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CPATU

DOCUMENTOS, 8

BORRACHAS NA rURAIS BRASILEIRAS

111.Borracha de Mangabeira

EMBRAPA

CENTRO DE PESQUISA AGROPECUARlA DO TRPICO MIDOBelm, PA

1982

EMBRAPAEMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUARIA

Vinculada ao Ministrio da AgriculturaCentro de Pesquisa Agropecuria do Trpico mido

BOR.RACHAS NATURAIS BRASILEIRAS

11I. Borracha de Mangabeira

Alfonso WisniewskiQum. Ind., Prof. Titular da FCAP

Clio Francisco Marques de MeioQum. Ind., M.S. em Engenharia Flores-tal. Pesquisador do CPATU

EMBRAPACENTRO DE PESQUISA AGROPECUARIA DO TRPICO MIDO

Belm, PA

EMBRAPACPATU. Documentos, 8

EDITOR: Comit de Publicaes do CPATU

Trav. Dr. Enas Pinheiro, s/n.oCaixa Postal, 4866000 - Belm, PA

Telex (091j1210

Wisniewski, Alfonso

ISSN 0101-2835

Borrachas naturais brasileiras. 111. Borracha de mangabeira. porAlfonso Wisniewski e Clio Francisco Marques de MeIo. Belm, EM-BRAPA-CPATU, 1982.

59p. ilust. (EMBRAPA-CPATU. Documentos, 8).

1. Borracha - Tecnologia. 2.I. Meio, Clio Francisco Marques de.

Mangabeira - Tecnologia.11. Ttulo. 111. Srie.

CDD: 678.64

EMBRAPA , 1982

SUMRIO

INTRODUO .

Identificao e disperso da espcie .

Desempenho econmico .

Extrao do ltex e produtividade .

MATERIAL E MTODOS .

RESULTADOS E DISCUSSO .

Ltex - caractersticas fsicas e qumicas .

Densidade. DRC e TS .

Concentrao do Jtex de mangabeira .

Coagulantes e coagulao .

BORRACHA DE MANGABEIRA

Caractersticas qumicas .

Resinas (Extrato acetnico) .

Compostos nitrogenados .

Resduo Mineral Fixo (cinzas) .

Propriedades fsicas e fsico-mecnicas .

Plasticidade .

PRI (Plasticity Retention Index) .

Caractersticas fsico-mecnicas .

Rigidez .

Dureza Shore .

Deformao permanente .

CONCLUSES

REFER~NCIAS

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BORRACHAS NATURAIS BRASILEIRAS

11I. Borracha de Mangabeira

RESUMO: A mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) j fora objetode intensa explorao no periodo ureo do ciclo econmico da bor-racha extrativa e durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Ltexde densidade bastante semelhante ao de Hevea apresenta pH alcali-no logo ao fluir da rvore (pH 7,12), acidificando-se, a seguir, atalcanar nveis abaixo de pH 4. Conserva-se fluido sem adio depreservativos, entretanto, sua estabilidade mecnica baixa. Trans-formado em meio estril, por adio de 0,3% de amnia e 0,3% depentaclorofenato de sdio, crema por ao da hemicelulose (p dejuta) e da goma adragante dando um creme em torno de 52% deconcentrao com uma eficincia de separao acima de 97%. Oltex de mangabelra pode ser coagulado por meio de cidos entreos quais os cidos clordrico, sulfrico e actico e, ainda, por aode solues de cloreto de sdio e de almen. O melhor coagulante,todavia, o cido clordrico na proporo de 1% do cido concentra-do (D = 1,19) em diluio a 3% sobre a borracha seca a coagular.A borracha de mangabeira mole, destituda de nervo, muito plstica(plasticidade Wallace 32) de elevado PRI (82) e baixo teor de nitro-gnio e cinzas. borracha altamente resinosa (em torno de 12%)podendo, entretanto, encontrar-se amostras com extrato acetnico emtorno de 7%. Quando vulcanizada pela frmula ACS-II com 4% decido esterico, a borracha de mangabeira apresenta valores de car-ga de ruptura cerca de 20% inferiores aos das borrachas de Hevea,baixos mdulos de elasticidade, elevados valores de alongamento fi-nal, baixo valor de rigidez e ainda baixos valores de deformaopermanente, o que permite antecipar tratar-se de borracha de curalenta e de boas caractersticas de resilincia.

INTRODUO

A cultura de plantas laticferas, em larga escala, a partir do fimdo sculo passado, na faixa tropical do nosso planeta, (Zimmermann1973, Smith e Brandford 1908, Romburgh 1903), determinou o fim do

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ciclo da produo extrativa de borracha e, em breve, a supremaciada espcie Hevea brasiliensis Mull. Arg. se imps sobre todas asdemais espcies cultivadas em escala empresarial ou, apenas, emcarter experimental, pelo desempenho tcnico e econmico semcompetio.

As plantaes de Manihot, Funtumia, Castilloa e de outras esp-cies de menor interesse foram simplesmente abandonadas. No pe-rodo entre as duas guerras mundiais, a borracha de plantao combase na cultura da Hevea tornou-se a nica matria-prima elastomri-ca oferecida e consumida nos mercados mundiais.

Os seringais nativos amaznicos, bem como as outras especlesJaticferas silvestres do trpico americano e africano, s vieram adespertar um surto de interesse ocasional sob presso dos eventosda 11Grande Guerra Mundial. Com a ocupao, por parte dos exr-citos imperiais japoneses, de toda a regio produtora de borracha doSudeste Asitico as potncias em guerra lideradas pelos Estados Uni-dos da Amrica viram-se, abruptamente, privadas do suprimento daborracha. Visando contornar a difcil situao criada, ao lado da ex-traordinria expanso da produo de elastmeros sintticos, progra-mas emergenciais tiveram de ser rapidamente implementados nosentido da explorao, a qualquer custo e preo, de todas as fontesdisponveis de borracha extrativa (Bouas 1945). Dessa maneira,borrachas que de h muito deixaram de existir nos mercados mun-diais ou, ainda, que apenas vinham ocupando uma posio discretae irrelevante, como as borrachas extrativas amaznicas e africanas,

as borrachas de caucho, manioba, mangabeira e outras, voltaram aser produzidas com imenso empenho.

Terminada a grande hecatombe, em 1945, as borrachas extrativas,mais uma vez perdiam qualquer posio de destaque no mercadomundial que as relegava a uma situao de interesse meramente his-trico.

Em 1967, pela Lei n.O5.227, o Banco de Crdito da Amaznia S.A.,fora reestruturado e o mercado da borracha liberado do monoplioestatal das operaes finais de compra e venda. Em tais circunstn-cias as borrachas de mangabeira e manioba praticamente desapare-ceram por falta de estmulo produo j que indstria de trans-

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formao tornou-se mais vantajoso importar borracha estrangeira dequalidade comprovada a consumir borrachas inferiores de produonacional.

A partir de 1973, com a brusca elevao dos preos do petrleoe repetidas altas que se vm sucedendo at os nossos dias, os elas-tmeros sintticos produzidos com base em derivados do petrleosofreram tambm reflexos desses aumentos. A borracha natural,como nem poderia deixar de ser, beneficiou-se dessa situao altistade mercado, triplicando, praticamente, a cotao em relao aos pre-os vigentes anteriormente. Numa situao, portanto, de profundaincerteza em relao ao futuro do petrleo, cujos preos continuamcom tendncia a ascenso, evidente que novas premissas devemser consideradas ao se reavaliar a economia dos elastmeros.

Se a borracha natural poder, nesse novo contexto, vir a ocuparuma posio de precedncia sobre os produtos sintticos, pelo me-nos em relao a preos, no devem ser desprezadas, em tais cir-cunstncias, todas as possibilidades de produzir borracha natural combase em plantaes de Hevea, em primeiro plano e, ainda, exploran-do o potencial de plantas nativas mas que podero tornar-se espciescultivadas, sob certas condies, nas regies ecologicamente contra-indicadas para a heveicultura. Entre essas espcies, devem ser des-tacadas a mangabeira e a manioba que durante o ciclo da borrachaextrativa chegaram a desempenhar um papel de grande relevncia naeconomia de vrios Estados do nordeste e centro-sul do Brasil.

Especificamente, no tocante a mangabeira, deve-se lembrar que,embora a borracha conhecida no mercado mundial como Pernambuco

Rubber tenha sido amplamente produzida e comercializada durante operodo ureo do ciclo da borracha extrativa, o seu desempenho tc-nico como material elastomrico e ainda o aspecto fitotcnico in-cluindo processos de extrao e coagulao do ltex, devem merecerestudos complementares desde que os escassos trabalhos dispon-veis (D'Utra 1899), j se acham inteiramente desatualizados.

A presente monografia, por isso, pretende apresentar ainda queem sntese, os conhecimentos tcnicos disponveis na literatura es-pecializada sobre o ltex e a borracha de mangabeira incluindo, tam-bm, resultados experimentais auferidos pelos prprios autores aolongo de muitos anos de pesquisa em borracha natural no antigo

IPEAN, hoje, CPATU-EMBRAPA. O contedo do presente trabalhobem pode dar uma idia do potencial e das possibilidades da borra-cha de mangabeira como material elastomrico especialmente napresente conjuntura de importaes crescentes de borracha naturaldo estrangeiro e de elevados preos dos elastmeros sintticos pro-duzidos com base em derivados do petrleo.

Identificao e Disperso da Espcie

A mangabeira uma rvore de porte mdio com uma altura deS a 7m, descrita com o nome de Hancornia speciosa Gomes e perten-cente famlia das Apocynaceae. Apresenta-se em quatro varieda-des: H. speciosa varo Gardnerii (A.DC) Mull. Arg., H. speciosa varolundii A.D. Cand., H. speciosa varo maximilian A.D. Cand., H. spe-ciosa varo pubescens (Nees et Mart.) Mu11. Arg. (Corra 1974).

A mangabeira , popularmente, mais conhecida pelos frutos iden-tificados com o nome de mangabas que so bastante apreciados nopreparo de doces, sorvetes e refrescos. Esses frutos so tambmconsumidos .in natura".

A mangabeira tem uma rea de disperso muito grande, medran-do em terrenos secos, preferentemente arenosos, desde a Venezuelaao norte, Bolvia e Peru a oeste, todo o territrio brasileiro, at o Pa-rag

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