Edição Pedagógica 2014 - Julho

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  • EDITORIALChegamos ao ms de agosto e com ele os desafios para o segundo

    semestre escolar que no so poucos. No obstante, teremos um semestre cheio, marcado por um calendrio intenso de atividades que envolve Conferncia de Educao nos dia 1 e 2 de agosto, debate com os candidatos ao governo do estado em 19 de agosto, a mobilizao pelo dia 30 de agosto dia de luto e luta pela educao pblica do Paran, o plebiscito popular por constituinte exclusiva soberana do sistema poltico de 1 a 7 setembro, eleies para direo do sindicato em 10 de setembro, eleies para o governo e deputados em outubro e eleies para direo de escola entre outubro e novembro.

    Um calendrio intenso e extenso, marcado pela afirmao de uma pauta poltica e de disputas em que concepes de educao e de Estado estaro em cena. No podemos ficar distantes destas reflexes. Ao contrrio, elas exigem nosso empenho e mobilizao em defesas da escola pblica que queremos.

    O 30 de agosto Edio Pedaggica quer contribuir com esse cenrio que se anuncia, trazendo textos e provocaes para enriquecer o debate nas escolas durante este semestre.

    Um dos textos que constam desta Edio Especial trata da Conferncia de Educao, que contar com a com a participao de cerca de 1200 trabalhadores/as da educao, que debatero as propostas educacionais que serviro de pauta para o debate com os candidatos ao governo do estado que seguir a Conferncia. Com o ttulo A VI Conferncia Estadual da APP-Sindicato e a Educao que Queremos nosso atual Presidente escreve-nos sobre a importncia da Conferncia como instrumento de conscincia de classe e conscincia sobre a ao pedaggica, como um importante instrumento para diminuir as distncias entre o que pensamos e a forma pela qual agimos.

    A reflexo sobre a ao pedaggica que se prope nas Conferncias tambm uma preocupao apontada no artigo Mediao e Prxis na Atividade Educativa. Entendemos que este momento exige de todos/as uma maior conscincia terico-prtica. No por menos que o programa de formao poltico-sindical tratou em sua primeira etapa da Prxis, no s conceitualmente mas como mtodo de anlise e de compreenso da

    realidade e de modificao dos sujeitos que participam dos processos humanizadores gerados por uma concepo educacional emancipatria.

    guisa de refletir sobre a prtica pedaggica, um terceiro artigo aborda a funo educativa que dos/as funcionrios/as de escola. Com o ttulo Os Funcionrios/as de Escola e a atividade Pedaggica o autor nos prope um interessante debate acerca da invisibilidade pedaggica e dos papeis desempenhados pelos/as funcionrios/as de escolas. Esta invisibilidade se d a partir da diviso tcnica do trabalho que separa o fazer do pensar o homo faber do homo sapiens, e atravessa o interior das escolas burocratizando processos e pessoas e que exige, para sua superao, o reconhecimento e valorizao do trabalho pedaggico desempenhado pelos/as funcionrios/as de escola por todos/as, inclusive pelos/as prprios funcionrios/as que muitas vezes no se reconhecem como educadores/as.

    Por ltimo, e no menos importante, pela excepcionalidade, apresentamos um artigo que trata do PNE, recm-aprovado no Congresso e sancionado em 26 de junho pela Presidenta Dilma. Sob o ttulo PNE: Avanos, Crticas e Desafios para o Cenrio Educacional Brasileiro, o artigo traz consideraes dos limites e possibilidades que esto presentes no texto aprovado e convoca-nos a acompanhar os desdobramentos que se seguiro ao PNE, como o estabelecimento da Lei dos Sistemas de Ensino e do Plano Estadual de Educao bem como, acompanharmos e monitorarmos o cumprimento das metas e estratgias definidas no novo Plano.

    Como se v, a Edio Pedaggica deste ms de julho provoca-nos, a partir da reflexo terico-prtica, a reafirmarmos nossa certeza num projeto de escola emancipador. Projetos estaro em disputas principalmente nas eleies para o governo e devemos estar preparados para saber distinguir entre aqueles que se baseiam numa perspectiva liberal de educao e aqueles que se propem construo de uma proposta educacional comprometida com a classe trabalhadora.

    Bom semestre a todos/as!Direo Estadual da APP-Sindicato

    Especial Edio Pedaggica02 Jornal 30 de Agosto

  • Especial Edio Pedaggica 03Jornal 30 de Agosto

    A VI CONFERNCIA ESTADUAL DA APP-SINDICATO E A EDUCAO PBLICA QUE QUEREMOS

    Quando assumiu em 2011, o governo Beto Richa previa em seu plano de governo para a educao2, dentre outras aes, a diminuio do nmero de estudantes em sala de aula, a construo de mais escolas com a garantia de docentes desde o primeiro dia de aula, trazer 200 mil jovens que no frequentam o ensino mdio para a sala de aula, equiparar o salrio dos professores/as e funcionrios/as com o dos agentes profissionais do estado e para isso, incorporar o auxlio-transporte e garantir um aumento de 26%, viabilizar recursos para investimento na rede fsica da educao infantil para universalizar a demanda de 4 e 5 anos antes do prazo constitucional, ensino integral em 500 escolas estaduais das regies com menor IDH, ofertar atividades como msica, artes, esportes e reforo escolar na prpria escola, ampliar a qualidade da educao de nvel mdio e tcnico, ampliar a oferta de magistrio em nvel mdio, expandir a oferta do ensino mdio diurno e a criao de bolsa-auxlio destinada aos alunos para combater a evaso.

    Passados mais de trs anos, perceptvel que aquilo que se previa no se confirmou. As propostas viraram fumaa e se perderam no ar. O que se assistiu foram aes que vo cada vez mais na direo da privatizao, do intervencionismo, da precarizao das condies de trabalho, do desmonte pedaggico e de uma busca por resultados centrados na pedagogia das planilhas.

    Em outros momentos e aqui mesmo no 30 de Agosto, temos chamado ateno que este um governo de vis neoliberal, com a clara tendncia de desvalorizao e desqualificao do servio pblico, na busca de otimizar recursos e da gesto por resultados, em que as aes sociais so sempre vistas como ponto fora da curva e como obstculos para o desenvolvimento produtivo do Brasil.

    Contrapor-se a essa poltica tem sido, desde o primeiro momento que este governo se instalou, uma constante da APP-Sindicato. Nossas aes sempre foram no sentido de explicitar as contradies deste governo bem como apresentar uma proposta educacional para a classe trabalhadora, no no sentido da conformao lgica do mercado, mas na perspectiva da superao, de instalao de um novo modelo de Estado, mais democrtico, social e no excludente, em que o humano esteja acima do mercado.

    No foi por menos que passamos o ano de 2013 refletindo em nossa escola de formao as vrias concepes de Estado e defendendo um Estado Democrtico Popular, que aprofunde as mudanas com vistas superao da excluso social. Neste ano estamos empenhados, conjuntamente com outros sindicatos, partidos e movimento social, pela realizao do plebiscito da reforma poltica, que tem impacto direto na forma de organizao do Estado brasileiro.

    neste conjunto de aes, de um lado contrapor-se as polticas neoliberais, da educao privatizada, do desmonte pedaggico, da

    Hermes Silva Leo1

    1 Presidente interino da APP-Sindicato e Secretrio de Organizao.1 http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1142619#sss5

    fundamental diminuir a distncia entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira

    que num dado momento a tua fala seja a tua prtica (Paulo Freire)

    pedagogia das planilhas, dos acordos escusos entre governo e empresas, da meritocracia, da competncia e da competitividade: e, de outro lado, posicionar-se a respeito do aprofundamento das conquistas sociais dos ltimos 10 anos no Brasil, de um Estado e por conseguinte de uma educao no sentido de superao das desigualdades sociais que so histricas, que pautamos a VI Conferncia Estadual da APP-Sindicato.

    O papel das Conferncias na construo das propostas de uma Educao Pblica

    As conferncias de carter pblico e abrangente, como a que nos propomos fazer, so importantes instrumentos de participao na construo de propostas educacionais dos trabalhadores e trabalhadoras da educao que pautam nossa instituio e que proporemos ao prximo governo.

    Tem-se assim, a partir da participao dos/as trabalhadores/as um duplo movimento de tomada de conscincia: (i) conscincia sobre a atividade pedaggica e seus desdobramentos, uma vez que discutiremos a gesto democrtica, o financiamento, a valorizao profissional, os nveis e modalidades de ensino, a incluso e diversidades sociais, questes pedaggicas, educacionais e da carreira dos profissionais da educao; e (ii) conscincia de classe, na medida em que debateremos e estabeleceremos consensos, e o resultado final uma proposta do conjunto dos trabalhadores/as da educao pblica do estado do Paran, um instrumento da classe trabalhadora para educao pblica do Paran.

    Este processo de participao, que envolve uma multiplicidade de

    Continua >>>

    Coordenao geral da VI Conferncia de Educao da APP-Sindicato (Walkiria Mazeto, Silvana Prestes, Janeslei Albuquerque, Elizamara Goulart)

  • Especial Edio Pedaggica04 Jornal 30 de Agosto

    pessoas e diversidade de ideias advindas da pluralidade dos participantes nas etapas regionais e etapa estadual e de suas defesas pblicas de propostas e argumentos, que produziro os consensos que comporo o Caderno de Resolues da Conferncia.

    Entendemos que a participao social e uma gesto democrtica esto vinculadas a uma concepo de educao, e os debates que aconteceram nas Conferncias regionais e estadual reafirmaro nossas defesas histricas: da educao pblica como um direito social e que seja gratuita, democrtica, inclusiva, laica e de qualidade socialmente referenciada para todos/as; da laicidade do ensino; da regulamentao de forma cooperativa e colaborativa das atribuies que so de competncia especfica de cada ente federado; da construo do Sistema Nacional de Ensino com o papel de artic