Aula 02 atendimento - aula 01

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of Aula 02 atendimento - aula 01

  • 1. PACOTE DE TEORIA E EXERCCIOS P/ ESCRITURRIO BANCO DO BRASIL PROFESSOR: ANTONIO NBREGA Aula um Prof. Antonio Nbrega Prezados amigos, estamos de volta para dar continuidade aos nossos estudos. Espero que nosso primeiro encontro tenha sido suficiente para uma compreenso das noes bsicas acerca do regime legal inaugurado pela Lei n 8.078/90 (Cdigo de Defesa do Consumidor), passo fundamental para que esta aula e as seguintes possam fluir de modo tranquilo e agradvel. Recordo que, naquela oportunidade, foram apresentadas algumas noes bsicas acerca dos princpios e regras trazidos pelo CDC, alm dos fundamentos legais e das circunstncias histricas que levaram criao de um sistema protetivo dos direitos dos consumidores. Ademais, tratamos da classificao normativa de consumidor, fornecedor, produto e servio, conceitos indispensveis para compreenso plena dos temas que sero debatidos adiante e que se encontram previstos em nosso edital. Nesta segunda etapa, comearemos a nos aprofundar na matria. Inicialmente, sero discutidos alguns pontos relativos Poltica Nacional de Relaes de Consumo, bem como sobre os Direitos Bsicos do Consumidor, os quais se encontram elencados no art. 6 do CDC. Em momento posterior, entraremos na parte mais densa de nosso contedo, ao iniciarmos a discusso sobre a qualidade dos produtos e servios e a reparao dos danos por eles causados. Esse tpico requer redobrada ateno por parte do candidato, pois sero debatidos uns tantos conceitos de grande relevncia como os de fato e vcio do produto ou servio -, alm da apresentao dos prazos decadenciais e prescricionais referentes queles assuntos. Merecem destaque, ainda, os pontos relativos oferta e publicidade, alm do rol de prtica abusivas previstas no art. 39 do CDC. Em relao a este ltimo assunto, nosso estudo consistir em apresentar cada uma daquelas prticas, seguidas de muitos exemplos, para que o candidato possa familiarizar-se com aquele elenco. Vamos aos estudos! Prof. Antonio Nbrega www.pontodosconcursos.com.br 1
  • 2. PACOTE DE TEORIA E EXERCCIOS P/ ESCRITURRIO BANCO DO BRASIL PROFESSOR: ANTONIO NBREGA AULA UM ROTEIRO DA AULA TPICOS 1) Poltica Nacional de Relaes de Consumo e Direitos dos consumidores 2) Proteo sade e segurana do consumidor 3) Responsabilidade nas relaes de consumo 4) Prazos de decadncia e prescrio 5) Desconsiderao da personalidade jurdica 6) Oferta e publicidade 7) Prticas abusivas de mercado 8) Cobrana de dvidas 9) Bancos de dados e cadastros, servios de proteo ao crdito 6) Exerccios 1) Poltica Nacional de Relaes de Consumo e Direitos dos Consumidores Com o escopo de criar slidos alicerces para a implementao de um microssistema jurdico que proteja os direitos dos consumidores, a Lei n 8.078/90 nos traz um elenco de princpios e objetivos (art. 4) que devem permear o regime legal inaugurado por aquela norma. Busca-se desenvolver, desta forma, uma poltica real voltada s relaes de consumo, de modo que os conceitos e regras trazidos pelo Cdigo de Defesa do Consumidor (CDC) sejam considerados na aplicao das regras ali insculpidas. Alm disso, os direitos dos consumidores (art. 6) visam garantir a construo de um sistema de normas e princpios que busque a proteo e a Prof. Antonio Nbrega www.pontodosconcursos.com.br 2
  • 3. PACOTE DE TEORIA E EXERCCIOS P/ ESCRITURRIO BANCO DO BRASIL PROFESSOR: ANTONIO NBREGA efetiva realizao daqueles direitos, por meio de regras de necessria observncia por parte de todos aqueles que fazem parte do mercado de consumo. 1.1 Princpios e execuo da Poltica Nacional das Relaes de Consumo Ao dispor sobre a Poltica Nacional das Relaes de Consumo, o caput do art. 4 do CDC dispe o seguinte: A Poltica Nacional das Relaes de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito sua dignidade, sade e segurana, a proteo de seus interesses econmicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparncia e harmonia das relaes de consumo (...) Trata-se de um rol de objetivos que devem ser buscados pelo aplicador das regras trazidas pela Lei n 8.078/90. Tendo em vista a relevncia deste contedo, sugere-se ateno ao quadro abaixo: Objetivos Necessiidades dos consumiidores Necess dades dos consum dores Diigniidade D gn dade Sade Sade Segurana Segurana Interesses econmiicos Interesses econm cos Qualliidade de viida Qua dade de v da Transparnciia e harmoniia Transparnc a e harmon a Para uma anlise mais precisa deste tpico, trataremos dos princpios consignados nos incisos do art. 4 da Lei n 8.078/90, que constituem um relevante instrumento norteador para que sejam identificados o alcance e real significado dos objetivos acima transcritos. Prof. Antonio Nbrega www.pontodosconcursos.com.br 3
  • 4. PACOTE DE TEORIA E EXERCCIOS P/ ESCRITURRIO BANCO DO BRASIL PROFESSOR: ANTONIO NBREGA A vulnerabilidade do consumidor reconhecida pelo inciso I do art. 4 do CDC. O consumidor no dispe das condies econmicas e tcnicas que se encontram disposio do fornecedor, o que cria um desequilbrio na relao. Em virtude desta desigualdade entre as partes, h uma tentativa de se igualar a posio jurdica do consumidor do fornecedor, com a criao de um microssistema jurdico prprio para a proteo do primeiro. Esta hipossuficincia que, na realidade, o principal fundamento para o regime consumerista pode se manifestar em diversos aspectos da relao, tais como: tcnico (falta de conhecimento das especificaes do produto ou servio), jurdico (falta de conhecimento das regras legais que regem sua relao com o fornecedor) ou scioeconmico (maior capacidade econmica do fornecedor). Os incisos II, VI e VIII do art. 4 tm como escopo impulsionar uma atuao positiva do Estado no sentido da tutela os direitos dos consumidores. assumido nesses preceitos que o Estado deve garantir a todos o acesso aos produtos e servios essenciais, alm de regular a qualidade e adequao destes, por meio de aes que busquem o atendimento dos objetivos insculpidos no caput do art. 4. Essa poltica tem como amparo a ideia de criao de um Estado Social, com o aumento do intervencionismo estatal nas relaes entre particulares. Criam-se, ento, mecanismos para que o Poder Pblico possa, por meio de normativos ou de rgos e entidades integrantes da estrutura da Administrao (Procons, INMETRO, CADE), atuar no mercado de consumo. O inciso III do art. 4, alm de reportar-se harmonizao dos interesses dos participantes nas relaes de consumo e necessria compatibilizao das regras protecionistas do CDC com os princpios da ordem econmica os quais encontram-se previstos no art. 170 da Constituio Federal -, tambm menciona a boa-f e o equilbrio nas relaes de consumo. A boa-f princpio da mais alta relevncia nas relaes de consumo exige das partes uma conduta adequada com os objetivos do contrato, o qual no deve ser considerado mera sntese de interesses conflitantes, mas sim um instrumento de cooperao entre os contratantes. Com efeito, as partes devem agir com lealdade e confiana, antes, durante e aps a contratao, de modo que os anseios depositados por ambas as partes naquele acordo possam livre e justamente prosperar. O equilbrio mencionado no referido dispositivo impede que os contratos de consumo estabeleam prerrogativas a uma das partes, sem fixar vantagens Prof. Antonio Nbrega www.pontodosconcursos.com.br 4
  • 5. PACOTE DE TEORIA E EXERCCIOS P/ ESCRITURRIO BANCO DO BRASIL PROFESSOR: ANTONIO NBREGA outra. Ou seja, no pode o fornecedor obter benefcios do ajuste em detrimento dos direitos do consumidor. No tocante ao inciso IV do art. 4, oportuno notar que a educao e informao acerca dos direitos e deveres das regras consolidadas pela legislao consumerista aplicam-se tanto a consumidores quanto a fornecedores. O inciso V do art. 4 faz aluso a meios eficientes de controle de qualidade e segurana de produtos e servios, que devem ser criados pelos fornecedores. Assim, deve o Estado incentivar a implantao de ouvidorias e servios de atendimento ao consumidor (SAC), importantes mecanismos que buscam o aprimoramento das relaes de consumo e a realizao dos objetivos estatudos no caput do art. 4 da CDC. Ao tratar dos servios pblicos, o inciso VII do art. 4 dispe que se deve buscar sua racionalizao e melhoria. Como mencionamos em nossa primeira aula, os contratos celebrados entre consumidores e rgos pblicos, ou empresas concessionrias ou permissionrias, tambm podem, em regra, ser considerados de consumo. Desta forma, a melhora e otimizao destes servios os quais tm uma natureza prpria e muitas vezes so indispensveis para o bem-estar do cidado, tais como os servios de gua, energia eltrica e gs atinge diretamente a qualidade de vida de seus usurios, nos termos do caput do j aludido art. 4. O art. 5 conclui o captulo em anlise, com um elenco de instrumentos para utilizao na execuo e planejamento da Poltica Nacional de Relaes de Consumo, de modo que possam ser concretizados os objetivos e princpios previstos no artigo anterior. 1.2 Direitos do consumidor A proteo vida, sade e segurana inaugura o rol de direitos previstos no art. 6 do Cdigo de Defesa do Consumidor. Assim, o inciso I daquele dispositivo busca impedir que se coloquem no mercado de consumo produtos e servios que possam ser nocivos segurana do consumidor. As prticas comerciais que coloquem em risco incolumidade fsica dos consumidores devem ser retiradas do mercado, com