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A Importncia

Do

Crebro

Aplicar a Investigao na Prtica Pedaggica

Patrcia Wolfe

Traduo:

Ana Paula Mendes e Jorge Lus Mendes

A Importncia do Crebro

Aplicar a Investigao na Prtica Pedaggica

SUMRIO:

Prefcio e Agradecimentos

Parte I: A Estrutura e a Funo do Crebro Humano

1 - Abrindo a Caixa Negra do Crebro

2 Anatomia Cerebral Um Pequeno Curso: Neurnios e Estruturas Subcorticais

3 Anatomia Cerebral Um Pequeno Curso: O Crtex

4 O modo como os Neurnios Comunicam

PARTE II: Da Contribuio Sensorial ao Armazenamento da Informao

5 Memria sensorial: Adquirir Informao para o Crebro

6 A Memria de Funcionamento: O Processamento Consciente de Informao

7 Memria a longo prazo: O Sistema de Armazenamento do Crebro

PARTE III: Instruo Inicial para O Modo Como o Crebro Aprende Melhor

8 Tornar o Currculo Significativo Atravs de Problemas, Projectos e Simulaes

9 Usar a Viso e a Audio para Aumentar a Aprendizagem

10 Um Conjunto de Estratgias de Compatibilidade Cerebral

Sobre o Autor

Contracapa do original

Glossrio

Referncias e Bibliografia

ndice

Legendas das Figuras

Notas dos Tradutores

Para Anne Westwater, educadora dedicada, estimada colega e amiga

Prefcio e Agradecimentos

Alguns cientistas e pedagogos consideram que prematuro aplicar os resultados da investigao sobre o crebro na sala de aula, uma vez que ainda no h conhecimentos suficientes. Defendem que o assunto to recente, e as descobertas, em muitos casos, so to especficas, que se corre o risco de fazer falsas suposies e talvez at mesmo aplicaes perigosas.

Por um lado, a precauo destes cientistas e pedagogos legtima. O historial dos pedagogos prova que os mesmos se tm deixado influenciar por modas, e aceitaram, muitas vezes, teorias no provadas como factos, e aplicaram estratgias sem uma anlise cuidadosa da sua eficcia. Ainda h muito para aprender sobre o modo como funciona o crebro humano. A investigao na rea da Neurocincia est a dar os seus primeiros passos, e novos estudos refutam, com frequncia, as mais recentes descobertas.

Por outro lado, seria insensato esperar at que toda a investigao fosse feita e ter a certeza absoluta antes de comear o estudo do crebro e discutir as possveis implicaes e aplicaes dos resultados da investigao. Muitos dos estudos j confirmaram o que os pedagogos experientes h muito tempo sabem e utilizam nas suas salas de aula. O que a investigao acrescenta, neste momento, uma compreenso parcial do modo como funcionam certos procedimentos ou estratgias. Assim, j no se torna necessrio operar intuitivamente, e possvel comear a articular e a explicar de forma racional os procedimentos. Madeline Hunter afirmou que o problema do mtodo de ensino intuitivo que a intuio estril: no pode ser transmitida. Por esta razo, os professores tiveram, muitas vezes, dificuldade em explicar a sua arte aos outros.

Outra razo para que os pedagogos se dediquem ao estudo do crebro que este a base do seu trabalho dirio. Dizer que no necessrio entender o crebro para ser capaz de ensinar, como dizer que um mdico no precisa de entender o corpo para o tratar. No passado, as pessoas consideravam o crebro uma "caixa negra", um mistrio que desafiava a compreenso. Era possvel observar o que entrava e o que saa dele, mas no existia nenhuma compreenso das operaes internas. Agora que a investigao est a comear a abrir a caixa misteriosa, seria imprudente ignor-la e dizer que no tem nenhuma implicao no ensino e na aprendizagem. Na realidade, quanto melhor entendermos o crebro, melhor o poderemos educar.

Tambm necessrio compreender a funo do crebro e o modo como ele opera, para se poder analisar criticamente a enorme quantidade de informao neurocientfica que divulgada quase diariamente. Alguma desta informao apresentada com rigor e credvel, enquanto que outras descobertas so reduzidas a amostras, que conduzem a uma interpretao errnea. Se quisermos receber todo o benefcio desta informao (e sermos vistos como profissionais), precisamos de desenvolver uma base de conhecimento slida que reflicta uma compreenso exacta da investigao. Mas, para ler e entender os resultados das descobertas, precisamos de estar familiarizados com os procedimentos e os protocolos que foram usados, e precisamos de conhecer a estrutura e a funo do crebro. No temos de nos tornar cientistas, mas precisamos de olhar criticamente para as fontes da informao. A comunicao social relata, com muita frequncia, "factos" sobre o funcionamento do crebro com base num estudo insignificante ou, pior, com base em estudos mal conduzidos. Estes factos ou resultados, que poderiam ser apelidados de pseudo cincia, so declaraes que comeam muitas vezes com expresses do gnero "A investigao prova ", quando, na realidade, o estudo precisa de ser aplicado numa variedade de situaes ou noutros assuntos antes de poder ser considerado vlido ou credvel.

Eu no sou nem neurocientista nem investigadora no sentido tcnico das palavras. Passei toda a minha carreira a ensinar alunos em quase todos os nveis de ensino e, durante os ltimos vinte anos, trabalhei com professores de quase todos os nveis de ensino e reas de estudo. O meu interesse na investigao do crebro comeou no incio dos anos 80, quando era formadora e conduzia seminrios sobre estratgias pedaggicas eficazes. Ao tentar compreender a razo por que algumas estratgias funcionavam e outras no, comecei a encontrar alguma informao em fontes que mencionavam estudos sobre o crebro e o modo como este recebe e armazena dados. Isto era excitante! Imagine ter alguns dados cientficos para apoiar as actividades da sala de aula que estvamos a compartilhar com professores.

Mas no era to simples como eu tinha imaginado. Primeiro, os estudos eram difceis de encontrar; e quando eu os descobria, a linguagem na qual estavam escritos era demasiado difcil para mim. Eu no sabia nada acerca do funcionamento do crebro; por isso, os termos usados tinham pouco significado. Segundo, nenhum dos estudos fazia referncia a aplicaes prticas fora da rea da medicina, e muito menos mencionava como os resultados da investigao se poderiam aplicar rea da educao. Isto foi alguns anos antes de eu encontrar um livro que discutia o estudo do crebro em termos no cientficos, The 3-Pound Universe de Hooper e Teresi (1986). Actualmente, a minha biblioteca contm quase cem livros sobre o crebro, muitos escritos para o pblico em geral por neurocientistas e alguns que, de facto, discutem o processo de aprendizagem. Houve uma verdadeira exploso de informao sobre o crebro e uma correspondente exploso de interesse sobre o tema.

Embora a maioria das pessoas parea estar fascinada com a informao sobre o modo de funcionamento do crebro, os professores provavelmente mostraram um maior interesse na investigao. Afinal, podem existir respostas para alguns dos problemas com que temos lutado h tanto tempo: Por que razo alguns alunos aprendem a ler em pouco tempo e outros tm tanta dificuldade em entender o processo? Como podem os alunos acompanhar muito bem uma aula na segunda-feira, e na tera-feira agirem como se nunca tivessem ouvido a informao antes? Por que razo alguns conceitos aparentemente simples so to difceis de entender para alguns alunos, enquanto outros no sentem nenhuma dificuldade? O que que causa o dfice de ateno por hiperactividade ou o autismo, e como podemos ajudar os alunos a ultrapassar estas e outras desordens?

Ainda no temos todas as respostas para estas perguntas, mas estamos no bom caminho; e a possibilidade de ter uma melhor base de informao sobre o processo de ensino/aprendizagem algo que todos os pedagogos anseiam. Embora no sejamos cientistas ou investigadores, trabalhamos num laboratrio chamado sala de aula, e temos uma enorme quantidade de conhecimento e entendimento do processo de ensino/aprendizagem. Adquirimos este conhecimento atravs da experincia e da investigao em psicologia educacional, em psicologia cognitiva e em metodologia pedaggica. Cabe-nos decidir o modo como a investigao de todas estas fontes melhor se aplica nossa prtica.Embora tenha tentado ser precisa, as minhas explicaes reflectem a minha prpria compreenso de um assunto complexo. As implicaes e as aplicaes so (com poucas excepes) criadas por mim, baseadas na minha prpria experincia e na minha compreenso da investigao. Este livro no aborda toda a informao fascinante sobre o crebro; apenas seleccionei aqueles aspectos da investigao que penso terem mais importncia para os pedagogos.

Este livro tambm contm mais consideraes do que respostas definitivas, dado que a rea de investigao muito recente e nem todos os neurocientistas concordam com os resultados. Porm, acredito que a concentrao do trabalho da equipa nos resultados da investigao do crebro no s estimular o interesse e o estudo adicional, como tambm fornecer um alicerce mais recente para entender o complexo e difcil trabalho que ensinar o crebro humano.

O livro est dividido em trs partes. A Parte I um pequeno guia em tcnicas de imagiologia cerebral e em anatomia e fisiologia do crebro. Esta parte contm algumas reas bastante tcnicas, e os leitores podem optar por as ler primeiro, e recorrer s mesmas sempre que considerarem oportuno ao longo do livro. (O glossrio, na parte final do livro, enumera e define termos que podem ser pouco conhecidos para alguns leitores). A Parte II introduz um modelo do modo como o crebro processa informao e explora algumas das implicaes deste processo para a prtica de sala de aula. A Parte III apresenta exemplos de estratgias de ensino que do indicaes acerca do modo como o crebro aprende melhor, atravs de projectos, simulaes, recursos visuais, msica, escrita e mnemnicas.