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  • LEI COMPLEMENTAR 116, DE 11/01/2011 - TEXTO ORIGINAL

    Dispe sobre a preveno e a punio do assdio moral na

    administrao pblica estadual.

    O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS,

    O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, promulgo a

    seguinte Lei:

    Art. 1 A prtica do assdio moral por agente pblico, no mbito da administrao direta e indireta de

    qualquer dos Poderes do Estado, ser prevenida e punida na forma desta Lei Complementar.

    Art. 2 Considera-se agente pblico, para os efeitos desta Lei Complementar, todo aquele que exerce

    mandato poltico, emprego pblico, cargo pblico civil ou funo pblica, ainda que transitoriamente ou sem

    remunerao, por eleio, nomeao, designao ou sob amparo de contrato administrativo ou qualquer outra

    forma de investidura ou vnculo, no mbito da administrao pblica.

    Art. 3 Considera-se assdio moral, para os efeitos desta Lei Complementar, a conduta de agente

    pblico que tenha por objetivo ou efeito degradar as condies de trabalho de outro agente pblico, atentar contra

    seus direitos ou sua dignidade, comprometer sua sade fsica ou mental ou seu desenvolvimento profissional.

    1 Constituem modalidades de assdio moral:

    I desqualificar, reiteradamente, por meio de palavras, gestos ou atitudes, a autoestima, a segurana ou

    a imagem de agente pblico, valendo-se de posio hierrquica ou funcional superior, equivalente ou inferior;

    II desrespeitar limitao individual de agente pblico, decorrente de doena fsica ou psquica,

    atribuindo-lhe atividade incompatvel com suas necessidades especiais;

    III preterir o agente pblico, em quaisquer escolhas, em funo de raa, sexo, nacionalidade, cor,

    idade, religio, posio social, preferncia ou orientao poltica, sexual ou filosfica;

    IV atribuir, de modo frequente, ao agente pblico, funo incompatvel com sua formao acadmica

    ou tcnica especializada ou que dependa de treinamento;

    V isolar ou incentivar o isolamento de agente pblico, privando-o de informaes, treinamentos

    necessrios ao desenvolvimento de suas funes ou do convvio com seus colegas;

    VI manifestar-se jocosamente em detrimento da imagem de agente pblico, submetendo-o a situao

    vexatria, ou fomentar boatos inidneos e comentrios maliciosos;

    VII subestimar, em pblico, as aptides e competncias de agente pblico;

    VIII manifestar publicamente desdm ou desprezo por agente pblico ou pelo produto de seu trabalho;

    IX relegar intencionalmente o agente pblico ao ostracismo;

    X apresentar, como suas, ideias, propostas, projetos ou quaisquer trabalhos de outro agente pblico;

  • XI (Vetado)

    XII (Vetado)

    XIII (Vetado)

    XIV valer-se de cargo ou funo comissionada para induzir ou persuadir agente pblico a praticar ato

    ilegal ou deixar de praticar ato determinado em lei.

    2 Nenhum agente pblico pode ser punido, posto disposio ou ser alvo de medida discriminatria,

    direta ou indireta, notadamente em matria de remunerao, formao, lotao ou promoo, por haver-se

    recusado a ceder prtica de assdio moral ou por hav-la, em qualquer circunstncia, testemunhado.

    3 Nenhuma medida discriminatria concernente a recrutamento, formao, lotao, disciplina ou

    promoo pode ser tomada em relao a agente pblico levando-se em considerao:

    I o fato de o agente pblico haver pleiteado administrativa ou judicialmente medidas que visem a fazer

    cessar a prtica de assdio moral;

    II o fato de o agente pblico haver-se recusado prtica de qualquer ato administrativo em funo de

    comprovado assdio moral.

    Art. 4 O assdio moral, conforme a gravidade da falta, ser punido com:

    I repreenso;

    II suspenso;

    III demisso.

    1 Na aplicao das penas de que trata o caput, sero consideradas a extenso do dano e as

    reincidncias.

    2 Os atos praticados sob domnio de assdio moral podero ser anulados quando comprovadamente

    viciados.

    3 Havendo indcios de que empregado pblico sob regime de direito privado, lotado em rgo ou

    entidade da administrao pblica diversos de seu empregador, tenha praticado assdio moral ou dele tenha sido

    alvo, a auditoria setorial, seccional ou a corregedoria de cada rgo ou entidade dar cincia, no prazo de quinze

    dias, ao empregador, para apurao e punio cabveis.

    Art. 5 O ocupante de cargo de provimento em comisso ou funo gratificada que cometer assdio

    moral sujeita-se perda do cargo ou da funo e proibio de ocupar cargo em comisso ou funo gratificada

    na administrao pblica estadual por cinco anos.

    Art. 6 A prtica de assdio moral ser apurada por meio do devido processo administrativo disciplinar,

    garantida a ampla defesa, nos termos do art. 218 e seguintes da Lei n 869, de 5 de julho de 1952, ou conforme

    legislao especial aplicvel.

    Art. 7 A pretenso punitiva administrativa do assdio moral prescreve nos seguintes prazos:

    I dois anos, para as penas de repreenso e de suspenso;

    II cinco anos, para a pena de demisso.

  • Art. 8 A responsabilidade administrativa pela prtica de assdio moral independe das responsabilidades

    cvel e criminal.

    Art. 9 A administrao pblica tomar medidas preventivas para combater o assdio moral, com a

    participao de representantes das entidades sindicais ou associativas dos servidores do rgo ou da entidade.

    Pargrafo nico. Para fins do disposto no caput, sero adotadas as seguintes medidas, sem prejuzo de

    outras que se fizerem necessrias:

    I promoo de cursos de formao e treinamento visando difuso das medidas preventivas e

    extino de prticas inadequadas;

    II promoo de debates e palestras, produo de cartilhas e material grfico para conscientizao;

    III acompanhamento de informaes estatsticas sobre licenas mdicas concedidas em funo de

    patologia associada ao assdio moral, para identificar setores, rgos ou entidades nos quais haja indcios da

    prtica de assdio moral.

    Art. 10. Os dirigentes dos rgos e entidades da administrao pblica criaro, nos termos do

    regulamento, comisses de conciliao, com representantes da administrao e das entidades sindicais ou

    associativas representativas da categoria, para buscar solues no contenciosas para os casos de assdio

    moral.

    Art. 11. O Estado providenciar, na forma do regulamento, acompanhamento psicolgico para os

    sujeitos passivos de assdio moral, bem como para os sujeitos ativos, em caso de necessidade.

    Art. 12. (Vetado)

    Art. 13. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicao.

    Palcio Tiradentes, em Belo Horizonte, aos 11 de janeiro de 2011; 223 da Inconfidncia Mineira e 190

    da Independncia do Brasil.

    ANTONIO AUGUSTO JUNHO ANASTASIA

    Danilo de Castro

    Maria Coeli Simes Pires

    Renata Maria Paes de Vilhena