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  • Dilogos - Revista do Departamento de

    Histria e do Programa de Ps-Graduao em

    Histria

    ISSN: 1415-9945

    [email protected]

    Universidade Estadual de Maring

    Brasil

    Kerber, Alessander Mario

    ETNIA, REGIO E NAO NA ARGENTINA DO ENTREGUERRAS: UM ESTUDO DAS MSICAS E

    IMAGEM DE CARLOS GARDEL

    Dilogos - Revista do Departamento de Histria e do Programa de Ps-Graduao em Histria, vol.

    14, nm. 3, 2010, pp. 605-626

    Universidade Estadual de Maring

    Maring, Brasil

    Disponvel em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=305526882008

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  • Dilogos, DHI/PPH/UEM, v. 14, n. 3, p. 605-626, 2010.

    ETNIA, REGIO E NAO NA ARGENTINA DO ENTREGUERRAS: UM ESTUDO DAS MSICAS E

    IMAGEM DE CARLOS GARDEL*

    Alessander Mario Kerber **

    Resumo. Carlos Gardel foi, no rdio, no cinema e na indstria fonogrfica, o artista de maior sucesso na Argentina do Entreguerras. Nesse contexto de negociaes, reformulaes e exaltao da identidade nacional argentina, ele atuou como mediador, apresentando representaes acerca dessa nao consumidas em massa. Neste artigo, utilizando como fontes as canes gravadas e os filmes que contaram com a participao desse artista, proponho-me analisar como foram representadas as identidades tnicas e regionais da argentina e qual a relao estabelecidas entre essas representaes e as nacionais. Palavras-chave: Carlos Gardel; Identidade tnica; Identidade regional;

    Identidade nacional.

    ETHNICITY, REGION AND NATION IN INTERWAR ARGENTINA: A STUDY OF THE SONGS AND IMAGE OF

    CARLOS GARDEL

    Abstract. Carlos Gardel was, in radio, cinema and the recording industry, the most successful artist in interwar Argentina. He acted as mediator in this context of negotiations, reformulations and exaltation of Argentine national identity, presenting representations of that nation that were consumed en masse. In this article, I propose an analysis, using as sources the songs recorded and the movies starred by this artist, of how Argentinas ethnic and regional identities were represented, as well as the relationship between these representations and national ones. Keywords: Carlos Gardel; Ethnic identity; Regional identity; National identity.

    * Artigo recebido em 11 de maio de 2010 e aprovado em 02 de setembro de 2010. ** Doutor em Histria pela UFRGS. Professor do Programa de Ps-Graduao em

    Histria da UFRGS.

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    Dilogos, DHI/PPH/UEM, v. 14, n. 3, p. 605-626, 2010.

    ETNIA, REGIN Y NACIN EN LA ARGENTINA DE ENTREGUERRAS: UN ESTUDIO DE LAS MSICAS E

    IMGENES DE CARLOS GARDEL

    Resumen. Carlos Gardel fue el artista de ms xito de radio, cine e industria fonogrfica de la Argentina de entreguerras. En un contexto de negociaciones, reformulaciones y exaltacin de la identidad nacional argentina, el cantante actu como mediador, al ofrecer representaciones sobre esa nacin de consumo masivo. En este artculo, al utilizar como fuentes las canciones grabadas y las pelculas que contaron con la participacin de Gardel, propongo analizar cmo fueron representadas las identidades tnicas y regionales de Argentina, y cules fueron las relaciones establecidas entre esas representaciones y las nacionales. Palabras Clave: Carlos Gardel; Identidad tnica; Identidad regional; Identidad

    nacional.

    INTRODUO

    No presente artigo, utilizando como fontes as msicas e filmes gravados por Carlos Gardel, proponho-me analisar as relaes estabelecidas entre as representaes da nao argentina e as de identidades tnicas e regionais daquele pas. Houve, na Argentina, especialmente entre os anos 1910 e 1930, um grande processo de renegociao e redefinio das representaes da identidade nacional. Nesse contexto, surgiram os primeiros artistas que se tornaram dolos nacionais, tendo suas msicas difundidas em vrias regies e entre diversos grupos tnicos, especialmente atravs dos novos meios de comunicao que se massificavam nessa poca: o rdio, o cinema e a indstria fonogrfica. Alguns destes artistas, justamente por circularem entre meios culturais distintos, participaram como mediadores do processo da construo de uma nova sntese identitria nacional.

    O caso de Carlos Gardel pode ser considerado via privilegiada para a anlise das relaes estabelecidas, nesse contexto, entre identidades tnicas regionais e a nacional argentina. Gardel foi o cantor popular de maior sucesso da Argentina dessa poca, alm de se manter at os dias atuais como figura representativa da identidade nacional argentina. Alm disso, seu sucesso no se restringiu s fronteiras argentinas, mas teve, tambm, um grande sucesso internacional, construindo um imaginrio internacional acerca desse pas.

  • Etnia, regio e nao na Argentina do entreguerras 607

    Dilogos, DHI/PPH/UEM, v. 14, n. 3, p. 605-626, 2010.

    Gardel teve o incio de seu sucesso com a cano Mi noche triste, tango de Samuel Castriota e Pascual Contursi, gravado em 1917. Essa cano, alm do grande sucesso, teve tanta importncia que considerada como um marco de uma nova fase na histria do tango. Em toda a sua carreira, gravou 930 canes, as quais so as fontes principais deste trabalho. Como fontes secundrias, analiso tambm os filmes que contaram com a participao dele1.

    REPRESENTAES E IDENTIDADES NACIONAIS

    Para este estudo, baseei-me, especialmente, nas discusses sobre representaes e identidades nacionais, partindo especialmente das consideraes de Chartier (1990; 2002), segundo as quais, na compreenso do real, h um processo de significao e associao com smbolos j existentes no imaginrio daquele grupo. Uma realidade, assim, nunca apreendida de forma pura, sempre apropriada e simbolizada pelos grupos que dela se aproximam, e nesta atribuio de sentido que percebemos que as representaes no so ingnuas. Apesar de se proporem a uma aproximao com a realidade, sempre so influenciadas pelos interesses de grupo que as produzem.

    Uma identidade se expressa, justamente, atravs de representaes que definem a ideia e o sentimento de pertencer a um grupo. Assim, ela , ao mesmo tempo, sentimento e ideia, sentida e pensada enquanto formulao de uma imagem de si mesmo, ou seja, como autorrepresentao. Essa conscincia de si atravs de representaes impe limites s prticas sociais dos indivduos. Esses limites se do em torno das fronteiras entre um grupo e outro. Uma identidade se forma, assim, alm da percepo das representaes

    1 Gardel atuou, em 1930, em dez curtas nos quais sempre canta um nmero de seu

    repertrio: Aoranzas; Cancero; Enfund la mandolina; Mano a mano; El carretero; Padrino pelado; Rosa de otoo; Tengo miedo; Viejo smoking; Yira, Yira. Tambm atuou em Luces de Buenos Aires (1931), dirigido por Adelqui Millar (Paramount). Esperame (1932), dirigido por Luis Gasnier (Paramount); La casa es seria (1932), dirigido por Jaquelux (Paramount); Meloda de arrabal (1933), dirigido por Luis Gasnier (Paramount); Cuesta Abajo (1934), direo de Luis Gasnier (Paramount); El tango en Broadway (1934), dirigido por Luis Gasnier (Paramount); The big broadcast of 1935 (1935), dirigido por Norman Taurog e Theodore Reed (Paramount). En da que me quieras (1935), dirigido por John Reinhardt (Paramount); Tango Bar (1935), dirigido por John Reinhardt (Paramount).

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    Dilogos, DHI/PPH/UEM, v. 14, n. 3, p. 605-626, 2010.

    comuns, entre o grupo, atravs da percepo da diferena em relao ao outro grupo, ou seja, em uma relao de alteridade.

    Ao analisar a construo de identidades, Chartier aponta as perspectivas que a histria cultural trouxe a esta questo, diferenciadas de duas vises existentes anteriormente: uma que as via como resultado de imposies de representaes e resistncias contra estas e uma que as via como exibio de uma unidade construda a partir de um grupo. O autor afirma que

    Trabalhando sobre as lutas de representaes, cujo objetivo a ordenao da prpria estrutura social, a histria cultural afasta-se sem dvida de uma dependncia demasiado estrita em relao a uma histria social fadada apenas ao estudo das lutas econmicas, mas tambm faz retorno til sobre o social, j que dedica ateno s estratgias simblicas que determinam posies e relaes e que constroem, para cada classe, grupo ou meio, um ser-percebido constitutivo de sua identidade (CHARTIER, 2002, p. 73).

    Uma identidade nacional se forma atravs de um sentimento e ideia de pertencimento a uma nao. Anderson define que a nao no existe em outra instncia seno no imaginrio de uma comunidade; ela :

    uma comunidade poltica imaginada e imaginada como implicitamente limitada e soberana. Ela imaginada porque nem mesmo os membros das menores naes jamais conhecero a maioria dos seus compatriotas, nem os encontraro, nem sequer ouviro falar deles, embora na mente de cada um esteja viva a imagem de sua comunho [...] imaginada como limitada, porque at mesmo a maior delas, que abarca talvez um bilho de seres humanos, possui fronteiras finitas, ainda que elsticas, para alm das quais encontram-se as outras naes. Nenhuma nao se imagina coextensiva com a humanidade. [...] imaginada como soberana, porque o conceito