Código das Custas Judiciais

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CDIGO DAS CUSTAS JUDICIAIS

PARTE CVEL

TTULO I

DAS CUSTASCAPTULO I

Disposies geraisArtigo 1.

(Conceito de custas)

1. Os processos cveis esto sujeitos a custas salvo se forem excepcionalmente isentos por lei.

2. As custas compreendem a taxa de justia, os selos e os encargos.

Artigo 2.

(Isenes de natureza pessoal)

1. So isentos de custas:

a) o Estado e as autarquias locais;

b) as pessoas colectivas de utilidade pblica administrativa;

c) o Ministrio Pblico;

d) os incapazes ou pessoas equiparadas, representados pelo Ministrio Pblico, como autores, em quaisquer causas, seus incidentes ou recursos, quando tenham ficado vencidos;

e) O Banco de Cabo Verde na sua qualidade de Banco Central e Emissor.

(Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro).

2. Esto dispensados do pagamento de custas aqueles que gozam do benefcio da assistncia judiciria, enquanto no tiverem meios para pagar.

3. Os representantes das autarquias locais, das pessoas colectivas de utilidade pblica administrativa e dos institutos pblicos so pessoalmente e, entre si, solidariamente responsveis pelo pagamento de custas quando, vencida a autarquia local a pessoa colectiva ou o instituto pblico, se mostre que actuaram no processo por interesse ou motivos estranhos s

suas funes, questo que ser apreciada e julgada a final, oficiosamente.

(Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro).

4. Quando terminar por transaco qualquer aco entre entidade isenta ou dispensada do pagamento de custas e outra que o no seja, ser determinada pelo juiz a proporo em que as custas devem ser pagas.

5. A iseno a favor do Estado no abrange os processos de arrecadao.

6. A iseno a favor dos incapazes no abrange os inventrios, as interdies, as inabilitaes, nem os incidentes ou os recursos que haja nesses processos.

Artigo 3.

(Isenes processuais; inventrios)

1. Os inventrios obrigatrios no esto sujeitos a custas, desde que o respectivo valor no exceda 100.000$00.

2. A meao e o quinho hereditrio de cada descendente do inventariado gozam, nos inventrios obrigatrios, dos seguintes benefcios:

a) no pagam taxa de justia nem selos se tomados, singularmente, no excederem 100.000$00;

b) no pagam selos e a taxa de justia reduzida de 50% se, nos mesmos termos da alnea antecedente, excederem 100.000$00, mas no sejam superiores a 200.000$00.

3. Quando, antes do despacho determinativo de partilha cesse a causa justificativa da obrigatoriedade do inventrio e no seja requerido o prosseguimento do processo, o despacho que o d por findo indicar o modo de dividir a herana para os efeitos do nmero anterior.

4. Na fixao do valor do processo e dos valores da meao e do quinho dos descendentes nos casos de cumulao de inventrios ter-se- em conta, respectivamente, a soma de todos os bens descritos e a soma de todos os bens atribudos ao meeiro ou recebidos por cada descendente.

Artigo 4.

(Isenes processuais. Interdies, inabilitaes e outros processos

com custas a cargo de incapazes)

1. Nos processos de interdio ou inabilitao a cargo dos incapazes no h lugar a custas, se o valor do patrimnio do incapaz no for superior a 50.000$00; liquidar-se-o apenas os encargos, se esse valor for superior a 50.000$00, mas inferior a 100.000$00; contar-se-o os encargos e a taxa de justia sofrer uma reduo de 50% se o valor do patrimnio se situar entre 100.000$00 e 150.000$00.

2. Nos processos de autorizao para a prtica de actos pelo representante do incapaz, ou para confirmao dos actos que este tenha praticado sem a necessria autorizao, bem como nos incidentes e actos a cargo de incapazes, relativos regncia da sua pessoa e administrao de seus bens, no h lugar a custas se o valor do patrimnio no exceder 50.000$00.Artigo 5.(Arrecadao de esplio)

1. Os processos de arrecadao de esplio de valor no excedente a 100.000$00 so isentos de taxa e encargos, excepto o custo de papel; se o valor do processo exceder 100.000$00 a importncia das custas no poder exceder 10% de tal valor.

2. No se consideram abrangidos no disposto neste artigo, as custas feitas, nos processos de arrecadao de esplio, no interesse de terceiros, as de processo que declarar vaga a herana para o Estado e as dos termos posteriores interveno dos interessados habilitados.

Artigo 6.

(Processo de expropriao e mais - valia)

1. Nos processos de expropriao por utilidade pblica no so devidas custas na fase arbitral, nem pelo incidente de levantamento das quantias depositadas a ttulo de indemnizao, mas, naquela fase e ainda quando o expropriado vencido no recurso seja pessoa ou entidade isenta de custas, o expropriante suportar mesmo que se trate de entidade tambm isenta, os encargos com o pagamento dos salrios aos rbitros e aos peritos, com os respectivos transportes e com a deslocao do tribunal.

2. O disposto no nmero anterior aplicvel aos processos para apuramento da mais -valia, mas os encargos que devam ser suportados pelo Estado e pelos Secretariados Administrativos so repartidos entre si, em proporo do seu interesse na causa.

Artigo 7.

(Iseno do processado repetido)

1. Na falta de oposio do interessado isenta de custas a parte do processo que tiver de repetir-se em virtude de deciso que julgue procedente a arguio de nulidade dos actos judiciais, bem assim o processado que seja simples consequncia da falta de cumprimento das disposies legais por parte dos funcionrios.

2. Nos casos de anulao de diligncias ou do processado em consequncia de deciso do tribunal superior, a parte que decair no recurso, ainda que no tenha deduzido oposio, pagar, alm das custas de recurso, as despesas de deslocao, as remuneraes e as indemnizaes devidas s testemunhas, peritos ou intrpretes, as quais so adiantadas pelo Cofre do Tribunal.

3. O juiz pode, em despacho fundamentado, relevar a falta de cumprimento das disposies legais por parte dos funcionrios; se entender que a falta no deve ser relevada, condenar o responsvel a pagar os encargos do processado intil.

4. As questes discutidas entre magistrados sem interveno das partes, so isentas de custas, em qualquer das instncias.

5. As reclamaes e recursos dos funcionrios contra decises que respeitem aos seus emolumentos, so isentas de custas, qualquer que seja o valor da causa .

CAPTULO II

Do valor dos processos

Artigo 8.

( Valor da causa para efeito de custas)

1. Os valores atendveis para efeito de custas so, com ressalva do disposto no artigo 11., os que resultam da aplicao das regras estabelecidas no Cdigo de Processo Civil ao processo a contar, se no forem diferentes dos referidos nas alneas seguintes e nos dois artigos subsequentes:

a) nas aces de dissoluo de sociedade e nas de oposio a deliberaes sociais, suspenso, declarao de invalidade ou de ineficcia destas ou das respectivas assembleias gerais - o do capital social, ou o do interesse patrimonial prosseguido, se for determinvel e de menor montante.

Quando o autor ou requerente seja responsvel pelas custas - o do capital, quota ou importncia que como scio, tenha na sociedade, quanto s primeiras, e do dano que se pretende evitar, quanto s ltimas, ou tambm aquele, se o dano no puder ser determinado se for somente credor, o da soma dos seus crditos;

b) nas aces sobre o estado das pessoas ou sobre interesses imateriais e nos recursos sobre registo de propriedade industrial, literria, cientfica- o fixado pelo juiz, tendo em ateno a repercusso econmica da aco para o vencido ou, subsidiariamente, a situao econmica deste, no podendo, porm, em caso algum ser inferior alada dos Tribunais Regionais;

c) nas aces cuja deciso envolva uma obrigao peridica, a no ser que se trate da aco de alimentos ou de contribuio para as despesas domsticas- o da importncia relativa a um ano multiplicado por 20, ou pelo nmero de anos que a deciso abranger, se for inferior; mas se a deciso no tiver eficcia seno quanto contribuio, taxa ou quantia que se discute - o da verba respectiva, no podendo o valor do processo, em nenhum dos casos ser inferior alada do tribunal Sub - Regional;

d) na reviso - o do processo em que foi proferida a deciso revidenda;

e) aces de despejo - o das rendas de dois anos, acrescido das rendas em dvida e indemnizao quando pedida;

(Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro).

f) nos depsitos de renda que tenham autonomia - o da soma dos depsitos acrescida da renda anual se for discutida a subsistncia ou interpretao do contrato do arrendamento; (Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro)

g ) nos embargos opostos execuo e aos procedimentos cautelares - o do processo em que forem deduzidos; quando se referirem s a parte do processo - o dessa parte;

h) nos embargos de terceiros - o do valor comercial dos bens embargados;

(Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro).

i) nas aces de diviso de coisa comum - o do valor comercial dos bens a dividir; (Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro).j) nas aces de demarcao - o do valor comercial da parte do prdio sobre que recai a divergncia, ou o fixado pelo juiz se no for determinvel essa parte;

(Redaco dada pelo Decreto - Lei n. 72/90, de 10 de Setembro).

l) nos recursos dos conservadores, notrios e outros funcionrios - o da taxa do acto recusado ou posto em dvida;

m) nas falncias e insolvncias - o do activo liquidado; - se o processo terminar antes da liquidao, o do arrolamento, havendo-o, ou o indicado na petio, no caso contrrio;

n) nas concordatas e acordos de credores - o do