Investigacao Criminal

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Excelente apostila sobre investigação criminal. Serve para agentes de polícia, investigadores de um modo geral e ao público que quer conhecer mais sobre o assunto. Este material é de livre distribuição e foi produzido pela SENASP

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    Prezado(a), seja bem-vindo(a) ao curso de Investigao Criminal.

    Veja a seguir a apresentao do tema proposto e os objetivos esperados para seu melhor aproveita-mento. Paraexplicarafinalidadedeinvestigaocriminal,diantedoatualEstadoDemocrticodeDireito,jnomaissuficientesuaideiacomomecanismodeproduodaprovadeumcrime. Mais do que produzir provas de um crime, os integrantes da equipe de investigao criminal pos-suem responsabilidade social, pois so atores sociais que possuem, por fora constitucional, o poder/dever derealizaraatividade investigativa,edeproduzir,pormeiodeumaeficientepersecuocriminal,a toalmejada justia.

    Tenha em mente A investigao criminal um evento nico, indivisvel, que tem incio com a notitia criminis, e en-cerramento, com o trnsito em julgado da sentena penal (ou ainda, segundo alguns doutrinadores, no se encerra,poisaqualquermomentopoderocorrerarevisocriminal),cujosucessodepende,almdeoutrosfatores,donveldeinteraoexistenteentreosprofissionaisqueintegramasinstituiesdeseguranap-blica, pois a partir da observao inicial deles, em especial nos locais de crime, que os primeiros elementos probatrios sero detectados. A idoneidade de um local de crime, por contemplar, mesmo que implicitamente, grande parte das respostasnecessriasparaareconstruodeumdelito,exigirdoprofissionaldeseguranapblicaconhe-cimento tcnico que o habilite a:

    Adotar as primeiras providncias de proteo e isolamento. Efetivarasmedidaspreservacionistas,aobtenodedadoseinformaesquesubsidiaroainvesti-gao preliminar.

    Issopossibilitaraconstruodasprimeirashiptesesparaaexplicaododelitoe,consequente-mente, com o seguimento da investigao, o desenvolvimento de um planejamento operacional capaz de testar,comeficincia,aslinhasinvestigativaseleitas.

    Para que a atividade investigativa obtenha xito, no se pode mais ver o crime apenas como um fato pretrito,esttico,massimcomoalgodinmico,cujomodusoperandiultrapassou,emuito,asimplicidadedos antigos batedores de carteira e dos pequenos golpistas. Hoje, com base nos avanos tecnolgicos, na globalizao e na facilidade de comunicao, existe umacomplexaredederelaes,aqualbuscaobter,pelosmeiosquesefizeremnecessrios,omaiorvolumepossvel de vantagens ilcitas. Atente-se para o fato de que o grau de complexidade das condutas perpetradas por essas novas organizaescriminosas,estruturadasevoltadasprticadecrimes,muitasdelassobomantodeumafa-laciosalegalidadeesobaproteo(ouparticipaodireta)deprofissionaispblicosepolticos,exigedosintegrantes das equipes de investigao o conhecimento e a utilizao de tcnicas especiais de investigao, e mais, requer tambm uma efetiva e eficaz interaoentreosprofissionaisdeseguranapblicanabusca

    APRESENTAO

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    dedadoseinformaesqualificados,capazesdefazeraflorarelementosdeprovaardilosamenteocultados. Nessediapaso,ratificandoaimpossibilidadedeconteraaodessasorganizaescriminosasapenascomautilizaodetcnicasconvencionais,aOrganizaodasNaesUnidas,pormeiodaConveno das Na-es Unidas contra o Crime Organizado Transnacional(Decreton5.015/04)eaConveno das Naes Unidas contra a Corrupo(Decreton5.687/06),propequeosEstados-partes,entreelesoBrasil,utilizemtcnicas especiais de investigao como: Mormente a entrega vigiada; Ainfiltrao; A vigilncia eletrnica; Aquebradesigilofiscalebancrio; A interceptao telefnica.

    Essastcnicastmafinalidadededetectar,confirmar,preveniroureprimiratividadescriminosasdis-persadas e dissimuladas entre atividades aparentemente lcitas.Assim,nohdvidasdequeoprocessodedesenvolvimentodainvestigaocriminal(antesbaseadonoempirismoenaintuio)correspondeaodesencadeamentoparaaproduodoconhecimentocientfico,poistalcomoumapesquisacientfica,movidoporumraciocniolgicoeordenado,sendoele: Iniciadoapsaeclosodaprticadelitiva(problema); Passandopelaobtenodedadose informaespreliminares (elementosobjetivose subjetivos),osquais

    levaroproduodehiptesestestveisque,almdeexplicarosfatosquecompemofenmenoinvestigado,per-

    mitiroaproduodeconcluses;

    E,aofinal,deumateoriaaqual irmuniciaro julgadordeelementosprobatriosquefundamentarosua

    deciso.

    Esseprocessodeproduoedevalorizaodoconhecimento,porforadesuanaturezaexplora-tria,dconotaobidimensionalinvestigaocriminal,issoaoproteger e limitar direitos, criando uma conexodosfundamentosconstitucionaisdecidadaniaederespeitodignidadedapessoahumanacomaproduo de provas.

    Todavia, essa busca incessante pelo esclarecimento da autoria e da materialidade de delitos no algodesenfreadoesemlimites,pelocontrrio,paraqueoselementosobjetivosesubjetivosproduzidosdurante a investigao preliminar e de seguimento possuam valor probatrio, necessariamente devem estar alicerados em princpios, dentre os quais podemos destacar: A legalidade; A moralidade; A probidade; A impessoalidade; Aeficincia.

    Essariquezadetemas,porsua amplitude e complexidade,serabordadanocursodeInvestigaoCriminal em duas unidades,cadaumacom60horas,sendoaprimeirafocadaemcontedostericos,ease-gunda,prticos,todosligadosinvestigaocriminal,eparaquehajaumasequncialgicanoaprendizado,asegundaunidadetercomorequisitoaconclusodaprimeira. Vivacomemooestecurso.Reflitasobreostemasabordados.Promovanovaspesquisaseapliqueessesconhecimentos,comentusiasmoerespeito,aosdesafiosdoofciodeapurarinfraespenais.

    Excelentesestudos!

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    Objetivos do curso Este curso criar condies para que voc possa: Compreender a concepo de segurana pblica como tutora de direitos e garantias fundamentais, instrumento de defesa da cidadania; Definirinvestigaocriminalesuasfinalidadescomoprocessocientfico; Listar sistemas de investigao criminal e as modalidades segundo o momento de sua execuo; Listar os princpios constitucionais que regem a investigao criminal sob o aspecto normativo, rela-cionando-os com os princpios operacionais e os atos que controlam a investigao criminal DescreverosvaloresfundamentaisdaConstituiodaRepblicaFederativadoBrasilgarantidoresdorespeitodignidadedoinvestigado; Aplicar as normas legais de controle da efetividade da busca de elementos objetivos e subjetivos pela investigao criminal; Formularoproblemaemumainvestigaocriminal; Elaboraretestarhiptesesindicativasdascircunstnciaseautoriadeumcrime; Listarosatributoseasatitudesexigidasaoprofissionaldainvestigaocriminalparasuperarafrag-mentao da investigao criminal; Demonstrarcomoseprocessaainterdisciplinaridadenainvestigaocriminal; Definirprovaecompreenderapropostadoutrinriadoscuidadosaseremtomadosparavalorizaoda prova; Aplicar a ordem lgica da investigao criminal para demonstrar a credibilidade e validade das infor-maesquecompemaprova.

    Estrutura do CursoBuscandodarefetividadeaosobjetivoscitados,apresenteunidadesercompostadeoitomdulos,cujaestrutura a seguinte:

    Mdulo 1 - A investigao criminal como instrumento de defesa da cidadania Mdulo 2 - Investigao criminal: aspectos conceituais Mdulo 3 - Investigao criminal: princpios fundamentais Mdulo4-Fundamentolegaldainvestigaocriminal Mdulo5-Algicaaplicadainvestigaocriminal Mdulo6-Perfilprofissionaldointegrantedaequipedeinvestigao Mdulo7-Ainterdisciplinaridadedainvestigaocriminal Mdulo8-ValorizaodaProva Concluso RefernciasBibliogrficas

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    Apresentao do mdulo

    Seja bem-vindo(a) ao Mdulo: A investigao criminal como instrumento de defesa da cidadania. Nelevocirestudararelaoentreapolciacidadeainvestigaocriminal. AconcepodeseguranapblicacomoaparatorepressordoEstado,porforadasoberaniapopu-lar,materializadanaCartaMagnade1988,foisuperadaehojeintegraumadaspginasviradasdahistria. Para saber mais sobre a Carta Magna de 1988, acesse o link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Anovaordem jurdicaconstitucional instaladaem1988chanceloue fezprosperaradenominadapolcia cidad, protetora e defensora de direitos e garantias fundamentais, depositando na investigao criminal uma responsabilidade que ultrapassa a produo de elementos objetivos e subjetivos capazes de fundamentar o indiciamento do autor e subsidiar a promoo da ao penal, pois dela o dever deproteoemanutenodoEstadoDemocrticodeDireitoe,consequentemente,doexerccioplenodacidadania.

    Ento,vocirestudareentenderessanovarealidade!Preparado?Vamosl! Objetivos do mdulo Aofinaldestemdulo,vocsercapazde: Compreender a concepo de segurana pblica como tutora de direitos e garantias fundamen-tais; Reconhecer a investigao criminal como instrumento de defesa da cidadania; Identificarosprincpiosfundamentaisdesustentaodademocraciabrasileira.

    Polcia cidad e a investigao criminal

    Opactopolticofirmadoem1988pelasociedadebrasileirafoinosentidodeformarumEstadoDe-mocrticodeDireitoaliceradona soberania, na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e no pluralismo poltico, pois o que se buscava era a construo de uma sociedade: Livre; Justa; Pluralista; Solidria; Sem preconceitos.

    MDULO

    1A INVESTIGAO CRIMINAL COMO INSTRUMENTO DE DEFESA DA CIDADANIA

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    Eprotetoradosdireitos: Civis; Polticos; Sociais; Culturais; Econmicos.

    Paragarantiressanovasociedadequeaflorava,frutolegtimoeincontestveldasoberaniapopular,jnoerasuficienteaantigaconcepodeseguranapblicacomoaparatorepressordoEstado. Exigia-se,ento,diantedanovaordemjurdicaconstitucionalinstalada,queasinstituiespoliciaisestivessem vocacionadas a proteger e defender direitos e garantias, surgindo, assim, a denominada polcia cidad.

    Todavia, essa nova percepo de segurana pblica como instrumento de defesa da cidadania exige das instituies policiais a utilizao de tcnicas e mtodos que, embasados nos princpios e limites constitucionais, sejam capazes de obter justia e paz social sem que qualquer abuso ou arbitrariedade seja cometido. Considerando que as atividades de segurana pblica devem tutelar a integralidade da cidadania, asinstituiespoliciais,comoparteefetiv