CARTOGRAFIA, GEOMORFOLOGIA E AS TRANSFORMAES DO ...observatoriogeo ??Mapas so construes sociais que a partir de ... processos e fatos do mundo humano ... e no entendimento do papel

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  • Anais do X Encontro de Gegrafos da Amrica Latina 20 a 26 de maro de 2005 Universidade de So Paulo

    CARTOGRAFIA, GEOMORFOLOGIA E AS TRANSFORMAES DO ESPAO URBANO1

    Sinthia Cristina Batista2

    Mapas so construes sociais que a partir de representaes

    grficas e verbais facilita a compreenso espacial dos objetos,

    conceitos, condies, processos e fatos do mundo humano.

    (HARLEY, 1991)

    A idia deste artigo surge de uma discusso travada com pesquisadores, em sua

    maioria gegrafos, que tm suas preocupaes voltadas geomorfologia e em especial

    cartografia geomorfolgica.

    Qual ser a inteno primeira de um mapa nos estudos geomorfolgicos? Quais os

    principais contedos geomorfolgicos? Como as categorias de anlise geogrfica se

    inserem na cartografia geomorfolgica? Como tem sido avaliada a cartografia em meio aos

    gegrafos, que apresentam formas diversas de ver o mundo, em seus projetos de pesquisa?

    Que tipo de cartografia contempla os questionamentos geogrficos em geomorfologia?

    Quais os contedos devem ser considerados? Em que estgio de pesquisa entra a

    elaborao do mapa? Como elaborar um projeto cartogrfico? O que um projeto

    cartogrfico?... Estas e muitas perguntas surgem no desenvolvimento cientfico, queremos

    chegar em outras...

    Estas questes acompanham um processo de pesquisa, ainda em andamento, que a

    partir de estudos em geomorfologia urbana e cartografia busca pensar uma abertura no uso

    e no entendimento do papel da cartografia no processo investigativo, respeitando dadas

    diversidades metodolgicas de cada pesquisador.

    O papel do mapa tem sido realizado de forma ampla e diversa, pois, de modo geral, o

    olhar geogrfico solicita diversas formas de representaes grficas que auxiliam as

    diversas etapas do processo de pesquisa, entretanto a preocupao com papel do mapa se

    restringiu durante muito tempo sua apresentao final, como um produto: pronto, certo,

    acabado e esttico.

    1 O ttulo do resumo deve ser corrigido e amarrado ao do artigo 2 Gegrafa/Mestranda em Geografia - Universidade de So Paulo - USP Integrante do Ncleo de Estudos Geografia e Ambiente - NEGA Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS sinthia@usp.br

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  • Anais do X Encontro de Gegrafos da Amrica Latina 20 a 26 de maro de 2005 Universidade de So Paulo

    Com a acelerao de captao de dados e a alta acessibilidade s informaes e suas

    formas de processamento, abre a possibilidade de dinamizar a estrutura das representaes

    e muito alm disto, de utilizar uma linguagem espacial que acompanhe um raciocnio que

    tambm , por natureza, espacial. Todavia, apesar do desenvolvimento brutal do meio

    digital em todos os campos cientficos, estas novas tecnologias no carregam consigo as

    solues de todos os problemas.

    O processamento digital por si s no d conta da diversidade de lgicas de

    pensamento cientfico, outrossim, saltam aos olhos a necessidade de encontrar meios cada

    vez mais livres para o desenvolvimento dos mais variados raciocnios de forma qualitativa.

    Em cartografia o paradigma que traz parte substancial das novas trilhas estes caminhos

    a Visualizao Cartogrfica.

    A visualizao cartogrfica consiste na utilizao de ferramentas grficas que permite

    tanto a anlise quanto apresentao de informaes espaciais desenvolvidas pelo prprio

    mapeador - usurio. A utilizao da informao geogrfica de maneira interativa juntamente

    aos avanos tecnolgicos na rea de computao permitiu a integrao de diferentes formas de apresentao das informaes e de procedimento analtico, desta forma a

    interatividade possibilita que o usurio perceba mais facilmente os fenmenos apresentados. Estes so alguns dos pontos fundamentais da visualizao.

    Visualizao um campo da computao grfica (McCormick et al 1987) que tem

    explorado o poder analtico e comunicativo da interpretao visual. Alguns autores (Friedhoff

    e Benson 1989) discutem que visualizao a essncia do que denominam a Segunda

    Revoluo do Computador. TAYLOR (p.7, 1991)3.

    Em que medidas um novo paradigma da cartografia traz outros caminhos ao dilogo

    na relao cartografia e geografia?

    Faz-se necessrio uma reflexo epistemolgica... dos contedos trabalhados, das

    concepes de mundo, das categorias de anlise e de adequao da linguagem

    cartogrfica...

    Partindo da exposio das propostas de cartografia geomorfolgica, de experincias

    anteriores em cartografia e geomorfologia urbana e da colocao deste novo paradigma no

    campo da cartografia temtica, como poderemos pensar juntos novos usos cartografia em

    geomorfologia?

    Aqui fica o convite, ao debate!

    3 Traduo da Autora.

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  • Anais do X Encontro de Gegrafos da Amrica Latina 20 a 26 de maro de 2005 Universidade de So Paulo

    GRAFIAS EM GEOMORFOLOGIA CATEGORIAS DE ANLISE

    A representao da geomorfologia um dos assuntos mais discutidos no bojo desta

    disciplina, sendo a cartografia geomorfolgica um de seus produtos mais importantes, pois,

    constitui-se tanto como metodologia (muito interessante aos novos referenciais tericos da

    cartografia) quanto como a apresentao grfica da composio espacial de seus elementos

    fundamentais.

    Sero eleitos alguns pontos para a reflexo sobre o uso das representaes

    cartogrficas em geomorfologia, para a construo de um raciocnio espacial sob a tica

    geogrfica de compreenso e anlise espacial: os principais contedos geomorfolgicos,

    seus conceitos e categorias.

    A primeira questo que vem a tona nesta discusso refere-se ao tipo de contedo abordado nas representaes grficas em geomorfologia. De forma geral, considera-se que

    a geomorfologia trata de trs elementos centrais para sua compreenso: as formas, os

    processos e os materiais.

    Todavia, para a anlise da geomorfologia urbana (um exemplo) outros contedos e

    conceitos surgem como cones, objetivando a compreenso de processos geomorfolgicos calcados em vises de mundo que ultrapassam seu isolamento, ou seja, associam a

    produo do espao urbano ao substrato geomorfolgico numa tentativa de compreenso

    da totalidade deste complexo meio em que vive o homem urbano.

    Associados a estes contedos apresentam-se trs importantes categorias de anlise: o espao, o tempo e a escala (abordagem e de representao (proporcional)), que se

    referem ao segundo ponto crucial da discusso sobre a representao cartogrfica na

    disciplina e tambm para a prpria geografia.

    a noo de escala

    Segundo SILVEIRA (1996), a noo de escala um dos principais embaraos na

    insero desta categoria no discurso da geografia. A partir de uma avaliao de estudos

    sobre o tema a autora aponta trs premissas centrais nesta questo colocadas por

    Grataloup: a crtica analogia da escala geogrfica cartogrfica; a afirmao de que o

    valor da varivel muda com a escala e a aceitao da escala como uma definio a priori na

    pesquisa geogrfica. Estas consideraes so necessrias para o entendimento da

    complexidade do tratamento escalar em geomorfologia urbana pois, segundo SANTOS

    (apud SILVEIRA 1996) associam-se duas escalas: a escala de ao (podendo ser

    equivalente ao que chamaremos de abordagem) e a escala de resultados (ao que

    chamaremos de representao).

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  • Anais do X Encontro de Gegrafos da Amrica Latina 20 a 26 de maro de 2005 Universidade de So Paulo

    Via geomorfologia, a escala em cartografia geomorfolgica exige um nvel de

    complexidade que compreende tanto a representao de preciso e a comunicao dos

    conceitos geomorfolgicos - possveis somente em grandes escalas como 1:10.000,

    1:25.000 - quanto possibilidade da abordagem multiescalar TRICART (1965), ...portanto,

    numa carta geomorfolgica podem figurar categorias de fenmenos de dimenses muito

    diferentes, tanto espaciais quanto temporais, cuja representao depender da escala

    escolhida... COLTRINARI (1982).

    Contudo, os contedos tratados no urbano exigem um grau de flexibilidade

    diferenciado, que vai desde a organizao da estrutura interna de uma cidade at suas

    relaes globais, ou seja, exige uma compreenso processual e no s de seus processos

    isoladamente.

    Frente necessidade da captao de uma realidade totalizante surge a dvida quanto

    ao uso escalar: suas limitaes, generalizaes e possibilidades de abrangncia e

    representao do que retratado.

    Anteriormente, BATISTA (2002), identificou a necessidade de um vai e vem escalar,

    para a compreenso de processos que so por natureza dinmicos, temporais, conflituosos

    e que coexistem com uma dada complexidade ambiental, pois, abrem-se s dimenses

    espao-temporais diversificadas que solicitam um cuidado maior, dado suas singularidades,

    para a compreenso da totalidade. Evocando assim dois nveis fundamentais de

    entendimento escalar: o nvel da representao e o nvel da abordagem temtica.

    a noo de tempo

    Outro elemento essencial nesta discusso a noo de tempo. Tanto para a filosofia

    quanto para as cincias aplicadas a dificuldade em apreender o tempo e trat-lo em sua

    totalidade evidente pois, o tempo exige movimento e h uma gama de modos de

    compreenso das relaes desta categoria com os objetos de estudo que, exigem formas

    especficas de entendimento.

    Em geografia, essencialmente em geomorfologia, esta discusso vem se fortalecendo

    principalmente com o surgimento de novos elementos a partir das relaes

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