Desaceleração da economia argentina será desafio para ... ?rio... · Setores em Foco A crise argentina…

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    Setembro de 2018

    Cenrio Setorial

    Desacelerao da economia argentina ser desafio para exportaes de vrios setores industriais

    Automotivo: reduo das exportaes de veculos para a Argentina pode impactar negativamente aproduo domstica no segundo semestre

    O ritmo de crescimento da atividade econmica segue lento e gradual. Porm, o setor automotivopermanece como um dos setores mais dinmicos da economia, tanto em relao produo como emrelao s vendas internas. A crise cambial da Argentina e suas consequncias econmicas devem afetarnegativamente o setor automotivo brasileiro, uma vez que aproximadamente 75% das exportaes deveculos brasileiros destinada ao pas vizinho. Acreditamos que, mesmo com o impacto dessa crise, o setorautomotivo continuar aquecido, permanecendo como um dos mais dinmicos da economia em 2018,principalmente pela retomada da demanda interna represada durante a recesso.

    Energia eltrica: ltimos leiles de energia evidenciam tendncia positiva para os investimentos no setoreltrico

    Os investimentos no setor eltrico brasileiro tm se sustentado, apesar da desacelerao da atividadedomstica. Isso pode ser constatado nos resultados dos ltimos leiles de gerao, marcados porcompetio acirrada pelos empreendimentos, evidenciada nos altos desgios, e com a contratao dediversas plantas elicas, solares e trmicas a gs. No setor de transmisso, o cenrio semelhante: o leilorealizado em junho deste ano contou com o maior desgio dos ltimos anos e com a participaosignificativa de empresas estrangeiras. Importantes desafios para o setor permanecem, com destaque parao dficit de gerao das hidreltricas.

    Sade: gerao de emprego formal ser positiva para o crescimento das contrataes de planos de sadeprivados

    Esperamos expanso de 0,8% no nmero de beneficirios de planos de sade neste ano, acelerando para1,9% em 2019. O resultado positivo reflete o crescimento, ainda que tmido, do ritmo de contratao deemprego com carteira assinada. Apesar da expanso, a taxa de cobertura se manter em torno de 23%.

    Setores em Foco

    A crise argentina se acentuou nas ltimas semanas. O peso argentino sofreu forte depreciao (perdendometade de seu valor em relao ao dlar) em meio desconfiana dos investidores sobre a implementaodo ajuste fiscal. O banco central elevou os juros para 60% para conter a desvalorizao e a inflao, jprxima de 30%, e o governo est novamente negociando com FMI a antecipao dos desembolsos emcontrapartida de um ajuste fiscal mais clere. Diante desse pano de fundo, uma forte desacelerao docrescimento econmico argentino praticamente inevitvel. Diante disso, quais os impactos para economiabrasileira do ponto de vista dos distintos setores industriais?

    Sem dvida, o setor automobilstico o mais sensibilizado, mas outros setores como mquinas eequipamentos, produtos qumicos e eletroeletrnicos podem ter suas exportaes afetadas. Assim,considerando nossa nova projeo para o PIB da Argentina de uma queda de 1,5%, poderemos perder cercade US$ 3 bilhes em exportaes (sendo US$ 2 bilhes no segmento automobilstico e US$ 1,0 bilho nosdemais setores) ao longo de 12 meses, o que poderia representar uma perda de 0,2% para o PIB brasileiro,distribudo ao longo de 2018 e 2019.

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    saldo importaes exportaes

    A situao da economia argentina se tornou ainda mais crtica nas ltimas semanas. O peso argentinosofreu forte depreciao (perdendo metade de seu valor em relao ao dlar) em meio desconfiana dosinvestidores sobre a implementao do ajuste fiscal. O banco central elevou os juros para 60% para conter adesvalorizao e a inflao, j prxima de 30%, e o governo est novamente negociando com FMI aantecipao dos desembolsos em contrapartida de um ajuste fiscal mais clere, dessa vez. Diante dessepano de fundo, uma forte desacelerao do crescimento econmico argentino praticamente inevitvel.Diante disso, quais os impactos para economia brasileira do ponto de vista dos distintos setores industriais?

    As relaes entre Brasil e Argentina so bastante estreitas, principalmente quando tratamos do comrcioexterior. A Argentina o principal parceiro comercial do Brasil na Amrica Latina e o terceiro maior emtermos absolutos, atrs apenas de China e EUA. Nos ltimos 12 meses, as exportaes brasileiras para o pasvizinho somaram US$ 18 bilhes e as importaes, por sua vez, somaram US$ 10 bilhes. Ou seja, o Brasilpossui supervit comercial de US$ 8 bilhes e uma corrente de comrcio de quase US$ 30 bilhes com aArgentina. Porm, mais relevante do que o peso da Argentina nas exportaes totais, que de 8%, acrescente participao da Argentina nas exportaes brasileiras de manufaturados, de 21%. Na verdade, osbens manufaturados representam 93% do fluxo comercial do Brasil para a Argentina. H grande integraoentre as indstrias brasileira e argentina, com destaque para a automobilstica, que concentra 50% do valordas exportaes brasileiras totais para esse destino. A ttulo de exemplo da importncia da relao entre osdois pases, em 2017 as exportaes de carros para aquele pas cresceram 42%, o que acabou por contribuirdiretamente com o PIB brasileiro em algo como 0,25% no mesmo ano.

    Desacelerao da economia argentina ser desafio para exportaes de vrios setores industriais

    Grfico 1 Saldo, Exportaes e Importaes Brasil e Argentina em 12 meses

    Fonte: MDIC, Bradesco

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    Cenrio Setorial

    Grfico 2 Exportaes para Argentina aberta por setores:(exportaes setoriais dentro do total das exportaes para Argentina)

    Complexo automobilstico

    50%

    Mquinas e Equipamentos

    9%

    Produtos Qumicos8%

    Metalurgia7%

    Borracha e Plstico3%

    Celulose, Papel3%

    Produtos Alimentcios3%

    Minerais Metlicos2%

    Mquinas e Materiais Eltricos2%

    Produtos de Metal2%

    Agricultura, Pecuria 2%

    Outros9%

    Fonte: MDIC, Bradesco

    Dada a relevncia da Argentina para exportaes de manufaturados, uma eventual frustrao comcrescimento argentino traz um risco para nosso cenrio de exportaes e tambm de atividadedomstica, via canal da indstria. evidente que o setor automobilstico pode ser o mais afetado, tendoem vista a sua dimenso dentro das exportaes para o pas vizinho. Porm, alguns outros setoresindustriais possuem participao significativa da Argentina como destino das vendas, dos quais destacamos:mquinas e equipamentos, produtos qumicos, borracha e plstico, produtos eletrnicos e eltricos eprodutos de metal. Abaixo, mostramos, setorialmente, a participao das exportaes para Argentina nototal exportado de cada setor pelo Brasil. De fato, fica evidente que o setor automotivo o mais exposto aorisco Argentina e os demais setores parecem ter mais margem de manobra para reagir a uma eventualrecesso no pas vizinho. De todo modo, tendo em vista que o crescimento global est moderando, umadesacelerao da economia argentina pode potencializar esse efeito, principalmente nos setores citadosacima.

    Grfico 3 Participao do destino Argentina nas exportaes setoriais totais em 12 meses(exportaes setoriais para Argentina no total de exportaes do setor indicado)

    Fonte: MDIC, Bradesco

    53%

    24%

    23%

    17%

    16%

    15%

    15%

    13%

    12%

    11%

    10%

    8%

    8%

    8%

    6%

    6%

    5%

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    Veculos Automotores, Reboques

    Borracha e Plstico

    Impresso e Reproduo de Gravaes

    Mquinas e Equipamentos

    Produtos de Metal e Equipamentos

    Produtos Qumicos

    Mquinas e Materiais Eltricos

    Informtica, Produtos Eletrnicos e pticos

    Produtos de Minerais No-Metlicos

    Produtos Farmoqumicos e Farmacuticos

    Produtos Txteis

    Fabricao de Mveis

    Couros e Artefatos

    Bebidas

    Metalurgia

    Derivados Do Petrleo

    Celulose, Papel e Produtos de Papel

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    Cenrio Setorial

    Um atenuante para esse risco Argentina o fato de que as exportaes de manufaturados, excluindo-seautomveis, so mais estveis do que as exportaes de automveis. Possivelmente isso ocorre pelo fatode a demanda de carros ser mais cclica, uma vez que depende de confiana e crdito que faz com que, emperodos de crescimento, a demanda cresa mais e, na recesso, caia mais. J os demais bensmanufaturados no possuem essa caracterstica (ou possuem em menor intensidade) e talvez por essa razotenham comportamento mais estvel. Na verdade, at o momento no se verifica queda das exportaes debens manufaturados fora do complexo automotivo nos ltimos meses; o volume exportado foi mantido:apenas a taxa de crescimento desacelerou, mas ainda continua positiva. Inclusive, em agosto, essasexportaes at cresceram na margem, contrariando o senso comum de que j deveriam estar cedendo.

    Grfico 4 - Exportaes brasileiras para Argentina(Variao em 12 meses; exportaes totais, complexo automobilstico e manufaturados ex-automveis)

    Fonte: MDIC, Bradesco

    -60,0%

    -40,0%

    -20,0%

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    20,0%

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    Ttulo do Grfico

    mat. Transportes

    totais

    manufaturados ex-mat. transportes

    Tendo em vista a crise cambial argentina, a forte elevao de juros bsicos para 60% e as medidasemergenciais de ajuste fiscal, projetamos preliminarmente contrao de 1,5% da economia argentinaneste ano. Sem dvida, o setor automobilstico o mais sensibilizado, mas outros setores como mquinas eequipamentos, produtos qumicos e eletroeletrnicos podem ter suas exportaes afetadas. Assim,considerando nossa nova projeo para o PIB da Argentina, poderemos perder cerca de US$ 3 bilhes emexportaes (sendo US$ 2 bilhe