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DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEIDE DIREITO · PDF fileinteligências múltiplas (Gardner, Estruturas da mente) e da atenção (Lachaux, Le cerveau attentif), propõe-se relacionar esses

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES / AVM

PS-GRADUAO LATO SENSU

A CONTRIBUIO DA NEUROCINCIA NAS QUESTES

ATUAIS RELATIVAS AO PROCESSO DE ENSINO-

APRENDIZAGEM DAS LNGUAS ESTRANGEIRAS

Laurence Rogy

ORIENTADORA:

Profa. Dra. Marta Relvas

Rio de Janeiro

2018

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MENT

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OTEG

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PELA

LEID

E DI

REITO

AUT

ORAL

2

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES / AVM

PS-GRADUAO LATO SENSU

Apresentao de monografia AVM como requisito

parcial para obteno do grau de especialista em Neurocincia Pedaggica.

Por: Laurence Rogy

A CONTRIBUIO DA NEUROCINCIA NAS QUESTES

ATUAIS RELATIVAS AO PROCESSO DE ENSINO-

APRENDIZAGEM DAS LNGUAS

Rio de Janeiro

2018

3

AGRADECIMENTOS

A meu esposo, que releu com muita pacincia e

boa vontade esse trabalho e que me apoiou ao

longo do curso.

A meus colegas e professores do curso de ps-

graduao, em particular professora Marta

Relvas pelo apoio e motivao.

A

4

DEDICATRIA

Dedico esse trabalho a minha famlia e a minha

filha que cresceu na minha barriga durante a

redao desse trabalho.

5

RESUMO

A aprendizagem de um idioma estrangeiro consiste em um processo complexo,

j que, ao contrrio da aquisio da lngua materna, o educando passa por um

processo consciente que requer esforo e ateno. Esse trabalho foca em trs

noes principais da neurocincia para a aprendizagem, ou seja, a memria, a

emoo e a ateno, e se baseia na hiptese de que conhecer o

funcionamento do crebro permite ao professor adaptar sua aula de forma a

alcanar maior eficincia no ensino. Graas ao estudo dos vrios tipos de

memrias e do processo de memorizao, pode-se definir algumas tcnicas de

memorizao e prticas fceis de levar para a sala de aula. O conceito de

plasticidade cerebral prova que as crenas sobre a impossibilidade de aprender

um idioma passado certa idade, se revelaram errneas. Ademais, estuda-se o

papel das emoes no processo de aprendizagem, assim como a teoria das

inteligncias mltiplas, que permitem ampliar as ideias sobre o conceito de

inteligncia. Constate-se que o papel do professor est mudando: ele no

mais apenas um transmissor de saberes, mas tambm uma pessoa que sabe

identificar e gerar as emoes dos alunos, trazer tcnicas para enganchar os

alunos e criar um ambiente de prazer na aprendizagem. Finalmente, o

aprendizado no aconteceria sem que o aluno prestasse ateno aula:

conhecer as caractersticas e os mecanismos da ateno permite ao professor

controlar a distrao dos alunos.

Palavras-chave: Neurocincia. Aprendizagem. Lngua estrangeira. Memria.

Emoo. Ateno. Plasticidade cerebral.

6

METODOLOGIA

Esse trabalho parte de um estudo bibliogrfico acerca das teorias

da neurocincia e da aprendizagem de uma lngua estrangeira. A travs das

pesquisas sobre a memria (Kandel, Em busca da memria), das emoes

(Damsio, O erro de Descartes e LeDoux, O crebro emocional), das

inteligncias mltiplas (Gardner, Estruturas da mente) e da ateno (Lachaux,

Le cerveau attentif), prope-se relacionar esses fundamentos com o processo

de ensino-aprendizagem de uma lngua estrangeira, usando referncias

bibliogrficas tanto da rea da pedagogia como da neurocincia e da

psicologia.

Esses aspectos tericos sero incrementados por exemplos

prticos de recursos didticos que j foram levadas sala de aula, no mbito

do ensino do francs como lngua estrangeira numa instituio privada no

Brasil. Assim, os recursos apresentados sero analisados desde um ponto de

vista da neurocincia, no intuito de avaliar a prpria pertinncia e as possveis

adaptaes. Ademais, trata-se de sugerir outras formas de enxergar o papel do

professor e a maneira pela qual os contedos podem ser transmitidos em sala

de aula, baseando-se nos conhecimentos atuais do funcionamento do crebro,

das emoes, da ateno e da memria.

7

SUMRIO

INTRODUO 08

CAPTULO I

O funcionamento da memria durante o processo de aprendizagem de uma

lngua estrangeira 10

CAPTULO II

O papel da emoo na aprendizagem 22

CAPTULO III

Os motores da ateno na sala de aula 33

CONCLUSO 43

BIBLIOGRAFIA 45

NDICE 48

8

INTRODUO

foroso constatar que a questo do papel da neurocincia na

aprendizagem das lnguas estrangeiras est, hoje em dia, de vento em popa.

No caso do francs, um nmero recente da revista internacional dos

professores de francs (Le Franais dans le monde, maio/junho de 2018)

dedicou um dossi inteiro abordagem neurolingustica do ensino da lngua

(chamada de ANL), perspectiva que nasceu no Canad a partir de pesquisas

em neurocincia e que est se desenvolvendo em vrios pases.

Paralelamente, as ofertas em formaes em neurocincia esto se

desenvolvendo nos principais centros de ensino do francs. O prprio governo

francs acabou de criar, em 2017, um Conselho cientfico, coordenado pelo

neurocientista Stanislas Dehaene, a fim de alimentar a reflexo sobre a

estratgia do ensino na escola graas integrao das descobertas

neurocientficas recentes na rea das aprendizagens. O crescimento desta

disciplina bastante recente o trmino neurocincia apareceu nos anos 1960

e que comeou a se expandir particularmente durante a dcada dos 90,

chamada dcada do crebro, pode legitimamente trazer algumas perguntas

sobre seu papel, sua funo, seus limites, na hora de se associar com outros

campos de pesquisa, como o da pedagogia. Talvez esse receio tenha nascido

de uma exagerao ou desvio da verdade criada pela mdia e pelo marketing

atual, dando lugar ao surgimento dos chamados neuromitos, contra os quais

a neurocincia tenta lutar. Embora a neurocincia no d uma linha

pedaggica a seguir, uma metodologia chave-na-mo, incontestvel que as

mltiplas descobertas realizadas em especial graas ao avano da tecnologia

proporcionaram um conhecimento inigualvel sobre o funcionamento do

crebro e da aprendizagem. A pedagogia tem tudo a ganhar com receber a

contribuio da neurocincia, que pode oferecer respostas sobre as grandes

questes atuais, como o uso das ferramentas digitais na sala de aula, o tempo

necessrio para aprender um idioma, as novas prticas, tal como a aula

invertida, ou ainda, os mtodos para treinar o crebro.

9

O motivo deste trabalho propor um estudo cientfico que

justifique a importncia da neurocincia na evoluo das prticas de ensino das

lnguas estrangeiras, voltando aos fundamentais e focando em trs aspectos

do processo de aprendizagem, ou seja, o funcionamento da memria, o papel

da emoo e os motores da ateno. Supe-se que, tendo esses

conhecimentos em mente, o professor lograr transmitir os contedos de uma

forma mais agradvel e mais eficiente. Parte-se da ideia de que, quando a

emoo desempenha um papel importante na sala de aula, os alunos tendem a

prestar mais ateno ao que est ensinado e, por conseguinte, a memorizar

melhor os novos contedos. A final de contas, somos seres emocionais que

pensam.

10

CAPTULO I

O FUNCIONAMENTO DA MEMRIA DURANTE O

PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE UMA LNGUA

ESTRANGEIRA

A memria a base de todo saber e, tambm, de toda existncia humana, desde o nascimento. Todo o nosso

crebro funciona por meio da memria; comemos, andamos, falamos porque nos lembramos de como faz-lo.

Marta Relvas

1.1. A aprendizagem: processo e teorias

Na neurocincia, o aprendizado comumente definido como a

modificao do crebro com a experincia, ou seja, retomando as palavras de

Suzana Herculano-Houzel (2017), o crebro se modifica de uma maneira tal

que da prxima vez ele age de forma diferente, de acordo com a experincia

anterior que ele teve. A atividade bsica do sistema nervoso central consiste

na troca de sinais entre os 86 bilhes de neurnios. O crebro do beb, ao

nascer, est composto por um nmero de sinapses que vai dobrar nos

primeiros anos de vida. Esse processo gera uma exuberncia sinptica,

criando um excesso de sinapses, que representa a matria prima para o

aprendizado. Ao longo dos anos e conforme a experincia, certas conexes

sinpticas sero fortalecidas, enquanto outras conexes, consideradas como

inadequadas ou inteis, sero eliminadas. Aprender consiste ento neste

processo duplo de criao e remoo de sinapses. Embora existam certos

perodos crticos ou janelas de oportunidades para a aprendizagem, est

comprovado que a capacidade de aprender novos conceitos se d ao longo da

vida. A noo de plasticidade cerebral, ou seja, a capacidade do crebro de

reconfigurar sua arquitetura interna por meio de criao de novas sinapses a

11

qualquer idade, pe fim a noes de determinismo, fatalismo ou

desencorajamento. Como explica Marta Relvas (2009), acreditou-se durante

muitos anos que as conexes neuronais no crebro de um adulto se

co

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