplas so mobilizadas pelo aluno?

2- Reviso bibliogrfica 2.1 A Teoria das Inteligncias Mltiplas

O conceito de inteligncia, prolongamento do de raciocnio, significa coisas diferentes para diferentes pessoas e um constructo de difcil consenso (Almeida, 1988; Faria, 2007). No entanto, e apesar da controvrsia que tem gerado no seio de diferentes grupos profissionais e da prpria opinio pblica, objeto de um largo nmero de investigaes, permanecendo como um dos critrios de anlise do comportamento humano com imensas aplicaes.

Uma das muitas investigaes sobre inteligncia culminou em 1983 na apresentao da Teoria das Inteligncias Mltiplas que revolucionou o conceito de inteligncia e de raciocnio. Para Gardner (1983) cada ser humano possui, pelo menos, oito formas distintas de inteligncia, cada uma refletindo o potencial necessrio para resolver problemas ou criar produtos que sejam valorizados num ou em mais contextos culturais. Cada um de ns pode desenvolver cada inteligncia a um nvel adequado de competncia uma vez que as inteligncias geralmente trabalham em conjunto de formas complexas. Sempre que nos envolvemos na resoluo de situaes com que nos defrontamos h mais do que uma ou duas habilidades a atuarem em simultneo. nestas relaes complementares entre as diferentes inteligncias que est a possibilidade de se potenciar uma em favor de outras. Gardner (1983, 1999, 2001) considerou oito inteligncias: Inteligncia Lingustica (capacidade de usar as palavras de forma eficaz quer oralmente quer por escrito), Inteligncia Lgico-matemtica (capacidade de usar os nmeros de forma eficaz e de raciocinar bem), Inteligncia Espacial (capacidade de perceber o mundo visual-espacial com preciso e de realizar transformaes sobre essas

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percees), Inteligncia Corporal-cinestsica (habilidade para usar objetos e utilizar o corpo para expressar ideias e sentimentos), Inteligncia Musical (capacidade de criar, comunicar e compreender significados atravs de sons), Inteligncia Interpessoal (capacidade para perceber e compreender os outros), Inteligncia Intrapessoal (autoconhecimento e capacidade de agir adaptativamente com base nesse conhecimento) e Inteligncia Naturalista (capacidade para compreender e trabalhar de forma eficaz no mundo natural).

2.2- A Teoria das Inteligncias Mltiplas na aula

O fim da educao no oferecer respostas definitivas: reforar a sensao de compreenso sem suprimir a sensao de mistrio e maravilha (Gardner, 2000, p. 212). Na sua opinio quando uma pessoa compreende algo um conceito, uma tcnica, uma teoria ou um domnio de conhecimento pode aplic-los de forma apropriada e eficaz numa nova situao, pois quem tem uma boa compreenso do que o rodeia poder fazer uso dos conceitos adequados para resolver uma nova situao, sem recorrer a outros que no tenham nada que ver com o problema. Para Gardner (1999) algumas inteligncias em particular podem tornar-se o ponto central das atividades em aula, pois a escola dos nossos dias deve proporcionar a base para a melhor compreenso dos nossos diversos mundos o fsico, o biolgico, o dos seres humanos, o dos artefactos humanos e o do eu. Mas nenhum teste determina a natureza ou a qualidade das inteligncias e, portanto o professor dever fazer uma avaliao das inteligncias usando atividades ou experincias associadas a cada uma delas ou olhar para o variado leque de experincias reais que envolvem as oito inteligncias. Gardner (2000) e Armstrong (2009) defendem que usando a Teoria das Inteligncias Mltiplas se pode olhar para os pontos fortes do ensino, pelo menos, de trs maneiras: (i) a deciso pedaggica sobre a melhor maneira de apresentar um tema muito importante e o recurso s diferentes inteligncias pode promover o interesse dos alunos e fazer com que se recordem melhor da apresentao inicial desse tema; (ii) os temas pouco familiares so normalmente captados com mais facilidade se estabelecermos analogias com outros temas que se conheam ou se compreendam melhor; (iii) todo o tema a tratar deve oferecer um conjunto de ideias importantes ou essenciais, oferecendo mltiplas representaes das suas ideias essenciais.

2.3- As Inteligncias Mltiplas na aula de Matemtica

imprescindvel que a disciplina de Matemtica saiba dar aos alunos um papel mais ativo na construo do seu prprio conhecimento, harmonizando os objetivos do domnio cognitivo, social e humano, e estabelecendo relaes com a realidade envolvente (Melo, 2012). O professor deve fazer com que os seus alunos tomem conscincia do ponto de chegada, do caminho percorrido, do mtodo utilizado e do propsito a ser cumprido, assegurando tambm que o saber adquirido no seja nem puramente verbal, nem puramente formal, devendo ser integrado na personalidade. Um professor de Matemtica estabelece e cria um ambiente que conduz aprendizagem atravs das decises que toma, das conversas que modera e do ambiente fsico que cria. Sendo mais do que um ambiente fsico, o ambiente da aula transmite mensagens subtis acerca do que valorizado na aprendizagem e no fazer matemtica e, alm disso, um

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ensino efetivo deve ter presente a observao dos alunos, a escuta atenta das suas ideias e explicaes, a definio dos objetivos matemticos e a utilizao da informao obtida para tomar decises, como sugerido em NCTM (2008). Porm, para que isto seja realizado com sucesso, temos que nos concentrar em todo o conjunto de inteligncias para alm do tradicional foco nas inteligncias lingusticas e lgico-matemticas.

Segundo Campbell, Campbell e Dickinson (2004), a inteligncia lingustica est profundamente enraizada nos nossos sentimentos de competncia e autoconfiana. Quanto mais os alunos exercem essa inteligncia num ambiente seguro, mais facilmente desenvolvem habilidades verbais eficazes e, como tal, os professores podem incentivar os seus alunos a saber ouvir, a saber ler e interpretar e a saber questionar os outros. Esta ideia vai de encontro ao referido no documento do NCTM (2008), que refere a comunicao como uma parte essencial da Matemtica, sendo uma forma de partilhar ideias e de clarificar a compreenso. Quando os alunos so desafiados a pensar e a raciocinar sobre a Matemtica, e a comunicar as ideias da resultantes oralmente ou por escrito e a saber ouvir, aprendem a ser claros e argumentativos.

Para desenvolver a inteligncia lgico-matemtica, os alunos