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EXPEDIENTE - Jornal Mural da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação Jornalista responsável: Rilton Pires Pimentel – Mtb: DF 3009 Redação: Rilton Pires Pimentel e Laura Veridiana Realização: Frisson Comunicação & Marketing Data: 27/04/2012 MAIO • 2012 S egundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o país com o maior nú- mero de assassinatos motivados por homofobia no mundo. Além dos homicídios, há elevada ocorrência de violência física, agressão verbal, discriminação na se- leção para emprego e no próprio local de trabalho, na escola etc, sem que os agressores sejam punidos. É contra esse quadro de extrema violência e intolerân- cia, e a favor de uma sociedade mais pacífica e igua- litária, que o Movimento LGBT brasileiro luta pela aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122 de 2006 (PLC 122), proposta que criminaliza a homofobia. O projeto prevê a alteração da Lei nº 7.716/89, caracteri- zando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. O PLC 122 é constitucional e não fere a liberdade reli- giosa, de pensamento ou de expressão. Apenas garante essas mesmas liberdades a uma considerável parcela da população que tem sido até hoje negligenciada e desrespeitada. Segundo o Art. 5º da Constituição Fe- deral “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. A aprovação do PLC 122 reafirma- rá esse e outros direitos fundamentais a toda a comu- nidade LGBT. A proposta já foi aprovada pela Câmara em 2006 e agora está na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. E ntre 1948 e 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a homossexualidade como um transtorno mental. Em 17 de maio de 1990, a assembleia geral da OMS aprovou a retira- da do código 302.0 (Homossexualidade) da Classifica- ção Internacional de Doenças (CID), declarando que ela “não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. Por iniciativa do acadêmico francês Louis-Georges Tin e depois de um ano de campanha, em 2005 foi realizado o primeiro Dia Internacional de Combate à Homofobia (International Day Against Homophobia, IDAHO, no in- glês), na mesma data. O dia 17 de maio, além de relembrar que a homossexua- lidade não é doença, tem uma característica de protesto e denúncia. A cada ano a data é celebrada em mais países e apoiada por mais pessoas ao redor do mundo. Em 2010, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou decreto instituindo o Dia Nacional de Combate à Homofobia, também celebrado no dia 17 de maio. A atitude foi comemorada pela comunidade LGBT como um passo importante no combate ao preconceito aos homossexuais e na instituição de políticas públicas para a garantia dos direitos dessa parcela da população. Desde então, o dia é comemorado pela comunidade LGBT brasileira com várias atividades de conscientiza- ção da sociedade, cobrança de políticas públicas e cele- brações do orgulho gay. As atividades internacionais do Dia Internacional de Combate à Homofobia são coordenadas pelo IDAHO Comitee e divulgadas pelo site: www.dayagainsthomophobia.org . BRASIL AVANÇA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS D esde a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros, realizada em 2008, importantes documentos foram elaborados para orientar a criação de políti- cas públicas de proteção ao público homossexual. Conheça dois deles abaixo: DOCUMENTO FINAL DA CONAE 2010 Resultado da Conferência Nacional de Educação, que reuniu mais de três mil partici- pantes do país todo, o documento prevê a discussão de gênero e diversidade sexual já na formação inicial e continuada dos profissionais de educação, visando promover a educação para o combate do preconceito e da discriminação. Também estimula a pro- dução de materiais (filmes, vídeos e publicações) sobre diversidade sexual e assuntos relacionados a gênero, em parceria com os movimentos sociais. O documento da Conae também determina que o MEC assegure recursos para a implementação do Projeto Escola sem Homofobia em toda a rede de ensino, e de- manda dos sistemas educacionais que atuem preventivamente para evitar a evasão motivada por homofobia. PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS – VERSÃO 3 Instituído pelo Decreto nº 7.037/09 e atualizado pelo Decreto nº 7.177/10, do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos estimula a criação de redes de proteção dos Direitos Humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), principalmente a partir do apoio à implementação de Centros de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Com- bate à Homofobia e de núcleos de pesquisa e promoção da cidadania daquele segmen- to em universidades públicas. Em outra frente, o Plano prevê a produção de relatório periódico de acompanhamento das políticas contra discriminação à população LGBT, que contenha, entre outras, in- formações sobre inclusão no mercado de trabalho, assistência à saúde integral, número de violações registradas e apuradas, recorrências de violações, dados populacionais, de renda e conjugais. COMBATE À HOMOFOBIA COMEÇA NA ESCOLA No dia 16 de maio acontece em Brasília a III Marcha Nacional Contra a Homofobia, como parte das celebrações do 17 de maio, Dia Internacional de Combate à Homofobia. A CNTE, por meio de seu coletivo LGBT, lança a campanha “Educação sem homofobia”, pois acredita que o combate à discriminação e à violência contra os homossexuais é um passo imprescindível para a construção de um país mais tolerante e igualitário. Os sindicatos filiados à Confederação já es- tão mobilizados. As entidades preparam suas caravanas e estarão na capital federal já no dia 15, quando o Senado Federal promove au- diência pública para debater o tema “Homo- fobia tem cura: educação e criminalização”. Após a audiência, às 17h30, será realizada vigília em frente ao Palácio do Planalto, e no dia 16 a III Marcha Nacional Contra a Homo- fobia começa cedo, às 8h30. É preciso haver leis que reprimam e punam o comportamento homofóbico. Por isso a CNTE e outras entidades da sociedade civil espe- ram ver aprovado o Projeto de Lei da Câmara n° 122, que criminaliza a homofobia. Mas a escola e os profissionais da educação tam- bém têm o papel fundamental de quebrar preconceitos desde cedo, discutindo as dife- renças e o respeito à diversidade. O combate ao preconceito tem que começar nas escolas. Essa publicação vem contribuir para essa discussão. Ela apresenta informações sobre o Dia Internacional de Combate à Homofobia, o PLC 122 e os avanços nas políticas de com- bate ao preconceito. Material para professo- res e alunos debaterem o tema em sala de aula, fazerem atividades, se mobilizarem no combate à homofobia. 17 DE MAIO UM DIA PELA TOLERÂNCIA PLC 122: UMA IMPORTANTE ARMA CONTRA A VIOLÊNCIA OS NÚMEROS DA DISCRIMINAÇÃO 10% da população brasileira (18 milhões de pessoas) sofrem com a homofobia 44% dos assassinatos de homossexuais ocorrem no Brasil 266 homicídios de gays, lésbicas e travestis foram registrados no país, só no ano passado. A cada 33 horas um homossexual foi brutalmente assassinado no Brasil em 2011. Fonte: Grupo Gay da Bahia (GGB) DISQUE 100: MAIS UMA CONQUISTA O Disque Direitos Humanos (Disque 100) incorporou, em 2011, o módulo LGBT, para recebimento de casos de homofobia. Com um ano de funcionamento do serviço (janei- ro a dezembro do ano passado), foram 1.259 violações aos direitos dos homossexuais denunciadas. jornal_mural_abril_2012.indd 1 27/04/2012 16:51:13

MAIO • 2012 17 DE MAIO - cnte.org.br · lidade não é doença, tem uma característica de protesto e denúncia. A cada ano a data é celebrada em mais países e apoiada por mais

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EXPEDIENTE - Jornal Mural da Confederação Nacional dos Tra ba lha do res em Educação Jornalista responsável: Rilton Pires Pimentel – Mtb: DF 3009 Redação: Rilton Pires Pimentel e Laura Veridiana Realização: Frisson Comunicação & Marketing Data: 27/04/2012

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S egundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o país com o maior nú-mero de assassinatos motivados por homofobia

no mundo. Além dos homicídios, há elevada ocorrência de violência física, agressão verbal, discriminação na se-leção para emprego e no próprio local de trabalho, na escola etc, sem que os agressores sejam punidos.

É contra esse quadro de extrema violência e intolerân-cia, e a favor de uma sociedade mais pacífi ca e igua-litária, que o Movimento LGBT brasileiro luta pela aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122 de 2006 (PLC 122), proposta que criminaliza a homofobia. O projeto prevê a alteração da Lei nº 7.716/89, caracteri-

zando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

O PLC 122 é constitucional e não fere a liberdade reli-giosa, de pensamento ou de expressão. Apenas garante essas mesmas liberdades a uma considerável parcela da população que tem sido até hoje negligenciada e desrespeitada. Segundo o Art. 5º da Constituição Fe-deral “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. A aprovação do PLC 122 reafi rma-rá esse e outros direitos fundamentais a toda a comu-nidade LGBT. A proposta já foi aprovada pela Câmara em 2006 e agora está na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

E ntre 1948 e 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifi cou a homossexualidade como um transtorno mental. Em 17 de maio

de 1990, a assembleia geral da OMS aprovou a retira-da do código 302.0 (Homossexualidade) da Classifi ca-ção Internacional de Doenças (CID), declarando que ela “não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”.Por iniciativa do acadêmico francês Louis-Georges Tin e depois de um ano de campanha, em 2005 foi realizado o primeiro Dia Internacional de Combate à Homofobia (International Day Against Homophobia, IDAHO, no in-glês), na mesma data.

O dia 17 de maio, além de relembrar que a homossexua-lidade não é doença, tem uma característica de protesto e denúncia. A cada ano a data é celebrada em mais países e apoiada por mais pessoas ao redor do mundo.

Em 2010, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou decreto instituindo o Dia Nacional de Combate à Homofobia, também celebrado no dia 17 de maio. A atitude foi comemorada pela comunidade LGBT como um passo importante no combate ao preconceito aos homossexuais e na instituição de políticas públicas para a garantia dos direitos dessa parcela da população.

Desde então, o dia é comemorado pela comunidade LGBT brasileira com várias atividades de conscientiza-ção da sociedade, cobrança de políticas públicas e cele-brações do orgulho gay.

As atividades internacionais do Dia Internacional de Combate à Homofobia são coordenadas pelo IDAHO Comitee e divulgadas pelo site:

www.dayagainsthomophobia.org .

BRASIL AVANÇA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS

D esde a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros, realizada em 2008, importantes documentos foram elaborados para orientar a criação de políti-

cas públicas de proteção ao público homossexual. Conheça dois deles abaixo:

DOCUMENTO FINAL DA CONAE 2010

Resultado da Conferência Nacional de Educação, que reuniu mais de três mil partici-pantes do país todo, o documento prevê a discussão de gênero e diversidade sexual já na formação inicial e continuada dos profissionais de educação, visando promover a educação para o combate do preconceito e da discriminação. Também estimula a pro-dução de materiais (filmes, vídeos e publicações) sobre diversidade sexual e assuntos relacionados a gênero, em parceria com os movimentos sociais.

O documento da Conae também determina que o MEC assegure recursos para a implementação do Projeto Escola sem Homofobia em toda a rede de ensino, e de-manda dos sistemas educacionais que atuem preventivamente para evitar a evasão motivada por homofobia.

PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS – VERSÃO 3

Instituído pelo Decreto nº 7.037/09 e atualizado pelo Decreto nº 7.177/10, do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos estimula a criação de redes de proteção dos Direitos Humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), principalmente a partir do apoio à implementação de Centros de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Com-bate à Homofobia e de núcleos de pesquisa e promoção da cidadania daquele segmen-to em universidades públicas.

Em outra frente, o Plano prevê a produção de relatório periódico de acompanhamento das políticas contra discriminação à população LGBT, que contenha, entre outras, in-formações sobre inclusão no mercado de trabalho, assistência à saúde integral, número de violações registradas e apuradas, recorrências de violações, dados populacionais, de renda e conjugais.

COMBATE À HOMOFOBIA COMEÇA NA ESCOLA

No dia 16 de maio acontece em Brasília a III Marcha Nacional Contra a Homofobia, como parte das celebrações do 17 de maio, Dia Internacional de Combate à Homofobia. A CNTE, por meio de seu coletivo LGBT, lança a campanha “Educação sem homofobia”, pois acredita que o combate à discriminação e à violência contra os homossexuais é um passo imprescindível para a construção de um país mais tolerante e igualitário.

Os sindicatos filiados à Confederação já es-tão mobilizados. As entidades preparam suas caravanas e estarão na capital federal já no dia 15, quando o Senado Federal promove au-diência pública para debater o tema “Homo-fobia tem cura: educação e criminalização”. Após a audiência, às 17h30, será realizada vigília em frente ao Palácio do Planalto, e no dia 16 a III Marcha Nacional Contra a Homo-fobia começa cedo, às 8h30.

É preciso haver leis que reprimam e punam o comportamento homofóbico. Por isso a CNTE e outras entidades da sociedade civil espe-ram ver aprovado o Projeto de Lei da Câmara n° 122, que criminaliza a homofobia. Mas a escola e os profissionais da educação tam-bém têm o papel fundamental de quebrar preconceitos desde cedo, discutindo as dife-renças e o respeito à diversidade. O combate ao preconceito tem que começar nas escolas.

Essa publicação vem contribuir para essa discussão. Ela apresenta informações sobre o Dia Internacional de Combate à Homofobia, o PLC 122 e os avanços nas políticas de com-bate ao preconceito. Material para professo-res e alunos debaterem o tema em sala de aula, fazerem atividades, se mobilizarem no combate à homofobia.

17 DE MAIOUM DIA PELA TOLERÂNCIA

PLC 122: UMA IMPORTANTE ARMA CONTRA A VIOLÊNCIA

OS NÚMEROS DA DISCRIMINAÇÃO• 10% da

população brasileira (18 milhões de pessoas) sofrem com a homofobia

• 44% dos assassinatos de homossexuais ocorrem no Brasil

• 266 homicídios de gays, lésbicas e travestis foram registrados no país, só no ano passado.

• A cada 33 horas um homossexual foi brutalmente assassinado no Brasil em 2011.

Fonte: Grupo Gay da Bahia (GGB)

DISQUE 100: MAIS UMA CONQUISTA

O Disque Direitos Humanos (Disque 100) incorporou, em 2011, o módulo LGBT, para recebimento de casos de homofobia. Com um ano de funcionamento do serviço (janei-ro a dezembro do ano passado), foram 1.259 violações aos direitos dos homossexuais denunciadas.

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