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  • CCOOLLEECCTTNNEEAA

    55.. AANNOO

    Dezembro de 2008

    DDeeppaarrttaammeennttoo ddee FFoorrmmaaoo CCuurrrriiccuullaarr ee VVaalloorriizzaaoo CCvviiccaa

  • Dezembro de 2008

    Caro colega,

    Uma vez mais a AAFDL procura na poca que se aproxima, proporcionar-te uma

    ferramenta de apoio para os exames. Para o efeito seleccionmos um conjunto

    homogneo de testes e exames das cadeiras de 5 ano comuns a todas as menes,

    uma vez que no foi possvel seleccionar o bastante para constarem da colectnea

    todas as cadeiras das diversas menes.

    Esperamos que esta colectnea te possa auxiliar na preparao e estudo para os

    exames, contudo, devemos advertir que a recolha dos mesmos, no abarca todas as

    questes passveis de serem colocadas em exame e no vincula as equipas

    docentes.

    Por fim, resta agradecer a todos os que colaboraram e ajudaram a reunir todo o

    material desta compilao.

    Boa Sorte e Bons Exames!

    Formao Curricular e Valorizao Cvica

  • DDiirreeiittoo IInntteerrnnaacciioonnaall

    PPrriivvaaddoo

  • DDiirreeiittoo PPrroocceessssuuaall PPeennaall

  • FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

    DIREITO PROCESSUAL PENAL AN0 LECTIVO 200712008

    5." AN0 - TURMA DIA PROVA DE FREQU~NCIA ~ C A (06- 12-2007)

    Atente a seguinte hipotese:

    Uma patrulha da GNR, enquanto circulava por Aldntara, ouviu urna comunicagio via radio de que acabava de ser cometido um furto no Laranjeiro, no valor de 5000 euros perpetrado por um suspeito, do sexo masculino, com uma camisola cor de laranja, de raga caucasiana e cabelos loiros, com idade aproximada de 30 anos e que, ap6s subtrair aquele valor a uma senhora, Berta, hgira numa viatura "Nissan Micra", cor verde, em direcgio a Lisboa.

    De imediato, os agentes da GNR puserarn-se em carnpo a saida da Ponte 25 de Abril e, vendo passar urn veiculo "Nissan Micra", de cor verde, conduzido por um homem louro, com urna "T-shirt" cor de laranja, foram em sua perseguigio e mandararn-no parar, acabando por dete-lo.

    0 s agentes pediram a identificagio do condutor, que, nervoso, se identificou como sendo Antonio Alves. Instado a apresentar o seu bilhete de identidade, Antdnio abriu a carteira e os agentes aperceberam-se de que esta estava recheada de uma grande quantidade de notas de 100 euros. 0 s agentes de imediato procederam a apreenao da carteira de Antonio e, ap6s confekncia do seu conteudo, viram que as notas perfaziam o valor de 5000 euros. Convencidos de terem detido o agente do crime de furto, inquiriram-no sobre a provenikncia do dinheiro, ao que Antonio balbuciou que o dinheiro era seu.

    0 s agentes da GNR deduziram que tinham apanhado o autor do furto cometido no Laranjeiro e levaram-no de imediato ao Ministdrio Mblico (MP), remetendo-lhe o auto com a descrigio completa e os meios de prova apreendidos.

    Responda fundamentadamente As seguintes questbes (e apenas a estas) ': I ) 0 s agentes da GNR podiam validamente deter Antonio? - 4 valores

    2) Devia Antonio ser julgado em alguma forma de process0 especial? - 2 valores

    ' Considere a aplicap?o do arligo 203,"e seguintes do Cddigo Penal (CP).

  • 3) Qua1 o Tribunal material, funcional e territorialmente competente para o julgamento de Antonio? - 4 valores

    4) Supondo que o process0 seguia para a forma comurn e que o MP acusava Antonio pelo crime de hr to qualificado, p. e p. no artigo 204.", n." I, alinea a), do CP, podia Berta requerer a abertura de instruqiio para acrescentar o facto de Antonio ter retirado a quantia furtada do porta-luvas do carro dela, imputando- Ihe assim a circunsthcia prevista na alinea e) do n." 1 do mesmo artigo? - 4 valores

    5) Admitindo que Antonio tinha sido pronunciado pelo crime de furto qualificado, p. e p. no artigo 204.", n." 1, alinea a), do CP e que no final da audi6ncia de julgamento o Tribunal niio deu como provada a subtracqiio, podia absolvblo do crime de furto e condend-lo pel0 crime de apropriaqgo ilegitima (p. e p. no art." 209.", n." 2 do CP)? - 4 valores

    Apreciaqiio global (fundamentaqiio geral, sistematizaqiio, clareza e portuguh) - 2 valores

  • FACmDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

    DIREITO PROCESSUAL PENAL AN0 LECTIVO 200712008

    5." AN0 - TURMA DIA Tbpicos para a correcgdo da

    Frequ Encia ~ n i c a (06-12-200 7)

    A resposta 6 afirmativa.

    Qualificaqiio juridica:

    A subtracqiio de uma quantia no valor de 5000 euros consubstancia um crime de furto

    qualificado p. e p. pelo art. 204", n." 1 , alinea a), do C6digo Penal (CP), uma vez que tal

    quantia deve ser qualificada como constituindo valor elevado nos termos previstos no

    art. 202", alinea a) do CP, pois corresponde a um valor que excede 50 UCP, avaliadas

    no momento da pratica do facto, i.e., 50 x 96 euros (valor actual da UCP) = 4800 euros

    (cfi. arts. 5" e 6" do DL n." 212189, de 3016 e valor fixado no DL n." 238105, de 30112).

    PresunqHo de flagrante delito:

    0 art. 256", n." 2 do Codigo de Processo Penal (CPP) consagra uma presunqgo de

    flagrante delito quando o agente for, logo ap6s o crime, encontrado com objectos ou

    sinais que mostrem claramente que acabou de cometer o crime. Ora, os agentes da

    GNR, tendo tomado conhecimento via radio patrulha de que acabava de ser cometido

    um crime de furto no Laranjeiro e de que o agente, com determinadas caractensticas

    fisicas, fugira numa viatura ((Nissan Micra)) verde em direcqiio a Lisboa, ou seja, que se

    dirigia para a Ponte 25 de Abril, puseram-se em campo a saida da Ponte e viram passar

    um suspeito que se enquadrava perfeitamente no perfil comunicado. Corn efeito, era um

    hornem de raqa caucasiana, cabelos loims, com idade aproximada de 30 anos, com uma

    ((T-shirt)) cor de laranja, que conduzia uma veiculo ((Nissan Micraw verde e estava a

    atravessar a Ponte naquele precis0 momento.

    Nas situaqces previstas no n." 2 do art. 256" dispensa-se a visibilidade e actualidade que

    constituem o cerne do flagrante delito previsto no n." 1 e C suficiente que se possa

  • inferir de determinados factos, designadarnente o facto de ser encontrado com

    determinados objectos ou sinais (in cam, a descriG5o fisica do agente, a condu~iio de urn

    veiculo ((Nissan Micra)) verde e estar a atravessar a Ponte 25 de Abril em direcqBo a

    Lisboa), outros factos, ie., o facto de que se tratava do suspeito do crime de furto

    cometido no Laranjeiro.

    Sllblinhe-se que crucial para a afirrnagiio de que se pode presurnir o flagrante delito

    neste caso e o facto de o suspeito ser encontrado corn os sinais e objectos referidos e

    nlo o facto de mais tarde se vir a descobrir que o suspeito tinha na carteira exactarnente

    a quantia furtada em notas de 100 euros, o que, quando muito, reforgou probatoriamente

    a presungiio que habilitou os agentes da GNR a procederem A detenqiio do veiculo a

    saida da Ponte, mas teve lugar em momento posterior a detengb.

    Por outro lado, essential a qualificagiio dos referidos sinais corno atestando claramente

    que o suspeito acabara de cometer o crime de furto foi o facto de ter sido encontrado a

    saida da Ponte logo ap6s a pdtica do facto e fuga em direcglo a Lisboa. Se, porventura,

    fosse encontrado algu6m que correspondesse i descriglo fisica a circular nurn ((Nissan

    Micrm verde em outra mna do pais ou dentro da cidade de Lisboa, ja niio se poderia

    afirmar que os sinais e objectos rnostrassem claramente que o agente acabara de

    cometer o crime.

    DetenqHo em flagrante delito:

    Tratando-se de uma situaqlo de flagrante delito e sendo o crime punivel com pena de

    prislo, os agentes da GNR poderiam proceder a deteng50, na medida em que o art. 25S0,

    n." 1, alinea a), do CPP habilita p m tanto qualquer entidade policial (art. lo, n." 1,

    alinea c), do CPP).

    Natureza juridica do crime:

    0 crime de h t o qualificado 6 um crime p6blico (art. 48" do CPP conjugado com o

    disposto no art. 204", n." 1, alinea a) do CP). Como tal, niio depende de queixa ou

    acusagBo particular, o que significa que niio se verificam as circunstdncias

    condicionantes ou impeditivas da detengo em flagrante delito (cfr. art. 25S0, n." 3 e 4

    do CPP, respectivamente).

    (Outras questties que se podiam suscitar na hifitese, mas que ndo integravam a

    questdo):

  • - Constituiggo obrigatoria de Antonio como arguido (art. 5S0, n." 1, alinea c), e 59", n." 1, do CPP) e omissiio desse dever por parte das entidades policiais e do MP (art. 1 18",

    n." 2 e art. 58", n."s 3 e 5 e, eventualmente, art. 126", n."s 1 e 2 , alinea d), do CPP);

    - Identificaggo do suspeito e infoma$6es/inquiri$20 informal proibida (art. 250, n." 1 e n." 8, do CPP);

    - ApreensFio do dinheiro (art. 249", n." 2, alinea c), e 178", n."s 1 e 4, do CPP); - Primeiro interrogatorio nlo judicial de arguido detido (art. 143O do CPP); - Auto de denlincia, em vez de auto de noticia (art. 243" e art. 2463 n."s 1 e 4 e art. 275O, n." 2, do CPP).

    Ouestiio n." 2

    A resposta 6 afirmativa.

    Pode e deve ser adoptada a forma de processo sumirio, urna vez que se encontram

    reunidos todos os seus pressupostos e, desde a revis20 do CPP de 2007, o julgamento

    em processo sum6rio deixou de ser urna mera faculdade (cfr. art. 38 1 ", n." 1 e art. 390"

    do CPP).

    Requisitos do processo sumario:

    Antonio podia ser julgado em processo sumario: foi detido em flagrante delito, o crime

    de fu