Fichamento do Livro - Hermenêutica - Robert Palmer

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Introduo (pp. 13 22). Sobre a definio, mbito e significado da hermenutica. Primeira Parte. PALMER, Richard E. Hermenutica. Traduo de Maria Lusa Ribeiro Ferreira. Lisboa: Edies 70, 2006. Hermenutica uma palavra que cada vez mais se ouve nos crculos teolgicos, filosficos e mesmo literrios (p.15). Mas o termo no uma palavra usual quer na filosofia quer na crtica literria; e mesmo em teologia o seu uso aparece muitas vezes num sentido restrito que contrasta com seu uso largamente feito na nova hermenutica teolgica contempornea. Da colocar-se frequentemente a questo: que

hermenutica? O Webster Third New International Dictionary define-a como: o estudo dos princpios metodolgicos de interpretao e de explicao; hermeutica especfica: o estudo dos princpios gerais de interpretao bblica . (p.16). ... no h por enquanto em ingls nenhum tratamento completo de hermenutica enquanto disciplina geral, no teleolgica (p.16). O presente trabalho pretende ir ao encontro desta necessidade. Dar-se- ao leitor uma ideia da fluidez da hermenutica e dos problemas complexos que se ligam sua definio (p.16). ... o objetivo de explorar a hermenutica subordina -se neste livro a uma outra finalidade: delinear a matriz das razes no mbito dos quais os tericos literrios americanos podero significativamente retomar a questo da interpretao, num nvel filosfico anterior a todas as consideraes de aplicao a tcnicas de anlise literria (p.16). ... a finalidade deste livro apelar para que a interpretao literria americana reexplore num contexto fenomenolgico a pergunta: o que interpretao? Por fim, este estudo aponta uma orientao especfica para o problema: a abordagem fenomenolgica. V na hermenutica fenomenolgica, contra outras formas, o contexto mais adequado para a questo a ser explorada (pp. 16-17). A percepo que cada um tem da obra considerada separadamente da1

prpria obra, e a interpretao literria tem como tarefa falar da ... a obra em si mesma com os seus prprios poderes e a sua dinmica (p.17). A fenomenologia uma orientao do pensamento europeu que submeteu as concepes realistas da percepo e da interpretao a uma crtica radical (p.17). O texto de uma obra literria tende a ser encarado como um objeto um . O texto analisado numa total separao relativamente a qualquer sujeito percepcionante, e a considerada como sendo virtualmente sinnima de (p.18). Mesmo a recente aproximao com a crtica social, numa espcie de formalismo iluminado, apenas alarga a definio de objeto, incluindo na anlise o seu contexto social (p.18). Esquecemos que a obra literria no um objeto manipulvel,

completamente nossa disposio; uma voz humana que vem do passado, uma voz qual temos de certo modo que dar vida. O dilogo, e no a dissecao, abre o universo da obra literria (p.18). Contudo, as obras literrias sero consideradas mais perfeitamente no enquanto objetos de anlise, mas como textos que falam, criados por seres humanos (p.19). A tarefa da interpretao e o significado da compreenso so diferentes (uma mais indefinvel, outra mais histrica) no que respeita a uma obra e no que respeita a um . Um sempre selado com um toque humano; a prpria palavra o sugere, porque uma obra sempre a obra de um homem ou de Deus. Por outro lado, um pode ser uma obra ou um objeto natural (p.19). A crtica literria precisa de procurar um ou especificamente adequados decifrao da marca humana numa obra, ao seu . Este processo de , esta

do significado de uma obra, o ponto central da hermenutica. A hermenutica o estudo da compreenso, essencialmente a tarefa de compreender textos. As cincias da natureza tm mtodos para compreender objetos naturais; as precisam de uma hermenutica,2

de uma da compreenso adequada a obras enquanto obras. (p.19). O campo da hermenutica nasceu como esforo para descrever estes ltimos modos de compreenso, mais especificamente e, (p.19). ... A hermenutica chega sua dimenso mais autntica quando deixa de ser um conjunto de artifcios e de tcnicas de explicao de texto e quando tenta ver o problema hermenutico dentro do horizonte de uma avaliao geral da prpria interpretao. Deste modo, implica dois plos de ateno, diferentes e inter atuantes: 1) o fato de compreender um texto; 2) a questo mais englobante do que compreender e interpretar. (pp.19-20). Um dos elementos essenciais para uma teoria hermenutica adequada e, consequentemente, para um teoria adequada da interpretao literria, uma concepo da prpria interpretao suficientemente lata... O cientista chama a anlise que faz dos dados; o crtico literrio chama interpretao a anlise que faz de uma obra (p.20). A interpretao , portanto, talvez, o ato essencial do pensamento humano, na verdade, o prprio fato de existir pode ser considerado como um processo constante de interpretao (p.20). claro que h uma interpretao constante a muitos nveis lingusticos, tecidos pela convivncia humana. Joaquim Wach diz-nos que podemos conceber a existncia humana sem linguagem, mas no a podemos conceber sem uma compreenso mtua de um homem para outro ou seja, no a podemos conceber sem interpretao. No entanto, a existncia humana tal como a conhecemos implica sempre a linguagem e, assim, qualquer teoria sobre interpretao humana tem que lidar com o fenmeno da linguagem (p.20). A linguagem molda a viso do homem e o seu pensamento prpria viso que tem da realidade moldada pela linguagem (p.21). A interpretao , portanto, um fenmeno complexo e universal (p.21). A compreenso simultaneamente um fenmeno epistemolgico e ontolgico (p.21).3

simultaneamente a concepo que ele tem de si mesmo e do seu mundo... A

... compreender uma obra literria no uma espcie de conhecimento cientfico que foge da existncia para um mundo de conceitos; um encontro histrico que apela para a experincia pessoal de quem est no mundo (p.21). A hermenutica o estudo deste ltimo tipo de conhecimento. Pretende juntar duas reas da teoria da compreenso: o tema daquilo que est envolvido no fato de compreender um texto e o tema do que a prpria compreenso, no seu sentido mais fundante e (p.21).

Hermeneuein e Hermeneia (pp. 23 41). Sobre a definio, mbito e significado da hermenutica. Primeira Parte. PALMER, Richard E. Hermenutica. Traduo de Maria Lusa Ribeiro Ferreira. Lisboa: Edies 70, 2006. As razes da palavra hermenutica residem no verbo grego hermeneuein, usualmente traduzido por , e no substantivo hermeneia, (p.23).4

As vrias formas da palavra sugerem o processo de trazer uma situao ou uma coisa, da inteligibilidade compreenso (p.24). Assim, levada at a raiz grega mais antiga, a origem das atuais palavras e sugere o processo de , especialmente enquanto tal processo envolve a linguagem, visto ser a linguagem o meio por excelncia neste processo (p.24). Este processo de tornar compreensvel ... est implcito nas trs vertent es bsicas patentes no significado de hermeneuein e hermeneia, no seu antigo uso. As trs orientaes, usando a forma verbal (hermneein) para fins exemplificativos, significam: 1) exprimir em voz alta, ou seja, ; 2) explicar, como quando se explica uma situao, e 3) traduzir, como na traduo de uma lngua estrangeira. (p.24). Os trs significados podem ser expressos pelo verbo portugus

, e no entanto, cada um representa um sentido independente e relevante do termo interpretao. A interpretao pode, pois, referir-se a trs usos bastante diferentes: uma recitao oral, uma explicao racional e uma traduo de outra lngua (pp.24-25). A tarefa da interpretao dever ser tornar algo que pouco familiar, distante e obscuro em algo real, prximo e inteligvel (p.25). Examinemos, pois, cada um deles no que se respeita ao seu significado na interpretao literria e teleolgica (p.25). A primeira orientao fundamental do sentido de hermeneuein , ou (p.25). Ainda dentro desta primeira orientao significativa, h um matiz vagamente diferente, sugerido pela frase , que ainda mantm um sentido de , mas que um dizer que em si prprio interpretao. Por esta razo, somos orientados pelo modo como uma coisa se exprime o , de uma . Usamos este cambiante da palavra quando nos referimos interpretao que um artista faz de uma cano ou que um maestro faz de uma sinfonia. Neste sentido, a interpretao uma forma de dizer (p.26). Os poderes da linguagem falada deveriam recordar-nos um importante fenmeno: a franqueza da linguagem escrita. A linguagem escrita no tem a5

primordial da palavra falada (p.26). A interpretao oral no uma resposta passiva aos signos no papel, maneira de um fongrafo que toca um disco; um tema criativo, uma , semelhante de um pianista que interpreta uma pea musical (p.27). ... Aquele que reproduz tem de chegar ao sentido das palavras, de modo a exprimir, mesmo que seja uma s frase. Mas como se passa essa misteriosa apreenso de sentido? O processo um paradoxo confuso: para lermos algo torna-se necessrio compreender previamente o que vai ser dito e, porm, esta compreenso dever vir da leitura (p.27). ... a interpretao oral tem duas vertentes: necessrio compreender algo para o podermos exprimir e, no entanto, a prpria compreenso vem a partir de uma leitura-expresso interpretativa (p.27). ... o leitor fornece a de acordo com a sua compreenso do texto. A tarefa da interpretao oral no de modo algum uma mera tcnica que exprima um sentido totalmente copiado; uma tarefa filosfica e analtica e nunca pode divorciar-se do problema da compreenso, especialmente o da compreenso da linguagem, intrnseco a toda a . este problema que constitui o tema da hermenutica (p.28). Tomemos isto como princpio: Toda a leitura silenciosa de u m texto literrio uma forma disfarada de interpretao oral. E os princpios de compreenso que se aplicam numa boa interpretao oral tambm se aplicam interpretao literria como um todo (p.28). A esta luz, a Nova Crtica sem dvida que concorda ria que uma crtica verdadeira, , a que se orienta para uma leitura oral mais adequada do prprio texto, de modo a que o texto possa e