Manual Prefeito

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Manual do Prefeito 13 edio IBAM 2009

Manual do Prefeito

13 edio 2009

IBAM Instituto Brasileiro de Administrao Municipal1

Manual do Prefeito 13 edio IBAM 2009

Manual do Prefeito

13 edio

Copyright Instituto Brasileiro de Administrao Municipal IBAM

Todos os direitos reservados. proibida a reproduo total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio, sem autorizao escrita do IBAM. A violao dos direitos de autor (Lei n 9.610/98) crime estabelecido pelo art. 184 do Cdigo Penal. 1 edio: 1967; 2 edio: 1970; 3 edio: 1972; 4 edio: 1976; 5 edio: 1977; 6 edio: 1982; 7 edio: 1988; 8 edio: 1989; 9 edio: 1992; 10 edio: 1996; 11 2000; 12 edio: 2005; 13 edio: 2009. Esta edio foi revista, aumentada e atualizada por: Alexandre Carlos Albuquerque Santos, Andr Caldeira Brant, Beatriz Fogaa Costa, Cludia Ferraz, Eduardo Domingues, Gustavo da Costa Ferreira, Henrique Gaspar Barandier, Heraldo da Costa Reis, Joo Vicente Laguens, Jos Rildo M. Guedes, Jlio Csar Barbosa Pinheiro, Marcos de Moraes Villela, Marcos Flvio R. Gonalves, Marcus Alonso Ribeiro Neves, Maria da Graa R. Neves, Nilton Almeida Rocha, Pedro Nogueira Diogo, Rosane Biasoto, Rosimere de Souza e Victor Zular Zveibil. Coordenao Tcnica Marcos Flvio R. Gonalves Consultor do IBAM Coordenao Editorial Sandra Mager

Ficha Catalogrfica Catalogaona Fonte pela Biblioteca do IBAM Manual do prefeito / Coordenao tcnica Marcos Flvio R. Gonalves. 13.ed. revista, aum. e atual. Rio de Janeiro: IBAM, 2009. 219p. ; 29,7cm 1. Administrao Municipal-Brasil. 2. Prefeitos. 3. Relaes Intergovernamentais Brasil. 4. Desenvolvimento institucional. I. Gonalves, Marcos Flvio R. (Coord.). II. Instituto Brasileiro de Administrao Municipal352.081 (CDD)

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APRESENTAO INTRODUO SEO I CAPTULO 1 AUTONOMIA E COMPETNCIA DO MUNICPIO SEO I - CAPTULO 2 ATOS DE IMPRIO: PODER DE POLCIA E INTERVENO NA PROPRIEDADE SEO I CAPTULO 3 RELAES INTERGOVERNAMENTAIS SEO I CAPTULO 4 O PREFEITO MUNICIPAL SEO I - CAPTULO 5 A CMARA MUNICIPAL SEO II INTRODUO SEO II CAPTULO 1 DESENVOLVIMENTO ECONMICO SEO II - CAPTULO 2 DESENVOLVIMENTO SOCIAL SEO II CAPTULO 3 DESENVOLVIMENTO URBANO SEO II CAPTULO 4 DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL SEO III INTRODUO SEO III CAPTULO 1 PARTICIPAO POPULAR SEO III CAPTULO 2 GESTO DE SERVIOS SEO IV - INTRODUO SEO IV CAPTULO 1 PLANEJAMENTO MUNICIPAL SEO IV - CAPTULO 2 RECURSOS HUMANOS SEO IV CAPTULO 3 GESTO FINANCEIRA SEO IV CAPTULO 5 TECNOLOGIA DA INFORMAO POR ONDE COMEAR

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APRESENTAO

O IBAM est colocando disposio de todos aqueles que possuem interesse em conhecer aspectos da Administrao Municipal a 13 edio do Manual do Prefeito, publicao que desde 1967 vem recebendo atualizaes, revises e adequaes para que sirva de orientao bsica aos que administram o Municpio, que nela encontram conceitos fundamentais, indicao de providncias, referncias legislativas e muito mais informaes sobre o que o Municpio brasileiro. Tratando-se de livro que adota linguagem clara e objetiva, voltada para os agentes polticos, de salientar que seu sucesso duradouro. Isso pode ser explicado, em parte, por sua qualidade, sempre mantida pelo IBAM, que se preocupa em oferecer fonte segura de consulta aos que o folhearem. A trajetria do IBAM permite e corrobora esse cuidado: so mais de 56 anos de existncia, durante os quais foram atendidos, sob diferentes modos, milhares de Municpios, todos os governos estaduais, inmeros ministrios, entidades e rgos pblicos de todas as esferas, inclusive de pases latinoamericanos e africanos. A experincia acumulada faz com que o Manual do Prefeito reproduza os pontos positivos e aponte solues para as deficincias administrativas que seu corpo tcnico encontrou em todos esses anos. Diga-se, a propsito, que embora sua atualizao seja de responsabilidade de determinada equipe, que reflete as diversas correntes de pensamento e de formao presentes no Instituto, h na verdade o aproveitamento de toda aquela trajetria antes mencionada, ou seja, o acervo de conhecimento do IBAM perpassa todo o texto, valorizando seu contedo e garantindo ao leitor norteamento seguro e fundamentado. Seus captulos situam o Municpio no ambiente constitucional, versam sobre atos de imprio, salientam a importncia das relaes intergovernamentais, apontam a competncia e atribuies dos Poderes Legislativo e Executivo, abordam o processo de elaborao legislativa, preocupam-se com o desenvolvimento econmico e social sustentvel, sem esquecer as questes ambientais, tratam da gesto democrtica, onde a participao popular destaque, e finalizam com pginas sobre o desenvolvimento institucional, ou seja, o aperfeioamento da Administrao municipal e o respeito s normas legais que sobre ela incidem, de modo a atender s suas obrigaes e oferecer populao servios de elevado nvel de qualidade. A leitura do livro , certamente, proveitosa para todos os que, de alguma forma, lidam com o Municpio. O IBAM orgulha-se de colocar disposio esse texto e sente-se cumpridor de seus objetivos ao faz-lo.

Paulo Timm Superintendente Geral

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INTRODUOOs captulos que formam esta Seo tratam do marco jurdico relativo ao Municpio, em face do que dispem a Constituio da Repblica e as leis que se aplicam a essa esfera de Governo. A histria moderna dos Municpios brasileiros comea com a Constituinte de 1988. Os seus integrantes atenderam a vrias proposies do movimento municipalista, entre as quais a que integrava, como membro efetivo da Federao, definida no art. 1, o Municpio, com autonomia idntica da Unio, dos Estados e do Distrito Federal, a teor do seu art. 18. Importante, tambm, a redao dos arts. 29, 29-A e 30, os quais consagraram de vez a capacidade de o Municpio elaborar sua lei orgnica, sem interferncia do Estado, e se responsabilizar por uma srie de atribuies, entre estas a de eleger seus agentes polticos, legislar, prestar servios de interesse local e administrar suas rendas. Ao Municpio foi atribuda competncia para legislar sobre assuntos de interesse local, para suplementar a legislao federal e estadual no que couber e a competncia dita comum, exercida pelos diversos entes federativos, representada por longo rol de temas que devem ser objeto de ao por essas esferas. Manteve-se at hoje, nesse aspecto, o que se denomina sndrome da simetria, que remete ao tratamento dado ao Municpio na Constituio. Esta ignora a diversidade da situao dos Municpios, as particularidades histricas, econmicas e culturais, considerando que todos esto aptos a cumprir com o mesmo conjunto de direitos, deveres e obrigaes, em relao s questes institucionais, administrativas e de gesto e, conseqentemente, em relao populao. Embora listados na Constituio, no h, em vrios casos, formalizao do que da alada de cada ente governamental no que respeita aos servios comuns. Note-se que, no fora tal ausncia, possvel que normas de cooperao entre as esferas de Governo tivessem obtido maior clareza a respeito do que cabe a cada um Unio, Estado, Municpio , a implicar no aprimoramento do federalismo brasileiro.

Nem sempre foi assimUm passeio pelo tempo, visitando as diferentes Constituies que o pas teve, permite observar que o Municpio brasileiro sofreu sucessivas alteraes no que respeita sua posio no cenrio federativo. Antes, no perodo imperial, o Pas era unitrio, a Administrao era centralizada e a Constituio do Imprio, datada de 25 de maro de 1824, continha apenas alguns artigos sobre as Cidades e as Vilas (no se utilizava a palavra Municpio). Proclamada a Repblica, a Constituio de 1891 contemplou referncia ao Municpio, de forma indireta, ao determinar que os Estados se organizassem de forma que assegurasse a autonomia do Municpio, em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse.

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A Constituio promulgada em 1934 inovou em relao ao tratamento dado ao Municpio, que passou a ter sua autonomia, naquilo que respeitasse ao seu peculiar interesse, reconhecida de forma direta e explcita. Falou-se pela primeira vez em autonomia poltica (eleio de seus Prefeitos e Vereadores), financeira (decretao de seus impostos, taxas e outras rendas) e administrativa (organizao de seus servios), porm no lhe coube meno como ente constitutivo da Federao brasileira. A Constituio de 1937 manteve a condio anterior, pois tambm no incluiu o Municpio como componente da Federao, que ficou como nas duas Cartas anteriores. Permaneceu, entretanto, o respeito autonomia municipal, com seus desdobramentos. A redemocratizao do Pas consolidou-se com a Constituio promulgada em 1946. A Federao permaneceu composta pelos Estados, Distrito Federal e Territrios, sem incluir o Municpio, e a autonomia deste manteve-se compreendendo aspectos polticos, administrativos e financeiros. A Constituio de 1967 relativizou a autonomia municipal, especialmente no concernente escolha dos Prefeitos, que se poderia dar pelo voto popular, pelo Governador do Estado (capitais e Municpios considerados estncias hidrominerais) e pelo Presidente da Repblica (Municpios declarados de interesse da segurana nacional). A Emenda Constitucional n 1, de 1969, manteve a competncia estadual para ditar a lei orgnica, repetiram-se as normas sobre autonomia financeira e administrativa e mantiveram-se as limitaes s eleies dos Prefeitos, o que mais tarde veio a ser revogado por meio de emenda, estendendo-se as eleies a todos os Municpios, sem exceo.

Questes ainda pendentes: o atual pacto federativoA Constituio de 1988 organizou a repartio de recursos de modo a dar maior visibilidade dimenso poltico-administrativa ao Municpio, tanto que, por esse e por outros motivos, foi apelidada de Constituio municipalista. O problema, contudo, est