Congresso Glusa Sucres Elias Mansur

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    LIGAES ENTRE OS TEMPLRIOS E A MAONARIA

    I INTRODUO

    extensa a discusso entre os autores sobre a maonaria e suas ligaes com os templrios.

    Muitos afirmam que a maonaria foi criada e organizada pelos templrios.

    Dentro deste contexto, h uma teoria que sugere que os templrios fugidos da Frana continuaram a

    se reunir, com a proteo da Franco-Maonaria. Karl Gottthelf, Baro de Hund, relatou em seu livro

    Sobre o Regime da Estrita Observncia que os membros da Estrita Observncia so os sucessores

    dos templrios.

    Elize de Montangnac afirma em sua obra "Histria dos Cavaleiros Templrios" que, segundo o Baro de Hund:

    aps a destruio da ordem templo em 1307, o Gro-Mestre provincial de Auvergne, Pierre dAumont, fugiu com dois comandantes e cinco cavaleiros. Disfarados de obreiros maons se refugiaram numa ilha escocesa, onde encontraram o Gro-Comendador George de Harris e diversos outros irmos, com os quais resolveram dar continuidade a ordem. Criaram no dia So Joo de 1313, um capitulo para o qual Aumont, o primeiro nome da lista, foi nomeado Gro-Mestre. Para despistar seus perseguidores tomaram os smbolos da maonaria e se denominaram maons livres.

    A partir desta data, a Ordem do Templo espalhou-se pelo mundo sob o manto da Franco-Maonaria. Entretanto, Hund no apresentou documentao convincente e muitos no lhe do crdito.

    Por outro lado, h historiadores que abordam o tema sem sequer mencionar os Cavaleiros da

    Ordem do Templo.

    Para um melhor entendimento das ligaes entre a maonaria e os templrios, torna-se

    necessrio discutir tambm as teorias que tratam da origem da maonaria sem a participao

    daqueles, isto porque precisamos eliminar as teorias que no se sustentam por falta de

    documentao necessria. Deste modo, poderemos definir com mais clareza um ponto de partida

    para a abordagem do tema proposto no presente trabalho, ou seja, discutir e validar a teoria que

    sustenta que a Maonaria AZUL foi organizada pelos templrios.

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    II- DESENVOLVIMENTO

    Muitas so as teorias sobre quando e onde se originou a maonaria. Para alguns autores, a

    maonaria originou-se das antigas escolas de mistrios, no antigo Egito, por volta de 3600 a.C. Outros

    remetem sua origem aos Mistrios Persas e Hindus, Gregos dos Cabires, Gregos de Orfeu, Gregos de

    Pitgoras, etc.

    interessante mencionar tambm que alguns autores que pertencem Escola Autntica,

    surgida na 2 metade do sculo XIX, afirmam que a origem da maonaria est condicionada aos

    documentos publicados no sculo XVII. E, segundo eles, tudo o que for dito ou escrito em desacordo

    com tais documentos no passar de pura especulao. Esta teoria, apesar de descomplicada, a

    mais fcil de ser derrubada. Isto porque os documentos anteriormente mencionados, que se

    tornaram pblicos no sculo XVII, so oriundos de Sociedades Secretas, que j existiam muito antes

    da data de sua publicao. Pelo que sabemos, Sociedades Secretas no publicam documentos,

    portanto, a maonaria poderia j existir antes do sculo XVII. Desta forma, mais racional

    buscarmos as origens da maonaria estudando-a antes de a mesma ter se tornado pblica.

    Dentro desta linha de raciocnio, os autores Cristopher Knight e Robert Lomas resolveram estudar as

    trs teorias que mais receberam considerao por parte dos historiadores manicos:

    1. A MAONARIA TEVE ORIGEM DURANTE A CONSTRUO TEMPLO DO REI SALOMO.

    Esta teoria sustenta que a maonaria desenvolveu-se a partir das atividades relativas construo do

    Templo do Rei Salomo. Este fato largamente mencionado em nossos rituais. Entretanto, trata-se

    de uma afirmao muito difcil de ser verificada, pois, segundo sabemos, a sua nica fonte de

    referncia o Velho Testamento, no existe qualquer meno, por parte de escritores profanos da

    poca, sobre a construo do templo e sobre o que aconteceu durante a sua construo. Acrescenta-

    se ainda que no existe uma nica prova arqueolgica de que este templo tenha existido. Esta uma

    boa teoria, mas ainda precisa ser confirmada.

    2. AS GUILDAS DA IDADE MDIA.

    A Teoria de que os pedreiros medievais, atravs das guildas, criaram a maonaria para promoverem

    o seu prprio desenvolvimento moral largamente aceita nos meios manicos e no manicos.

    Entretanto, os autores Cristopher Knight e Robert Lomas a contestam, sob a alegao de que

    pesquisaram amplamente o assunto e no conseguiram encontrar sequer um documento que

    provasse a existncia de guildas de pedreiros na Inglaterra. Alegam, ainda, que o livro A Histria da

    Maonaria, de Gould, traz em suas pginas Escudos de guildas de pedreiros de toda a Europa, mas

    nenhum da Inglaterra.

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    No h provas documentais de que os pedreiros das guildas medievais tenham tido um sistema de

    toques, sinais e palavras para se comunicarem. Muitos destes pedreiros trabalharam sua vida toda

    numa s construo, e no precisavam de toques ou sinais para se comunicar. Quando algum

    pedreiro pedia emprego, ele no precisava de sinais para provar sua competncia; para contrat-lo,

    bastaria test-lo no trabalho.

    Tambm interessante ressaltar que uma das histrias mais conhecidas da maonaria que constam

    dos nossos rituais a do Templo de Salomo, e, at o ano de 1490 (o ltimo sculo da Idade Mdia)

    no havia nada que ligasse os pedreiros medievais (sculo V ao sculo XV) ao Templo do Rei

    Salomo.

    Outros motivos poderiam ser ainda alinhados, mas pensamos que os motivos anteriormente

    mencionados so suficientes para pr em dvida a teoria de que a maonaria teria sido fundada na

    Inglaterra, na Idade Mdia, a partir de guildas de pedreiros.

    3. OS TEMPLRIOS INTRODUZIRAM PROCEDIMENTOS E RITOS QUE SO UTILIZADOS NA MAONARIA AZUL, APS A DESTRUIO DE SUA ORDEM PELO REI DA FRANA.

    Esta terceira e ltima teoria afirma que a Maonaria Azul foi organizada pelos Templrios, e se

    sustenta nas informaes existentes nos rituais manicos (1, 2 e 3 Graus, principalmente) e nas

    informaes obtidas na Capela Rosslyn e adjacncias.

    Para avanarmos nesta discusso, faz-se necessrio conhecer um pouco da histria dos Templrios.

    OS CAVALEIROS DA ORDEM DO TEMPLO

    A ordem dos Cavaleiros do Templo foi fundada no ano de 1118 em Jerusalm, na poca das Cruzadas, com o objetivo de proteger os peregrinos que se dirigiam ao Santo Sepulcro. Seus fundadores, que fizeram votos de pobreza, castidade e obedincia, foram:

    1- Hughues de Payen (1 Gro-Mestre) 2- Godfroi de Saint Omer 3- Andr de Montbard 4- Geofrey Bisol 5- Payen de Montdidier 6- Archembaud de Saint Aignant 7- Gundomar 8- Godfroy 9- Arnoldo

    Trs Bulas papais confirmaram a existncia dos templrios: A Omne datum optimum, de

    1139, a Milites Templi, de 1144, e a Militia Dei, de 1145.

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    A Cavalaria Templria era a tropa mais disciplinada e mais bem preparada da Europa Medieval. Por seu valor e esprito de corpo, era considerada a vanguarda e a espinha dorsal dos exrcitos dos cruzados na Palestina.

    Os templrios eram excelentes administradores, fiis e organizados depositrios, e por esta

    razo tornaram-se banqueiros de papas, reis e particulares. Conhecidos por sua lealdade e valentia, inspiravam confiana na populao, que em suas mos depositavam imensas fortunas. Por este motivo, tornaram-se alvo da cupidez do Rei Felipe o Belo, de Frana, que, por necessitar de imensas quantias de dinheiro para financiar suas guerras contra os vizinhos, resolveu se apoderar dos bens da Ordem.

    Em 13/10/1307, tropas do Rei da Frana, numa operao coordenada e simultnea,

    invadiram o quartel general dos templrios em Paris e prenderam os membros da hierarquia

    templria, incluindo seu Gro-Mestre Jacques de Molay. Entretanto, a busca por documentos da

    Ordem e tambm pelo seu tesouroresultou infrutfera, pois nada foi encontrado. Quanto ao

    tesouro ora mencionado, nunca se soube do que realmente consistia, mas at hoje existem

    conjecturas a respeito.

    Aproximadamente 120 templrios foram queimados vivos depois de terem suportado torturas, onde foram obtidas confisses duvidosas. Finalmente, em 22/03/1312, por um inviolvel e perptuo decreto, atravs da bula Vox in Excelso, o Papa aboliu oficialmente a Ordem dos Cavaleiros do Templo.

    Os registros histricos afirmam que, aps a extino da ordem, os templrios espalharam-se pela a Europa. Foram para Portugal, Espanha, Alemanha, Esccia, Inglaterra e adjacncias, onde se filiaram a outras ordens.

    OS TEMPLRIOS E O TEMPLO DO REI SALOMO

    Voltando terceira teoria, trataremos agora das pesquisas das atividades dos templrios

    com relao ao templo do Rei Salomo. Os pesquisadores iniciaram sua busca estudando as relaes

    que poderiam existir entre as informaes sobre o Templo do Rei Salomo que constam dos nossos

    rituais e os Templrios. Suas pesquisas mostraram que foram quatro os Templos de Salomo, todos

    construdos no Monte Mori. Trs deles foram reconstrudos sobre as runas do Primeiro Templo. O

    Primeiro Templo foi construdo pelo Rei Salomo h trs mil anos. O Segundo nunca existiu em

    pedra palpvel. Foi um templo que apareceu na viso do profeta Ezequiel durante a escravido dos

    judeus, na Babilnia, por volta de 570 a.C. O Terceiro foi construdo pelo Rei Zorobabel na primeira

    parte do sculo VI a.C., aps o retorno dos judeus do cativeiro na Babilnia. E o ltimo foi construdo

    por Herodes na poca de Jesus Cristo, e destrudo no ano 75 d.C pelos romanos.

    O nosso interesse nas atividades dos templrios se referem s escavaes que eles fizeram

    no Quarto Templo do Rei Salomo. Essas escavaes vo nos levar a uma forte ligao dos

    templrios com a Capela Rosslyn, a qual representa um forte elo de ligao com a maonaria.

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    AS ESCAVAES SOB O QUARTO TEMPLO DO REI SALOMO

    O Robert Lomas e Christopher Knight, estudando o ritual do grau manico conhecido como

    Santo Real Arco, descobriram que o mesmo descreve a escavao das runas do Templo de Salomo.

    Esta escavao atribuda aos templrios na tentativa de encontrar manuscritos, tesouros e o Santo

    Graal, oriundos do Primeiro Templo.

    Provas desta escavao foram verificadas num relatrio de oficiais do exrcito britnico, que,

    no final do sculo XIX, estiveram em Jerusalm e fizeram escavaes sob o Templo construdo por

    Herodes. Desta forma:

    em 1894, quase oitocentos anos aps os Templrios terem iniciado a escavao sob as runas do Templo de Jerusalm, seus tneis secretos foram novamente sondados, nesta poca por um contingente do exrcito britnico liderado pelo tenente Charles Wilson, membro dos Engenheiros Reais. Eles nada descobriram dos tesouros escondidos pela Igreja de Jerusalm, mas nos tneis cavados sculos antes, eles encontraram parte de uma espada templria, uma espora, restos de uma lana e uma pequena cruz templria, Todos esses artefatos esto agora em poder de Robert Brydon, um arquivista templrio na Esccia, cujo av fora amigo de um certo Capito Parker que tomou parte nesta e em outras expedies que escavaram abaixo do stio do Templo de Herodes. Em uma correspondncia escrita ao av de Robert Brydon em 1912, Parker relata a descoberta de uma cmara secreta abaixo do Monte do Templo com uma passagem que ligava Mesquita de Omar. Ao surgirem dentro da mesquita, o oficial do exrcito britnico teve que fugir dos irados sacerdotes e fiis para no morrer. (Christopher Knigth e Robert Lomas, 2004)

    No relatrio elaborado pelos oficiais anteriormente mencionados h registro de uma planta baixa do Quarto Templo.

    A CAPELA ROSSLYN E SEUS PONTOS DE LIGAO ENTRE A MAONARIA E OS TEMPLRIOS

    Prosseguindo nas pesquisas sobre as ligaes entre os templrios e a maonaria, os

    pesquisadores iniciaram um estudo a sobre a CAPELA ROSSLYN (Figura 1).

    A Capela Rosslyn um importante elo entre a maonaria e os templrios. Ela foi construda

    por Sir William St. Clair, Conde de Okney, por volta de 1440/90, e est localizada a

    aproximadamente quinze quilmetros ao sul de Edimburgo, Esccia. A Capela foi edificada a poucos

    quilmetros do antigo quartel-general escocs dos Templrios, por pedreiros livres, requisitados no

    continente por William St. Clair. Acredita-se que a capela foi construda para esconder artefatos

    trazidos da Terra Santa pelos Templrios em 1126. Entre 1118 e 1128, os templrios fizeram

    escavaes sob o 4 Templo(Templo construdo por de Herodes)

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    Foto 1 A Capela Rosslyn, localizada aproximadamente 15 km de Edimburgo, Esccia, um importante elo entre a

    Maonaria e os Templrios (Lomas, Robert Origins of Freemasonry).

    De acordo com o Dr. Lomas, Hugo de Payen, primeiro Gro-Mestre dos Templrios, esteve na

    primeira Cruzada com Henri St. Clair, primeiro Conde de Roslin. Hugo visitou a cidade de Roslin

    (Esccia) em 1126, onde lhe foram doados alguns quinhes de terras para que ali construsse a

    primeira preceptria dos templrios fora da Terra Santa.

    Sir William St. Clair, o construtor da Capela, tambm ancestral direto do primeiro Gro-

    Mestre da Maonaria escocesa, tambm chamado de William St. Clair (Sinclair). Ele est enterrado

    em Rosslyn (Figura 2).

    Figura 2 A Lpide de Sir William St. Clair, em Rosslyn , o constrtor da Capela. Sir Willian descendente de Henry St. Clair

    que foi com Hugo de Payen, 1 Gro Mestre dos Templrios, na primeira Cruzada Terra Santa. (Lomas, Robert Origins of

    Freemasonry).

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    O layout da Capela uma rplica exata da planta baixa do Templo construdo em Jerusalm

    por Herodes e destrudo no Sculo I pelos romanos, conforme se observa na Figura 3 a seguir.

    Figura 3 Plantas baixas do 4 Templo de Salomo e da Capela Rosslyn. Como pode ser visto a planta baixa da Capela

    Rosslyn uma cpia perfeita do 4 Templo de Salomo. (Lomas, Robert Origins of Freemasonry).

    Alm disto, a capela considerada pelos especialistas como um livro esculpido em pedra.

    Preciosas informaes sobre a Maonaria, o Velho Testamento, a Ordem do Templo, a cultura dos

    Celtas, entre outros, podem ser encontradas nas suas esculturas.

    Na Capela, encontram-se esculpidas as seguintes esculturas, relacionadas aos Templrios: a)

    dois irmos montados num cavalo; b) o Agnus Dei; c) uma estrela de cinco pontas; d) uma

    representao estilizada da cabea de Cristo; e) uma cruz floreada; f) a imagem de uma cerimnia

    que se assemelha iniciao ao 1 Grau da Maonaria; g) uma inscrio, em um de seus arcos, que

    oriunda do Rito do Grau 17 do REAA.

    IMPORTANTES PONTOS DE LIGAO DOS TEMPLRIOS COM A MAONARIA DOS ALTOS GRAUS

    Sobre um arco no interior da Capela, existe a seguinte inscrio, que representa um ponto de

    ligao entre os Templrios e a Maonaria dos altos graus: O vinho forte, um Rei mais forte, as

    mulheres so ainda mais fortes. Mas a verdade conquista a todos.

    Sobre tal inscrio, os pesquisadores consultaram o historiador manico belga Jacques

    Huyghebaert, e este informou que aquelas palavras esto relacionadas com um grau manico

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    denominado ORDEM DOS CAVALEIROS DA CRUZ VERMELHA DA BABILNIA OU ORDEM DO

    CAMINHO DA BABILNIA, e que na Inglaterra esto intimamente associadas ao REAL ARCO. Este

    grau equivale ao 17 Grau (Cavaleiro do Oriente e do Ocidente) do REAA.

    O ritual deste grau (10) baseado no Livro de Esdras (10) e os eventos que ocorreram durante o cativeiro na Babilnia (...) De acordo com a lenda deste Grau, Zorobabel, o Prncipe de Jud, solicitou uma audincia no palcio da Babilnia de modo a conseguir permisso para construir o Templo do altssimo em Jerusalm. O Rei da Prsia, demonstrando sua boa vontade sobre esta permisso, disse que tem sido um costume desde tempos imemoriais, entre o Reis e os soberanos desta regio, em ocasies como esta propor certas questes. A questo que zorobabel deveria responder era: Qual delas a mais forte, Um Rei mais forte, a fora do vinho, a fora dos Reis ou a fora das mulhers (Lomas, Robert O Segundo Messias))

    Para se certificarem de que tal inscrio fosse to antiga quanto a capela, os autores

    decidiram consultar a senhora Judy Fisken, curadora da Capela quela poca. Judy informou que a

    pedra na qual a inscrio encontrava-se gravada era uma parte intrnseca da estrutura da edificao

    e que estava certa de que as palavras gravadas datavam da construo da Capela, nos meados de

    1400. E esta , portanto, uma prova irrefutvel de que Sir William Sinclair, o construtor da capela, era

    ligado Maonaria.

    Existe, ainda, outra escultura em Rosslyn que tambm sugere a ligao entre os templrios e

    a Maonaria. Essa escultura mostra uma cerimnia de iniciao na Maonaria, que conduzida por

    um cavaleiro templrio, conforme revela a Figura 4. A obra fica localizada na parte inferior da janela

    frontal, canto sudeste, no lado externo da capela. Observando a imagem a seguir, possvel

    constatar que grande a semelhana com a cerimnia de Iniciao ao 1 Grau da maonaria.

    Este entalhe, produzido por volta de 1440-50, exibe sete pontos distintos de similaridade

    com o Primeiro Grau da Maonaria de hoje (1). Antes de ser esculpido em pedra, foi entalhado na

    madeira e depois conferido. Isto significa que a obra tinha as caractersticas originais desejadas.

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    Figura 4 Escultura no lado externo da capela que mostra uma cerimnia de Iniciao ao 1 grau da

    maonaria. (Lomas, Robert Origins of Freemasonry). Como era norma de trabalho da poca, antes de ser

    entalhada na pedra esta figura foi entalhada em madeira e entregue entalhador para reproduzi-la na pedra.

    Figura 5 - Um candidato preparado para se tornar maom(Lomas, Robert Origins of Freemasonry).

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    APENAS UMA COINCIDNCIA?

    Muitos artigos publicados por autores manicos sugerem que a ligao entre a Maonaria e

    os Templrios revelada nesta escultura apenas simples coincidncia. A figura mostra um homem

    ajoelhado entre duas colunas. Ele est de olhos vendados e tem uma corda com um lao corredio

    ao redor do pescoo. Seus ps esto em posio estranha, pouco natural, e a mo esquerda segura

    um exemplar da Bblia. O final do lao em volta de seu pescoo controlado por um homem que usa

    um manto moda dos templrios.

    Como sabemos, por nossas posturas dentro de loja, para se trabalhar no Primeiro Grau,

    quando algum admitido na Maonaria, o iniciante chamado de candidato. Para ser admitido, o

    candidato deve estar vestido de uma maneira bem diferente do convencional, ou seja, usando uma

    camisa branca dobrada para trs, deixando parte de seu corpo descoberto. Seus olhos so vendados

    e o pescoo envolvido por uma corda com um lao corredio, como simulando um enforcamento.

    ANLISE DETALHADA DA PEA ENTALHADA EM PEDRA

    A escultura de Rosslyn revela algumas caractersticas que a identificam como sendo manica,

    conforme demonstra o desenho a seguir (Figura 6).

    Figura 5 - Desenho mostrando as principais caractersticas da esttua. (Lomas, Robert Origins of Freemasonry).

    O que perturba alguns autores ingleses, ironiza o Dr. Lomas, que a escultura foi entalhada

    570 anos antes, ou seja, 270 anos antes da fundao da Grande Loja Unida da Inglaterra. Quando

    esta informao foi divulgada, houve grande desconforto entre os membros da maonaria inglesa.

    Vrios artigos foram escritos por autores manicos, apoiando o ponto de vista que sustenta

    a convico de que os pontos de ligao esto na escultura por mera coincidncia. Contudo, a

    afirmao deles - que se trata de simples coincidncia - pode ser avaliada pelo Teste de Hiptese.

    Para confirmar ou rejeitar o ponto de vista dos autores que defendem a hiptese de coincidncia, o

    Dr. Lomas aplicou o Teste da Hiptese Nula:

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    De acordo com Robert Lomas em 25/08/2000:

    (...) existem 7 pontos de concordncia entre a pea entalhada e a cerimnia de admisso ao primeiro grau da maonaria de hoje. So eles: 1- Um dos homens est com os olhos vendados. Isto no comum nas esttuas

    medievais, sendo que a esttua da justia o nico exemplo conhecido. No existe outra figura com os olhos vendados em Rosslyn.

    2- Sobre o homem ajoelhado: isto comum nas estatuas/figuras medievais e existem outras figuras ajoelhadas em Rosslyn.

    3- Sobre o homem que est segurando uma bblia em sua mo esquerda: existem alguns entalhes mostrando figuras segurando livros ou pergaminhos nas mos em Rosslyn.

    4- Sobre o homem que tem uma corda ao redor do pescoo: existem poucas figuras conhecidas, no perodo estudado, com uma corda enlaada ao redor do pescoo. A mais conhecida uma estatua chamada The Dying Gaul. Existe uma outra em Rosslyn que tem um lao ao redor do pescoo. Trata-se da figura de um homem sendo enforcado, que representa o anjo Shemhazai cujos pecados obrigaram Deus provocar o Dilvio. Tal figura mostra o anjo Shimenzai com muito medo de olhar Deus face a face, e por isto, mostra sua cabea virada para uma direo contrria de onde se localiza a figura de Deus. Shimenzai est representado com um lao ao redor do pescoo, mas em Rosslyn no existe outra figura assim representada.

    5- Um dos homens parece ter seus ps numa posio que ainda usada pelos candidatos iniciao na maonaria de hoje. Esta uma posio pouco comum e no existe outra figura em Rosslyn nesta posio.

    6- A cerimnia est sendo realizada entre duas colunas, exatamente como feito na maonaria de hoje.

    7- O lao est sendo controlado por um homem claramente vestido moda dos Templrios. Existem muitos outros smbolos e imagens dos Templrios entalhados em Rosslyn. Assim, qual a probabilidade de que todos estes fatores estejam juntos por coincidncia? Adotamos a Hiptese Nula. Admitimos que os fatores que ligam os Templrios Maonaria estavam juntos na pea entalhada por coincidncia, e ento aplicamos o Teste de probabilidade para testar a viabilidade desta ideia.

    AVALIAO DAS PROBABILIDADES 1- A probabilidade de que o homem esteja vendado por acaso 0,5, pois ele poderia

    estar vendado ou no. Este o pior caso de probabilidade, o que d a Hiptese Nula a melhor chance de sucesso, uma vez que no existe outra figura com os olhos vendados em Rosslyn.

    2- A probabilidade de o homem estar ajoelhado por acaso 0,5, uma vez que, novamente, ele poderia estar ajoelhado ou no.

    3- A probabilidade de que o homem esteja segurando uma Bblia por acaso 0,5, pois ele poderia estar segurando uma Bblia ou no.

    4- A probabilidade de o homem ter uma corda ao redor do pescoo 0,5, ainda que exista somente uma figura com os olhos vendados em Rosslyn. Novamente, estou dando Hiptese Nula a melhor chance de ocorrer por acaso.

    5- A probabilidade que o homem esteja com os ps numa postura manica (somente nesta posio o candidato pode ser feito maom) de 0,5, porque ele poderia estar nesta posio ou no. Nenhuma outra figura em Rosslyn mantm os ps nesta

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    estranha posio, ( moda dos maons), de modo que novamente concedemos Hiptese Nula, o benefcio da dvida.

    6- A probabilidade de a cerimnia ter ocorrido entre duas colunas de 0,5, porque a alternativa seria no realiz-la entre colunas.

    7- A probabilidade de que um Templrio esteja controlando o lao ao redor do pescoo do homem 0,5; isto mais uma generosidade com relao Hiptese Nula, porque o lao poderia estar frouxo ou sendo controlado por uma outra pessoa que no fosse um templrio. Na moderna cerimnia manica de iniciao, o lao controlado pelo segundo dicono enquanto o candidato faz o juramento com a mo sobre a Bblia.

    Agora precisamos considerar a possibilidade de que todas estas 7 probabilidades tenham ocorrido ao mesmo tempo. Para achar a probabilidade composta, devemos multiplicar todas as probabilidades mencionadas, umas pelas outras. Ou seja: (0,5)x(0,5)x(0,5)x(0,5)x(0,5)x(0,5)x(0,5) = 0,0078

    Portanto, existem somente 8 chances em 1000 de que os elementos de ligao entre a Maonaria e os Templrios (na pessoa de Sir William St. Clair) tenham sido colocados na pea entalhada, por acaso.

    Por causa de tais evidncias, recusa-se a Hiptese Nula e reafirma-se a proposio de que Sir

    William foi ligado Maonaria em 1440, e que esta ligao envolvia os Templrios.

    III CONCLUSES

    Baseados nos rituais manicos e nas extensas pesquisas dos historiadores relacionados neste

    trabalho, podemos concluir:

    1- No h documentao suficiente para comprovar a premissa de que a maonaria teve sua

    origem no Primeiro Templo construdo por Salomo, uma vez que a nica fonte disponvel o

    Velho Testamento, o qual no faz referncias Maonaria como conhecemos.

    2- A teoria sobre o nascimento da Maonaria na Inglaterra, a partir das guildas de pedreiros, deixa

    dvidas, principalmente pelo fato de no se ter encontrado qualquer registro de guildas

    existentes na Inglaterra, na Idade Mdia. O livro A Histria da Maonaria de Gould, trs em

    suas pginas escudos de todas as guildas da Europa, mas nenhum escudo de guildas de pedreiros

    ingleses.

    As guildas eram corporaes de ofcios, com regras bem definidas, e provavelmente receberam

    os templrios que tiveram de viver na clandestinidade. Pelo menos, at a chegada dos

    templrios, no h qualquer documentao que comprove que tais corporaes adotavam um

    sistema de comunicao por toques, sinais e palavras. Alm disso, as OLD CHARGES no abordam

    a questo do TEMPLO DO REI SALOMO, pelo menos at 1490, poca em que a Capela Rosslyn

    ficou pronta.

    3- A capela de Rosslyn , sem dvida um importante elo entre a Maonaria e os Templrios. E tais

    elos so representados pelos seguintes detalhes:

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    a) A planta baixa desta Capela, que parece uma cpia exata do Quarto Templo de Salomo, e

    reproduz, inclusive, as colunas Booz e Jackin, o que vem reforar a afirmativa.

    b) A forte evidncia representada pela escultura localizada na parte inferior da janela frontal,

    canto sudeste, onde existe um entalhe que parece mostrar parte da cerimnia de admisso

    ao Primeiro Grau da Maonaria.

    c) A inscrio no arco da Capela, que liga seu construtor a um alto grau manico (Cruz

    Vermelha da Babilnia equivalente a 17 do REAA), uma prova irrefutvel sobre as

    ligaes entre a Maonaria e os Templrios.

    Diante das evidncias acima expostas, conclumos que a Maonaria AZUL foi criada e organizada com

    forte participao dos templrios.

    BIBLIOGRAFIA

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