Click here to load reader

H. P. Blavatsky - Ísis sem Véu - 7. Os Elementos, os Elementais e os Elementares

  • View
    325

  • Download
    12

Embed Size (px)

Text of H. P. Blavatsky - Ísis sem Véu - 7. Os Elementos, os Elementais e os Elementares

HELENA P. BLAVATSKY

SIS SEM VUOS ELEMENTOS, OS ELEMENTAIS E OS ELEMENTARESVOLUME IUNIVERSALISMO

7. OS ELEMENTOS, OS ELEMENTAIS E OS ELEMENTARES tu, Grande Causa Primeira, a menos compreendida. POPE, Universal Prayer, 5. Donde vem esta doce esperana, este desejo profundo, Este anelo pela imortalidade? Donde vem este medo secreto, este horror ntimo De cair no nada? Por que se retrai a alma E estremece diante da destruio? a divindade que se agita em ns; o cu que aponta o nosso futuro E anuncia a eternidade ao homem. ETERNIDADE! Pensamento doce e horrvel! ADDISON. Existe um outro mundo, e melhor. KOTZEBUE, The Stranger.

Depois de termos concedido tanto espao s opinies conflitantes de nossos homens de Cincia a respeito de certos fenmenos ocultos de nossa poca, j tempo de darmos ateno s especulaes dos alquimistas medievais e de outros homens ilustres. Quase sem exceo, os eruditos antigos e medievais acreditavam nas doutrinas arcanas da sabedoria. Estas incluam a Alquimia, a Cabala caldaico-judia, os sistemas esotricos de Pitgoras e dos antigos magos, e os dos ltimos filsofos e teurgistas platnicos. Propomo-nos, tambm, nas pginas subsequentes, tratar dos ginosofistas indianos e dos astrlogos caldeus. No devemos esquecer de mostrar as grandes verdades que jazem sob as religies malcompreendidas do passado. Os quatro elementos de nossos pais, terra, ar, gua e fogo, contm para o estudante da Alquimia e da antiga Psicologia ou, como agora chamada, magia muitas coisas com que nossa filosofia jamais sonhou. No devemos esquecer que o que agora chamado de Necromancia pela Igreja, e Espiritismo pelos crentes modernos, e que inclui a evocao de espritos mortos, uma cincia que, desde a remota Antiguidade, se difundiu quase universalmente pela superfcie de nosso globo.

ATRAO E REPULSO UNIVERSAL EM TODOS OS REINOS DA NATUREZA Embora no sendo nem alquimista nem astrlogo, mas simplesmente um grande filsofo, Henry More, da universidade de Cambridge, um homem de renome universal, pode ser considerado um arguto lgico, cientista e metafsico. Durante toda a vida ele acreditou firmemente na feitiaria. Sua f na imortalidade e os hbeis argumentos na demonstrao da sobrevivncia do esprito do homem aps a morte baseiam-se no sistema pitagrico, adotado por Cardan, Van Helmont e outros msticos. O esprito infinito e incriado que chamamos comumente de DEUS, substncia da mais elevada virtude e excelncia, produziu todas as coisas pela causalidade emanativa. Deus, portanto, a substncia primria, e tudo o mais, a secundria; se Deus criou a matria com o poder de mover-se a si prpria, ele, a substncia primria ainda a causa desse movimento, tanto quanto da matria, e podemos dizer acertadamente que a matria que se move a si prpria. Podemos definir esta espcie de esprito de que falamos como uma substncia indiscernvel, que pode mover-se, que pode penetrar-se, contrair-se e dilatar-se, e que tambm pode penetrar, mover e alterar a matria1, que a terceira emanao. Ele acreditava firmemente nas aparies, e defendia intransigentemente a teoria da individualidade de toda alma, em que personalidade, memria e conscincia continuaro seguramente num estado futuro. Ele dividia o corpo astral do homem, aps a sua sada do corpo, em dois veculos distintos: o areo e o etreo. Durante o tempo em que o homem desencarnado se move em suas vestes areas, est sujeito ao Destino i. e., ao mal e tentao, vinculado aos seus interesses terrestres, e por isso no totalmente puro; apenas quando abandona esta roupagem das primeiras esferas e se torna etreo que ele se apresenta seguro de sua imortalidade. Pois que sombra pode esse corpo projetar que seja uma luz pura e transparente, tal como o o veculo etreo? E assim que se cumpriu o orculo, quando a alma ascendeu quela condio de que j, falamos, na qual s ela est fora do alcance do destino e da mortalidade2. Ele concluiu sua obra declarando que esta condio transcendente e divinamente pura era o nico objetivo dos pitagricos.1. An Antidote Against Atheism, 1653, I, iv. 2. [Henry More, The Immortality of the Soule, 1659, III, cap. XIX, p. 548.]

Quanto aos cticos de sua poca, sua linguagem severa e desdenhosa. Falando de Scot, Adie e Webster, ele os designa como nossos novos santos inspirados (...) advogados inspirados das feiticeiras, que tola e temerariamente, contra o bom senso e a razo, contra toda a Antiguidade, todos os intrpretes e contra as prprias Escrituras, no querem admitir nenhum Samuel cena, mas sim um cmplice velhaco! Se na Escritura, ou nestes bufes inflados de

ignorncia, vaidade e estpida infidelidade, em quem acreditar, deixo o julgamento a cada um, acrescenta ele3.3. Glanvill, Sadducismus Triumphatus, p. 48; carta de H. More ao seu autor, 25 de maio de 1678.

Que linguagem teria empregado este eminente ministro contra os nossos cticos do sculo XIX? Descartes, embora um cultor da matria, era um dos mais devotados mestres da doutrina magntica e, num certo sentido, at mesmo da Alquimia. Seu sistema filosfico assemelha-se bastante ao de outros grandes filsofos. O espao que infinito, composto, ou antes preenchido, por uma matria fluida e elementar, e a nica fonte de toda a vida, que enfeixa todos os globos celestiais e os mantm em perptuo movimento. As correntes magnticas de Mesmer so por ele disfaradas nos vrtices cartesianos, e ambos repousam no mesmo princpio. Ennemoser no hesita em afirmar que ambos tm mais em comum do que as pessoas imaginam, pois no examinaram cuidadosamente o assunto4.4. The History of Magic, vol. II, p. 272.

O renomado filsofo Gabriel Naud foi o mais ardente defensor das doutrinas do Magnetismo oculto e um de seus primeiros propagadores5, em 1679. A filosofia mgico-teosfica amplamente defendida em suas obras.5. Apologie pour tours les grands personnages qui on t faussement souponns de magie, Haia, 1679.

O bem-conhecido Dr. Hufeland escreveu uma obra sobre Magia6, em que prope a teoria da simpatia magntica universal entre homens, animais, plantas e mesmo minerais. Ele confirma o testemunho de Campanella, Van Helmont e Srvio, no que se refere simpatia existente tanto entre as diferentes partes do corpo quanto entre as partes de todos os corpos orgnicos e inorgnicos.6. ber die Sympathie, etc., Berlim, 1817.

Tal era tambm a doutrina de Sebastian Wirdig. Ela pode ser encontrada em suas obras, exposta com muito mais clareza, lgica e vigor do que nas obras de outros autores msticos que trataram do mesmo assunto. Em seu famoso tratado, The New Spiritual Medicine, ele demonstra, no terreno do fato ento reconhecido da atrao e repulso universal atualmente chamado de gravitao , que toda Natureza dotada de alma. Wirdig chama esta simpatia magntica de acordo entre os espritos. Tudo se dirige ao seu

semelhante, e converge para as naturezas que lhe so congnitas. Dessa simpatia e antipatia surge um movimento constante no mundo todo, e em todas as suas partes, e uma comunho ininterrupta entre o cu e a Terra, que produz a harmonia universal. Tudo vive e morre pelo magnetismo; uma coisa afeta a outra, mesmo a grande distncia, e os seus congneres podem ser influenciados para a sade ou para a doena pelo poder desta simpatia, a qualquer tempo, e no obstante o espao que as separa7. Hufeland, diz Ennemoser, fala de um nariz que tinha sido extirpado das costas de um carregador e que, quando o carregador morreu, morreu tambm e desprendeuse da posio artificial. Um pedao do couro cabeludo, acrescenta Hufeland, retirado de uma cabea viva, engrisalha ao mesmo tempo que a cabea da qual foi extrado8.7. Nova medicina spiritum, 1673. 8. The History of Magic, vol. II, p. 271.

Kepler precursor de Newton em muitas grandes verdades, inclusive na da gravitao universal, que ele corretissimamente atribuiu atrao magntica, embora chame a Astrologia de a filha insana de uma me muito sbia, a Astronomia partilha da crena cabalstica de que os espritos dos astros no passam de inteligncias. Ele acredita firmemente em que cada planeta a sede de um princpio inteligente e que todos so habitados por seres espirituais, que exercem influncia sobre outros seres que habitam esferas mais grosseiras e materiais do que a sua prpria e especialmente sobre a nossa Terra9. Como as influncias estelares espirituais de Kepler foram suplantadas pelos vrtices do materialista Descartes, cujas tendncias atestas no o impediram de acreditar que havia descoberto um regime que prolongaria sua vida por mais de quinhentos anos, os vrtices deste ltimo e as suas doutrinas astronmicas podero algum dia dar lugar s correntes magnticas inteligentes que so dirigidas pela anima mundi.9. Seria intil e muito trabalhoso fazer aqui a defesa da teoria de Kepler sobre a relao entre as cinco figuras regulares da Geometria e as magnitudes das rbitas dos cinco principais planetas, ridicularizada pelo Prof. Draper em seu Conflict. Muitas so as teorias dos antigos s quais as descobertas modernas fizeram justia. De resto, devemos dar tempo ao tempo.

Baptista Porta, o sbio filsofo italiano, no obstante seus esforos para mostrar ao mundo a falta de fundamento das acusaes de que a Magia superstio e feitiaria, tem sido tratado pelos crticos modernos com a mesma injustia que os seus colegas. Este clebre alquimista deixou uma obra sobre Magia Natural, em que baseia todos os fenmenos ocultos possveis ao homem na alma do mundo que une todas as coisas entre si. Ele mostra que a luz astral age em harmonia e simpatia com toda a Natureza; que ela a essncia da qual os nossos espritos so formados; e que, agindo em unssono

com a sua fonte-me, nossos corpos siderais se tornaram capazes de produzir maravilhas mgicas. Todo o segredo depende de nosso conhecimento dos elementos afins. Ele acreditava na pedra filosofal, da qual o mundo tinha uma to alta opinio que foi alardeada durante tantos sculos e afortunadamente alcanada por alguns. Finalmente, ele emite muitas sugestes valiosas