Monografia Carla Pedagogia 2009

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Pedagogia 2009

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PAGE 22

INTRODUO

A formao do professor um fator fundamental nas instituies de ensino, e quando os professores se promovem juntamente com as polticas existentes para os cursos de formao faz-se necessria ateno especial nas questes ligadas s prticas educativas, formao contnua, avaliao formativa, educao para a cidadania, ciclos de aprendizagem. Procedimentos voltados a projetos e muito mais como tambm na subjetividade e especificidade dos seres humanos. O professor, por exemplo, tem sua personalidade orientada por valores e princpios de sua vida, que podem ser traados conscientemente e inconscientemente ou explicitamente ou implicitamente, no entanto, o mesmo de alguma forma veicula esses valores em sala de aula manifestando a seus alunos a viso de mundo que o cerca, diante disso percebe-se que o estudo para uma boa formao importante para o enriquecimento da aprendizagem de ambos.

Nesta perspectiva, buscou-se realizar uma pesquisa sobre a formao dos professores de educao infantil do municpio de Caem.

No captulo I, apresenta-se a temtica na qual refere-se abordagem da formao dos professores na rea da educao infantil, como se deu o processo desta formao, as polticas pblicas referidas, um breve ressalto sobre a histria de formao dos professores no Brasil e a anlise que se deve ter sobre a infncia.

No captulo II, apresenta-se o estudo aprofundado das palavras-chave: Formao docente, Educao Infantil e Prtica Pedaggica. Com a insero de vrios autores que abordam as temticas referentes. Contribuindo atravs dos seus conhecimentos para o esclarecimento dos conceitos citados acima.

No captulo III, refere-se importncia da abordagem qualitativa e o surgimento da necessidade da pesquisa. A apresentao e a fundamentao dos instrumentos de coleta de dados. Caracteriza-se o lcus e sujeito da pesquisa, e explicita qual o tratamento dos dados obtidos por meio dos questionrios.

No captulo IV, mostra os resultados da pesquisa realizada, a anlise e a interpretao atravs dos questionrios propostos, o perfil dos sujeitos, a formao profissional, o tempo de atuao, a renda familiar, a profisso e a formao continuada, sempre intercalando e comparando com os conhecimentos tericos dos autores que contriburam para o elucidamento das idias.

No capitulo V, traz algumas consideraes finais, buscando responder a questo em estudo, e revelando a vontade de contribuir com as discusses sobre a formao dos professores de educao infantil do municpio de Caem e o desejo que os mesmos possam possuir a capacidade de aprender a aprender, competncia para saber agir na sala de aula, habilidade comunicativa, domnio da linguagem informacional, saber usar os meios de comunicao e articular as aulas com as mdias e multimdias, como tambm, quando conhecedor de todas as suas potencialidades, ser capaz de intervir seguramente em prol de uma educao de qualidade que venha contribuir efetivamente para uma sociedade mais justa e igualitria.CAPTULO I

1. UM OLHAR SOBRE A FORMAO DOS PROFESSORES DE EDUCAO INFANTIL DO MUNICPIO DE CAM

Diante de mudanas to intensas que a sociedade vem enfrentando, num cenrio de contradies polticas, econmicas e sociais, assim como a emergente reestruturao do capitalismo, a crescente urbanizao e reproduo da fora do trabalho temos a educao como bem de transformao social.Considerando que num pas como o nosso, onde todos precisam e esperam muito da educao e dos profissionais dessa rea, percebemos que atravs dos processos educativos que a sociedade cria, modifica, expande e conhece, fundamental que a preocupao com valores, atitudes, habilidades e conscincia crtica tenham suas bases plantadas na criana e como agente desta transformao, o professor, precisa e merece ateno especial na sua formao, pois ela o sustentculo para que o mesmo seja apto realizao de um trabalho de qualidade.Interessa-nos saber que as instituies de educao infantil tm na sua origem, um carter assistencial em funo da classe social a qual se destinavam, isto , s classes populares. Desde o descobrimento at 1874, pouco se fazia no Brasil pela infncia desditosa (KRAMER, 1995 p. 48). Nos remete a um tempo em que trabalhar com crianas era algo a ser feito de qualquer maneira, ou por qualquer profissional, desde que fosse mulher e tivesse um jeito para lidar com criana. Historicamente o atendimento s crianas se torna possvel a partir do momento que essa passa a ter existncia e um papel social significativo, a ponto de provocar a preocupao, o cuidado e a ateno dos adultos com elas.

No obstante as iniciativas particulares de atendimento foram mais numerosas em relao quelas oferecidas pelo governo, este tambm comea a se responsabilizar pelo mesmo, em meados da dcada de 70 com polticas governamentais para o seu aumento em especial das crianas de 4 a 6 anos. Com isso, a criana passa a ser vista como o adulto de amanh e a educao a ela oferecida assume, ento, um carter compensatrio. A critica a educao compensatria trouxe tona seu carter assistencialista, discriminatrio (KHULMANN Jr, 1998, p. 182). A infncia ento passa de abandonada a centro das atenes no que tange aos interesses governamentais, pois o investimento em seu acolhimento significava benefcios polticos ao Estado. Khulmann (1998) acrescenta tambm que: Essa necessidade resultado de muitas discusses e lutas travadas por pessoas envolvidas com a Educao Infantil bem como os movimentos sociais de mulheres trabalhadoras, mes, feministas, educadora que conquistaram alguns espaos para atendimento s suas crianas. (p.182).Faz-se necessrio, nos lembrarmos que a histria da formao de professores, destacando que o Brasil, como outros pases so marcadas pelo processo de feminizao do magistrio.

As propostas de formao de professores que tem sido elaborada nos ltimos cinco anos visam um perfil profissional oposto aquele sem qualificao para atender as funes indissociveis de cuidado e educao no atendimento criana. Tais propostas apontam para a necessidade de rever a j antiga viso identificada pela falta, pela carncia, para uma outra que reconhece a criana como cidad, sujeito histrico criador da cultura.(p. 72). Assim h que se levar em conta o duplo objetivo de educar-cuidar, dois lados inerentes ao dos seus profissionais. No se trata de inverter prioridades, mas sim de conjug-las forando um novo conceito de educao infantil como espao de educao e cuidado ou ateno. (p.73). As polticas e trias educativas no pas so elaboradas e implantadas sem um olhar verdadeiramente crtico para aqueles que a traduzem a uma linguagem aplicvel. A estes professores resta a misso de decodificar tais aes e traz-las a ______________

1 Por uma Poltica de formao do Profissional da Educao Infantil (1994) / Referenciais para a

Formao de Professores (1998).

2 Relatrio da Encontro Tcnico sobre Poltica de Formao do Profissional de Educao Infantil escrito

por Snia Kramer cujos resultados foram publicados em Por uma Poltica de Formao do Profissional

de Educao Infantil MEC/COEDI, 1994. sua prtica, sem que lhes seja garantida a preparao necessria para tal. A este respeito Marques (2000) contribui dizendo: Acima da questo da formao dos educadores coloca-se o problema dos mtodos mais adequados ao ensino, numa concepo ritualstica, cujo receiturio exigiria apenas dceis e hbeis aplicadores em prticas pr-definidas por outrem. (p.15).

Observando a nova LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educao), evidente a assegurao de alguns avanos propostos por ela no mbito da formao e valorizao do profissional da educao, como o contido no artigo 63, inciso I, II e III que garantem cursos formadores para os profissionais da educao bsica, incluindo o curso normal superior, e os programas de formao continuada em diversos nveis. Porm se faz interessante considerar a capacidade de operacionalizao das propostas legais. Trazendo uma perspectiva questionadora. Veiga cita alguns pensamentos de Kicheloe (1997, p.205):

A nova LDB no consegue sustentar uma proposta de formao, baseada nas caractersticas do professor, orientada para a pesquisa, ou seja, investigadores que pensam problemas que eles tm colocado sobre suas experincias da vida cotidiana, a sociedade maior e o contedo da escola. (apud VEIGA, 1998, p. 95). Vemos que a legalidade em ao, sabedora da realidade em que se configura o quadro profissional, traduz em artigos, incisos, propostas, diretrizes, sua ao e teoricamente pretende resolver a questo dizendo:

A implementao das diretrizes relativas poltica de recursos humanos engajados na Educao Infantil exigir acordos, compromissos de co-responsabilidade dos diversos rgos que atuam na rea (...). Faz-se necessrio intensificar aes voltada para a estruturao de processos de formao inicial e continuada dos profissionais da Educao Infantil. (...) fundamental o envolvimento das universidades nesse processo, especialmente por sua atuao na formao de formadores e na pesquisa e no desenvolvimento na rea (...) constitui prioridade o investimento, a curto prazo, na criao de cursos emergenciais, sem prejuzo de qualidade, destinados aos profissionais no habilitados que atuam nas creches e pr-escolas. Aes nesse sentido sero apoiadas e incentivadas pelo Ministrio (MEC/SEF/DPE/COEDI, 1994, p.25).

Percebe-se que essa disposio legal, que vem sendo discutida desde 1993, se contradiz na LDB/96, que define a formao feita em curso mdio e superior e impe um prazo para que ela acontea. Com relao tanto escolaridade como ao prazo para a sua concluso, no se efetivaram na prtica. A prpria legislao, nos Referenciais Curriculares para a Educao Infantil (1998), indica um perfil profissional associado polivalncia, aquele que d conta de todas as aes pertinentes ao atendimento. O profissional dever ser algum que saiba promover tanto da articulao dos contedos para o desenvolvimento de projetos e que tambm saiba associar as aes de cuidado (satisfao das n