Cordel - O pavão misterioso

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  • 5/10/2018 Cordel - O pavo misterioso

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    . .CD LE t;:AD . LU ZE IRDDirecao deARL1NDO PINTO DE SOUZA

    -. JOSE CAMELO DE MELO RESENDE

    Texto revisto e classificado parH~ LID CAVENAGH I

    Direitos adquiridos e registrados de acordocom a lei na Bibl ioteca Nacional

    1980

    L U Z E I R O E O I T O R A L I M I T A D A03 025 - H UI A 1M 'R AN fE B A R R O S O N " 1 3 DT E L E F O N l: ' 3 - 8 5 5 9 . C G C 4 3 . 8 2 & T& 4 3 / 0 8 0 1 0 DINSClt ES l lDUl l 1 01 .D 85 .1 01 S AO P A U L O

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    FICHANOME -- a PAVAO MISTERIOSOTEMA - AventuraAUTOR - Jose Camelo de Melo Resende (Jose Camelo)LOCAL - Sem indicacso DATA - Sem indicacaoES TRO FES - 1 41 de sets versos de sete sflabas (sextilhas)ESQUEMA DA S RIMAS - x ax a x a

    r O BSERVAC ;AO - A s letras repetidas indicam asversos que rim am entre si. Indicam ..se corn x osversos que nao rimam com nenhum outro.

    FIN AL - Uma estrofe em acr6stico J O SECAMELO , emversos de sete srlabas (martelo). E SQUEMA DAS RIMAS:abbaaccddcBIOGRAFIA DO AUTOR - JOSE CAMELO DE MELDR ESEN DE ( JOSE CAM E LO) nasceu na povoacso de Pi-loezinhos, Munjc(pio de Guarabira ..--PB, e morreu em RioTinto - PB, aos 28 de outubro de 1964. Foi filhe de ManuelA lves. Poeta popu lar, cantador, carpinteiro e xlloqrafo, erahomem imagninoso e brilhante. C ornecou a versar romancespor volta de 1923, mas nao escrevia suas cornposicoes -.guardava-as na m emoria, pra canta-tas onde se apresentasse ..M eteu -se em situacdes atrapalhadas; entre 1 927 e 1929, porcausa duma delas, fugiu para 0 R io G rande do Norte. Foinessa epoca que Joao Melqu rades, .ajudado par RomanoEI ias, se apossou dos originais de 0 Pavio Misterioso, publ i...cando-os como obra sua; tornando-se 0 romance urn desmaiores sucessos da l.iteratura de Cordel em todos as tempos,o caso gerou uma polernica que dura ate hoje (apesar de jaestar provada e documentada a verdadeira autoria]. Alemdeste 0 Pavio Misterioso, Jose Camelo foi autor de variesromances que se tornaram classicos no genera: Aprigio Cou-tinho e Neusa, A Verdadeira Historia de Joaozinho e Mari-quinha, Coco-Verde e Melancia, etc.o nome LITERATURA DE CORDEL provern de Portugal e data doseculo XVII. Esse nome deve-se ao cordel au barbante em Que ostothetos flcavam pendurados, em exposicao. No Nordeste brasilelro,mantiveram-se a costume e 0 nome, e as folhetos sao expostos a vendapenduradas e presos por pregadores de roupa, em barbantes esticadosentre duas estacas, fixedas em caixotes.

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    .- ' .. a PAVAo MISTERIOSO'" - . . .

    Eu yOU contar a hist6riaD um pavao misterioso,Que levantou voo da Grecla.Com urn rapaz corajoso,Raptando uma condessa,Filha dum conde orgu lhoso ,

    Residia na TurquiaUm viuvo capital ista,Pa i " de do is f i Ihas so lteiros -o mais velho Joao Batista ,Entao 0filho mais m090Se chamava Evangelista.

    o velho turco era donoDuma fabrlca de tecidos,C om larqas propriedades,D inheiro e bens passu (dos.D eu a heranca a seus fj Ihos,Porque eram bern unidos.

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    4 Jose Camelo de Melo ResendeDepois que ovelho morreu,F izeram comb inacao,Porque 0Joso Batis taConcordou com seu irrnao,E foram negociarN a mais completa uniao~

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    U m d ia, Joao Bat istaPenso u pela va idadeE d isse a Evangel ista:- Meu mano, eu tenho vontadeDe visitar 0 estra ngeiro,Se nao te deixar saudade.

    O lha que nossa riquezaSe acha muito aumentadaE dessa nossa fortunaAinda nao gozei nada,Portanto, convern que eu passeUrn ana em terra afastada.

    Respondeu Evangel ista:- V a, que eu aqui ficarei,Regendo nosso neqocio ,Como sempre trabalhei.Garanto que nossos bensCom cuidado zelarei.

    Ouero tazer-lhe urn ped ida:Procure no estrangeiroUrn objeto bonito,S6 para rapaz so lteiro,Traga pra mim de presente,Embora custe d inheiro.

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    o Pavao M isterioso 5Joao B atista prometeu,Com muito boa atencao ,De comprar urn objetoDo qosto do seu irrndo.Entao I tornou urn paqueteE seguiu para 0 Japao.

    Joao B atista, no Japao ,Esteve seis meses somente,Gozando naquele Imperio.Percorreu 0Oriente,D epois seguiu para a Grecia.O u t ro pa fs d iterente.

    Joao B atista entrou na Grecia.D ivert iu-se em passear tComprou passagem de bordo;Quando ia emba rca r fOuviu urn negro dizer :- A cho born se demorar!

    Joao Bat ista interroqo U :~ Amigo, fale a verdade:Por que motive a senhorMa nda eu ficar na cidade?o isse 0 negro: ~ Va i haverUma grande novidade!

    Mora aqu i nesta cidadeUrn conde muito valente.Ma i s soberbo do que Nero,Pai duma filha sornente ~E a rnoca rna is bo nitaQue h a no tempo preserrte!

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    6 Jose Camelo de Melo Resende E a rnoca em que Ihe falo,Filha do tal potentado,o pai tern .ela escondida

    Em urn quarto do sobrado ..,C hama-se C reusa, e criou ..seS em nunca ter passeado.

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    De ano em ano, essa rnocaBota a cabeca de fora,Para 0 povo adora ..laNo espaco de uma hora,Para s er vis ta Dutra vez,Tern urn ano de demora.

    o conde nao consentiuDutro homem educa-la:So ele, como pai dela,Teve 0 poder de ensina-la..Sera morto 0criadoQue dela escu tar a fala.

    O s estrangeiro s tern vindoTomarem conhecimento.Arnanha ela aparece .Ao grande aju ntamento ~E proibido pedir ..seA mao dela em casamento!Entao d isse Joao Bat ista :- A gora vou demorarPara ver essa co ndessa,Estrela deste lugar.Quando eu chegar na Turquia,Tenho muito que contar!

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    o Pavao Misterioso 7Logo no segundo dia,C reusa saiu a [aneta.as fotoqrafos se vexaram ,Tirando 0 retrato dela,.Ouando inteirou uma hora,D esapareceu a donzela.

    rDepois , Joao Batista viuUrn ret rat ista vendendoAlguns retratos de Creusa.Vexou-se e Ihe foi dizendo:- Quando quer pelo retrato?Porque cornpra-lo pretendo!

    o fot6grafo respondeu:- the custa urn canto de reis,Joao Batista a inda d isse :- E u com prava ate par dez!Se 0 dinheiro fosse pouco,Empenharia os aneist

    Joao Bat ista va ItouD a G racia para a TurquiaE, quando chegou em Meca,C idade em que residia,Seu mane EvangelistaBanqueteou 0seu dia .

    .Entao d isse Evange list a:- M eu mano, v a me contandoSe viu coisa bern bonitaPor onde andou passeando -a que me traz de presente,Va logo me entregando!, ..

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    8 Jose Camelo de Malo Resande Respondeu Joao Batista:- Para ti trouxe urn retratoDuma condessa da Grecia,

    Moca que tern fino trato.Custou-me urn conto de reis ->lnda achei multo barato:-Assim falou Evangelista,

    Depois duma gargalhada:- Nesse caso, rneu irm ao,Para mim nao trouxe nada,P01S retrato de mulherE coisa bastante usada!

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    - Sei que tern muito retrato, .Mas, como a que eu t rouxe, nao!Ira ago ra exami na ..lo,Entrego em sua mao -Quando vir esta beleza,Mudara de opiniao.

    Joao Bat ista t irouo retrato dum a mala,.Entreqou-o ao rapazQue estava de pe na sa la ,Mas, quando viu 0 retrato,Ouis fa t a r , tremeu a f a la.

    E vange I ista vo I to uC om 0 retrato na mao.Tremendo, muito assustado,Perguntando a seu irrnaoS e a mO;8 do retratoTinha aquela perfeicao.

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    o Pavia Misterioso 9Respondeu Joao Bat istai- C reusa e muito mais formosaDo que 0 retrato dela!Em beleza e preciosa -Tem 0corpo desen hadePar uma mao milagrosa!

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    Joao Batista perguntou,Fazendo urn ar de riso:- Que e isso, meu i rmao?Quer perder 0 seu jurzo?JfI vi que esse retratoVern Ihe causar prejuizo!

    Hespondeu Evangelista:- Pais, meu irrnao, eu Ihe digo:Vou s a ir do meu pa IS !Nao posso ficar contigo,Pais a moca do retratoMe deixou a vida em perigo!

    Joao Batista fa lou serio :- Preciptcio nao convem:De que Ihe serve ir embora,Par esses mares alern,Em procure de uma rnocaQue nao casa com ninquern?

    - S eu conselho nao me serve,Estou impressionado!Rapaz sem rnoca bonitaE urn desaventurado!Se eu nao casar com Creusa,Findo os dias enforcado '

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    10 JoStiCamela de Melo R.sende

    V amos partir a riqueza,Que tenho necessidade.Dar balance ao dinheiro,Porque eu quero a metade.o que nao posso levarLhe dou de boa vontade ..

    Deram balance ao dinheiro.S6 tres milhdes encontraram,Trocou dais a Evangelista,Conforme se combinararn.Com relacao a neg6cio,Da firma se desligaram.

    Oesped iu-se E vangeJ ista,Abracou a seu irmao --Choraram urn pelo Dutro,N a triste separacao ,Seguindo urn para a GreciaEm uma embarcacao.

    Logo que chegou a Gracia.Hospedou-se Evangel istaEm urn hotel dos mais pobres,Negando assim sua pista,Para ninquern nao saberQue era urn capitalists ..

    Ali passou oito meses,Sem se dar a conhecer,Sempre andando d isfarcado,S6 para n inquern saber,Ate que chegou 0 d iaD a rnoca .aparecer.

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    o Pavlo M istertoso 11O s hate-is ja se achavamR epletos de passageiros;Passeavam pela pracaO s grupos de cavalheiros;Havia muitos fidalgosC hegando do estranqeiro.

    As duas horas da tarde,Creusa sa iu a jane la,M ostrando sua belezaEntre 0 conde e a mae dela.T odos tiraram 0 chapeu,Em continencia a donzela.

    Quando Evangelista viuo brilho da boniteza,D isse: - Vejo que meu manoO u is m e falar com franqueza,Po is essa gent i I donzelaE ra inha da beleza!

    Evangel ista voltouA onde estava hospedado.Como nao falou com a rnoca,E stava contrariado -Foi inventar uma idei