Fuso horário- 2

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  • Edilson Alves de Carvalho

    Paulo Csar de Arajo

    Leituras Cartogrficas e Interpretaes Estatsticas ID I S C I P L I N A

    Os fusos horrios e sua importncia no mundo atual

    Autores

    aula

    10

  • Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasICopyright 2008 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorizao expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da UEPB - Universidade Estadual da Paraba.

    Governo Federal

    Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da Silva

    Ministro da EducaoFernando Haddad

    Secretrio de Educao a Distncia SEEDCarlos Eduardo Bielschowsky

    Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    ReitorJos Ivonildo do Rgo

    Vice-Reitorangela Maria Paiva Cruz

    Secretria de Educao a DistnciaVera Lcia do Amaral

    Universidade Estadual da Paraba

    ReitoraMarlene Alves Sousa Luna

    Vice-ReitorAldo Bezerra Maciel

    Coordenadora Institucional de Programas Especiais - CIPEEliane de Moura Silva

    Carvalho, Edilson Alves de. Leituras cartogrficas e interpretaes estatsticas I : geografia / Edilson Alves de Carvalho, Paulo Csar de Arajo. Natal, RN : EDUFRN, c2008. 248 p.

    1. Cartografia Histria. 2. Cartografia Conceito. 3. Cartografia Utilizao. 4. Dados estatsticos. 5. Simbolismo cartogrfico. I Arajo, Paulo Csar de. II. Ttulo.

    ISBN: CDD 912 RN/UF/BCZM 2008/38 CDU 912

    Diviso de Servios Tcnicos

    Catalogao da publicao na Fonte. UFRN/Biblioteca Central Zila Mamede

    Coordenadora da Produo dos MateriaisMarta Maria Castanho Almeida Pernambuco

    Coordenador de EdioAry Sergio Braga Olinisky

    Projeto GrficoIvana Lima (UFRN)

    Revisores de Estrutura e LinguagemEugenio Tavares Borges (UFRN)Janio Gustavo Barbosa (UFRN)Thalyta Mabel Nobre Barbosa (UFRN)

    Revisora das Normas da ABNT

    Vernica Pinheiro da Silva (UFRN)

    Revisoras de Lngua Portuguesa

    Janaina Tomaz Capistrano (UFRN)Sandra Cristinne Xavier da Cmara (UFRN)

    Revisor Tcnico

    Leonardo Chagas da Silva (UFRN)

    Revisora TipogrficaNouraide Queiroz (UFRN)

    IlustradoraCarolina Costa (UFRN)

    Editorao de ImagensAdauto Harley (UFRN)Carolina Costa (UFRN)

    Diagramadores

    Bruno de Souza Melo (UFRN)Dimetrius de Carvalho Ferreira (UFRN)

    Ivana Lima (UFRN)Johann Jean Evangelista de Melo (UFRN)

  • Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI 1

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    Copyright 2008 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorizao expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da UEPB - Universidade Estadual da Paraba.

    Apresentao

    A Cartografia uma rea do conhecimento que, desde as suas origens e no seu longo processo de sistematizao, vem incorporando saberes de outras reas cientficas, com o propsito de representar o espao. Uma das reas relacionadas a Astronomia que, entre outros ensinamentos, nos auxilia na compreenso da situao do planeta Terra no contexto do Sistema Solar, seus movimentos e as conseqncias destes na nossa vida cotidiana.

    O conhecimento da noo de fusos horrios nos dias atuais tem uma importncia fundamental para a compreenso das mltiplas relaes entre os diferentes e distantes lugares de um mundo cada vez menor. O professor de Geografia, talvez mais que qualquer outro profissional, tem a obrigao de conhecer essa realidade e auxiliar os seus alunos a compreenderem essa relao espao/tempo e, assim, entenderem melhor o mundo em vivemos.

    Esta aula um convite para conhecer uma genial e til inveno dos homens: os fusos horrios.

    ObjetivosCompreender o movimento de rotao da Terra e a passagem das horas.

    Entender o funcionamento dos fusos horrios.

    Identificar os fusos horrios brasileiros.

    Explicar o funcionamento do horrio de vero.

  • Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI2 Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI

    Por que estudar fusos horrios?

    Imaginemos uma regio onde todas as cidades, povoados, distritos e os espaos entre eles tenham horas diferentes. Certamente, nessa regio, o funcionamento das atividades comerciais, os horrios dos trens, dos nibus e dos avies, a hora de almoo, o incio e o trmino de um dia, assim como o horrio das aulas de professores que ensinem em duas cidades diferentes e tudo o que se refere passagem das horas seria simplesmente um caos.

    Uma situao como essa s no aconteceu no passado, antes de se estabelecer uma ordem para a determinao geogrfica das horas de um dia, porque a populao do mundo era muito pequena e tambm porque as atividades econmicas no eram dinmicas e a mobilidade da populao entre os lugares, precria. Esse assunto, mais relacionado com a Astronomia, foi absorvido pela Geografia, em funo da influncia que exerce sobre a vida das pessoas, especialmente, aps o surgimento da ferrovia, do telgrafo e da aviao.

    No entanto, nos anos setenta do sculo XX, no contexto do movimento de renovao da Geografia, o tema fusos horrios era tratado como conhecimento intil e alienante; e os que davam ateno a ele eram taxados de gegrafos tradicionais. O tempo passa, o mundo muda e eis que entramos no sculo XXI com a vida inteiramente transformada e, como no poderamos imaginar, os conhecimentos tericos e prticos sobre os fusos horrios ganham uma enorme importncia, em virtude da rapidez extraordinria com que circulam no mundo as pessoas, as mercadorias e principalmente as informaes.

    O que fuso horrio?

    Antes de querermos responder indagao acima, vamos historiar um pouco sobre a origem do sistema de fusos horrios. Desde os egpcios, a preocupao com a contagem das horas parte do nosso cotidiano. At meados do sculo XIX, no havia um referencial nico para a determinao das horas. Cada lugar estabelecia uma hora a ser respeitada pelos seus habitantes e certamente pelos seus visitantes, o que provavelmente causava embarao e desconforto. A hora de uma localidade era acertada ao meio-dia, momento em que o sol estivesse a pino, ou seja, iluminando perpendicularmente o meridiano que passava naquela localidade.

    O descompasso provocado era grande, mas, com o advento da ferrovia essa situao ficou ainda pior. Como meio de transporte, o trem no era to rpido, mas tinha a possibilidade de percorrer grandes distncias e a locomoo das pessoas entre lugares com horas bem diferentes tornou-se comum. Nos Estados Unidos, onde as ferrovias atravessavam longos

  • Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI 3

    percursos no sentido Oeste-Leste, chegou-se a ter cerca de 300 horas oficiais diferentes ao longo das estradas de ferro.

    Na Gr-Bretanha, a preocupao no era menor e na dcada de 1830 os ingleses estabeleceram uma nica hora legal para o pas, medida pelo Observatrio Real de Greenwich, que fora construdo em 1675 por ordem do Rei Charles II. O sistema ingls era fundamentado em eventos astronmicos, sendo o principal deles o movimento de rotao da Terra. Na dcada de 1840, foi estabelecido o Greenwich Mean Time (GMT) Tempo Mdio de Greenwich como tentativa de uniformizar a hora em toda a Gr-Bretanha. No entanto, a adeso ao horrio de Londres no foi imediata, somente aos poucos as companhias frreas passaram a adot-lo, de forma que em 1855 a maior parte da Inglaterra j vivia em funo desse horrio.

    Tempo Universal Coordenado (UTC)

    Com o advento das novas tecnologias, em especial dos relgios atmicos altamente precisos, foi reconhecido que a definio da hora baseada na rotao da Terra (tal como era feita pelo GMT) era inadequada. Paralelamente, em 1967 houve uma redefinio do segundo (http://physics.nist.gov/cuu/Units/second.html) com a preciso de cerca de um nanossegundo - a frmula anterior apresentava flutuaes de alguns milsimos de segundo por dia. As vrias tentativas de relacionar a nova definio do segundo com a hora GMT eram altamente insatisfatrias.

    Por isso, foi criada uma nova escala horria e a 1 de janeiro de 1972 foi oficializada uma nova hora universal: Universal Time Coordinated (UTC), ou seja, o Tempo Universal Coordenado (http://aa.usno.navy.mil/faq/docs/UT.html). Por vezes, ainda se ouve falar em hora GMT. Este um termo desatualizado e por isso incorreto. Dever-se-, em vez disso, usar o termo UT (abreviado), esse, sim, o termo oficial e correto.

    Fonte: Histria... (2002).

    Somente em 1878, o canadense Sir Sanford Fleming (1827-1915), engenheiro chefe das ferrovias do Canad, aps estudar o movimento de rotao da Terra, sugeriu que tal sistema de zonas de tempo fosse adotado no mundo inteiro a partir do meridiano que passava pelo Observatrio de Greenwich e props a diviso do planeta em 24 faixas ou fusos, cada uma correspondendo a uma hora.

    O Primeiro Meridiano uma linha imaginria que liga o Plo Norte ao Plo Sul. Greenwich uma cidade inglesa localizada nas margens do Rio Tmisa, onde se localiza o

  • Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI4 Aula 10 LeiturasCartogrficaseInterpretaesEstatsticasI

    Observatrio Real de Greenwich. Nesse Observatrio, o principal telescpio era chamado de The Primary Transit. O meridiano que passava sobre esse instrumento foi adotado como o meridiano de referncia para a Gr-Bretanha.

    Figura 1 - Viso panormica do Observatrio Real de Greenwich

    Figura 2 - Viso aproximada do Observatrio Real de Greenwich

    Figura 3 - Local onde fica o primeiro meridiano

  • Meridiano deGreenwich

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    1 35 1 3 5