COMUNICAÇÃO, DIÁLOGO, CONCILIAÇÃO . ECOS DO MUNDO Diálogo e negociação, diálogo e inclusão,…

  • View
    215

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • COMUNICAO, DILOGO, CONCILIAO

    DTPNMAIS QUE UM MTODO, UMA ESTRATGIA DE

    INTEGRAO E INTERAO

  • DTPNDESENVOLVIMENTO TERRITORIAL

    PARTICIPATIVO E NEGOCIADO

    Organizao das Naes Unidas para a Agricultura e Alimentao FAODepartamento de Desenvolvimento SustentvelDiviso de Desenvolvimento RuralServio de Regimes Fundirios (SDAA) Editor responsvel: Paolo GroppoEdio: Marianna BicchieriFotografias: FAO

    Colaboraram neste trabalho:Preparao de texto: Clara PugnaloniReviso: Clemente Raphael MahlDesign grfico: Leandro Anhelli

  • ORGANIZAO DAS NAES UNIDAS PARA A AGRICULTURA E ALIMENTAO FAO

    DIVISO DE DESENVOLVIMENTO RURAL

  • DTPN. ECOS DO MUNDO

    Dilogo e negociao, dilogo e incluso, dilogo e participao, dilogo e desenvolvimento. Essas expresses permearam todas as resolues da Conferncia Internacional de Reforma Agrria e Desenvolvimento Rural (CIRADR), convergindo ao entendimento do dilogo como ao fundamental para garantir o progresso na concretizao do desenvolvimento rural dos povos. No momento em que o mundo, mais do que nunca, valoriza o princpio do dilogo como soluo para conflitos, inclusive agrrios, a metodologia de Desenvolvimento Territorial Participativo e Negociado (DTPN), desenvolvida pela Organizao das Naes Unidas para a Agricultura e Alimentao (FAO), assume grande relevncia. O elemento-chave da estratgia DTPN , justamente, ser um processo facilitador da conquista do desenvolvimento territorial rural, atravs da negociao, da participao e do dilogo. A partir do estabelecimento de parcerias internacionais entre a FAO e os governos locais, tem incio o processo de dilogo que poder conduzir a consolidao do pacto social. A importncia do DTPN ganha maior visibilidade aps as diretrizes da CIRADR, que reuniu Governos, ONGs, representantes da Sociedade Civil, polticos e especialistas de vrios pases, em maro de 2006, em Porto Alegre, para discutir a questo do acesso terra e ao desenvolvimento territorial. A partir dos inmeros debates, trabalhos e apresentao de propostas para a superao das disparidades sociais e econmicas, que assolam, principalmente, as populaes rurais pobres em todo o mundo, questes prioritrias para a erradicao da fome e para a promoo da incluso social foram especificadas. A CIRADR estabeleceu como Viso que as polticas de desenvolvimento rural sejam mais focadas nas populaes pobres e suas organizaes. Que sejam polticas dirigidas para o social, participativas, e que respeitem a igualdade de gnero no contexto do desenvolvimento econmico, social e ambiental estvel e sustentvel. E, tambm, que contribuam para a segurana alimentar e erradicao da pobreza, com base em direitos individuais, comunais e coletivos assegurados; igualdade, empregos - reforando os mercados locais e nacionais -, bem como a gerao de renda e a incluso social. Os mesmos postulados estabelecidos na Conferncia pela comunidade internacional so os princpios norteadores da estratgia DTPN, que, como processo contemporneo

  • de desenvolvimento territorial, se alinha aos interesses dos que prezam no apenas o desenvolvimento econmico, mas, da mesma forma, os desenvolvimentos social e cultural e a preservao do meio ambiente. Ou seja, o DTPN considera uma base sociopoltica e no apenas aspectos tcnicos e econmicos. Portanto, a estratgia DTPN desenvolvida ao longo de anos de pesquisa e atuao em campo pelos oficiais da Diviso de Desenvolvimento Rural (SDA), Servio de Regimes Fundirios (SDAA) e Servio de Instituies Rurais e Participao (SDAR) da FAO -, apresenta-se como uma metodologia amplamente testada em diversos projetos de desenvolvimento territorial em pases dos cinco continentes, e bem-sucedida. Uma abordagem participativa baseada em direitos econmicos, sociais e culturais e na boa governana, que conduz gesto igualitria da terra, gua, florestas e outros recursos naturais, no contexto de marcos legais nacionais, enfocando o desenvolvimento sustentvel e a superao das desigualdades para a erradicao da pobreza e da fome.

  • (...) Conceber a cultura como agente das transformaes indica a superao de uma cultura profundamente paternalista e fatalista em que um campons se perdia na perda de si mesmo, enquanto objeto quase nulo do processo de produo, excludo do processo de produo. Quando se incorpora ao processo de produo, ele evidentemente alcana uma posio social histrica e cultural que no ocupava. A partir das transformaes sociais que ele v se realizarem na sua comunidade, ele descobre que agora o fatalismo j no explica coisa nenhuma. Ento, ele descobre que, tendo sido capaz de transformar a terra, tambm capaz de transformar a histria, de transformar a cultura. Da posio fatalista ele renasce numa posio de insero, de presena na histria, no mais como um objeto, mas tambm como sujeito da histria.

    Paulo Freire

  • 10

  • 11

    SUMRIO

    DTPN. ECOS DO MUNDO ......................................................................................................

    INTRODUO .........................................................................................................................

    I Gesto de Projetos Territoriais ..........................................................................................Razo para uma metodologia diferenciada 1. O fracasso das estratgias verticais ...................................................................................2. Desafios atuais ....................................................................................................................3. Inovao ..............................................................................................................................II. DTPN. O melhor caminho para o desenvolvimento territorial ......................................1. Definio de Desenvolvimento Territorial Participativo Negociado (DTPN) ........................2. Desafios do DTPN ...............................................................................................................3. Objetivos do DTPN ..............................................................................................................4. Estratgias do DTPN ...........................................................................................................5. Caractersticas bsicas do DTPN ........................................................................................6. Pblico do DTPN .................................................................................................................III. DTPN. O homem como agente transformador da sua prpria histria .......................1. O que um ator ...................................................................................................................IV. Como desenvolver um projeto com a metodologia do DTPN ..................................... 1. Fase 1. Objetivo: entender os atores e o territrio como um produto social .......................2. Fase 2. Horizontes: dilogo e propostas .............................................................................3. Fase 3. Processo de Negociao: buscar o consenso para o desenvolvimento territorial .V. Concluso ...........................................................................................................................

    07

    13

    17

    1818212727272828282931313333415159

  • 12

  • 1

    INTRODUO

    O surgimento da territorialidade nos debates atuais sobre o desenvolvimento rural, no se deu por acaso. Trata-se de uma resposta s mudanas econmicas e sociais ocorridas nos pases, no contexto poltico da globalizao. H uma necessidade de adaptar metodologias, instrumentos e atividades aos novos requisitos impostos pelas mudanas, e por seus impactos indesejados. E, finalmente, este debate promove uma viso diferente da problemtica territorial e envolve, diretamente, as populaes rurais na elaborao de novas perspectivas de desenvolvimento. Os atores definem o territrio onde vivem e interatuam. Sua territorialidade e a viso territorial que possuem, ajudam a estabelecer uma identidade comum e favorecem a realizao de suas estratgias e projetos. Alm disto, a pluralidade de atores com interesses e valores distintos e, algumas vezes conflitivos, influem sobre a dinmica e sobre as inter-relaes dentro do territrio comum. O documento agora apresentado um produto das contnuas pesquisas realizadas pelos oficiais da Direo de Desenvolvimento Rural (SDA). Ele parte das preocupaes e dos objetivos que unem o Servio de Regimes Fundirios (SDAA) e o Servio de Instituies Rurais e Participao (SDAR), que realizaram um trabalho acerca dos aspectos complementares de uma estratgia territorial para o desenvolvimento de reas rurais. Nos ltimos anos, um grupo de oficiais do SDAA e SDAR analisou as relaes existentes entre os atores locais e seus territrios, assim como as principais implicaes desses em relao ao desenvolvimento local. O resultado desse primeiro esforo, para delimitar conceitualmente a idia de desenvolvimento territorial, conduziu a publicao das Orientaes metodolgicas para um ordenamento territorial participativo e negociado. Estas reflexes se centram, principalmente, em um processo de diagnstico territorial como um meio para a promoo do dilogo social dentro de um territrio que, por sua vez, conduza a uma mesa de negociao para a promoo do desenvolvimento rural. A partir da constatao pelo SDA da importncia desta estratgia para a complementaridade dos Servios referidos em seus respectivos trabalhos, foram realizadas

  • 1

    vrias entrevistas com oficiais do SDA. O objetivo foi o de ressaltar os pontos comuns nas estratgias desenvolvidas pela Direo, atravs de experincias de campo, bem como, apoiar e complementar os princpios-chave destacados nas Orientaes metodolgicas para um ordenamento territorial participativo e negociado. Inicialmente, foi realizada, em abril de 2001, uma oficina na Venezue