Click here to load reader

Manual da teoria da comunicação

  • View
    170

  • Download
    2

Embed Size (px)

Text of Manual da teoria da comunicação

  • ii

    ii

    ii

    ii

  • ii

    ii

    ii

    ii

  • ii

    ii

    ii

    ii

    J. Paulo Serra

    Manual de Teoria da Comunicao

    Universidade da Beira Interior2007

  • ii

    ii

    ii

    ii

    Livros Labcomhttp://www.labcom.ubi.pt/livroslabcom/Srie: Estudos em ComunicaoDireco: Antnio FidalgoDesign da Capa: Joo SardinhaPaginao: Catarina RodriguesCovilh, 2007

    Depsito Legal: 268620/07ISBN: 978-972-8790-87-5

  • ii

    ii

    ii

    ii

    Contedo

    Introduo 1

    I Questes epistemolgicas 7

    1 O estatuto epistemolgico das cincias da comunicao 91.1 Origens e institucionalizao dos modernos estudos de

    comunicao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91.2 As trs fontes dos estudos

    de comunicao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161.3 O campo espistmico das cincias da

    comunicao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

    2 A Teoria da Comunicao no campo das cincias da comu-nicao 332.1 A multiplicidade das teorias da

    comunicao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 332.2 Paradigmas e teorias . . . . . . . . . . . . . . . . . . 352.3 Cincias paradigmticas e cincias

    multi-paradigmticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 382.4 Paradigmas da comunicao . . . . . . . . . . . . . . 412.5 A heterogeneidade dos fenmenos

    comunicacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 462.6 O lugar da Teoria da Comunicao . . . . . . . . . . . 49

    i

  • ii

    ii

    ii

    ii

    ii Paulo Serra

    II Teoria da Comunicao 59

    3 A comunicao como problema 613.1 O sculo XX e a emergncia da questo comunicaci-

    onal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 613.2 Breve histria dos estudos de comunicao . . . . . . 633.3 As duas grandes noes de comunicao . . . . . . . . 693.4 A sociedade actual como sociedade da comunicao

    sentido e problematizao do conceito . . . . . . . . 73

    4 Caracterizao genrica do fenmeno comunicacional 774.1 A complexidade da comunicao e a multiplicidade das

    suas descries . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 774.2 Classificao dos tipos de comunicao . . . . . . . . 804.3 Comunicao e meios de comunicao a Escola de

    Toronto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 824.4 Comunicao e incomunicao a improbabilidade

    da comunicao(Luhmann) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88

    5 A Teoria Matemtica da Comunicao 935.1 A crtica de Shannon ao conceito tradicional de infor-

    mao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 935.2 A informao como medida da liberdade de escolha

    da mensagem e os trs nveis da comunicao . . . . . 955.3 Informao, redundncia e entropia . . . . . . . . . . 975.4 O canal e o meio para uma tipologia dos meios . . . 100

    6 A concepo ciberntica da comunicao 1036.1 A concepo ciberntica da comunicao e a crtica a

    Shannon . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1036.2 Do poder da informao ubiquidade . . . . . . . . . 106

    www.labcom.ubi.pt

  • ii

    ii

    ii

    ii

    Manual de Teoria da Comunicao iii

    6.3 A Ciberntica de segunda ordemde Heinz von Foerster e a sua repercusso na sociologiade Niklas Luhmann . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108

    6.4 Feedback e meios de comunicao a questo da inte-ractividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

    7 A comunicao interpessoal 1157.1 Interaco social e mediatizao . . . . . . . . . . . . 1157.2 O papel dos sentidos na interaco . . . . . . . . . . . 1207.3 A Nova Comunicao da Escola de Palo Alto . . . . 1277.4 A co-presena e os encontros (Goffman) . . . . . . . 133

    8 A comunicao de massa e os mass media 1438.1 Da comunicao de massa como problema ao problema

    dos efeitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1438.2 A era das multides e os mass media (Gustave Le Bon)1468.3 A articulao entre a comunicao de

    massa e a comunicao interpessoal: a teoria do two-step flow of communication . . . . . . . . . . . . . . . 150

    8.4 A realidade dos mass media(Niklas Luhamnn) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160

    9 A comunicao mediada pela Internet 1679.1 Internet e teoria da comunicao . . . . . . . . . . . . 1679.2 As vises utpicas sobre a Internet . . . . . . . . . . . 1699.3 Paradigmas da comunicao na Internet . . . . . . . . 1759.4 A web e a publicao universal . . . . . . . . . . . . . 181

    Bibliografia 187

    www.labcom.ubi.pt

  • ii

    ii

    ii

    ii

  • ii

    ii

    ii

    ii

    Introduo

    A comunicao assumiu um lugar to central nas nossas sociedadesque se tornou corrente a afirmao de que vivemos em plena socie-dade da comunicao; uma tal expresso tornou-se mesmo tema deCongressos dos cientistas da comunicao.1 Porque que a nossa so-ciedade se tornou uma sociedade de tal forma conquistada pela comu-nicao que, quer individual quer colectivamente, nos encontramossubmetidos a uma verdadeira obrigao de comunicao?2

    Uma primeira resposta, mais evidente, a esta pergunta uma res-posta que todos os dias, a todas as horas, nos entra, literalmente, pelosolhos e ouvidos adentro a de que as chamadas tecnologias da in-formao e comunicao assumiram, nas nossas sociedades, um papelto decisivo que praticamente impossvel passar (e pensar) sem elas.

    Uma segunda resposta, tambm ela mais ou menos evidente, a deque a natureza democrtica das nossas sociedades, em que os pro-cessos de deciso assentam cada vez mais, pelo menos idealmente, nadiscusso entre os participantes, na troca de informaes, na prpria

    1 Para nos referirmos apenas a dois acontecimentos cientficos relativamente re-centes, o I Congresso Ibrico de Comunicao, realizado em Mlaga em Maio de2001, escolheu como tema A Sociedade da Comunicao no Sculo XXI; e o IICongresso da Associao Portuguesa de Cincias da Comunicao (SOPCOM), rea-lizado em Lisboa em Outubro de 2001, a expresso Rumos da Sociedade da Comu-nicao.

    2 Retomamos aqui as expresses de Bernard Mige, La Socit Conquise parala Communication, Grenoble, Presses Universitaires de Grenoble, 1989, p. 211 etpassim.

  • ii

    ii

    ii

    ii

    2 Paulo Serra

    mediatizao, exige o alargamento constante das trocas comunicati-vas.

    Uma terceira resposta, menos evidente mas qui mais essencial, a de que, como defendem autores como Jrgen Habermas e NiklasLuhmann, ainda que a partir de pressupostos diferentes, a sociedade ,basicamente, comunicao. De facto, como avisa Habermas logo nasprimeiras pginas da sua Teoria do Agir Comunicacional, esta no uma meta-teoria, antes permanece, no seu ncleo, uma teoria da soci-edade.3 Por seu lado, Luhmann afirma, nos seus Sistemas Sociais, que[o] processo elementar que constitui o social como realidade especial um processo comunicacional.4

    Tendo em conta esta perspectiva de Luhmann e Habermas, afir-maes do gnero da de tericos da comunicao de massa comoMelvin DeFleur e Sandra Ball-Rokeach, segundo a qual a naturezados processos de comunicao de uma sociedade est relacionada, deforma significativa, virtualmente com todos os aspectos das vidas quo-tidianas das suas pessoas5, s pecam por no serem suficientementeradicais na medida em que acabam por nos remeter para a primeiradas respostas que acabmos de mencionar.

    Essa resposta no , apesar da sua evidncia, uma falsa resposta.De facto, foi o desenvolvimento exponencial dos media, e em particu-lar dos chamados mass media, a partir dos finais do sculo XIX, quechamou a ateno para a necessidade de uma pesquisa em comunica-o (communication research) que se confundiu, na maior parte doscasos, com a pesquisa em comunicao de massa (mass communi-cation research). Essa resposta acabou por se repercutir, tambm, nolinguistic turn que se inicia mais ou menos na mesma altura e que,de forma muito significativa, em grande medida tambm um commu-

    3 Cf. Jrgen Habermas, Thorie de lAgir Communicationnel, Tome 1, Rationalitde lAgir et Rationalisation de la Socit, Paris, Fayard, 1987, p. 11.

    4 Niklas Luhmann, Sistemas Sociales. Lineamientos para una Teora General,Barcelona, Anthropos, 1998, p. 141.

    5 Melvin L. DeFleur, Sandra Ball-Rokeach, Theories of Mass Communication,Nova Iorque, Longman, 1988, p. 10.

    www.labcom.ubi.pt

  • ii

    ii

    ii

    ii

    Manual de Teoria da Comunicao 3

    nicational turn, como o demonstra a importncia que teorias como asemiologia de Saussure ou a semitica de Peirce concedem funocomunicacional dos signos.

    A tomada de conscincia da importncia dos meios os media,os signos acabou por levar, no espao de cerca de um sculo, to-mada de conscincia da importncia dos fins: a prpria existncia dasociedade humana. Esta segunda tomada de conscincia designada,hoje, pela expresso cincias da comunicao. Estas cincias noso, assim, um saber mais ou menos instrumental, uma simples arte(techn) que poderia ser posta ao servio de no importa que fins.6 Elasso teoria no mais puro sentido do termo aristotlico: um saber quese sabe a si prprio e que, ao saber-se a si prprio, acaba por trans-formar aquele que o sabe. Como refere James Carey, os modelos decomunicao so, ento, no apenas representaes da comunicao(of communication) mas representaes para a comunicao (for com-munication), e, por conseguinte, criam aquilo que ns, de forma noingnua, fingimos que eles meramente descrevem, fazendo assim, danossa cincia e da cincia da comunicao em particular uma ci-ncia a que Alvin Gouldner chama reflexiva.7 Uma outra forma dedizermos o anterior seria, parafraseando a ciberntica da cibernticaou ciberntica de segunda ordem de Heinz von Foerster, afirmarmosque as cincias da comunicao acabaram por nos fazer tomar consci-ncia de que os sistemas observadores esto includos nos prpriossistemas observados, que o homem no um observador indepen-

    6 A instrum