Click here to load reader

ebook resposta celular ao estresse › ... pacidade de divisão celular. Hiperplasia é o aumento do número de células de um órgão ou tecido. A hiperplasia pode ser fisiológica

  • View
    1

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of ebook resposta celular ao estresse › ... pacidade de divisão celular. Hiperplasia...

  • Patologia

    Resposta celular ao estresse

  • • RESPOSTA ADAPTATIVA AO ESTRESSE

    Antes de começar a falar das respostas celulares propriamente ditas, de- vemos lembrar de um conceito importante que se chama homeostase, que é si- nônimo de equilíbrio. Quando as células encontram diante de uma situação de estresse celular, seja por um estímulo patológico ou um estresse fisiológico, a célula passa a se comportar de maneira diferente frente ao estresse, podendo se adaptar ou sofrer lesão celular. Adaptação é uma modificação morfológica e fun- cional da célula e tecidos provocadas pela ação de agentes agressores e ou es- tímulos fisiológicos. Entretanto, a partir do momento que a capacidade de res- posta adaptativa é ultrapassada, a célula passa a sofrer a lesão celular. Essa lesão celular pode ser reversível, ou seja, a célula apesar de estar submetida a um es- tresse, ela ainda é viável e, caso o estimulo pare, ela consegue voltar ao seu es- tado anterior. A partir do momento que ocorre uma ultrapassagem do ponto de não retorno, onde os danos das células já foram intenso e ela não consegue re- parar esses danos, chamamos de lesão celular irreversível. Voltando agora ao conceito de adaptação, temos 4 tipos de respostas adaptativas dentre elas: hi- pertrofia, atrofia, metaplasia e hiperplasia.

    Hipertrofia é um aumento do volume da célula e do órgão, sem aumento do número de células. A hipertrofia pode ser tanto fisiológica quanto patológica. Geralmente acontece por aumento da demanda funcional, como por exemplo o caso de um paciente hipertenso, em que o coração precisa vencer uma resistên- cia maior e por isso as células aumentam de tamanho para aumentar a sua ca- pacidade contrátil, resultando no aumento da sua parede e, portanto, na hiper- trofia ventricular. Pode ocorrer também de maneira fisiológica, no caso da gravi- dez, onde irá ocorrer devido ao estímulo estrogênico, além da hiperplasia, a hi- pertrofia do miométrio, causando aumento das células do miométrio e, portanto, aumento do tamanho do órgão para que ele consiga se adaptar ao crescimento fetal. É importante ressaltar que a hipertrofia ocorre em tecidos que não tem ca- pacidade de divisão celular.

    Hiperplasia é o aumento do número de células de um órgão ou tecido. A hiperplasia pode ser fisiológica ou patológica. Na hiperplasia fisiológica temos por exemplo a mama de uma mulher durante a gestação, essencial para produ- ção do leite, ou no próprio útero gravídico como dito anteriormente, que além da hipertrofia também sofre hiperplasia. Um outro exemplo fisiológico é um

  • paciente que perdeu muito sangue, em que haverá estímulo pela diminuição da quantidade de oxigênio para a produção de eritropoetina, que é um hormônio que na medula óssea sinaliza que há necessidade de produção de novas células do sangue, fazendo que a medula comece a proliferar. Já na hiperplasia patoló- gica, nós temos diversos exemplos e um deles é a hiperplasia prostática benigna (HPB) que ocorre quando há um estimulo androgênico que faz com que as célu- las da próstata se proliferem. Um outro caso patológico é o sangramento uterino anormal presente em mulheres que já estão na menopausa, mas que estão fa- zendo reposição hormonal apenas com estrogênio. O estrogênio estimula a hi- perplasia do endométrio e a mulher clinicamente apresenta o sangramento anor- mal.

    A metaplasia é uma alteração reversível na qual um tipo celular diferenci- ado é substituído por outro. Um exemplo clássico que temos é o esôfago de Bar- rett. É uma condição que está presente em indivíduos que tem refluxo de conte- údo estomocal para o esôfago. E o epitélio do esôfago não está adaptado para receber esse conteúdo ácido e, quando tem esse refluxo crônico, ocorre a modi- ficação do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal para um tecido mais resistente que é o epitélio colunar do tipo gástrico ou intestinal. Portanto, no esôfago de Barrett ocorre a metaplasia intestinal ou colunar, e conseguimos ver na microscopia a presença de células caliciformes. Essa metaplasia é um fator de risco para câncer de esôfago, principalmente o adenocarcinoma. O outro exem- plo muito comum é em pacientes tabagistas, uma vez que a fumaça do cigarro é muito tóxica para o epitélio da traqueia, que é um epitélio colunar ciliado. Então ocorre uma metaplasia pra aguentar o estimulo nocivo da fumaça do cigarro. O epitélio da traqueia então antes colunar ciliado vira um epitélio escamoso, ou seja, sofre um metaplasia escamosa.

    A atrofia é a redução do tamanho de um órgão ou tecido que resulta da diminuição do tamanho e do número de células. A atrofia pode ser fisiológica e patológica. Pode ser também localizada ou sistêmica, e um exemplo de atrofia localizada é quando o paciente fratura um osso da perna. Aquele membro fica imobilizado por um tempo e quando o gesso é retirado, é notável que ocorre uma diminuição do diâmetro de uma perna comparada com a outra, uma vez que como aquele membro teve sua função reduzida pela imobilização, ocorreu redu- ção do tamanho e número de células. Um exemplo de uma atrofia generalizada é um paciente com uma condição chamada de caquexia, como o paciente com

  • câncer ou doenças inflamatórias. Esses pacientes têm liberação mais exacerbada de algumas citocinas que alteram todo metabolismo e como resultado temos uma nutrição inadequada, que resulta por sua vez na atrofia. Um exemplo de atrofia patológica é na isquemia, em que ocorre diminuição do suprimento san- guíneo, então as células começam a sofrer atrofia por não haver nutrientes sufi- cientes chegando até elas. Um exemplo de atrofia fisiológica seria a redução do tamanho do útero logo após o parto.

    Voltando para o conceito de LESÃO CELULAR, existem diversas causas para lesão celular como a hipóxia (diminuição do aporte de oxigênio), a isquemia (diminuição do aporte sanguíneo). Um exemplo de lesão celular por privação de oxigênio é a intoxicação por monóxido de carbono, formando a carboxihemoglo- bina, que se liga ao oxigênio de forma muito ávida e não libera oxigênio para os tecidos, e então o paciente apesar de ter essa hemoglobina ligada ao oxigênio, os tecidos não estão sendo oxigenados e as células acabam morrendo. Agentes infecciosos como bactérias, vírus podem atuar de modo muito intenso levando tanto a reposta adaptativas, como até mesmo levar direto a lesão celular irrever- sível. Muitas vezes a própria resposta do organismo ao agente infeccioso pode causar lesão celular. Deficiências nutricionais estão muito relacionadas a res- posta celular. Fatores genéticos, como nas doenças que alteram uma via meta- bólica, fazem acúmulo de substancias dentro da célula, ou como na anemia fal- ciforme, também resultam na lesão celular.

    Na lesão celular inicialmente ocorre o declínio da função celular e nesse momento a célula ainda é viável e a lesão ainda é reversível. Depois de um tempo já começam a acontecer alterações bioquímicas, alterações ultraestruturais, ou seja, as organelas começam a se alterar, os ribossomos começam a se destacar do retículo endoplasmático rugoso, a síntese de proteínas fica prejudicada, algu- mas organelas começam a ter sua membrana alterada e tudo isso já é uma lesão celular irreversível. Essa célula vai acabar morrendo e com o passar do tempo essas lesões ultraestruturais começam a aumentar e teremos alterações na mi- croscopia óptica, conseguimos ver que a estrutura já não é mais a mesma. E como o órgão é formado por tecido e células, eventualmente essa lesão conse- gue ficar visível macroscopicamente. Um ponto importante é que às vezes algu- mas alterações bioquímicas já são capazes de determinar a morte da célula no início.

  • Mecanismos diferentes atuam na lesão celular reversível e na irreversível. Na lesão celular reversível o que acontece inicialmente é uma tumefação celular, isso ocorre devido diminuição da produção de ATP e da síntese de proteínas, e muitas bombas que mantem o equilíbrio hidroeletrolítico dentro da célula são movidas a ATP, por exemplo a bomba de sódio e potássio. Essa bomba só con- segue manter o sódio fora da célula e o potássio dentro da célula porque ela faz hidrólise do ATP. Então quando a bomba de sódio e potássio para de funcionar, o sódio segue o caminho natural dele, que é entrar na célula e onde o sódio vai, a água vai atrás, então a célula começa a ficar cheia de sódio e cheia de água. E isso faz com que a célula perca toda sua conformação e as membranas percam as vilosidades e comecem a se formar bolsas na membrana, vacúolos no cito- plasma, e isso gera danos ao citoesqueleto e DNA. Na lesão celular irreversível existem aqueles 2 principais mecanismos, a necrose e a apoptose, e eles são bem diferentes, a necrose tem tumefação celular, enquanto na apoptose existe uma retração celular, na necrose as membranas tendem a se romper, já na apo- ptose as membranas estão intactas, o que acontece na apoptose é que a célula vai se fragmentando e vão formando pequenas vesículas que chamamos de cor- pos de apoptóticos e posteriormente esses corpos apoptóticos são fagocitados por macrófagos. A apoptose pode ser tanto fisiológica quanto patológica e a ne- crose é sempre patológica, isso porque como ocorre aquela lesão nas membra- nas e a lise dos peroxissomos, dos lisossomos e libera todo aquele conteúdo en- zimático e começa a fazer a digest

Search related