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  • 65 : C! M" V#! M$%#%&%!

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    1. E!"#$

    O ano de 2016 fica marcado pela implementa-

    o da reforma do enquadramento jurdico da

    actividade de reviso legal das contas (ou audi-

    toria) em Portugal.

    Decorrente de diversos trabalhos desenvolvidos

    ao nvel comunitrio, dos quais se destacam a

    publicao, pela Comisso Europeia, do Livro

    Verde Poltica de Auditoria: As Lies da Cri-

    se1, foi apresentada uma proposta, em 30 de

    Novembro de 2011, de alterao Directiva n.

    2006/43/CE, do Parlamento Europeu e do Con-

    selho, bem como uma proposta de Regulamento

    com vista a harmonizar determinados requisitos

    aplicveis s Entidades de Interesse Pblico2

    (doravante PIE).

    A proposta inicial teve diversos desenvolvimen-

    tos culminando, aps um amplo debate e nego-

    ciao, com a aprovao da Directiva n.

    2014/56/UE do Parlamento e do Conselho, de

    16 de Abril de 2014, e aprovao do Regula-

    mento (UE) n. 537/2014, do Parlamento e do

    Conselho, de 16 de Abril de 2014, constituindo

    assim o que se designa por reforma Europeia do

    enquadramento jurdico da Auditoria.

    Portugal implementou a legislao com a apro-

    vao da Lei n. 140/2015, de 7 de Setembro

    (reformulando o Estatuto da Ordem dos Reviso-

    res Oficiais de Contas, doravante EOROC) e

    a Lei n. 148/2015, de 9 de Setembro (que

    aprovou o Regime Jurdico de Superviso de

    Auditoria, doravante RJSA).

    Esta reforma no pode ser vista como um refor-

    ma isolada mas, sim, enquadrada como uma das

    peas que compem uma estratgia mais abran-

    gente que visou todo o enquadramento jurdico

    dos mercados financeiros.

    Naturalmente que esta vertente, que afectou

    sociedades de notao de risco (rating), emiten-

    tes de valores mobilirios, intermedirios finan-

    ceiros, bancos, seguradoras, plataformas de ne-

    gociao e de liquidao, mercados de deriva-

    dos, organismos de investimento colectivo, en-

    tre outros, no podia deixar de contemplar os

    auditores, tendo em conta o papel relevante que

    ocupam no sistema global.

    Pode-se facilmente constatar que existe um vec-

    tor comum em todas estas alteraes, que se

    fizeram sentir desde o eclodir da crise de 2008.

    Esse vector caracteriza-se pelo objectivo de

    restaurao da confiana dos mercados e dos

    seus consumidores, que mais no so do que os

    investidores em instrumentos financeiros

    (consumidores de valores mobilirios, produtos

    bancrios ou produtos seguradores ou outros

    tipos de instrumentos financeiros), mas tambm

    as prprias empresas e a sua necessidade de

    obter os recursos financeiros adequados pros-

    secuo do investimento e de desenvolvimento

    da sua actividade econmica.

    * - Revisor Oficial de Contas. Professor Auxiliar Convidado do ISEG Instituto Superior de Economia e Gesto da Universidade de Lisboa.

    1- COM (2010) 561, 13 de Outubro de 2010.

    2- O conceito de PIE est definido no artigo 3 do Regime Jurdico de Superviso de Auditoria, aprovado pela Lei n. 148/2015, de 9 de Setembro.

  • 66 : C! M" V#! M$%#%&%!

    Essa preocupao centrou-se, por um lado, no

    incrementar dos objectivos de proteco da es-

    tabilidade financeira e controlo do risco de efei-

    to sistmico, mas por outro lado no reforo da

    transparncia, permitindo assim atingir os ob-

    jectivos de restaurao do clima de confiana

    abalado pela profunda crise que foi sentida.

    Os revisores oficiais de contas (ou auditores)

    desempenham um papel crucial na defesa do

    interesse pblico, j que atravs do desempenho

    das suas funes, exercidas de forma indepen-

    dente, permitem conferir segurana informa-

    o financeira, prestada pelas empresas, atravs

    da Certificao Legal das Contas (doravante

    CLC) ou relatrios de auditoria que subscre-

    vem.

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    Atente-se, porm, que a reforma legislativa re-ferida no incide s na actividade de auditoria mas tambm sobre uma componente muito rele-vante do governo das sociedades que o rgo de fiscalizao, instituindo-se o dever de consti-tuio de tal rgo em todas as entidades de interesse pblico.

    Esse rgo na adaptao ao direito portugus, assume um de trs modelos, i) Comisso de Auditoria (modelo Anglo-saxnico), ii) Conse-lho Fiscal (modelo latino reforado) ou iii) Conselho Geral e de Superviso com a sua Co-misso para as matrias financeiras (modelo germnico) passa a assumir um papel cada vez mais relevante em todo este processo.

    Nesta configurao, o auditor da entidade no pode integrar o referido rgo de fiscalizao, j que este rgo desempenha um importante papel na designao do auditor, na superviso e acompanhamento do seu trabalho bem como, de forma igualmente essencial, na superviso do

    processo de prestao de contas da entidade e respectivo controlo, incidindo igualmente na monitorizao da gesto de riscos e acompa-nhamento da actividade da gesto.

    Pode-se mesmo afirmar que o auditor e o rgo de fiscalizao, no desempenho das respectivas funes, de modo independente, desempenham um papel ombro a ombro por forma a confe-rir segurana informao financeira preparada e apresentada pelo rgo de gesto. Estes trs vrtices equidistantes (gesto, rgo de fiscali-zao e auditor) formam, o que se pode chamar por, um tringulo desafiante, em que cada um dos vrtices actua de forma independente, entre si, mas que se auto desafia por forma a assegu-rar a qualidade e transparncia da informao financeira, que prestada pela empresa aos in-vestidores.

    Nessa vertente, de modo a enaltecer a referida transparncia, fundamental que cada um des-tes intervenientes, para alm de apresentar a sua opinio sobre a respectiva informao, possam igualmente comunicar com os respectivos in-vestidores de forma livre de modo a permitir demonstrar como, cada um, exerceu as respecti-vas funes, com o objectivo de transmitir a confiana pretendida.

    III - O R#%$" A!"#$"

    ! C$#"("*-' & ) C.#)

    neste enquadramento que se pode verificar aquilo que, da perspectiva mais visvel pelo mercado, se vai fazer sentir pela reforma ence-tada no sector da auditoria.

    Com efeito, o reporte que os investidores esta-vam habituados a receber dos auditores perma-necia sem alteraes relevantes desde, sensivel-mente, o segundo quartel do seculo XX aqui-lo que constitua um formulrio de CLC, bas-tante padronizado.

  • 67 : C!"#$%&' "& M#$*!"& "# V!+&$#' M&/0+01$0&'

    Este singelo documento, que na esmagadora maioria dos casos no ultrapassa as duas pgi-nas, seria o culminar de um trabalho de aplica-o de procedimentos de auditoria, corrobora-dos por um conjunto relevante de testes, subs-tantivos e de conformidade, com vistas a reco-lha de prova de auditoria, suficiente e apropria-da, inserido num planeamento de trabalhos, de-senvolvido pelo auditor e consubstanciando na formulao de um conjunto de juzos profissio-nais relativos s asseres contidas nas demons-traes financeiras, da responsabilidade do r-go de gesto, por forma a permitir obter uma concluso sobre as desmonstraes financeiras como um todo.

    Tal concluso, clara e inequvoca, devidamen-te expressa no referido documento.

    Porm, sem conceder neste objectivo de clareza quanto concluso inequvoca sobres as res-pectivas demonstraes financeiras, pouco se sabe sobre como o auditor desenvolveu o seu trabalho na empresa em causa.

    O documento, muitas vezes visto como formu-lrio, no permite transparecer todo um con-junto de tarefas e julgamentos sobre reas crti-cas que o auditor teve de efectuar para poder chegar concluso global que transmite.

    Nesse enquadramento, compreende-se que pos-sa dar lugar a diferentes expectativas, formula-das por terceiros, do que deveria ter sido o tra-balho do auditor, do que foi efectivamente o trabalho do auditor e de como este, em cada momento, com toda a informao que recolheu, em cada data, pde concluir, da forma como concluiu. Aquilo que h muito se designa, na linguagem anglo-saxnica, por expectation gap.

    Estas diferentes expectativas acabam por ser mais sentidas quando uma empresa entra em dificuldades financeiras, ou mesmo quando aca-ba por colapsar. Neste cenrio, a primeira per-

    gunta que ocorre saber onde andava o auditor. A ttulo de exemplo, se o documento tivesse concludo que as contas estavam em conformi-dade com o normativo aplicvel, informao que decorreria da leitura do dito formulrio e tal padro no era diferente do texto do formulrio utilizado pela empresa concorrente, que se man-teve no mercado, ento parece aparentar que nada teria sido detectado pelo auditor em cauda da empresa que colapsou.

    Ser assim? No existiriam diferenas? Ser que o auditor desempenhou bem as suas fun-es? Como que o auditor endereou o risco subjacente? A auditoria significa confirmar a viabilidade da empresa? Todo este conjunto de perguntas so legtimas e geram, de facto, dife-rentes expectativas de resposta.

    A informao que permite, muitas vezes, satis-fazer a resposta a estas questes relevantes no est, desde logo, acessvel aos investidores por-que estes no recebem qualquer explicao so-bre estas matrias, por parte do auditor, sendo antes confrontados com o tal singelo relatrio que pouco contm sobre as mesmas.

    A alterao na forma de comunicao e a pres-tao de informaes que possa satisfazer estas necessidades formam, indubitavelmente, a mais importante revoluo que se far sentir no sec-tor da auditoria.

    Esta revoluo ser sentida com os novos con-tedos definidos para a CLC que a reforma pre-v, permitindo assim, com este