Aula 10 - Recursos

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CURSO ON-LINE DIREITO PROCESSUAL PENAL TEORIA E EXERCCIOS PROFESSOR PEDRO IVO

AULA 10 RECURSOSFuturos Aprovados, Hoje chegamos nossa ltima aula e trataremos de um tema que deve ser estudado com a maior objetividade possvel. um assunto extremamente amplo e com diversos pontos que no merecem grande ateno, pois nunca apareceram em concursos pblicos, sejam estes da rea policial, jurdica, tribunais, ou qualquer outro. um tema que vai exigir o conhecimento de diversos pontos que vimos no decorrer do curso. Sendo assim, se ainda h pendncias, minha recomendao a seguinte: Releia os tpicos anteriores, estude e, somente aps, inicie esta aula. Agora, vamos comear a subir o ltimo degrau da nossa escada do processo penal!!! Bons estudos! ******************************************************************* 9.1 RECURSOS NOES GERAIS 9.1.1 CONCEITO Segundo o ilustre E. Magalhes Noronha, recurso a providncia legal imposta ao juiz ou concedida parte interessada, objetivando nova apreciao da deciso ou situao processual, com o objetivo de corrigi-la, modific-la ou confirm-la. Podemos, em resumo, dizer que so os meios processuais que as partes dispem para pedir a reforma, modificao ou esclarecimento de uma deciso judicial. 9.1.1 FINALIDADE O recurso tem por finalidade propiciar o reexame de uma deciso por rgo jurisdicional de superior instncia ou pelo mesmo rgo que a prolatou. Justifica-se, primordialmente na Constituio Federal que instituiu o princpio do duplo grau de jurisdio.

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OBSERVAO A DOUTRINA DIVERGE EM CONSIDERAR O DUPLO GRAU DE JURISDIO COMO UM PRINCPIO DE PROCESSO INSERIDO NA CONSTITUIO FEDERAL, J QUE INEXISTE A SUA PREVISO EXPRESSA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. DENTRE OS AUTORES QUE NO A ADMITEM, PODE-SE MENCIONAR MANOEL ANTONIO TEIXEIRA FILHO, ARRUDA ALVIM, TUCCI E CRUZ E TUCCI, DENTRE OUTROS. DE OUTRO LADO EXISTEM AUTORES TAIS COMO HUMBERTO THEODORO JUNIOR E NELSON NERY JUNIOR QUE ADMITEM O DUPLO GRAU DE JURISDIO, COMO PRINCPIO DE PROCESSO INSERIDO NA CONSTITUIO FEDERAL. AQUELES QUE ACREDITAM QUE O DUPLO GRAU DE JURISDIO UM PRINCPIO PROCESSUAL CONSTITUCIONAL, INCLUSIVE DE PROCESSO CIVIL, FUNDAMENTAM A SUA POSIO, NA COMPETNCIA RECURSAL ESTABELECIDA NA CONSTITUIO FEDERAL. AS BANCAS TEM SE POSICIONADO NO SENTIDO DE QUE O DUPLO GRAU DE JURISDIO UM PRINCPIO CONSTITUCIONAL E, PORTANTO, ESTE DEVE SER O ENTENDIMENTO QUE VOC DEVE LEVAR PARA SUA PROVA.

9.1.2 CLASSIFICAES Existem diversas classificaes cabveis para os recursos. Vamos verificar aquelas que so importantes para sua PROVA: a) Quanto obrigatoriedade: I) Recurso voluntrio: aquele em que a interposio depende unicamente da vontade das partes. Trata-se de regra no processo penal brasileiro, pois, segundo o art. 574, caput, os recursos sero voluntrios, excetuando-se os casos em que devero ser interpostos de ofcio pelo juiz. Exemplo: a apelao contra sentena condenatria. Art. 574. Os recursos sero voluntrios, excetuando-se os seguintes casos, em que devero ser interpostos, de ofcio, pelo juiz

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CURSO ON-LINE DIREITO PROCESSUAL PENAL TEORIA E EXERCCIOS PROFESSOR PEDRO IVO II) Reexame necessrio: aquele decorrente de obrigao legal, ou seja, a prpria lei obriga reviso como condio de eficcia para o trnsito em julgado (STF, Smula 423). No se trata propriamente de um recurso, devido ao no interesse recursal por parte do magistrado. Exemplos: concesso de habeas corpus (art. 574, I), reexame necessrio em relao absolvio sumria do acusado no procedimento dos crimes dolosos contra a vida (art. 574, II) e quanto deciso que concede reabilitao criminal (art. 746). Art. 574. Os recursos sero voluntrios, excetuando-se os seguintes casos, em que devero ser interpostos, de ofcio, pelo juiz: I - da sentena que conceder habeas corpus; II - da que absolver desde logo o ru com fundamento na existncia de circunstncia que exclua o crime ou isente o ru de pena, nos termos do art. 411. b) Quanto s fontes: I) Constitucionais: so os recursos previstos no texto da Constituio Federal, tais como os recursos: extraordinrio (CF/1988, art. 102, III), especial (CF/1988, art. 105, III) e ordinrio (CF/1988, arts. 102, II e 105, II). II) Legais: so os recursos previstos no CPP ou em leis especiais. o caso, por exemplom da apelao (art. 593) e do recurso de agravo em execuo (Lei de Execuo Penal, art. 197). c) Quanto motivao: I) Recursos ordinrios: so os recursos que no exigem o cumprimento de requisitos especficos para sua interposio, bastando apenas os pressupostos normais atinentes a qualquer recurso. Baseiam-se no mero inconformismo da parte. Exemplo: a apelao interposta contra sentena condenatria. II) Recursos extraordinrios: so aqueles que possuem requisitos especficos para sua interposio. Exemplo: os embargos infringentes, que so oponveis apenas contra acrdos no unnimes e desfavorveis ao ru.

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9.1.3 JUZO DE ADMISSIBILIDADE Um recurso s vivel quando presentes os chamados pressupostos objetivos e subjetivos. Para a verificao de tais pressupostos, deve ser realizado o chamado juzo de admissibilidade. Como, em regra, os recursos so interpostos perante o juzo de primeira instncia, logo que o mesmo interposto deve ser submetido a tal juzo de admissibilidade, feito pelo rgo que prolatou a deciso. o chamado juzo de

admissibilidade pelo juiz a quo.Se o juiz a quo, verificando o cumprimento dos pressupostos recursais, receber o recurso, deve remet-lo ao Tribunal competente para analis-lo. Tal Tribunal dever realizar um novo juzo de admissibilidade e ser denominado de

Tribunal ad quem.Vamos conhecer agora os pressupostos recursais objetivos e subjetivos: 9.1.3.1 PRESSUPOSTOS RECURSAIS OBJETIVOS So considerados pressupostos recursais objetivos: a) Cabimento: o recurso deve estar previsto em lei. b) Adequao: o recurso deve ser adequado deciso que se pretende impugnar. Toa, tal regra no se apresenta como absoluta, pois, por fora do princpio da fungibilidade dos recursos, tambm chamado de teoria do recurso indiferente, salvo a hiptese de m-f, a parte no ser prejudicada pela interposio de um recurso por outro (art. 579). Art. 579. Salvo a hiptese de m-f, a parte no ser prejudicada pela interposio de um recurso por outro. Observao: se o juiz, desde logo, reconhecer a impropriedade do recurso interposto pela parte, mandar process-lo de acordo com o rito do recurso cabvel (art. 579, pargrafo nico). Art. 579

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CURSO ON-LINE DIREITO PROCESSUAL PENAL TEORIA E EXERCCIOS PROFESSOR PEDRO IVO [...] Pargrafo nico. Se o juiz, desde logo, reconhecer a impropriedade do recurso interposto pela parte, mandar process-lo de acordo com o rito do recurso cabvel. c) Tempestividade: o recurso deve ser interposto dentro do prazo previsto em lei. Os prazos recursais so fatais, contnuos e peremptrios, interrompendo por frias, domingo ou feriado (art. 798). no se

Art. 798. Todos os prazos correro em cartrio e sero contnuos e peremptrios, no se interrompendo por frias, domingo ou dia feriado. No processo penal, em regra, o prazo de 05 (cinco) dias, embora existam variaes, como, por exemplo: embargos de declarao (02 dias), carta testemunhvel (48 horas), embargos infringentes (10 dias), recurso extraordinrio e especial (15 dias).

Observao 01 Os defensores pblicos gozam de prazo em dobro para interpor recurso (Lei n 1.060/1950, art. 5, 5, e LC n 80/1994, art. 44).

Observao 02 A Lei n 9.800/1999 passou a permitir que as partes utilizem o sistema de transmisso de dados e imagens do tipo fac-smile para a prtica de atos processuais que dependam de petio. O que deve ser considerado na aferio da tempestividade do recurso a data de envio do fax. Os originais podem ser protocolados at cinco dias depois do trmino do prazo para recorrer.

STF, HC 94.528/ES, DJ 27.03.2009, Informativo 536 No se tem por vlida a interposio de recurso pelo sistema fac-smile, ainda que, no prazo legal, quando a transmisso se d fora do horrio de atendimento ao pblico e por meio de equipamento no destinado a esse fim.

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d) Regularidade: o recurso deve ser interposto com a observncia das formalidades legais. O recurso ser interposto por petio ou por termo nos autos, assinado pelo recorrente ou por seu representante. No sabendo ou no podendo o ru assinar o nome, o termo ser assinado por algum, a seu rogo, na presena de duas testemunhas. Art. 578. O recurso ser interposto por petio ou por termo nos autos, assinado pelo recorrente ou por seu representante. 1o No sabendo ou no podendo o ru assinar o nome, o termo ser assinado por algum, a seu rogo, na presena de duas testemunhas.

DICIONRIO DO CONCURSEIRO Petio a manifestao escrita quanto vontade de recorrer, ou seja, aquela realizada sob a forma de um requerimento. Termo a manifestao oral de inconformidade, reduzida a escrito por quem tenha f pblica (Escrivo, por exemplo).

e) Preparo: a falta do pagamento das custas, nos prazos fixados em lei ou marcados pelo juiz, importar desero do recurso interposto (art. 806, 2). Tal regra aplica-se apenas aos casos de ao penal privada, pois, nas aes penais pblicas, o Ministrio Pblico no est sujeito ao pagamento de custas.

STJ, HC 91.097/MA, DJ 06.04.2009 No que diz respeito ao recurso da defesa, em face dos princpios constitucionais da presuno de inocncia e da ampla defesa, a interposio de recurso nas aes penais pblicas no est sujeita desero por falta de preparo.

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