Lei Complementar 75 93

  • View
    789

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • 1. Presidncia da RepblicaSubchefia para Assuntos Jurdicos LEI COMPLEMENTAR N 75, DE 20 DE MAIO DE 1993Dispe sobre a organizao, as atribuies e o estatuto do Ministrio Pblico da Unio. O PRESIDENTE DA REPBLICA Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei complementar:O CONGRESSO NACIONAL decreta: TTULO I Das Disposies Gerais CAPTULO IDa Definio, dos Princpios e das Funes InstitucionaisArt. 1 O Ministrio Pblico da Unio, organizado por esta lei Complementar, instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico, dos interesses sociais e dos interesses individuais indisponveis.Art. 2 Incumbem ao Ministrio Pblico as medidas necessrias para garantir o respeito dos Poderes Pblicos e dos servios de relevncia pblica aos direitos assegurados pela Constituio Federal. Art. 3 O Ministrio Pblico da Unio exercer o controle externo da atividade policial tendo em vista:a) o respeito aos fundamentos do Estado Democrtico de Direito, aos objetivos fundamentais da Repblica Federativa do Brasil, aos princpios informadores das relaes internacionais, bem como aos direitos assegurados na Constituio Federal e na lei; b) a preservao da ordem pblica, da incolumidade das pessoas e do patrimnio pblico;c) a preveno e a correo de ilegalidade ou de abuso de poder; d) a indisponibilidade da persecuo penal; e) a competncia dos rgos incumbidos da segurana pblica. Art. 4 So princpios institucionais do Ministrio Pblico da Unio a unidade, a indivisibilidade e a independncia funcional. Art. 5 So funes institucionais do Ministrio Pblico da Unio:I - a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico, dos interesses sociais e dos interesses individuais indisponveis, considerados, dentre outros, os seguintes fundamentos e princpios:

2. a) a soberania e a representatividade popular;b) os direitos polticos;c) os objetivos fundamentais da Repblica Federativa do Brasil;d) a indissolubilidade da Unio;e) a independncia e a harmonia dos Poderes da Unio;f) a autonomia dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios;g) as vedaes impostas Unio, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municpios; h) a legalidade, a impessoalidade, a moralidade e a publicidade, relativas administrao pblica direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da Unio;II - zelar pela observncia dos princpios constitucionais relativos: a) ao sistema tributrio, s limitaes do poder de tributar, repartio do poder impositivo e das receitas tributrias e aos direitos do contribuinte;b) s finanas pblicas; c) atividade econmica, poltica urbana, agrcola, fundiria e de reforma agrria e ao sistema financeiro nacional;d) seguridade social, educao, cultura e ao desporto, cincia e tecnologia, comunicao social e ao meio ambiente;e) segurana pblica;III - a defesa dos seguintes bens e interesses:a) o patrimnio nacional;b) o patrimnio pblico e social;c) o patrimnio cultural brasileiro;d) o meio ambiente;e) os direitos e interesses coletivos, especialmente das comunidades indgenas, da famlia, da criana, do adolescente e do idoso; IV - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Pblicos da Unio, dos servios de relevncia pblica e dos meios de comunicao social aos princpios, garantias, condies, direitos, deveres e vedaes previstos na Constituio Federal e na lei, relativos comunicao social; V - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Pblicos da Unio e dos servios de relevncia pblica quanto:a) aos direitos assegurados na Constituio Federal relativos s aes e aos servios de sade e educao; 3. b) aos princpios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade; VI - exercer outras funes previstas na Constituio Federal e na lei. 1 Os rgos do Ministrio Pblico da Unio devem zelar pela observncia dos princpios e competncias da Instituio, bem como pelo livre exerccio de suas funes. 2 Somente a lei poder especificar as funes atribudas pela Constituio Federal e por esta Lei Complementar ao Ministrio Pblico da Unio, observados os princpios e normas nelas estabelecidos. CAPTULO IIDos Instrumentos de Atuao Art. 6 Compete ao Ministrio Pblico da Unio: I - promover a ao direta de inconstitucionalidade e o respectivo pedido de medida cautelar; II - promover a ao direta de inconstitucionalidade por omisso;III - promover a argio de descumprimento de preceito fundamental decorrente da Constituio Federal; IV - promover a representao para interveno federal nos Estados e no Distrito Federal; V - promover, privativamente, a ao penal pblica, na forma da lei; VI - impetrar habeas corpus e mandado de segurana; VII - promover o inqurito civil e a ao civil pblica para: a) a proteo dos direitos constitucionais;b) a proteo do patrimnio pblico e social, do meio ambiente, dos bens e direitos de valor artstico, esttico, histrico, turstico e paisagstico; c) a proteo dos interesses individuais indisponveis, difusos e coletivos, relativos s comunidades indgenas, famlia, criana, ao adolescente, ao idoso, s minorias tnicas e ao consumidor; d) outros interesses individuais indisponveis, homogneos, sociais, difusos e coletivos;VIII - promover outras aes, nelas includo o mandado de injuno sempre que a falta de norma regulamentadora torne invivel o exerccio dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes nacionalidade, soberania e cidadania, quando difusos os interesses a serem protegidos; IX - promover ao visando ao cancelamento de naturalizao, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; X - promover a responsabilidade dos executores ou agentes do estado de defesa ou do estado de stio, pelos ilcitos cometidos no perodo de sua durao;XI - defender judicialmente os direitos e interesses das populaes indgenas, includos os relativos s terras por elas tradicionalmente habitadas, propondo as aes cabveis; 4. XII - propor ao civil coletiva para defesa de interesses individuais homogneos;XIII - propor aes de responsabilidade do fornecedor de produtos e servios; XIV - promover outras aes necessrias ao exerccio de suas funes institucionais, em defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis, especialmente quanto:a) ao Estado de Direito e s instituies democrticas;b) ordem econmica e financeira;c) ordem social;d) ao patrimnio cultural brasileiro;e) manifestao de pensamento, de criao, de expresso ou de informao;f) probidade administrativa;g) ao meio ambiente; XV - manifestar-se em qualquer fase dos processos, acolhendo solicitao do juiz ou por sua iniciativa, quando entender existente interesse em causa que justifique a interveno;XVI - (Vetado);XVII - propor as aes cabveis para:a) perda ou suspenso de direitos polticos, nos casos previstos na Constituio Federal; b) declarao de nulidade de atos ou contratos geradores do endividamento externo da Unio, de suas autarquias, fundaes e demais entidades controladas pelo Poder Pblico Federal, ou com repercusso direta ou indireta em suas finanas;c) dissoluo compulsria de associaes, inclusive de partidos polticos, nos casos previstos na Constituio Federal;d) cancelamento de concesso ou de permisso, nos casos previstos na Constituio Federal;e) declarao de nulidade de clusula contratual que contrarie direito do consumidor;XVIII - representar;a) ao rgo judicial competente para quebra de sigilo da correspondncia e das comunicaes telegrficas, de dados e das comunicaes telefnicas, para fins de investigao criminal ou instruo processual penal, bem como manifestar-se sobre representao a ele dirigida para os mesmos fins; b) ao Congresso Nacional, visando ao exerccio das competncias deste ou de qualquer de suas Casas ou comisses;c) ao Tribunal de Contas da Unio, visando ao exerccio das competncias deste; 5. d) ao rgo judicial competente, visando aplicao de penalidade por infraes cometidas contra as normas de proteo infncia e juventude, sem prejuzo da promoo da responsabilidade civil e penal do infrator, quando cabvel; XIX - promover a responsabilidade: a) da autoridade competente, pelo no exerccio das incumbncias, constitucional e legalmente impostas ao Poder Pblico da Unio, em defesa do meio ambiente, de sua preservao e de sua recuperao; b) de pessoas fsicas ou jurdicas, em razo da prtica de atividade lesiva ao meio ambiente, tendo em vista a aplicao de sanes penais e a reparao dos danos causados; XX - expedir recomendaes, visando melhoria dos servios pblicos e de relevncia pblica, bem como ao respeito, aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, fixando prazo razovel para a adoo das providncias cabveis. 1 Ser assegurada a participao do Ministrio Pblico da Unio, como instituio observadora, na forma e nas condies estabelecidas em ato do Procurador-Geral da Repblica, em qualquer rgo da administrao pblica direta, indireta ou fundacional da Unio, que tenha atribuies correlatas s funes da Instituio. 2 A lei assegurar a participao do Ministrio Pblico da Unio nos rgos colegiados estatais, federais ou do Distrito Federal, constitudos para defesa de direitos e interesses relacionados com as funes da Instituio. Art. 7 Incumbe ao Ministrio Pblico da Unio, sempre que necessrio ao exerccio de suas funes institucionais: I - instaurar inqurito civil e outros procedimentos administrativos correlatos;II - requisitar diligncias investigatrias e a instaurao de inqurito policial e de inqurito policial militar, podendo acompanh-los e apresentar provas; III - requisitar autoridade competente a instaurao de procedimentos administrativos, ressalvados os de natureza disciplinar, podendo acompanh-los e produzir provas. Art. 8 Para o exerccio de suas atribuies, o Ministrio Pblico da Unio poder, nos procedimentos de sua competncia: I - notificar testemunhas e requisitar sua conduo coercitiva, no caso de ausncia injustificada; II - requisitar informaes, exames, percias e documentos de autoridades da Administrao Pblica direta ou indireta;III - requisitar da Administrao Pblica servios temp