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PROPRIEDADE: Convívios Fraternos • DireCtor e reDaCtor: P. valente De Matos • FotoCoMPosição e i MPressão: Coraze - s. t. riba-Ul - o. azeMéis • tel. 256 661460 PUbliCação biMestral - DeP. legal Nº 6711/93 - ano XXXii - nº 302 - Maio/JUnho 2010 • assinatUra anUal: 10 o • tirageM: 8.000 eXs. • Preço: 1 o O MEU AVIVAR DE COMPROMISSO Os trabalhadores “ ao mesmo tempo que se aplicam res- ponsavelmente a esta execução o seu tempo e forças , go- zem , porém , todos de suficiente descanso e tempo livre para atender a vida familiar, cultural , social e religiosa. Te- nham mesmo oportunidade de se desenvolver livremente as energias e capacidades que talvez pouco possam exercitar no seu trabalho profissional “( GS 67 ) DISCURSO DE ACOLHIMENTO DE BENTO XVI Queridos irmãos e amigos portugueses , agradeço-vos uma vez mais as calorosas boas vindas .Deus abençoe a quantos aqui se en- contram e todos os habitantes desta nobre e dilecta Nação que con- fio a Nossa Senhora de Fátima, imagem sublime do amor de Deus que a todos abraça como filhos. (Continua na pág. 2 BU) BOAS FÉRIAS!... Devem ser um tempo propício ao descanso físico mas também um tempo priviligiado para crescermos cultural, religiosa e mora- melte, para sermos nós próprios, para fazermos aquilo que gosta- mos de fazer, para sermos pessoas e filhos de Deus. (Continua na pág. 2 BU) VISITA DO PAPA AO PORTO A diocese do porto esteve em festa, tendo sido, sem dúvida, uma grande manifestação de fé, de amor e de alegria das gentes nortenhas!... (Continua na pág. 2 BU) ANO SACERDOTAL Por que quis continuar padre? Este mês de Junho termina o ANO SACERDOTAL, desejado pelo Papa, e que motivou as comunidades cristãs para rezar pelos sacerdotes. Num encontro de sacerdotes de várias idades, chegou o momento de cada qual, se o desejasse, dar um testemunho de vida. Fala um sacerdote de 85 anos. (Continua na pág. 3 BU) APROVAÇÃO DOS ESTATUTOS PELA CEP FÁTIMA, ADEUS: Bento XVI viveu a primeira Visita, como se fosse a última BENTO XVI passou em Portugal 4 dias e viveu cada momento da visita , especialmente em Fátima não só como a primeira ao nos- so país, mas como se pudesse ser a última. (Continua na pág. 4 BU) ECOS DA VISITA DO PAPA A PORTUGAL Depois de vários meses de preparação a todos os níveis, fi- nalmente Portugal viveu intensamente, não só a nível espiritual, como social, político e humano, a visita de Bento XVI, de 11 a 14 de Maio. Foram dias de profundas emoções sobretudo sentidas pelos cristãos e em que Portugal concentrou todos os seus esforços para, com alegria, entusiasmo, delicadeza, honra , dignidade e brilho , não só eclesiástica como nacionalmente receber o sucessor de Pedro e o Chefe do Estado do Vaticano. Os seus discursos contêm uma grande profundidade teológica, uma forte orientação pastoral e também reconhecimento a esta fidelíssima nação católica, missionária e sempre fiel ao sucessor de Pedro. Para que, agora, no rescaldo da visita do Papa, os jovens possam calmamente reflectir e assimilar a riqueza teológica e pastoral dos seus discursos, publicamo-los nesta edição do “Balada da União”. DISCURSO DO PAPA NO SANTUÁRIO Como a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagra- dos no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, gru- po, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam, o amor de Deus que arde no seu. Então eram só três cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, no- meadamente à passagem da Virgem PEREGRINA que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separa do centenário das APARIÇÕES, apressar o anunciado Triunfo do Coração Imaculado de Maria, para glória da Santíssima Virgem. (Continua na pág. 4 BU) HOMILIA DO PAPA NO TERREIRO DO PAÇO Queridos irmãos e irmãs, jovens amigos. Nos tempos passados a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas , com sabedoria cristã ,pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debili- dade que é força .Hoje , participando na edificação da Comunidade Europeia ,levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa. (Continua na pág. 2 BU) PENITÊNCIA É SACRAMENTO DE AMOR Ao aproximar-nos da reconciliação, vamos ao encontro de Deus que nos ama sem medida, como tambémn dos irmãos que desejam viver em comunhão connosco e colaboram na constru- ção de um mundo novo. (Continua na pág. 3 BU) BENTO XVI É O AMIGO DOS JOVENS Para lá dos Esteriótipos e dos clichés, Bento XVI é o amigo dos jovens, quer a comunicação social goste ou não, quer ache quer não. A Igreja sabe disso e os jovens também. (Continua na pág. 3 BU) APÓSTOLOS INCAPAZES DE NOS CALARMOS Sou a Ir. Felismina Pedro, conviva do 540, em Lamego e actual- mente missionária em S. Tomé e Príncipe já há anos. (Continua na pág. 3 BU)

Balada da União - Maio - Junho 2010

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Balada da União - Maio - Junho 2010

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  • ProPriedade: Convvios Fraternos DireCtor e reDaCtor: P. valente De Matos FotoCoMPosio e iMPresso: Coraze - s. t. riba-Ul - o. azeMis tel. 256 661460 PUbliCao biMestral - DeP. legal N 6711/93 - ano XXXii - n 302 - Maio/JUnho 2010 assinatUra anUal: 10 o tirageM: 8.000 eXs. Preo: 1 o

    O MEU AVIVAR DE COMPROMISSO

    Os trabalhadores ao mesmo tempo que se aplicam res-ponsavelmente a esta execuo o seu tempo e foras , go-zem , porm , todos de suficiente descanso e tempo livre para atender a vida familiar, cultural , social e religiosa. Te-nham mesmo oportunidade de se desenvolver livremente as energias e capacidades que talvez pouco possam exercitar no seu trabalho profissional ( GS 67 )

    DISCURSO DE ACOLHIMENTO DE BENTO XVI

    Queridos irmos e amigos portugueses , agradeo-vos uma vez mais as calorosas boas vindas .Deus abenoe a quantos aqui se en-contram e todos os habitantes desta nobre e dilecta Nao que con-fio a Nossa Senhora de Ftima, imagem sublime do amor de Deus que a todos abraa como filhos.

    (Continua na pg. 2 BU)

    BOAS FRIAS!...Devem ser um tempo propcio ao descanso fsico mas tambm

    um tempo priviligiado para crescermos cultural, religiosa e mora-melte, para sermos ns prprios, para fazermos aquilo que gosta-mos de fazer, para sermos pessoas e filhos de Deus.

    (Continua na pg. 2 BU)

    VISITA DO PAPA AO PORTOA diocese do porto esteve em festa, tendo sido, sem dvida,

    uma grande manifestao de f, de amor e de alegria das gentes nortenhas!...

    (Continua na pg. 2 BU)

    ANO SACERDOTALPor que quis continuar padre?

    Este ms de Junho termina o ANO SACERDOTAL, desejado pelo Papa, e que motivou as comunidades crists para rezar pelos sacerdotes.

    Num encontro de sacerdotes de vrias idades, chegou o momento de cada qual, se o desejasse, dar um testemunho de vida. Fala um sacerdote de 85 anos.

    (Continua na pg. 3 BU)

    APROVAO DOS ESTATUTOS PELA CEP

    FTIMA, ADEUS:Bento XVI viveu a primeira Visita, como se fosse a ltima

    BENTO XVI passou em Portugal 4 dias e viveu cada momento da visita , especialmente em Ftima no s como a primeira ao nos-so pas, mas como se pudesse ser a ltima.

    (Continua na pg. 4 BU)

    ECOS DA VISITA DO PAPA A PORTUGAL

    Depois de vrios meses de preparao a todos os nveis, fi-nalmente Portugal viveu intensamente, no s a nvel espiritual, como social, poltico e humano, a visita de Bento XVI, de 11 a 14 de Maio. Foram dias de profundas emoes sobretudo sentidas pelos cristos e em que Portugal concentrou todos os seus esforos para, com alegria, entusiasmo, delicadeza, honra , dignidade e brilho , no s eclesistica como nacionalmente receber o sucessor de Pedro e o Chefe do Estado do Vaticano.

    Os seus discursos contm uma grande profundidade teolgica, uma forte orientao pastoral e tambm reconhecimento a esta fidelssima nao catlica, missionria e sempre fiel ao sucessor de Pedro.

    Para que, agora, no rescaldo da visita do Papa, os jovens possam calmamente reflectir e assimilar a riqueza teolgica e pastoral dos seus discursos, publicamo-los nesta edio do Balada da Unio.

    DISCURSO DO PAPA NO SANTURIO

    Como a famlia humana pronta a sacrificar os seus laos mais sagra-dos no altar de mesquinhos egosmos de nao, raa, ideologia, gru-po, indivduo, veio do Cu a nossa bendita Me oferecendo-se para transplantar no corao de quantos se Lhe entregam, o amor de Deus que arde no seu. Ento eram s trs cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfcie da terra, no-meadamente passagem da Virgem PEREGRINA que se votaram causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separa do centenrio das APARIES, apressar o anunciado Triunfo do Corao Imaculado de Maria, para glria da Santssima Virgem.

    (Continua na pg. 4 BU)

    HOMILIA DO PAPA NO TERREIRO DO PAO

    Queridos irmos e irms, jovens amigos. Nos tempos passados a vossa sada em demanda de outros povos no impediu nem destruiu os vnculos com o que reis e acreditveis, mas , com sabedoria crist ,pudestes transplantar experincias e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vs prprios, em aparente debili-dade que fora .Hoje , participando na edificao da Comunidade Europeia ,levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa.

    (Continua na pg. 2 BU)

    PENITNCIA SACRAMENTO DE AMORAo aproximar-nos da reconciliao, vamos ao encontro de

    Deus que nos ama sem medida, como tambmn dos irmos que desejam viver em comunho connosco e colaboram na constru-o de um mundo novo.

    (Continua na pg. 3 BU)

    BENTO XVI O AMIGO DOS JOVENS

    Para l dos Esteritipos e dos clichs, Bento XVI o amigo dos jovens, quer a comunicao social goste ou no, quer ache quer no. A Igreja sabe disso e os jovens tambm.

    (Continua na pg. 3 BU)

    APSTOLOS INCAPAZES DE NOS CALARMOS

    Sou a Ir. Felismina Pedro, conviva do 540, em Lamego e actual-mente missionria em S. Tom e Prncipe j h anos.

    (Continua na pg. 3 BU)

  • mAiO/JunhO 20102

    Queridos Irmos e Irms, Jovens amigos!

    Ide fazer discpulos de todas as naes, [] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, at ao fim dos tempos (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta ci-dade de Lisboa, donde partiram em grande nmero geraes e geraes de cristos bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens , obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: Eu estou sempre convosco. Glorioso o lugar conquistado por Portugal entre as naes pelo servio prestado dilatao da f: nas cinco partes do mundo, h Igrejas locais que tiveram origem na missionao portuguesa.

    Nos tempos passados, a vossa sada em deman-da de outros povos no impediu nem destruiu os vnculos com o que reis e acreditveis, mas, com sabedoria crist, pudestes transplantar experincias e particularidades abrindo-vos ao contributo dos ou-tros para serdes vs prprios, em aparente debilidade que fora.

    Hoje, participando na edificao da Co-munidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cul-tural e religiosa. De facto, Jesus Cristo, assim como Se uniu aos discpulos a ca-minho de Emas, as-sim tambm caminha connosco segundo a sua promessa: Estou sempre convosco, at ao fim dos tempos. Apesar de ser diferente da dos Apstolos, temos tambm ns uma verdadeira e pes-soal experincia da presena do Senhor ressuscitado. A distncia dos sculos superada e o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por ns, no hoje da Igre-ja e do mundo. Esta a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradio eclesial, Cristo no est a dois mil anos de distncia, mas est realmente presente entre ns e d-nos a Verdade, d-nos a luz que nos faz vi-ver e encontrar a estrada para o futuro.

    Presente na sua Palavra, na assembleia do Povo de Deus com os seus Pastores e, de modo eminente, no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, Jesus est connosco aqui.

    Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperan-as que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me en-tregas para alicerar as tuas esperanas humanas na Esperana divina. Na leitura h pouco proclamada da Epstola de So Pedro, ouvimos dizer: Eu vou pr em Sio uma pedra angular, escolhida e precio-sa. E quem nela acreditar no ser confundido. E o Apstolo explica: Aproximai-vos do Senhor. Ele a pedra viva, rejeitada, certo, pelos homens, mas aos olhos de Deus escolhida e preciosa (1 Pd 2, 6.4). Irmos e irms, quem acreditar em Jesus no ser confundido: Palavra de Deus, que no Se engana nem pode enganar. Palavra confirmada por uma multido que ningum pode contar e provm de todas as naes, tribos, povos e lnguas, e que o autor do Apocalipse viu vestida de tnicas brancas e com palmas na mo (Ap 7, 9). Nesta multido incontvel, no esto apenas os Santos Verssimo, Mxima e Jlia, aqui martirizados na perseguio de Diocleciano, ou So Vicente, dicono e mrtir, padroeiro principal do Patriarcado; Santo Antnio e So Joo de Brito que daqui partiram para semear a boa semente de Deus noutras terras e gentes, ou So

    Nuno de Santa Maria que, h pouco mais de um ano, inscrevi no livro dos Santos. Mas formada pelos servos do nosso Deus de todos os tempos e luga-res, em cuja fronte foi traado o sinal da cruz com o sinete de marcar do Deus vivo (Ap 7, 2): o Esprito Santo. Trata-se do rito inicial cumprido sobre cada um de ns no sacramento do Baptismo, pelo qual a Igreja d luz os santos.

    Sabemos que no lhe faltam filhos insubmissos e at rebeldes, mas nos Santos que a Igreja reco-nhece os seus traos caractersticos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existncia o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que o Esprito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje fazer de cada mulher e ho-mem cristo uma presena irradiante da perspectiva evanglica no meio do mundo, na famlia, na cultu-ra, na economia, na poltica. Muitas vezes preocupa-mo-nos afanosamente com as consequncias sociais, culturais e polticas da f, dando por suposto que a f existe, o que cada vez menos realista. Colocou-se

    uma confiana talvez excessiva nas es-truturas e nos pro-gramas eclesiais, na distribuio de poderes e funes; mas que acontece se o sal se tornar inspido?

    Para isso preci-so voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressur-reio de Cristo,

    corao do cristianismo, fulcro e sustentculo da nossa f, alavanca poderosa das nossas certezas, ven-to impetuoso que varre qualquer medo e indeciso, qualquer dvida e clculo humano. A ressurreio de Cristo assegura-nos que nenhuma fora adversa poder jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa f tem fundamento, mas preciso que esta f se torne vida em cada um de ns. Assim h um vasto esforo capilar a fazer para que cada cristo se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperana que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): s Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada corao humano e responder s suas questes mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustia e do mal, sobre a morte e a vida do Alm.

    Queridos Irmos e jovens amigos, Cristo est sempre connosco e caminha sempre com a sua Igre-ja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: Eu estou sempre convosco, at ao fim dos tempos (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presena! Procu-rai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e tambm a reconhec-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presena e da sua amizade gratuita, generosa, fiel at morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presena forte e suave a todos, a comear pelos da vossa idade. Dizei-lhes que belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entu-siasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos todos aparente-mente do mesmo nvel , s seguindo Jesus que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequen-temente, a alegria verdadeira e duradoura.

    Buscai diariamente a proteco de Maria, a Me do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela, a Toda Santa, ajudar-vos- a ser fiis discpulos do seu Filho Jesus Cristo.

    HOMILIA DO PAPA BENTO XVI NA PRAA DO TERREIRO DO PAO DE LISBOA

    S agora me foi possvel aceder aos amveis convites do Senhor Presidente e dos meus Irmos Bispos para visitar esta amada e antiga Nao, que comemora no corrente ano um sculo da procla-mao da Repblica. Ao pisar o seu solo pela pri-meira vez desde que a Providncia divina me cha-mou S de Pedro, sinto-me honrado e agradecido pela presena deferente e acolhedora de todos vs. Agradeo-lhe, Senhor Presidente, as suas cordiais expresses de boas-vindas, dando voz aos sentimen-tos e esperanas do bom povo portugus. Para todos, independentemente da sua f e religio, vai a minha saudao amiga, com um pensamento particular para quantos no podem vir ao meu encontro. Ve-nho como peregrino de Nossa Senhora de Fti-ma, investido pelo Alto na misso de confirmar os meus irmos que avanam na sua peregrinao a ca-minho do Cu.

    Logo aos alvores da na-cionalidade, o povo portugus voltou-se para o Su-cessor de Pedro esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a prpria existncia como Nao; mais tarde, um meu Predecessor havia de honrar Portugal, na pessoa do seu Rei, com o ttulo de fide-lssimo (cf. Pio II, Bula Dum tuam, 25/I/1460), por altos e continuados servios causa do Evangelho. Que depois, h 93 anos, o Cu se abrisse precisa-mente sobre Portugal como uma janela de espe-rana que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta para reatar, no seio da famlia humana, os laos da solidariedade fraterna assente no mtuo reconhecimento de um s e mesmo Pai, trata-se de um amoroso desgnio de Deus; no dependeu do Papa nem de qualquer outra autoridade ecle-sial: No foi a Igreja que imps Ftima diria o Cardeal Manuel Cerejeira, de veneranda mem-ria , mas Ftima que se imps Igreja.

    Veio do Cu a Virgem Maria para nos recordar verdades do Evangelho que so para a humanidade, fria de amor e desesperada de salvao, fonte de es-

    perana. Naturalmente esta esperana tem como di-menso primria e radical, no a relao horizontal, mas a vertical e transcendente. A relao com Deus constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para Deus, procura a verdade na sua estrutura cogni-tiva, tende ao bem na esfera volitiva, atrado pela beleza na dimenso esttica. A conscincia crist na medida em que se abre plenitude da vida e da sabedoria, que temos em Jesus Cristo. A visita, que agora inicio sob o signo da esperana, pretende ser uma proposta de sabedoria e de misso.

    De uma viso sbia so-bre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento jus-to da sociedade. Situada na histria, a Igreja est aberta a colaborar com quem no marginaliza nem privatiza a essencial considerao do sentido humano da vida. No se trata de um confronto tico entre um sistema laico e um siste-ma religioso, mas de uma questo de sentido qual

    se entrega a prpria liberdade. O que divide o valor dado problemtica do sentido e a sua implicao na vida pblica. A viragem republi-cana, operada h cem anos em Portugal, abriu, na distino entre Igreja e Estado, um espao novo de liberdade para a Igreja, que as duas Concordatas de 1940 e 2004 formalizariam, em contextos culturais e perspectivas eclesiais bem demarcados por rpida mudana. Os sofrimentos causados pelas mutaes foram enfrentados geralmente com coragem. Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros ticos exige uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforar a qualidade do testemunho at santidade, inventar caminhos de misso at radicalidade do martrio.

    Queridos irmos e amigos portugueses, agradeo-vos uma vez mais as calorosas boas-vindas. Deus abenoe a quantos aqui se encontram e todos os habitantes desta nobre e dilecta Nao, que confio a Nossa Senhora de Ftima, imagem sublime do amor de Deus que a todos abraa como filhos.

    DISCURSO DE ACOLHIMENTO OFICIAL DE BENTO XVI

    com estes votos amigos que, quando inter-rompemos ao fim dum ano o trabalho normal em que nos realizamos para em merecidas f-rias, descansarmos e recuperarmos as foras, se despedem de ns aqueles que connosco normal-mente compartilham a mesma misso.

    uma necessidade fsica e psicolgica esta in-terrupo dos trabalhos normais a que nos dedi-camos durante o ano para destruirmos o stress e recuperarmos as foras fsicas e morais.

    Por isso, as frias no so um privilgio ou um favor, mas um bem adquirido e uma necessidade que beneficia no s quem executa um trabalho como quem dele economicamente beneficia.

    Devem ser um tempo propcio ao descanso fsico mas tambm um tempo privilegiado para crescermos cultural, religiosa e moralmente, para sermos ns prprios, para fazermos aqui-lo que sempre gostamos de fazer, para sermos pessoas

    Todavia muitos jovens, tm ideia errada do que deve ser este tempo de frias.

    Para muitos as frias no passam dum tempo para gozar a vida sem freios, sem leis, sem cos-

    tumes, para recuperar o que julgam ter perdido em prazer, em vcios, para se libertarem de seus deveres familiares, religiosos e morais!...

    E ento, fazem frias em todas as dimenses da sua vida: profissional, moral, religiosa e cul-tural, etc.

    Transformam o ms mais rico do seu amo, em tempo de ociosidade fsica quando no de des-truio fsica e moral.

    Nada mais errado!...Isso no quer dizer que no faamos nas frias

    aquilo de que gostamos desporto, viagens, etc. e que durante o ano no temos possibilidade de concretizar por falta de tempo.

    Mas necessrio que elas sejam um tempo til para vivermos uma vida sadia e agradvel.

    Referimo-nos apenas aquele tempo de frias desperdiado, perdido por tantos jovens que, em vez de nelas crescerem como homens fsica, cul-tural e moralmente, tantas vezes nelas destroem tudo aquilo que nestes sectores construram du-rante um ano.

    A ti, jovem conviva, desejo-te Boas Frias.

    Joo Manuel

    BOAS FRIAS

  • Suplemento Do BAlADA DA unIo n 75 mAIo/Junho/10 proprIeDADe DA comunIDADe terAputIcA n.I.p.c. 503298689

    Jovens em AlertaJovens em Alertawww.conviviosfraternos.com

    HISTRIA DA MINHA VIDA

    No passado dia 10 de Maio, um grupo de alunos da Escola Secundria Ferreira de Castro, Oliveira de Azemis, visitou a Comunidade Teraputica Conv-vios Fraternos II. Os alunos frequentam o Curso de Educao e Formao (CEF) Padaria e Pastelaria. A visita ocorreu no mbito da Disciplina de Cidadania e Mundo Actual.

    Uma grande maioria dos alunos que frequentam este tipo de cursos tem alguns problemas familiares ou comportamentais e da serem um pouco mais sus-ceptveis de enveredarem por uma vida de vcios.

    A vista principiou com uma apresentao guiada pelas instalaes. Os tcnicos que acompanhavam os alunos foram respondendo s suas perguntas e dvidas, de uma forma muito simptica.

    Na parte final, talvez a mais importante, reuniram-se os alunos, os residentes em tratamento e os tc-

    nicos, numa sala, para iniciarem um dilogo muito interessante e muito proveitoso. Foi interessante e proveitoso porque os alunos conheceram de perto experincias de vida arrepiantes. E a concluso foi muito simples: experimentar NUNCA. No h ne-nhuma recompensa. Tambm foi proveitoso para a comunidade teraputica porque alguns dos residen-tes so pais e ouviram alguns testemunhos emocio-nados, as mgoas de alunos que tm os pais a con-sumirem drogas.

    Os objectivos da visita foram atingidos na sua totalidade. A escola agradece a disponibilidade e a amabilidade da Comunidade Teraputica, e tambm do Pe Valente, em receber os alunos tal como a sim-patia das pessoas que os acompanharam.

    Carlos Matos

    SECUNDRIA FERREIRA DE CASTRO VISITA COMUNIDADE TERAPUTICA CONVVIOS

    FRATERNOS IISou o Joo Antnio Carvalho Borges, sou natural

    do Porto, mas resido em Avanca, tenho 18 anos, j tive problemas com a toxicodependncia e vim para aqui pelo tribunal 4 anos atrs.

    Maior parte da minha vida foi vivida com os meus pais at uma certa altura, andava na escola EB.2,3 de So Martinho de Recesinhos, onde frequentei at ao meu 4 ano de escolaridade.

    Ia de casa para a escola sozinho ou com meu ir-mo, quando ele ia escola, porque meus pais no tinham posses para nos levar at porque eram toxi-codependentes.

    Fomos obrigados a viver no ambiente de drogas vendo pessoas a injectar-se e a fumarem.

    Mas como j estava to habituado que aquilo j no me dizia nada, andava com meu pai e nada se passava. Achava tudo aquilo uma brincadeira para mim, mas quando vi meu pai e minha me sofrendo por no terem o tal produto, ai sim imaginei o sofri-mento e os problemas que aquilo causava e depen-dncia tambm.

    At que tornaram a ter tudo outra vez. O produto para vender! Tendo muito dinheiro e no se impor-tavam com a nossa educao, at que acabei por de-sistir da escola porque j tinha a ideia de ser como os meus pais.

    J ia fumando uns cigarros. Com 9 anos de idade fumei o meu primeiro charro com que apanhei uma moca que dormi 3 dias seguidos. Da meus pais des-confiaram que algo no estava bem.

    Mas no deram muita importncia e continuaram nos seus vcios.

    At que um dia estava eu e um primo meu em casa e meus pais tinham ido buscar mais droga e vi meu pri-mo num sofrimento muito duro, e lhe disse onde meu pai tinha uma reserva e ento eu fui com ele, e ele me ofereceu um pouco de droga. Tinha eu 11 anos e a fu-mei, apanhei uma moca que nem os olhos conseguia abrir, nem foras tinha para andar. Foi ento que meus pais chegaram e olharam para mim e me perguntaram que se estava a passar para eu estar assim. Comecei a inventar desculpas mas nada adiantou dizendo que estava doente. O meu pai foi imediatamente ver a sua reserva e notou o que l faltava. Deu-me uma grande tareia mas aquilo no me disse nada.

    J estava a gostar das mocas que estava a sentir, e daquilo que as pessoas faziam porque achava que iria ser o maior.

    Com o tempo foi vendo que andava algo de es-tranho acontecer no meu corpo. Parecia que estava sempre constipado at consumir a tal dose de he-rona. Da comeou a minha saga. Tinha 14 anos quando desisti da escola. O meu pai tinha ido para a priso, e estava com minha me e meu irmo.

    Da comecei a roubar, para manter meu vcio por-que minha me j tinha feito um tratamento.

    A minha me comeou a pedir ajuda aos tribunais porque estava a preocupar-se com o meu futuro e do meu irmo, e foi ento que eu e ele fomos para um colgio, eu com 15 anos e meu irmo com 10 anos de idade.

    Andei l a frequentar o 5 ano de escolaridade mas pouco me interessava porque queria era borga e fu-gia de l para casa e a minha me, mas ela voltava-me a levar, mas j consumia drogas e sentia a tal dita ressaca.

    Andava l e c at que um dia a GNR (Guarda

    Nacional Republicana) me apanhou, me meteu no posto at vir uma tcnica de assistente social para falar comigo, porque a vida que estava a levar mais tarde ou mais sedo me iria levar-me para a priso.

    Falmos e decidimos que vinha para Avanca para casa de um padre, e fiquei a pensar.

    Entretanto cheguei e falei com ele e decidi ficar para realmente mudar de vida e comportamento.

    O Sr. Padre pegou no seu carro e levou-me para a comunidade.

    Cheguei l, eram s pessoas mais velhas mas re-ceberam bem e acolheram-me como uma famlia. Senti-me bem, fiz amigos de verdade que me aju-daram imenso.

    Entretanto fiz os 6 meses de internamento, passei para uma segunda fase de reinsero social em que iria para um trabalho no qual tinha que trabalhar com madeiras, e l aprendi a ter conhecimento de como se faz um mvel, portas e tudo o que est relaciona-do com madeiras. Com o tempo comecei a sentir-me sozinho acabando por me ir embora.

    Fui para casa mas no consegui manter-me sbrio de drogas. Acabei por ser chamado a tribunal tinha eu 17 anos.

    Decidi estudar mas vim para casa e pensei: se j ando na droga novamente para que vou fazer gastar dinheiro sem valer a pena? Assim, telefonei para o Sr. Padre, ele disse-me para regressar. Entrei nova-mente, fiz a primeira fase at ao fim, sem nunca ter visitas familiares. Passei para a segunda fase, e fui trabalhar para trabalhos relacionados com madeiras porque j l tinha estado, pois era o que realmente gostava e me tinha adaptado.

    At que as coisas comearam a fluir e conheci uma rapariga. Estava com receio de novamente vol-tar a sofrer mas se no arriscasse poderia continuar sozinho.

    Assim confiei nela como ela em mim, e isso deu-me fora para me segurar na vida sem procurar dro-gas ou qualquer substncia para me alterar, estando assim liberto de drogas e problemas. Entretanto fiz meus 19 anos, foi muito bom porque estive do lado dela, e com ela foi o melhor dia do mundo.

    De resto estou um pouco preocupado porque no tenho um trabalho e a crise muito elevada nesse sentido.

    Bom! Maior parte dos meus tempos livres, ocupo-me a falar com minha namorada quando ela assim o pode. De resto ouo msica. o que fao nos tempos livres quando no tenho nada que fazer, embora tam-bm goste de escrever coisas e pensamentos, que que-ro relembrar ao longo do tempo ou at mais tarde.

    O que mais gosto de fazer passear com a minha namorada, comer um gelado e brincar com ela, e muito mais?!...

    Gosto tambm de jogar bola e todo o tipo de jogos radicais.

    Joo Borges

    No muito simples viver a vida. s vezes, ela contm captulos imprevisveis e inevitveis. Mas possvel escrever os principais textos das nossas vi-das nos momentos mais difceis da nossa existncia.

    Quando o homem explorar intensamente o pe-queno tomo e o imenso espao e dizer que domina o mundo, quando conquistar as mais complexas tecnologias e dizer que sabe tudo, ento, ele ter tempo para se voltar para dentro de si mesmo. Nes-se momento, descobrir que cometeu um grande erro. Qual? Pouco ou nada se sabe!...

    Compreender que dominou o mundo de dentro, os imensos territrios da sua alma. Descobrir que se tornou um gigante na cincia, mas que uma criana frgil que no sabe navegar nas guas da emoo e que desconhece os segredos que tecem a colcha de retalhos da sua inteligncia.

    O homem ao aprender amar, derramar lgrimas no de tristeza, mas de alegria.

    Chorar no pelas guerras nem pelas injustias, mas porque compreende que procurou a felicidade em todo o universo e no a encontrou.

    Perceber que Deus a escondeu no nico lugar em que ele no pensou procur-la dentro de si mes-mo. Os magnatas tentaram comprar a felicidade. Construram imprios, fizeram fortunas, compra-ram jias, mas a felicidade deixou-os perplexos,

    pois ela nunca se deixou comprar e disse-lhes que o sentido da vida se encontra num mercado onde no se usa dinheiro. Por isso, h miserveis que moram em palcios e ricos que moram em casebres.

    Os cientistas tentaram compreender a felicidade, investigaram-na, fizeram estatsticas, mas ela con-fundiu-os dizendo-lhes, que a lgica numrica nun-ca compreender a lgica da emoo. Perturbados ento, descobriram que o mundo da emoo no pode ser decifrado pelo mundo das ideias. Por isso, os cientistas que viveram uma vida exclusivamente lgica e rgida foram infelizes. Os intelectuais bus-caram a felicidade nos livros de filosofia, mas no a encontraram. Porqu? Porque h mais mistrios entre a emoo e a razo do que alguma vez sonhou a mente dos filsofos.

    Por isso, os pensadores que amaram o mundo das ideias e desprezaram o mundo da emoo, perde-ram o encanto pela vida.

    A vida belssima, mas no muito simples vi-v-la. s vezes, ela parece-se com um jardim, onde de repente, a paisagem muda e apresenta-se rida como um deserto ou ngreme como as montanhas.

    Independentemente dos penhascos que temos de escalar, cada ser humano possui uma fora incrvel. E muitos de ns desconhecemos que a possuimos.

    Jos Joo Alves

    SOU INSUBSTITUVEL

    NOS DIAS 23, 24 E 25 DE JULHO DE 20101129 Na Casa Paroquial de Valpaos, para jovens da Diocese de Vila RealNOS DIAS 5, 6 E 7 DE AGOSTO DE 20101130 Na Casa de Eirol, para jovens da diocese da Zona Pastoral Sul da Diocese do Porto

    Convvios Rumo ao futuRo

  • Jovens em AlertaJovens em Alerta mAiO/JunhO 20102

    A CONFERNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA APROVOU OS ESTATUTOS DO MOVIMENTO CONVVIOS FRATERNOS

  • Jovens em AlertaJovens em Alerta 3mAiO/JunhO 2010

  • Jovens em AlertaJovens em Alerta4 mAiO/JunhO 2010

    VISITA DO PAPA BENTO XVI AO PORTODiocese do Porto

    Sua Santidade o Papa Bento XVI visitou as ter-ras lusas, j pisadas pelo seu antecessor Joo Paulo II, muito amado por todos ns.

    Entre os dias 11 e 14 de Maio sua santidade visi-tou-nos em Lisboa, em Ftima e no Porto, onde se reuniu e dialogou com todos e celebrou a Eucaris-tia, que o centro da vida crist.

    Quero manifestar a minha alegria por ter tido o privilgio de estar presente na grande celebrao que aconteceu nos Aliados (cidade do Porto) no dia 14 de Maio.

    A diocese do Porto esteve em festa, tendo sido sem dvida uma grande manifestao de f e de alegria do povo portugus. A visita do Santo Pa-dre deu visibilidade aos cristos portugueses que andam um pouco envergonhados e receosos. Care-cemos todos do sentido da alegria crist.

    Citando a agncia Ecclesia, O Papa pediu na sua homilia, na cidade do Porto, que os cristos no se esqueam de ser testemunhas, sublinhando que o cristo , na Igreja e com a Igreja, um missionrio de Cristo enviado no mundo, sem impor, mas pro-pondo, levando a a razo da esperana a quem a pede, mesmo a quem parea que no. Esta a misso inadivel de cada comunidade eclesial: receber Deus e oferecer ao mundo Cristo ressusci-

    tado, para que todas as situaes de definhamento e morte se transformem em ocasies de crescimento e vida, sublinhou Bento XVI.

    Bento XVI realou que as expectativas do mun-do e o Evangelho se cruzam na irrecusvel mis-so que compete aos cristos, sem impor, mas propondo sempre.

    Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: Ve-nerai Cristo Senhor em vossos coraes, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razo da esperana que h em vs, acentuou o Papa, citando a Primeira Carta de So Pedro.

    E todos afinal no-la pedem [razo da esperan-a], mesmo quem parea que no, sublinhou.

    Mas esta certeza no dispensa de ir ao encontro dos outros, recordou. (Agncia Ecclesia)

    Todos somos chamados a ser missionrios, onde estamos, no nosso trabalho, na nossa casa, no nos-so lazer. Os cristos so convidados a enfrentar os desafios do sculo XXI e todas as suas dificulda-des, sendo o Sal da terra e a Luz do mundo. Os que acreditam em Deus possuem o tabernculo da Esperana a serenidade de quem acredita move os coraes, para que descubra que Deus Amor.

    Antnio Silva

    O movimento dos Convvios Fraternos da Dioce-se do Porto organizou no dia 29 de Maio, um Sarau Conviva no salo paroquial de Avanca (parquia da diocese de Aveiro, que tambm participou e empres-tou o seu fantstico salo paroquial). Uma festa que os convivas mais velhos j tinham saudades, e os convivas mais novos j tinham ouvido falar que no sculo passado se faziam grandes saraus na diocese com os Convivas.

    Todos os ncleos foram a participar nesta festa de encontro e de partilha entre Convivas. Os seguintes ncleos apresentaram uma pea teatral e/ou musical de acordo com o seu engenho e arte: Cesar, Manso-res, Casteles, S. Martinho, Cortegaa e amigos, Ul, S. Tiago, Felgueiras, Escariz, Fornos e apresentaes artsticas realizadas por jovens pertencentes a vrios

    grupos. A Juventude Passionista de Santa Maria da Feira associou-se festa Conviva com a sua alegria e ritmos musicais.

    Tratou-se de uma noite de festa e de animao, em que se partilhou e se promoveu o convvio entre os presentes. Somos Convivas, somos a esperana de uma nova humanidade, tambm na festa e na alegria. Com esta festa deu-se continuidade ao peditrio que se est a promover na diocese, com o objectivo de angariar verbas para as obras na nossa casa de Eirol onde se realizam os Convvios Fraternos. nesta casa que Jesus se enamora por cada um dos jovens, e os convida a viverem o mandamento do Amor, bem como a serem felizes ao jeito de Jesus de Nazar.

    Antnio Silva

    SARAU CONVIVA

    Aproxima-se o tempo de frias. Que iremos fa-zer nesse tempo? Como o iremos aproveitar?

    Essa poca do ano para quase todos tempo de partidas, chegadas de mudanas sensveis nas suas vidas, porque vamos para outro lugar, deixa-mos a nossa actividade quotidiana, simplesmente, quebramos a rotina de todos os dias.

    Que as nossas frias com a sua variedade, a sua diversidade (de gentes, contextos e lugares), se-jam o espao de um pacfico restabelecimento de ns mesmos ao lugar exacto e ao tempo presente, atravs de uma vivncia saudvel, numa liberda-de recuperada que pode fazer do fim de cada dia, do fim de cada semana, do fim de cada tarefa, ou mesmo do fim de um ciclo um tempo e espao de um certo encontro com Deus.

    Quando partimos para outros lugares - mais ainda do que em qualquer outro momento devemos ter bem presente o carisma do nosso Movimento e sermos, tambm, por toda a parte missionrios de Cristo.

    Que a nossa bagagem contemple o espao sufi-ciente para algo que alimente a nossa chama e que a reavive, depois de invocarmos o Esprito Santo, para que com Ele possamos encontrar a inspirao divina que transformou a pequena semente lan-ada no nosso convvio e que a continue a fazer germinar no corao de todos ns. Deixemo-nos cativar por essa inspirao e levar, tambm ns, essa pequena semente a outros coraes ansiosos

    por ouvir a mensagem de Salvao de Jesus Cris-to que nos faz participantes no amor de Deus. Se-jamos jovens irreverentes, persistentes e audazes em todas as nossas aces, bem como leais com as nossas convices.

    Temos mais tempo livre...Para reencontrarmos o nosso projecto de vida. Para sabermos o que fizemos dos valores que

    nos decidiram a seguir Cristo.Para orarmos as oraes que no nos foi pos-

    svel orar.Para reatarmos a nossa relao profunda com

    Deus, num dilogo silencioso, escutando-O do interior de ns mesmos.

    Para abrirmos os nossos coraes, olharmos para dentro dos coraes dos outros e com eles partilharmos o tesouro comum.

    Para nos tornarmos fortes para aquilo que vem, porque no na fragilidade que se constroem vidas.

    Para cultivarmos a sabedoria.Para reflectirmos e reencontrarmos aquilo que

    faz sentido.Para apaziguarmos a mente Para reforar-

    mos a nossa vontade, recuperarmos o nimo, pe-netrarmos no canto esquecido onde est guardado o melhor de ns mesmos.

    Vamos aproveitar as friasmeus amigos convivas.

    Tiago

    FRIAS Ser tempo para

    I. TEMA, OBJECTIVO E DIOCESE ORGANIZADORA

    1.1. O movimento dos Convvios Fraternos, sendo um movimento de Igreja encontra-se em sintonia com as suas instituies.

    1.2 Desta forma, ser de todo o interesse que o tema do sarau esteja afecto ao tema definido para o encontro, REPARTE COM ALEGRIA, ao mesmo tempo e sendo este o ano marcado pela visita de Sua Santidade o PAPA BENTO XVI, respondermos ao desafio de estarmos atentos s necessidades das famlias e comunidades mais ne-cessitadas, que mais sofrem com uma nova pers-pectiva de crise.

    1.3 Assim, nos quatro meses restantes as dioceses tero como desafio do Sarau 2010, para alm da preparao das suas peas com origina-lidade, jovialidade e irreverncia que nos apa-ngio, propomos tambm a recolha de momentos (fotografia ou vdeo) de evangelizao e partilha (ex: misso, sem abrigo, hospital, recolha de san-gue, priso, recolha de alimentos para ser entre-gue a uma instituio local) na sua diocese com a restante comunidade para serem apresentados a todos os convivas.

    1.4 O Sarau ficar a cargo da Diocese de Bra-gana-Miranda.

    II. PARTICIPANTES2.1. - Os elementos dos grupos participantes no

    Sarau, devero ser jovens e casais que tenham re-alizado um Convvio Fraterno ou que venham a participar brevemente.

    III. - CONDIES DE PARTICIPAO3.1. - As apresentaes sero totalmente subor-

    dinadas ao tema.

    3.2. - As canes, danas, peas teatrais (que podero ser humorsticas), tero de ser de tem-tica crist e subordinadas ao tema Repartir com alegria, tema do Encontro Nacional de 2010.

    3.3 - O tempo de durao das apresentaes no pode ultrapassar, na sua execuo, o limite mxi-mo de 5 minutos.

    3.5. Todos os acessrios da apresentao so da responsabilidade dos grupos. No ser permi-tido o uso de acessrios que pelas suas caracters-ticas ou dimenses impliquem montagem, trans-porte especializado ou afinaes complexas no local ou tenham que permanecer no palco durante a Festa.

    IV. APRESENTAO

    4.1. - Devem ser enviadas at 27 de Agosto de 2010 as apresentaes por e-mail para [email protected]

    4.2. - O material sonoro e projector ficaro a cargo da organizao.

    V. - NOTAS FINAIS5.1. Todas as Dioceses (incluindo as que no

    participam com uma apresentao no Sarau), de-vero enviar at data estipulada, as fotografias ou vdeos alusivos actividade de evangelizao e partilha realizada pela Diocese.

    5.2. - Qualquer pormenor omisso ao presente documento ser analisado pela organizao, que se pronunciar segundo o que concluir ser melhor para a boa realizao do Sarau.

    5.3. - No dia 11 de Setembro, pelas 16.00h a Organizao reunir com representantes dos Gru-pos participantes, no sentido de atribuir a escala da actuao.

    ORIENTAES PARA A REALIZAO DO SARAU 2010, EM FTIMA

    Santo Padre Bento XVIOs jovens portugueses amam-Vos!Reunidos por ocasio da nossa Peregrinao

    Anual Ftima Jovem, ocorrida nos dias 1 e 2 de Maio, saudamos-Vos com profunda amizade e enorme carinho!

    Sentimos uma alegria imensa pela visita que nos faz! Quando receber em suas mos esta Carta, ns estaremos espalhados um pouco por todo o lado onde passar o Santo Padre Bento XVI e, em espri-to, Vos daremos um forte abrao!

    Aqui, no lugar onde Maria quis falar ao mundo atravs dos pastorinhos Francisco, Jacinta e Lcia, rezmos por Sua Santidade! Como a Beata Jacinta Marto, ns tambm Vos amamos profundamente; re-zmos por Vs e fizemos subir ao Cu alguns bales com esta prece: Maria: olhai pelo Papa Bento XVI. E temos a certeza de que Ela vos acompanha!

    Bem-vindo seja, Santo Padre!

    Os jovens portugueses, reunidos em Ftima, 02 de Maio de 2010.

    CARTA DOS JOVENS A BENTO XVI

  • Para l dos esteretipos e dos clichs, Bento XVI o amigo dos jovens, quer a comunicao social goste ou no, quer ache quer no. A Igreja sabe disso e os jovens tambm.

    H pouco menos de um ms, no porto de La Valeta, na ilha de Malta, falou com os jovens de forma profunda e muito prxima. Evocando o exemplo de So Paulo, disse-lhes: Quando era jovem, So Paulo teve uma experincia que o transformou para sem-pre. E, de forma su-gestiva, referiu: Cada encontro pessoal com Jesus uma arrebatado-ra experincia de amor. Bento XVI est conven-cido e no se cansa de repetir a todos que o Cristianismo no uma moral mas uma Pessoa (Mensagem na XXV Jornada Mundial da Juven-tude, 2010), e com uma Pessoa deve cultivar-se uma relao pessoal.

    Assim o tema da amicitia Christi - que uma referncia clssica na espiritualidade e na patrs-tica e que o Papa conhece to profundamente aquele que mais tem desenvolvido na sua homi-ltica e, muito especialmente, no dilogo pasto-ral com os jovens, desde a homilia de incio do ministrio (s na amizade com Cristo se abrem de par em par as portas da vida) at Malta (no tenhais medo de ser amigos ntimos de Cristo) e, ainda mais recentemente, a 02 de Maio, em Turim (Jesus quer mesmo ser vosso amigo).

    Para promover essa amizade com Cristo, Bento

    XVI tem-se mostrado ele prprio amigo dos jo-vens. Tem sido o amigo dos jovens ao manter a relao iniciada por Joo Paulo II nas Jornadas Mundiais da Juventude e tem-no sido a ttulo pes-soal no seu ministrio pastoral e exemplo. Talvez chegou a hora de deixar, de uma vez por todas, de dizer que Joo Paulo II ainda o preferido dos jovens porque Bento XVI o Papa que Deus con-cedeu Igreja h j cinco anos e os adolescen-

    tes que tinham catorze e quinze anos na sua eleio so os jovens de dezoito e dezanove de hoje (e que j no tm uma imagem vvida de Joo Paulo II) e os jovens que tinham vinte e vinte e cinco anos entraram definitivamente na idade adulta, ao menos cronologicamente, e at

    saudvel que a sua referncia ao Papa j no seja apenas pelo prisma dos jovens. Para os jovens de hoje, ano dois mil e dez, o Papa Bento XVI e o Papa o amigo dos jovens.

    Est mais do que visto foi evidente no Ftima Jo-vem e est a s-lo nas iniciativas movidas pelas dio-ceses de Lisboa, Leiria-Ftima e Porto que Bento XVI atrai os jovens e seu interlocutor privilegiado, em nome de Cristo e em nome da Igreja. Ser que todos os agentes de pastoral estamos convencidos disso? Portanto, em coro, na prxima tera-feira, no podemos dizer outra coisa seno: Bem-vindo seja, Santo Padre, a Portugal! e, na sexta-feira, At para o ano, em Madrid, se Deus quiser!.

    P. Pablo Lima, Director do DNPJ

    3mAiO/JunhO 2010

    Este ms de Junho termina o Ano Sacerdo-tal, desejado pelo Papa, e que motivou as co-munidades crists para rezar pelos sacerdotes.

    Num encontro de sacerdotes de vrias idades, chegou o momento de cada qual, se o desejasse, dar um testemunho de vida.

    O mais idoso de todos, com 85 anos, dos quais 53 de sacerdcio, disse que se sentia muito feliz mas, nos anos a seguir ao Conclio Vaticano II, tinha pensado em abandonar o sacerdcio.

    Contudo, conseguiu superar essa crise graas a quatro coisas que sempre o acompanharam na vida e lhe deram fora e coragem nos momentos difceis. E explicou-as.

    Um amor muito grande a Cristo Crucificado.Muitas vezes, nos momentos mais difceis, pe-

    gava no crucifixo e contemplava a Jesus crucifica-do, mas que ressuscitou ao terceiro dia. Tambm ele no poderia querer chegar alegria pascal sem passar pelo sofrimento. Sujeitei-me aos momen-tos de crise, com a esperana de que depois das trevas viria a luz.

    O amor a Nossa SenhoraNunca deixou de rezar o tero que tinha apren-

    dido de minha me. E percebi que esta orao me comunicava fora e coragem nos momentos dif-ceis. Tambm nos momentos difceis senti a sua presena materna.

    Pensar nas pessoas a quem tinha ajudadoAo longo de muitos anos, ajudei muitas pes-

    soas a recuperar o sentido da vida. Tinha evita-do que alguns se suicidassem. Tinha conseguido a imensa alegria de ver pecadores arrependidos a recuperarem a alegria. Tinha ajudado moribundos a partirem deste mundo com a esperana da res-surreio.

    Pensar na sua me.Perteno a uma famlia pobre de aldeia. Quan-

    do entrei no seminrio, a minha me, para custear os estudos, aprendeu um ofcio e assim pude aca-bar os estudos. A sua maior felicidade foi ver-me sacerdote.

    In Cavaleiro da Imaculada

    ANO SACERDOTALPOR qUE qUIS CONTINUAR PADRE?

    Sou a Irm Felismina Pedro, conviva do 540, em Lamego, e actualmente Missionria em S.Tom e Prncipe, j h uns anos.

    Comigo, em S.Tom esto mais 2 convivas, a Beta, cooperante portuguesa que lecciona Portu-gus e a Mil, leiga para o Desenvolvimento e que so da zona de Vila Franca.

    Todas trabalhamos na misso de Guadalupe no anncio da Palavra de Deus, herana que nos foi deixada quando, h mais ou menos anos, partici-

    pamos no Convvio Fraterno. So muitas as vezes que revivemos os 3 dias, no 4, 5,10 e seguintes dias que nos fizeram apostolas incapazes de nos ca-larmos no grito de que Cristo vive como os Apsto-los no Prego Pascal.

    Queria que enviassem o nosso jornal para S.Tom e Prncipe pois seria com muita alegria e jbilo que todas receberemos o Balada da Unio.

    Irm Felismina Pedro (C.F. 540)

    APSTOLAS INCAPAZES DE NOS CALARMOS!

    Nos passados dias 18 e 10 de Junho reuniu em Ftima o Conselho Nacional da Pastoral Juvenil (CNPJ). Esta reunio foi presidida pelo Sr. Bispo D. Ildio Leandro, contando com a participao do Di-rector e Vice-Director do Departamento Nacional de Pastoral Juvenil da Itlia.

    Como ordem trabalhos, foi feita uma avaliao ao Ftima Jovem 2010 e abertas propostas para o de 2011, bem como discutidos alguns aspectos do VIII Festival Nacional Jovem e do XII Frum Ecumni-co Jovem, a decorrer em Novembro de 2010 em Vi-seu. Ainda nos prximos dias 23, 24 e 25 de Junlho teremos tambm em Paredes de Coura (Diocese de Viana do Castelo) o Festival Jota, onde o nosso mo-vimento estar tambm representado.

    A preparao das JMJ 2011 em Madrid tiveram grande destaque neste encontro. Salienta-se o facto de j este ano, Portugal receber a Cruz das JMJ em cada diocese durante o ms de Agosto. um motivo muito especial para nos unirmos tambm enquanto convivas nas nossas dioceses e participar nas acti-vidades previstas. A propsito das JMJ, temos j o nosso site em portugus (www.pt.madrid11.com) onde podem ser encontradas mais informaes sobre a preparao das Jornadas.

    Usando a reflexo e desafios que nos foram apre-sentados pelos responsveis da Pastoral Juvenil Ita-

    liana, importante que cada diocese, movimento, associao ou obra, com os seus carismas prprios e particulares, trabalhem unidos em torno de um mes-mo propsito: Levar Jesus Cristo aos outros. Pois a melhor forma de conhecer Jesus conviver com os jovens que j O conheceram.

    Hugo Cravo (C.F. 945)

    PASTORAL JUVENIL

    No dia 13 de Junho, realizou-se, na parquia Santa Ana da Munhuana Maputo, o terceiro post-convvio para os convivas do 1113. Foi um reencontro onde se reviveu a experincia dos trs dias do convvio-fraterno realizado em Dezembro do ano passado. Todos os convivas vinham car-regados de nsia e alegria com a expectativa de rever os irmos na caminhada e para recargar as energias do quarto dia.

    Foi um encontro um pouco diferente dos habi-tuais, pois comeou com a celebrao da Eucaris-tia, onde o Padre, na sua homilia, falou do grande amor de Deus que se oferece a todos ns e em to-dos os momentos. Estas palavras marcaram o dia, visto serem as que serviriam de ponto de partida para a reflexo sobre o sacramento da penitncia, mbil daquele post-convvio.

    Depois da Eucaristia, os convivas reuniram-se numa sala onde ouviram uma palestra sobre o sacra-mento da penitncia. A conviva incumbida de expor o tema falou das vicissitudes que todos os cristos, em particulares os convivas, enfretam na construo do mundo novo, um mundo onde reina o amor de Deus. Ademais, o mundo apresenta mscaras de feli-cidade, sendo necessrio viver atento voz de Cristo que chama verdadeira felicidade. A verdadeira feli-cidade se constri com base no sacrifcio e para isso Cristo deixou-nos o exemplo, a sua morte na cruz.

    A parte mais interessante desta alocuo foi quando a conviva falou do sacramento da recon-ciliao como sacramento do amor de Deus. Pois, Deus, amando-nos tanto, est sempre ao nosso

    lado. Quando as vezes nos afastamos dEle pelo pecado, Ele continua a amar-nos sem ter em conta os nossos pecados e fica a espera que ns possa-mos arrempender-nos e voltarmos a plena comu-nho com Ele atravs do sacerdote que perdoa em nome de Cristo os nossos pecados.

    Ao aproximarmo-nos da reconciliao, vamos ao encontro de Deus que nos ama sem medida, como tambm dos irmos que querem viver em comunho connosco e colaboram na construo de um mundo novo.

    Terminada a palestra, como o dia j ia adian-tado, seguiu-se o almoo partilhado, onde se ma-nifestou, atravs da partilha, a comunho entre todos os convivas.

    O final da tarde foi preenchido por uma reunio de equipa e posteriormente por um breve plenrio. Foi um momento de verdadeira partilha a cerca daquilo que cada um pensava sobre o sacramento da penitncia, mas tambm um momento de fa-zer uma interrogao profunda sobre o lugar da penitncia na vida de cada conviva. O dia termi-nou com a orao conjunta das vsperas, na qual se agradeceu a Deus por aquele lindo dia e por tudo que Ele tem feito na vida de cada conviva. Terminada a orao da tarde, foi a vez da triste despedida na esperana de cada um reza sempre pelo outro para que as dificuldades do quarto dia no apaguem a chama do encontro com Cristo, consigo mesmo e com os outros!

    Chico (C.F. 854)

    A PENITNCIA O SACRAMENTO DO AMOR DE DEUS

    Moambique

    BENTO XVI O AMIGO DOS JOVENS

  • Queridos peregrinos,A linhagem do povo de Deus ser conhecida

    [] como linhagem que o Senhor abenoou (Is 61, 9). Assim comeava a primeira leitura desta Eu-caristia, cujas palavras encontram uma realizao admirvel nesta devota assembleia aos ps de Nossa Senhora de Ftima. Irms e irmos muito amados, tambm eu vim como peregrino a Ftima, a esta casa que Ma-ria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Ftima para rejubilar com a presena de Maria e sua materna proteco. Vim a Ftima, porque hoje con-verge para aqui a Igreja peregri-na, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelizao e sacramento de salvao. Vim a Ftima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misrias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lcia, vim a Ftima para confiar a Nossa Senhora a confisso ntima de que amo, de que a Igreja, de que os sacerdotes amam Jesus e nEle desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar proteco materna de Maria os sacerdotes, os con-sagrados e consagradas, os missionrios e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.

    Sim! O Senhor, a nossa grande esperana, est connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunho consi-go. Tendo experimentado a misericrdia e conso-lao de Deus que no o abandonara no fatigante caminho do regresso do exlio de Babilnia, o povo de Deus exclama: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus (Is 61, 10). Fi-lha excelsa deste povo a Virgem Me de Nazar, a qual, revestida de graa e docemente surpreendi-da com a gestao de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperana no cntico do Magnificat: O meu esp-rito se alegra em Deus, meu Salvador. Entretanto no se v como privilegiada no meio de um povo estril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque a sua mi-sericrdia se estende de gerao em gerao sobre aqueles que O temem (Lc 1, 47.50).

    Prova disto mesmo este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenrio da primeira visita feita pela Senhora vinda do Cu, como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento ntimo do Amor Trinitrio e os leva a saborear o prprio Deus como o mais belo da exis-tncia humana. Uma experincia de graa que os

    tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas no me queimo. E o Francisco dizia: Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus! (Memrias da Irm Lcia, I, 40 e 127).

    Irmos, ao ouvir estes inocentes e profundos de-sabafos msticos dos Pastorinhos, poderia algum olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignao de quem no teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: No andareis vs enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus? (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: Feli-zes os que acreditam sem terem visto (Jo 20, 29), mas Deus mais ntimo a mim mesmo de quanto o seja eu prprio (cf. Santo Agostinho, Confisses, III, 6, 11) tem o poder de chegar at ns nomeada-mente atravs dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que est para alm do sensvel, tornando-a capaz de alcanar o no-sensvel, o no-visvel aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilncia interior do corao que, na maior parte do tempo, no possumos por causa da forte presso das realidades externas e das imagens e preocupaes que enchem a alma (cf. Card. Jose-ph Ratzinger, Comentrio teolgico da Mensagem de Ftima, ano 2000). Sim! Deus pode alcanar-nos, oferecendo-Se nossa viso interior.

    Mais ainda, aquela Luz no ntimo dos Pastori-nhos, que provm do futuro de Deus, a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os coraes mais frios e tristes, vemo-lo nos discpulos de Emas (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperana tem fundamen-to real, apoia-se num acontecimento que se coloca na histria e ao mesmo tempo excede-a: Jesus de Nazar. E o entusiasmo que a sua sabedoria e po-

    der salvfico suscitavam nas pessoas de ento era tal que uma mulher do meio da multido como ouvimos no Evangelho exclama: Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito. Contudo Jesus observou: Mais feli-zes so os que ouvem a palavra de Deus e a pem em prtica (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo

    para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dvida e da incerteza, com o corao acordado em orao? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da f? A f em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperana certa que no desilude; in-dica um slido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a prpria vida; pede o abandono, cheio de con-fiana, nas mos do Amor que sustenta o mundo.

    A linhagem do povo de Deus ser conhecida [] como linhagem que o Senhor abenoou (Is 61, 9) com uma esperana ina-balvel e que frutifica num amor que se sacrifica pelos

    outros, mas no sacrifica os outros; antes como ouvimos na segunda leitura tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta (1 Cor 13, 7). Exemplo e estmulo so os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doao a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o corao universalidade do amor. De modo particular, a be-ata Jacinta mostrava-se incansvel na partilha com os pobres e no sacrifcio pela converso dos peca-dores. S com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilizao do Amor e da Paz.

    Iludir-se-ia quem pensasse que a misso profti-ca de Ftima esteja concluda. Aqui revive aquele desgnio de Deus que interpela a humanidade des-de os seus primrdios: Onde est Abel, teu irmo? [] A voz do sangue do teu irmo clama da terra at Mim (Gn 4, 9). O homem pde despoletar um ciclo de morte e terror, mas no consegue interrom-p-lo Na Sagrada Escritura, frequente aparecer Deus procura de justos para salvar a cidade huma-na e o mesmo faz aqui, em Ftima, quando Nossa Senhora pergunta: Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparao pelos pecados com que Ele mesmo ofendido e de splica pela converso dos pecadores? (Memrias da Irm L-cia, I, 162).

    Com a famlia humana pronta a sacrificar os seus laos mais sagrados no altar de mesquinhos ego-smos de nao, raa, ideologia, grupo, indivduo, veio do Cu a nossa bendita Me oferecendo-Se para transplantar no corao de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Ento eram s trs, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a super-fcie da terra, nomeadamente passagem da Vir-gem Peregrina, que se votaram causa da solidarie-dade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenrio das Aparies apressar o anunciado triunfo do Corao Imaculado de Maria para glria da Santssima.

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    mAiO/JunhO 2010

    HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

    SANTA MISSA NA ESPLANADA DO SANTURIO DE NOSSA SENHORA DE FTIMA

    Bento XVI passou por Portugal, nos ltimos quatro dias, e viveu cada momento da visita, especialmente em Ftima, no s como a pri-meira ao nosso pas, mas como se pudesse ser a ltima.

    Depois de vrios discursos e homilias, a ima-gem de marca da viagem um momento sem palavras: o Papa em silncio, olhos fixos na imagem de Nossa Senhora de Ftima da Cape-linha das Aparies.

    A prpria indicao de que o centenrio das aparies seria celebrada por vs, evitando a primeira pessoa, confirmou que Joseph Rat-zinger sente que um regresso a Portugal poder no ser possvel.

    O Papa veio falar sobre o futuro e no sobre o passado, o que ajuda explicar as suas decla-raes sobre a misso proftica de Ftima e a continuidade no tempo dos sofrimentos que foram revelados na terceira parte do segredo.

    Tambm em Ftima, no 13 de Maio, referiu-se maternidade de Deus, uma novidade no discurso habitual da Igreja, muito masculino e centrado na figura do pai.

    Esta foi, talvez, a viagem que melhor define o pontificado de Bento XVI: um homem que sur-preende as multides que o desconhecem, mas que se revela mais intensamente em privado ou em encontros onde a sua presena vista como a de um professor ou mesmo a de um sbio.

    Apesar de ainda se ter ouvido a palavra flop pelos corredores por onde corriam os vaticanis-tas, os nmeros estimados da participao nesta peregrinao aproximam-se da ltima viagem de Joo Paulo II a Ftima h quem pense que os podero ter ultrapassado -, com um porme-nor relevante: a peregrinao de 2000 aconte-ceu num fim-de-semana, naquela foi a terceira visita do Papa polaco.

    Seguindo com ateno o que foi dito pelo ac-tual Papa no s em Ftima fica claro o que quer para a Igreja em Portugal: menos devoo particular, consequncias prticas na vida so-cial, mais aco perante as dificuldades geradas pela crise e um compromisso pblico inequvo-co dos que se afirmam como catlicos.

    Esse compromisso deve surgir mesmo em temas fracturantes, como o aborto ou o casa-mento homossexual alis, a nica pausa pro-positada que o Papa fez nos seus discursos foi quando quis vincar que apenas pode conceber o matrimnio como a unio entre um homem e uma mulher.

    Bento XVI foi muito especfico em deter-minadas referncias situao actual do pas quanto a matrias histricas, polticas e reli-giosas - mostrando conhecer bem o cho que ia pisar, numa lio bem estudada.

    Tambm em Lisboa e no Porto, o Papa dei-xou inmeros desafios Igreja Catlica e pr-pria sociedade portuguesa, a mesma que carre-ga um passado glorioso mas que hoje se sente vergada perante uma crise que ameaa no s a economia, mas o prprio sentido de esperana da populao.

    Aos que fazem parte destas Igreja compete sair em misso, indo ao encontro de um pas cada vez mais secularizado, onde as referncias religiosas e espirituais esto progressivamente a perder espao. E onde, segundo as palavras do prprio Papa, j no faz sentido pressupor a f catlica.

    Octvio Carmo, da Agncia Ecclesia

    FTIMA, ADEUS: BENTO XVI VIVEU PRIMEIRA VISITA COMO SE FOSSE A

    LTIMA