Atividades Artist

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    Governador do Estado de So Paulo Cludio Lembo

    Secretria de Estado da Educao Maria Lucia Vasconcelos

    Secretria-Adjunta Carmen Annunziato

    Chefe de Gabinete Evandro Fabiani Capano

    Coordenadora de Estudos e Normas Pedaggicas Sonia Maria Silva

    Coordenador de Ensino da Regio Metropolitana da Grande So Paulo Luiz Candido Rodrigues Maria

    Coordenadora de Ensino do Interior Aparecida Edna de Matos

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    GOVERNO DO ESTADO DE SO PAULO SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAO

    COORDENADORIA DE ESTUDOS E NORMAS PEDAGGICAS

    ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL

    OFICINAS CURRICULARES DE Linguagens Artsticas

    Teatro Msica Dana

    Artes Visuais

    Sonia Maria Silva Coordenadora da CENP

    Equipe Tcnica CENP Roseli Ventrella

    Suzana dos Santos Rigo

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    OFICINA DE LINGUAGENS ARTSTICAS - TEATRO

    OS JOGOS DE IMPROVISAO TEATRAL: PROCEDIMENTO PRIVILEGIADO DE APRENDIZAGEM

    Flvio Desgranges

    AS REVOLUES DA CENA MODERNA E O ENSINO DO TEATRO

    Os encenadores modernos operam, na virada do sculo XIX para o XX, uma reviso acerca da prpria funo do teatro na sociedade, passando especialmente pelo questionamento e a investigao das possibilidades de comunicao entre palco e platia. E inauguram a preocupao sobre uma questo que passa a ser fundamental e norteadora para o desenvolvimento da cena, e que movimenta os artistas at os dias de hoje: qual o papel do espectador no evento teatral? na tentativa de formular respostas para esta questo que se sustentam as transformaes na cena moderna, pois os encenadores mostravam-se dispostos a movimentar esta relao, a sacudir os espectadores em suas poltronas. As respostas formuladas pelos artistas desde ento so as mais variadas, com o intuito de propor uma relao ativa, efetiva da cena com o pblico teatral.

    Atualmente, toda produo desenhada para induzir a platia a participar: dramaturgos e diretores modernos confiam no apenas nos esforos dos atores e nas facilidades disponveis da maquinaria do palco, mas tanto quanto nos esforos da platia. Ns produzimos toda pea sob a certeza de que ela estar ainda inacabada quando estrear. Fazemos isto conscientemente porque notamos que a reviso crucial da produo aquela que feita pelo espectador (Meyerhold, apud Rodrigues, 2004, p. 36).

    Provocar a recepo dos espectadores constitua-se em desafio central para os encenadores europeus, como Meyerhold, surgidos nas primeiras dcadas do sculo XX, despertando na platia uma atitude produtiva em face

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    da cena. A cena teatral, para isto, precisaria ser apresentada enquanto fato assumidamente artstico, revendo e negando a tendncia ilusionista que prevalecia desde o sculo XVIII, que se preocupava em camuflar os mecanismos e instrumentos de produo da teatralidade, pois tinha o intuito de fazer do palco uma iluso da prpria vida.

    Livres da necessidade de servir lgica ilusionista a que o palco estava submetido, os elementos da cena gestos do ator, objetos do cenrio, figurinos, adereos, sons, iluminao vo aos poucos assumindo novas dinmicas na construo do discurso teatral. O que faz com que a arte da encenao se estabelea com vigor jamais imaginado, e viabiliza que o palco conquiste a possibilidade de se comunicar a partir de variadas e diferentes vozes, valendo-se da expresso particular a cada um dos diferentes elementos de linguagem.

    A valorizao destes diversos elementos de significao foi, por sua vez, no decorrer do sculo passado, tirando o texto de uma posio hegemnica na construo da cena, o que se constitui em transformao radical nas artes da cena. A escritura teatral passa a ser compreendida como um ato artstico no mais necessariamente comandado pela lgica do texto escrito, pois os elementos de linguagem conquistam total independncia na configurao de um palco polifnico, em que vrias vozes, vrios elementos de linguagem manifestam-se, cada qual a seu modo, e se relacionam na estruturao do discurso cnico.

    Esta mudana na concepo da cena est diretamente relacionada com a modificao que se d na comunicao entre palco e platia, pois este teatro moderno se vale de todos os elementos constituintes da arte teatral para criar signos visuais e sonoros que desafiem e estimulem a imaginao e a atitude produtiva do espectador.

    O teatro moderno se v, assim, diante de indagaes acerca do sentido desta arte em seu dilogo com a sociedade, que operam uma revoluo no universo da cena e que deflagram profundas transformaes na relao da cena com a sala, do palco com a platia. As transformaes operadas na arte teatral, portanto, tiram o texto de uma posio necessariamente central no espetculo, conferindo igual importncia aos demais elementos constituintes da encenao. A partir de ento, o texto

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    deixaria de ser o principal aspecto da cena e todos os elementos de linguagem poderiam contribuir igualmente para apresentar teatralmente um acontecimento aos espectadores.

    Esta renovao na cena teatral, operada durante o decorrer do sculo passado, aponta para uma necessria reviso nos conceitos e procedimentos no mbito do ensino do teatro, que solicita aos educadores, em seus processos pedaggicos de investigao e apreenso desta arte, a valorizao no apenas do texto, mas tambm dos variados elementos de linguagem que compem uma cena teatral. Assim, o que se quer propor aos alunos nas aulas de teatro que se sintam aptos a construir discursos (cenas) teatrais valendo-se dos diversos elementos cnicos, pois, enquanto linguagem artstica, o teatro pode se valer de variados elementos para comunicar algo aos espectadores, utilizando-se de diversos signos visuais (os gestos do ator, os adereos de cena, os figurinos, o cenrio, a iluminao) e sonoros (o texto, as canes, as msicas, os efeitos sonoros). H encenaes teatrais que utilizam ainda signos olfativos (aromas de perfumes ou essncias, cheiro de defumador, odor de alimentos conhecidos, etc.), ou signos tteis (em que a cena - os atores ou objetos cenogrficos - prope algum tipo de contato corporal com os espectadores).

    Para isto, como veremos a seguir, os jogos de improvisao teatral constituem-se em recurso privilegiado de aprendizagem, pois possibilitam que os alunos vo experimentando a construo de cenas a partir de estmulos os mais diversos, selecionando vez a vez os variados elementos de linguagem para serem investigados em aula. Os alunos podem, assim, em um processo gradual e cumulativo, experimentar e apreender as variadas e ricas possibilidades de construo de uma cena, valendo-se dos tantos recursos que compem a linguagem teatral.

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    OS JOGOS DE IMPROVISAO TEATRAL: OBJETIVOS E PROCEDIMENTOS

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    Podemos compreender os jogos de improvisao, ou jogos improvisacionais, como exerccios teatrais em que um ou mais jogadores - atores executam uma cena de maneira improvisada, ou seja, sem ensaio. A cena pode ser improvisada a partir de breve combinao estabelecida pelos jogadores - atores, ou mesmo sem combinao prvia, partindo-se de uma proposta dada pelo coordenador do processo. Os demais integrantes do grupo se colocam, geralmente, enquanto jogadores-espectadores da cena apresentada. O exerccio continua at que todos os alunos apresentem as suas cenas. Via de regra, depois da apresentao das cenas, o grupo conversa e analisa a experincia.

    O teatro vem sendo trabalhado, nas mais diversas instituies educacionais e culturais, preferencialmente, a partir da prtica com estes jogos, e isto porque se compreende que na investigao proposta por estes exerccios o prazer de jogar se aproxima do prazer de aprender a fazer e a ver teatro, estimulando os participantes (de qualquer idade) a organizar um discurso cnico apurado, que explore a utilizao dos diferentes elementos que constituem a linguagem teatral, bem como a empreender leituras prprias acerca das cenas criadas pelos demais integrantes do grupo.

    A prtica teatral, assim desenvolvida, possibilita que os alunos exprimam, de diferentes maneiras, os seus pontos de vista, fomentando a capacidade de manifestarem sensaes e posicionamentos, tanto no que se refere ao microcosmo das suas relaes pessoais, quanto no que diz respeito s questes da sua comunidade, do seu pas e do mundo. Alm de constituir-se em uma atividade que prope o desenvolvimento do olhar crtico, pois, durante o processo, os integrantes so incentivados a manter a ateno aos ns das questes, a lanar porqus s situaes apresentadas: por que isto assim? Poderia ser diferente?

    Nas avaliaes das cenas, os alunos, seguindo as diretrizes do professor, podem conversar tanto sobre questes relativas vida social, presentes nas improvisaes, problematizando as situaes do dia a dia, quanto sobre as resolues artsticas apresentadas na oficina, com o intuito de aprimorar a capacidade do grupo de conceber um discurso cnico.

    A investigao teatral desenvolvida durante o processo, exorta os alunos a conhecerem e se apropriarem das possibilidades comunicacionais

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    desta arte. E mais, a inventarem um jeito prprio de pensar e fazer teatro, j que no se deve esperar que o grupo aprenda e reproduza um jeito certo (como se existisse um jeito certo de fazer teatro!), mas que crie a sua maneira de se comunicar a partir dos elementos constituintes desta linguagem artstica.

    A experincia com o teatro estimula que os alunos trabalhem isto que o diretor teatral ingls Peter Brook chama de o msculo da imaginao.

    A imaginao um msculo, e ela fica muito contente em jogar o jogo. Eu posso tomar, por exemplo, esta garrafa plstica e decidir que ela ser a Torre de Pisa. Eu posso jogar com isto, deix-la inclinada, experimentar tomb-la, quem sabe deixar que ela desmorone, se espatife no cho... Ns podemos imaginar isto no teatro, ou na pera, e a garrafa poderia