FLORESTAN FERNANDES (1920-1995) .Cardoso, Octavio Ianni, Florestan Fernandes [UNESCO], Marvin Harris,

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FLORESTAN

FERNANDES (1920-1995)

Professor: Elson Junior

Santo Antnio de Pdua, outubro de 2018

Desigualdades raciais no Brasil

Roberto Borges Martins (*)

(*) Presidente do IPEA. Os dados referentes atualidade brasileira so parte do projeto

Desigualdades raciais no Brasil, em desenvolvimento no IPEA, sob a coordenao de

Ricardo Henriques

Quando algum prende uma corrente no

pescoo de um escravo, a outra ponta dessa

corrente se enrosca no seu prprio pescoo

Ralph Waldo Emerson. Compensations

Fundamento Histrico Na origem das extremas desigualdades raciais observadas no Brasil

est o fato bvio de que os africanos e muitos dos seus descendentes

foram incorporados sociedade brasileira na condio de escravos.

A chamada escravido moderna foi uma das formas mais radicais de

excluso econmica e social j inventadas pelo homem.

As desigualdades entre as raas observadas no Brasil de hoje nada

mais so, portanto, que o resultado cumulativo das desvantagens

iniciais transmitidas atravs das geraes.

As polticas de ao afirmativa ou discriminao positiva so

instrumentos de que a sociedade dispe para compensar essas

desvantagens impostas s vtimas da escravido e seus descendentes,

com o objetivo de coloc-los na mesma condio competitiva que os

outros segmentos da sociedade.

Numa linguagem bem direta, pode-se dizer que se trata apenas de

pagar os atrasados ou de recuperar o tempo perdido.

Tratar desigualmente os desiguais para promover a igualdade

A segunda maior nao escravista da era moderna

O ltimo pas do mundo ocidental a abolir a escravido (1888)

O penltimo pas da Amrica a abolir o trfico de escravos (1850)

O maior importador de toda a histria do trfico atlntico

O Brasil tem hoje

A segunda maior populao negra (afrodescendente) do mundo, com

cerca de 80 milhes de indivduos, s sendo superado pela Nigria

O Brasil foi

Cronologia da abolio da escravido na Amrica

Saint Domingue (Haiti) 1804

Chile 1823

Provncias Unidas da Amrica Central 1824

Mxico 1829

Uruguai 1842

Colnias suecas 1847

Colnias dinamarquesas 1848

Colnias francesas 1848

Bolvia 1851

Colmbia 1851

Equador 1852

Argentina 1853

Venezuela 1854

Peru 1855

Colnias holandesas 1863

Estados Unidos 1863

Porto Rico 1873

Cuba 1886

Brasil 1888

Destino 1451-1600 1601-1700 1701-1810 1811-1870 Total

Estados Unidos 0 0 376 51 427

Amrica Espanhola 75 293 579 606 1.552

Caribe Britnico 0 264 1.401 0 1.665

Caribe Francs 0 156 1.320 96 1.572

Caribe Holands e Dinamarqus 0 44 484 0 528

Europa e Ilhas Atlnticas 150 25 0 0 175

Brasil 50 560 1.891 1.145 3.647

Total 275 1.341 6.052 1.898 9.566

Fonte : Philip D. Curtin. The Atlantic Slave Trade. A Census (1969), p. 88

Trfico atlntico de escravos, 1451- 1870 (milhares de pessoas)

38

16

17

16

47

Brasil

Caribe Francs

Caribe Britnico

Amrica Espanhola

EUAOutros

Distribuio percentual do Trfico Atlntico, por local de destino, 1451-1870

Disseminao da propriedade de escravos

Suporte social e tico do regime

A propriedade de escravos era amplamente disseminada na sociedade brasileira

(muito mais que nos Estados Unidos ou no Caribe)

Durante quase 4 sculos o regime escravista contou com uma ampla base de

sustentao social, ideolgica, poltica e religiosa. A Igreja Catlica nunca

combateu a escravido negra

No havia clivagens regionais, como nos EUA : a escravido era aceita e

praticada em todo o territrio brasileiro

No censo do Imprio (1872) havia escravos em todos os 643 municpios

brasileiros

Ao contrrio da lenda perpetuada pela literatura abolicionista, a sociedade no

rejeitava ticamente a escravido

Ter escravos ou traficar com escravos no era vergonhoso, nem estigmatizante,

mas sim um sinal de status, de riqueza e de prestgio. A maior parte dos grandes

traficantes e dos grandes proprietrios recebeu ttulos de nobreza do Imprio

At depois da Guerra do Paraguai quase no se encontra nenhuma oposio ao

regime servil na literatura, na imprensa, na jurisprudncia ou no parlamento

O movimento abolicionista, quando surgiu, foi inteiramente secular - a Igreja

Catlica no participou dele

Possuam escravos tanto o grande fazendeiro, o grande

minerador, o grande comerciante, o general e o bispo, como

o pequeno lavrador, o faiscador, o pequeno funcionrio,

o tropeiro, o arteso, o vendeiro e o cura da aldeia

Mas tambm tinham cativos o sacristo, a viva pobre, o

negro e o mulato forros, e at alguns escravos

O governo tinha cativos (os escravos da nao), assim

como as ordens religiosas, os conventos e a famlia imperial

As companhias mineradoras inglesas tinham muitos

no Gongo Soco encontramos negros batizados como Otello,

Byron e Macbeth,alm de inmeras Pollys, Mollys e Peggies

Em Minas Gerais, em 1831, 34% dos domiclios possua

escravos (dois teros destes tinham de 1 a 5 indivduos)

Em 1862, encontramos cativos em 25% dos fogos mineiros

Em 1828, 25% dos domiclios paulistas possuam escravos

Em 1998, 30% dos domiclios brasileiros tinham telefone

Em 1997, 24% dos domiclios mineiros tinham automvel

Populao Populao Populao Populao Populao %

Livre afro Escrava Total afro No-afro Total Afrodescendente

Crte 71.418 48.939 120.357 154.615 274.972 43,8

Rio Grande do Sul 84.992 69.685 154.677 292.285 446.962 34,6

Maranho 170.615 75.272 245.887 114.753 360.640 68,2

So Paulo 207.517 156.612 364.129 473.225 837.354 43,5

Rio de Janeiro 187.251 306.425 493.676 325.928 819.604 60,2

Pernambuco 449.115 89.028 538.143 303.396 841.539 63,9

Bahia 837.816 167.824 1.005.640 373.976 1.379.616 72,9

Minas Gerais 830.255 381.893 1.212.148 890.541 2.102.689 57,6

Demais provncias 1.487.083 250.202 1.737.285 1.310.400 3.047.685 57,0

Brasil 4.326.063 1.545.880 5.871.943 4.239.118 10.111.061 58,1

Fonte : Recenseamento Geral do Imprio do Brasil (1872) (Dados corrigidos pela DGE)

Brasil : Caractersticas da populao no Recenseamento do Imprio, 1872

Brancos Pretos e Pardos Total % Afro

Minas Gerais 1.292.716 1.891.383 3.184.099 59,4

Bahia 491.336 1.428.466 1.919.802 74,4

Pernambuco 423.900 606.324 1.030.224 58,9

So Paulo 873.423 511.330 1.384.753 36,9

Rio de Janeiro 376.661 500.223 876.884 57,0

Cear 358.619 447.068 805.687 55,5

Alagoas 158.927 352.513 511.440 68,9

Demais Estados 2.326.616 2.294.710 4.621.326 49,7

Brasil 6.302.198 8.032.017 14.334.215 56,0

Fonte : Recenseamento do Brasil, 1890

Brasil : Populao por cor, 1890

Pretos e Pardos Indgenas Outros Total (1) % Afro % Indgena

Bahia 9.390.270 16.030 2.408.569 11.814.869 79,5 0,14

So Paulo 8.025.592 13.166 23.340.455 31.379.213 25,6 0,04

Minas Gerais 7.599.242 6.112 8.104.328 15.709.682 48,4 0,04

Rio de Janeiro 5.676.677 8.957 7.038.782 12.724.416 44,6 0,07

Pernambuco 4.750.122 10.578 2.357.474 7.118.174 66,7 0,15

Cear 4.478.578 2.692 1.871.226 6.352.496 70,5 0,04

Maranho 3.878.951 15.673 1.019.687 4.914.311 78,9 0,32

Par 3.859.348 16.134 1.051.675 4.927.157 78,3 0,33

Outros Estados 21.992.411 204.793 29.143.390 51.340.594 42,8 0,40

Brasil 69.651.191 294.135 76.335.586 146.280.912 47,6 0,20

Fonte : IBGE, Recenseamento do Brasil, 1991

Nota : No h declarao de cor para 534.895 indivduos.

Brasil : Populao por cor, 1991

Pretos e Pardos Indgenas Outros Total (1) % Afro % Indgena

Bahia 10.093.894 29.780 2.902.497 13.026.171 77,5 0,23

So Paulo 9.626.584 26.940 26.287.808 35.941.332 26,8 0,07

Minas Gerais 8.164.656 11.463 9.165.602 17.341.721 47,1 0,07

Rio de Janeiro 5.286.723 2.337 8.547.758 13.836.818 38,2 0,02

Pernambuco 4.876.897 3.836 2.713.444 7.594.177 64,2 0,05

Cear 4.811.455 611 2.316.496 7.128.562 67,5 0,01

Maranho 4.076.339 3.296 1.351.219 5.430.854 75,1 0,06

Par 2.379.879 5.920 812.528 3.198.327 74,4 0,19

Outros Estados 23.372.004 177.557 33.287.557 56.837.118 41,1 0,31

Brasil 72.688.431 261.740 87.384.909 160.335.080 45,3 0,16

Fonte : IBGE, PNAD 1999

Brasil : Populao por cor, 1999