Monografia Anailma Pedagogia 2011

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Pedagogia 2011

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  • 1. 13 INTRODUO O trabalho de concluso de curso que ora apresentamos tem aporte noTrabalho Infantil e dentro dessa rea de conhecimento, recortamos o estudo sobre ainferncia na vida escolar das crianas; a temtica foi escolhida no decorrer do cursode pedagogia, a partir de observaes, bem como estgio em algumas instituies.O que se percebeu durante essas visitas que, existe no meio escolar umaquantidade relevante de crianas que trabalham. So muitos os discursos; muitas entidades pblicas encarregadas de coibir,mas nada feito no sentido de prevenir e como j me sentia familiarizada com atemtica em questo, antes de posicionar-me contra ou a favor, busquei na pesquisada educao partindo do conhecimento j existente chegar o mais prximo possveldo real atravs de leituras, anlise de teorias, informaes, coleta de dados eargumentos. Nesse fiel propsito, objetivou-se identificar na viso das professoras quais ossignificados que elas do em relao ao Trabalho Infantil, principalmente, porque oque a comunidade em geral e autoridades pblicas pensam a respeito do trabalhoinfantil j sabido por todos. Perante a lei, uma prfida contraveno que afeta fsica, mental eafetivamente o desenvolvimento infantil; da o meu foco de pesquisa se direcionarpara o que pensam e sentem os educadores em relao ao trabalho precoce e combase nestas indagaes iniciamos nosso trabalho, tendo como lcus a EscolaMunicipal Herculano de Almeida Lima, localizada no Distrito de Igara Municpio deSenhor do Bonfim Bahia. Sendo assim:Esta monografia composta por quatro captulos, a saber: No captulo I apresento problemtica, onde contextualizamos sobre otrabalho Infantil, falamos da pertinncia do presente estudo e traamos os objetivosa serem atingidos.

2. 14No captulo II construmos o quadro conceitual a partir dos conceitos- chave:Significados, Professor, Escola e Trabalho Infantil, apoiando-nos, sobre tudonos seguintes autores: Ferreira (2001), Oliveira (1985), Costa (2001),Gadotti (2003),Rodrigues (2003), Candau(2000), OIT (Organizao Internacional do Trabalho), ECA(Estatuto da Criana e do Adolescente), entre outros.No capitulo III, referente aos procedimentos metodolgicos, descrevemos otipo de estudo, a populao alvo, os instrumentos de pesquisa e a proposta decoleta de dados.Quanto ao quarto Capitulo, debruamo-nos sobre os dados colhidos napesquisa emprica ao tempo em que os interpretamos, no confronto com afundamentao terica, produzindo os diversos significados do estudo.Enfim, nas Consideraes Finais recuperamos as principais concluses a quechegamos com a realizao do presente trabalho monogrfico. 3. 15 CAPTULO ITRABALHO INFANTIL, ONTEM E HOJE.Partindo da nossa preocupao em refletir sobre a temtica do trabalhoinfantil fazemos aqui uma breve recapitulao histrica da insero dessa atividadeno contexto das mudanas ocorridas na sociedade, ontem e hoje. sabido que desde o surgimento da humanidade, j existia a distribuio depapis diferenciados para homens, mulheres e crianas, o que proporcionou umadiferena comportamental desde muito cedo.Assim, na era primitiva o trabalho era visto como necessrio para que osindivduos em seus diferentes grupos sobrevivessem s condies que lhe eramimpostas. Nesse sentido o trabalho dos adultos, jovens e crianas, na antiguidadeno se afastavam do ambiente domstico e tinha fins principalmente artesanais. Osmenores ao observar os mais velhos, aprendiam todas as tcnicas a fim de us-lasposteriormente em prol do grupo.Sobre isso Brando (2001), discorre que:Os meninos observam os homens quando fazem arcos, flechas; ohomem os chama para perto de si e eles se vem obrigados aobserv-lo. As mulheres por outro lado, levam as meninas para forade casa, ensinando-as a conhecer as plantas boas paraconfeccionar cestos e a argila que serve para fazer potes. [...]ensinavam-nas a cozinhar e aconselhavam-nas sobre a busca debagas e outros frutos, assim como sobre a colheita de alimentos (p.21).Nessa perspectiva o trabalho fornecia as bases de uma organizao socialigualitria, em que a famlia funcionava como unidade bsica de produo,acumulando e trocando os conhecimentos indispensveis subsistncia de todos osseus membros. O trabalho infantil era tido como uma espcie de ajuda familiar, umtrabalho gratuito que contribua para a sua integrao ao grupo familiar.No intervalo de acontecimentos ocorridos na Idade Mdia j havia registrosda prtica do trabalho infantil, o qual era exercido nas oficinas domsticas com o 4. 16intuito de suscitar nas crianas/adolescentes o aprendizado de um oficio. Emalgumas regies, as crianas comearam a trabalhar muito novas, porem j eramtidos como capazes de obedecer e obterem ateno.Segundo Minharro (2003): Nas cidades medievais, a produo era realizada pelos artesos, reunidos nas corporaes de ofcio, onde durante anos, a criana e os adolescentes trabalhavam sem percepo de salrio e at, muitas vezes, pagando ao mestre uma determinada quantia para que este lhes ensinasse o oficio; o que acontecia at ento sem fins lucrativos apenas como preparao para a vida adulta(MINHARRO 2003, p.22).Adentrando na historicidade da sociedade moderna, verifica-se que o trabalhoinfantil foi perdendo pouco a pouco o seu carter de aprendizagem. Como incio daindustrializao, a explorao do trabalho dos menores passou a ser utilizado emgrande escala nas mais variadas atividades, acentuando consideravelmente aproblemtica social em torno dessa atividade.Ainda segundo Minharro(2003): O trabalho ento no s foi um meio de sobrevivncia, mas tambm um caminho que ajudou a dividir a sociedade, onde a classe dominante usava seus subalternos para fazer servios rduos. [...] As crianas j executavam tarefas como se fossem adultos (p.184).Coma revoluo industrial do sculo XVIII a problemtica do trabalho infantilse expande, visto a falta de proteo a qual os pequenos estavam submetidos.Passou-se a no fazer uma destinao entre o trabalho infantil e adulto. Diante dissoa criana passou a trabalhar em condies que colocava em risco seudesenvolvimento fsico e mental.Como salienta Priore (2000) O trabalho, quando obstculo ao plenodesenvolvimento da criana ou mesmo perigoso, percebido como degradante(p.10), Esse carter humilhante e exploratrio da mo-de-obra infantil despertou apreocupao da sociedade dando margem ao surgimento das primeiras leis quevisavam proteo da criana. 5. 17 Mesmo com o advento das leis, na sociedade contempornea, a situao deexplorao mercantil ainda continuou tanto no que concerne mo-de-obra adultaquanto infantil, em conseqncia da desigualdade social que assola as camadasmais pobres da populao, essas pessoas so, muitas vezes, obrigadas a sesujeitarem a vrios tipos de trabalho, devido falta de oportunidade econseqentemente de qualificao para empregos mais satisfatrios. Da adisparidade social abriu brechas para que setores empresariais utilizem de formailegal a mo-de-obra de crianas e adolescentes no intuito de aumentar seus lucros. Para Cruz (2002): A exigncia de produo sob o modo de produo capitalista, tal como se manifestou, no s despertou e ordenou o trabalho familiar, como tambm impossibilitou os pais de manterem-se prximos dos filhos. Esse aspecto nos remete ao fato de que o trabalho infantil, como produto da vtima capitalista, precisa ser analisado a partir do contexto no qual se insere (p. 58). O capitalismo no inventou o trabalho infantil, mas criou as condies paraque as crianas no s fossem transformadas em adultos precoces, emtrabalhadores livres, como derrudas de uma tradio em que trabalho e relaesfamiliares, permitiam a sua reproduo enquanto criana. Diante disso, de extrema importncia assegurar as crianas e adolescenteso dever de que a famlia, a comunidade, o Poder Pblico e a sociedade em geralpossibilitem lhes direitos essenciais como os definidos no Estatuto da Criana e doAdolescente Art. 4: dever da famlia, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Pblico assegurar, com absoluta prioridade, a efetivao dos direitos referentes vida, sade, alimentao, a educao ao esporte, ao lazer profissionalizao, cultura, a dignidade, ao respeito, liberdade e convivncia familiar e comunitria (p, 7). Assim, percebe-se que a educao um dos direitos fundamentais da pessoahumana, e um dos fatores que mais podem, hoje, contribuir para oferecer asoportunidades e facilidades previstas aos jovens por lei, alm, de facultar odesenvolvimento fsico, mental, moral, espiritual e social. 6. 181.1 Trabalho Infantil no Brasil.Da mesma forma como aconteceu no desenvolvimento da historia, o trabalhoinfantil refletiu o mesmo processo no Brasil. Os primeiros registros histricos daocorrncia do trabalho infantil no pas datam a poca da escravido e perdurou porquase quatro sculos no pas. No inicio os filhos de escravos acompanhavam seuspais nos mais diversos tipos de trabalho e exerciam tarefas que exigiam esforossuperiores a suas capacidades fsicas.Assim o surgimento dos novos escravos acontecia a partir do momento queos senhores observavam certo desenvolvimento fsico nos menores. Algumas vezes,eram separados dos pais ainda criana e vendidos para outros senhores, que ostransportavam para reas distantes. No auge da infncia as crianas j executavamtarefas domsticas na lavoura.Pois, como descreve Minharro (2003): Aos escravos, independentemente da idade, no era assegurada proteo de lei nenhuma, e as crianas no eram empregadas apenas em atividades domsticas, mas tambm em fbricas rudimentares, como a olaria. Os sujeitos escravido eram forados a executar as atividades laborais e tinham os frutos de seu trabalho revertidos inteiramente ao proprietrio que controlava a produo (p.22).O quadro de explorao do trabalho infantil no Brasil iniciado com a inseroda escravido demonstra as relaes de poder que comeam a refletir acerbamentena diviso de classes do pas.A relao de poder e dominao exercida sobre as crianas foram sendoacentuadas ao longo do tempo acompanhando o desenvolvimento e o crescimentodo pas.Nas ltimas dcadas, no contexto da flexibilizao do mundo do trabalho, da