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BIODIESEL

Projeto GrficoRibamar Fonseca (Supernova Design)

MontagemMayra Fernandes e Henrique Macedo (Supernova Design)

RevisoAlessandro Mendes (Azimute Comunicao)

Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas SebraeSEPN Quadra 515 Bloco C Loja 3270770-900 Braslia DFFone: (61) 3348-7100 0800-5700800www.sebrae.com.br

BIODIESEL

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Presidente do Conselho Deliberativo NacionalAdelmir Santana

Diretor-PresidentePaulo Tarciso Okamotto

Diretor TcnicoLuiz Carlos Barboza

Diretor de Administrao e FinanasCarlos Alberto dos Santos

Gerente da Unidade de Atendimento Coletivo Agronegcios e Territrios EspecficosJuarez Ferreira de Paula Filho

Gerente da Unidade de Acesso Inovao e TecnologiaPaulo Csar Rezende Carvalho Alvim

Consultora de ContedoMarlia Weigert Ennes

Coordenao TcnicaWang Hsiu ChingClvis Walter Rodrigues

Sumrio

Apresentao 7

1. O que biodiesel? 8

2. Qual a importncia do biodiesel? 9

3. Como e quando surgiu o biodiesel no mundo e no Brasil? 14

4. Quais so os marcos regulatrios no Brasil? 16

5. Quais so os rgos reguladores no Brasil? 20

6. Qual o mercado do biodiesel no Brasil e no mundo? 21

7. Quais matrias-primas so utilizadas no Brasil? 31

8. Algumas possibilidades de cultivo consorciado 35

9. Quais so as tecnologias aplicadas para a produode biodiesel? 36

10. Qual a capacidade instalada de produode biodiesel no pas? 39

11. Quais instituies tecnolgicas so referncia na temtica? 44

12. Quais instituies trabalham com linhas de crditodisponveis para o segmento do biodiesel? 45

13. Desafios e perspectivas do biodiesel no Brasil 47

Anexo 1. Relao de leis, normas e portarias referentesao biodiesel 50

Anexo 2. Relao de Centros de Referncia de biodiesel 53

Anexo 3. Relao de Usinas Piloto empreendimentos pblicos e privados 58

Anexo 4. Fontes de consulta sobre o biodiesel 59

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Apresentao

Na busca pelo desenvolvimento sustentvel, a sociedade tem se apro-fundado nas reflexes sobre a necessidade de explorar, de maneira mais coerente, seus recursos naturais. No mbito das questes energticas, observa-se o esforo na prospeco e consolidao de energias a partir de fontes renovveis, assim como o avano no uso mais eficiente e o melhor aproveitamento de resduos.

O Brasil, por suas condies naturais favorveis, apresenta vocao para a produo de biocombustveis, alm de deter tecnologias de campo e industriais competitivas, em especial as voltadas para o etanol e o biodiesel. Tal fato o posiciona como um pas estratgico no que tange sustentabilidade desse mercado.

Para contribuir com a insero efetiva das micro e pequenas empresas e dos agricultores envolvidos na cadeia produtiva dos biocombustveis, o Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) elaborou a primeira edio da cartilha de Biodiesel, lanada em abril de 2007. A publicao buscou reunir informaes relevantes desse merca-do, em uma linguagem clara e acessvel.

Diante de mudanas recentes e profundas no contexto do mercado do biodiesel, que alteraram significativamente o seu cenrio econmico, bem como a infra-estrutura de produo e a legislao, oferecemos esta nova verso da cartilha, com dados atualizados. Esperamos que este trabalho seja um guia de apoio a muitos empreendedores que queiram conhecer esse mercado ou que j atuem nele.

Boa Leitura!

Wang Hsiu ChingCoordenadora da Carteira de Agroenergia

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1. O que biodiesel?

O biodiesel um combustvel obtido a partir de matrias-primas vegetais ou animais. As matrias-primas vegetais so derivadas de leos vegetais, tais como soja, mamona, colza (canola), palma (dend), girassol, pinho-manso e amendoim, entre outros. As de origem animal podem ser obti-das do sebo bovino, suno e de aves. Incluem-se entre as alternativas de matrias-primas os leos utilizados em fritura (coco).

Esse combustvel utilizado em substituio ao leo diesel, em percen-tuais adicionados no leo diesel ou integral, nos motores combusto dos transportes rodovirios e aquavirios e nos motores utilizados para a gerao de energia eltrica.

O biodiesel compe, junto com o etanol, importante oferta para o seg-mento de combustveis. Ambos so denominados de biocombustveis por derivarem de biomassa (matria orgnica de origem vegetal ou ani-mal que pode ser utilizada para a produo de energia) e por serem menos poluentes e renovveis.

A definio para biodiesel adotada na Lei no 11.097, de 13 de setembro de 2005, que introduziu o biodiesel na matriz energtica brasileira, :

Biodiesel: biocombustvel derivado de biomassa renovvel para uso em motores a combusto interna com ignio por compresso ou, conforme regulamento, para gerao de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustveis de origem fssil. (NR)

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2. Qual a importncia

do biodiesel?

O biodiesel destaca-se como um dos biocombustveis pro-duzidos a partir de fontes renovveis, que desponta, no momento, como fonte energtica para uso nos transpor-tes e na gerao de energia eltrica, com menor grau de poluio e menor impacto no processo de aquecimento da Terra.

O biodiesel est se tornando um importante substituto do leo diesel, um dos produtos derivados do petr-leo utilizado nos motores de ciclo diesel, com ganhos ambientais. A substituio do leo diesel pelo biodiesel est se processando com percentuais crescentes, a par-tir de 2%.

O petrleo e seus derivados, base na economia moderna, tm como cenrio a possvel finitude de reservas, elevados investimentos para prospeco em novas reas, concen-trao de parcela significativa da produo mundial em reas de conflito e so responsveis por liberao de gases de efeito estufa1 (GEE). Esse energtico tem apresentado significativos aumentos de preos nos ltimos anos, em fun o principalmente dos aspectos mencionados soma-dos ao aumento progressivo da demanda energtica pela sociedade contempornea.

As iniciativas de substituio do petrleo e seus derivados na economia mundial datam inclusive do sculo passado, devido s crises do petrleo nas dcadas de 70 e 80 do sculo 20, causadas pelo agravamento dos conflitos no

1 Gases de efeito estufa (GEE), Dixido de Carbono (CO2), Metano (CH4), xido Nitroso (N2O) e Clorofl uorcarbono (CFC).

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Oriente Mdio, que provocaram insegurana no abastecimento e sbita elevao no preo do barril do petrleo.

Em funo disso, alguns pases, tais como o Brasil, dada a elevada de-pendncia externa de suprimento de petrleo e derivados na poca, es-timulou a produo do lcool hidratado e a correspondente produo de automveis para utilizao exclusiva desse biocombustvel. Na poca, tambm o Brasil j adotava um percentual significativo de mistura de lcool anidro na gasolina importada.

No incio da dcada de 90 do sculo passado, os cientistas do IPCC2 iniciaram a divulgao de relatrios tcnicos sobre o impacto dos GEE nas mudanas climticas. Esses estudos apontavam que parte do aquecimento terrestre e seu impacto na vida terrestre estavam condi-cionados s emisses dos GEE, em percentuais acima da capacidade de absoro do planeta. Os resultados se constituram em importantes decises em mbito mundial, consagradas pela Conveno de Mu-dana Climtica e pelo Protocolo de Quioto, que estimulam as naes a realizarem processos de reduo das emisses e, como conseqn-cia, a intensificarem esforos para o desenvolvimento de alternativas energticas renovveis de menor custo, maior diversidade de matrias-primas e diversificao de fontes.

Esse movimento foi empreendido mais fortemente pela Europa, EUA e Brasil, que apostaram em fontes renovveis para assegurar insumos ener-gticos com autonomia e regularidade de fornecimento associados a me-nores custos.

A elevada dependncia das importaes de petrleo no perodo estimulou o Brasil a iniciar de forma pioneira o programa de produo de lcool com-

2 IPCC - Intergovernmental Panel on Climatic Changes.

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bustvel, o Programa Nacional do lcool (Prolcool), insti-tudo em 14 de novembro de 1975 pelo decreto 76.593. O Prolcool tinha como objetivo substituir parte da gasolina utilizada na frota nacional de veculos de passageiros por lcool hidratado, em veculos com motores movidos a lco-ol, e, ainda, utilizar o lcool como aditivo gasolina (lcool anidro), tornando menos poluente a sua combusto.

Surge tambm no mesmo perodo, mas de forma tmida, algumas experincias voltadas produo de biodiesel, que acabaram no evoluindo na ocasio. Os estudos e experin-cias da dcada de 80 foram realizados com as matrias-primas provenientes das culturas de mamona e de soja.

A Europa em particular a Alemanha intensificou as pes-quisas e instituiu o biocombustvel com a mistura no diesel de leo base de colza (canola), denominado biodiesel.

Os EUA, por sua vez, estimularam a produo de lcool baseado na produo de milho e hoje apresentam uma posio igualitria com o Brasil no tocante capacidade de produo de etanol.

A dcada de 90 foi marcada por importantes avanos nos biocombustveis, com notvel revoluo na oferta de alter-nativos derivados de biomassa aos combustveis de origem fssil e no-renovveis.

Atualmente, a Unio Europia, os EUA e vrios outros pases j produzem o biodiesel comercialmente e esto empenhando significativos esforos para o desenvolvi-mento de suas indstrias.

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Acompanhando o movimento mundial e apoiado em suas experincias anteriores, o Brasil dirigiu sua ateno, no final dos anos 90, aos proje-tos de