MAGAZINE - ?· Apaixonado pelo cello, com ele conheceu Bach, inspiração maior. Também iniciou-se…

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  • ENSAIOMAGAZINE

    Revista Cultural do Conservatrio de Tatu - Abril/2009 - Ano IV - n 48 - Distribuio G

    ratuita

    Seu Juca: 93 Seu Juca: 93 anos de msicaanos de msica

    Dia do ChoroDia do Choro

    De tirar o flegoDe tirar o flegoPatrimnio vivo do clarinete tem Patrimnio vivo do clarinete tem carteira assinada aps seleocarteira assinada aps seleo

    Conservatrio de Tatu cria rea Conservatrio de Tatu cria rea especfica para o gneroespecfica para o gnero

    Orquestra Sinfnica estreia temporada Orquestra Sinfnica estreia temporada artstica do ano de 2009artstica do ano de 2009

  • EXPEDIENTE

    Ensaio Magazine uma publicao do Conservatrio Dramtico e Mu-sical Dr. Carlos de Campos de Tatu, gerido pela Associao de Amigos do Conservatrio de Tatu, qualificada como Organizao Social da rea de Cultura no Governo do Estado de So Paulo por ato do Senhor Governa-dor, de 12/12/2005, publicado no DOE de 13/12/2005 Seo I.

    Este informativo foi produzido para distribuio gratuita, financiado exclusivamente por meio de apoio cultural de empresas e parceiros cujos anncios esto publicados nas pginas seguintes.

    Tiragem: 3.000 exemplares

    Rua So Bento, 415 Tatu, SP CEP 18270-820 Informaes: (15) 3251-4573 www.conservatoriodetatui.org.br

    Fotos: Conservatrio de Tatu/Divulgao

    ndiceDia Nacional do Choro 3Conservatrio de Tatu cria rea especfi ca para o gnero; Alexandre Bauab assume coordenao

    A vitalidade do Seu Juca 4 e 5Professor de clarinete contratado aos 93 anos de idade e esbanja paixo pela msica Linguagem universal 8 e 9Alunos estrangeiros j so 75; histrias curiosas confundem-se no aprendizado

    Estreia de tirar o flego 11 Sob regncia de Rodrigo de Carvalho, Orquestra Sinfnica abre temporada ovacionada

    Conservatrio at no nome 12 Grupos artstico-pedaggicos tm nomes alterados; todos remetem instituio de origem

    A primeira menor aprendiz 13 Parceria com Lar Donato Flores supre necessidade de pessoal administrativo na escola

    Jos SerraGovernador do Estado de So Paulo

    Joo SayadSecretrio de Estado da Cultura

    Ronaldo BianchiSecretrio-Adjunto

    Srgio TiezziChefe de Gabinete

    Luiz NogueiraCoordenador da Unidade de Formao Cultural

    Henrique Autran DouradoDiretor Executivo da AACT

    Dalmo Magno DefensorDiretor Administrativo-Financeiro da AACT

    Cristiano Guimares de CamargoPresidente do Conselho de Administrao da AACT

    Erik Heimann PaisAssessor Artstico da AACT

    Antonio Tavares RibeiroAssessor Pedaggico da AACT

    Rodrigo de Resende PatiniAssessor Executivo de Controladoria da AACT

    Jornalista ResponsvelDeise Juliana de Oliveira - Mtb 30803

    (comunica@conservatoriodetatui.org.br)

    Programador VisualPaulo Rogrio Ribeiro

    (pribeiro@conservatoriodetatui.org.br)

    Assistente de MarketingGiovani de Arruda Campos

    (giovani@conservatoriodetatui.org.br)

    Heitor Villa-Lobos (1887/1959)Cinqenta anos de falecimento

    Henrique Autran Dourado*

    Efemrides - 2009

    Carioca de classe mdia, o menino Heitor aprendeu com o pai os rudimentos da msica, dizendo o nome da nota de uma buzina ou do apito do trem. Cedo revelou grande talento, e aceitou a sugesto paterna pela escolha do violoncelo; passou a tocar uma viola de arco sentado em posio vertical, qual o pai adaptara um espigo (a haste do violoncelo que o apia no cho). Apaixonado pelo cello, com ele conheceu Bach, inspirao maior.

    Tambm iniciou-se no piano e, bom carioca que era, fez juras de amor eterno ao violo, que o levou s rodas de chores e...da boemia. Vivia a msica popular e o folclore brasileiros e imbudo deles revestia a tcnica bachiana com as sutilezas que os europeus estavam cultivando.

    A obra de Villa-Lobos imensa, destacando-se as 9 Bachianas Brasileiras e os 13 choros para as mais diversas formaes, 14 sinfonias, missas, msica de cmera, peas para piano e violo,

    concertos... uma enorme prolixidade. Villa era turro e desordenado (gostava

    de compor deitado de bruos ouvindo novelas de rdio), irreverente. Tinha uma auto-estima para l de ensimesmada. Para Segvia, o grande violonista espanhol, disse um dia que cortasse o dedo mnimo da mo direita, pois o msico havia alegado sobre uma das peas a ele dedicadas que no violo aquele dedo no se usava. Outra vez, mandou mensagem para os amigos para que fossem todos receb-lo, com pompa e circunstncia, pois chegaria de Paris a bordo do navio Chanot. O maestro Diogo Pacheco, quando cantor do Teatro Municipal, disse-lhe que j havia cantado uma Ave Maria dele, ao que Villa respondeu, charuto boca: Qual? J compus mais de mil.

    Nosso compositor maior deixou para si mesmo sua melhor dedicatria: Considero minhas obras como cartas que escrevi posteridade, sem esperar resposta.

    * Diretor Executivo da Associao de Amigos do Conservatrio de Tatu

  • Ensaio Choro

    ENSAIO Magazine 3

    23 de abril: Dia Nacional do ChoroO Conservatrio de Tatu a primeira escola de msica

    brasileira, mantida por um Governo Estadual, a incluir em seu currculo o gnero Choro como matria pedaggica.

    Desde 1999 esse curso encontra-se disposio de seus alunos. Nenhuma outra escola do Brasil, estadual ou particular - com exceo da escola de Choro de Braslia mantida pelo Governo Federal e fundada um ano antes, em 1998 -, teve a iniciativa de abrir espao a esse to importante gnero da msica brasileira.

    A divulgao desse gnero pelo Conservatrio de Tatu ainda mais remota. Ela iniciou-se em 1993. J a partir dessa data a escola mantm o Choro como uma das opes de grupo musical oferecidas por essa instituio a servio da boa msica.

    Este ano o choro conquista um espao prprio dentro da instituio, um espao h muito tempo almejado e que s agora alcanado, graas iniciativa da nova direo desta escola: a rea de Choro.

    Trata-se de uma rea especfi ca para este gnero, abrangendo um grande nmero de ritmos formadores (as msicas-danas europeias: polca, mazurca, valsa, schottisch, quadrilha e habanera) e tambm ritmos no formadores que com o tempo foram agregados a seu extenso repertrio pelos muitos compositores chores como o Baio, o Frevo, o Samba, o Arrasta-P e outros ritmos urbanos e tambm rurais.

    A nova rea conta com cinco professores, oferecendo aos alunos aulas de prtica de choro, bandolim, cavaquinho, violo7 cordas, percusso e linguagem de choro, que uma matria eletiva e aberta a todos os alunos de sopro, eruditos ou populares.

    As aulas de prtica de choro tambm esto abertas a estes instrumentistas de sopro. O pr-requisito para essas aulas eletivas que o aluno apresente qualidades tcnicas e musicais relativas ao 7 semestre de instrumento.

    As matrias tericas obrigatrias so ministradas junto rea de MPB&Jazz (harmonia e percepo) e erudita (teoria).

    Neste incio de vida, a rea de choro j atende a cerca de 90 alunos.

    Hoje existe uma conscincia, em nvel mundial, da importncia da incorporao, nas escolas de msica, de temas relativos s culturas populares tradicionais.

    Tal incorporao no deve ser aplicada de maneira irrefl etida. No possvel tratar as msicas populares

    como contedos a serem incorporados aos currculos de msica e ensinadas segundo mtodos alheios a seus

    contextos originais. No podemos ignorar ou deixar de atentar aos sistemas

    e formas caractersticos de ensinamento destas culturas populares. A rea de Choro procura estar atenta a este fato e buscar conciliar aprendizado formal e aprendizado no-formal, proporcionando aos seus alunos atividades extra-classes onde eles, diferentemente do que acontece em aula, so preparados para o desempenho e tm a possibilidade de ter sua preparao no desempenho seguindo assim as formas tradicionais de aprendizagem do choro.

    A roda de choro, principal estratgia no que diz respeito educao informal utilizada pela rea, foi e continua sendo o espao principal de formao de chores. O tocar de memria,

    o acompanhamento de ouvido, a leitura gestual dos outros instrumentos, o contracanto improvisado, o contato

    com outros alunos e professores participantes, a proximidade com os ouvintes so fatores que

    acrescentam uma vivncia musical impossvel em salas de aula.

    Da a importncia de ser feita em um ambiente aberto ao pblico, informal,

    onde o professor deixe de ser a nica fonte de informao. Criar

    possibilidades para a produo ou construo do conhecimento

    to importante como transferir este conhecimento. As aulas de instrumento tambm buscam conciliar os moldes de educao formal e no formal. Trabalhar o aluno para que alcance

    conhecimentos tericos, tcnicos e musicais tendo sempre

    a msica associada ao som e no apenas ao seu registro no papel.

    * Violonista, professor, coordenador da rea de Choro e do Grupo de Choro do Conservatrio de Tatu.

    Alexandre Bauab Junior*

  • Ensa

    io P

    rinc

    ipal

    4 ENSAIO Magazine

    O recente processo seletivo que resultou na contratao de cerca de 300 professores, msicos e atores via sistema CLT no Conservatrio de Tatu reservou uma surpresa de ocorrncia rara no pas. Dentre os professores contratados, est Jos Teixeira Barbosa, o seu Juca, que obteve uma nova carteira de trabalho e, nela, o registro de professor de clarinete. Se a contratao efetiva em tempos de crise econmica e em poca na qual demisses so contadas aos milhares j exceo, que dir a contratao de profi ssional com 93 anos de idade.

    No pas onde a populao idosa cresce vertiginosamente, nem sempre ela valorizada. Tanto que as contrataes de maiores de 65 anos deixam de ser contabilizadas por faixas etrias. No Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), as estatsticas de contrataes

    Toda vitalidade do Contratado aos 93 anos de idade, Jos Teixeira Barbosa

    no so discriminadas aps essa faix