Monografia Cleane Pedagogia 2011

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    INTRODUO

    A interao nos espaos de Educao Infantil algo comum e pertinente para todas

    as crianas em toda e qualquer sociedade, sendo esta peculiar para o seu

    desenvolvimento cognitivo e social. Atravs desta pesquisa tornou possvel

    identificar e analisarcomo os professores compreendem a relevncia da interao

    das crianas nos espaos de Educao Infantil e como suas prticas tem

    referenciado estas compreenses.

    O primeiro captulo delineia uma trajetria como as crianas foram e tem sido vistas

    e tratadas no decorrer da historia brasileira. Fazendo uma breve aluso da questo

    a ser tratada e o objetivo proposto.

    O segundo capitulo compe o quadro terico refletindo conceito, o qual tem como

    objetivo proporcionar bases tericas parra tornar a discusso deste trabalho mais

    rico e slido, por aprofundar nas contribuies dos autores que tratam dos referidos

    conceitos chaves delineados neste trabalho, os quais envolvem uma explanao

    sobre interao, aprendizagem e desenvolvimento, professores e prtica.

    O terceiro captulo descreve o caminho percorrido para a compreenso do assunto

    investigado, bem como as aes e recursos para o desenvolvimento da referida

    pesquisa. Referendando o lcus, os sujeitos e os instrumentos para a coleta de

    dados da pesquisa enunciada

    O quarto captulo trata dos resultados da pesquisa coletada dos sujeitos, bem como

    a anlise e interpretaes dos dados colhidos luz do assunto

    anteriormentepesquisado e estudado.

    Este trabalho resultado de uma inquietao, de pesquisas e estudos. A realizao

    deste trabalho se tornou real aps dias de atividades e muitopertinente, pois

    chegamos a uma concluso do assunto averiguado, sendo este o objetivo proposto

    no desenvolvimento do trabalho, garantindo-nos uma sensao de satisfao da

    ao realizada, nos proporcionando contentamento e determinao.

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    CAPTULO I

    1. PROBLEMTICA

    1.1Crianas nos Diferentes Contextos na Historia do Brasil

    No decorrer da histria de nosso pas, a assistncia social e educacional das

    crianas sofreram diferentes impasses para que estas fossem reconhecidas como

    realmente so, crianas. Para uma melhor compreenso imprescindvel fazermos

    uma breve, mas importante, retrospectiva: como as crianas tm sido vistas e

    tratadas no decorrer do tempo em nosso pas.

    Partindo da chegada dos portugueses ao fim do perodo escravista, pouco setem

    mencionado quanto educao e ao cuidado com as crianas do nosso pas. Em

    companhia dos portugueses vieram tambm os jesutas que com sua presena

    marcaram o inicio da educao formal no Brasil, que visava educar no s ndios

    adultos como tambm as crianas segundo suas definies e regimentos como

    afirma Chambouleyron (2000), com adultos cada vez mais arredios, toda ateno

    se voltava aos filhos destes... (p. 58).

    Percebe-seassim, que a educao partia dos interesses da classe dominante (a

    Igreja), que era at ento granjear novos adeptos ao catolicismo. Segundo

    Chambouleyron (2000), a educao jesuta oferecida a estas crianas contribua

    para fortalecer a ideia de que as crianas constituiriam de fato uma nova

    cristandade (p. 59). Por conseguinte,a educao imposta e oferecida s crianas

    no era voltada para sua condio de criana, mas envolvia formar uma sociedade

    almejada pelos jesutas.

    A viso que muitos adultos tinham da criana era reducionista ou determinante,

    como afirma Priore (2000), a criana... vista como adulto em gesto (p. 10). Os

    filhos dosbrancos eram adultos em estatura pequena, o que era evidente por suas

    vestes serem iguais as dos adultos, j os filhos dos negros por sua vez eram os

    futuros trabalhadores escravos que mesmo pequenos j auxiliavam nas tarefas

    escravistas, como noslembra Priore (2000) ao dizer, o muleque ou

    mulecacomeavam a trabalhar aos sete anos obedecendo s ordens dos seus

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    senhores por carregar seus pertences, buscar e levar correspondncias, aban-los

    etc. (p. 21).

    Em relao educao das crianas durante o sculo XIX, a refernciaexistente

    que esta era de carter assistencialista, na qual Kramer (1992) traz ateno:

    No que se refere ao atendimento a infncia brasileira at 1874 existia a Casa dos Expostos ou Roda para os abandonados das primeiras idades e a escola de Aprendizes Marinheiros (fundada pelo Estado em 1873) para os abandonados maiores de doze anos. (p. 49)

    Tratando-se da Casa dos Expostos preciso mencionar que a mesma no tinha

    funo educacional, mas protagonizava uma ao assistencialista, a qual abrigava

    bebs de famlias pobres ou ilegtimos de senhores e escravos. Sendoque neste

    mesmo perodosurge o primeiro jardim de infncia particular no Brasil, no Rio de

    Janeiro, fundado por Menezes Vieira, que visava atender a elite da poca.O que

    ocasionou discursos que defenderiam que os jardins de infncia deveriam

    assistencializar todas s crianas, inclusive crianas de negras libertas pela lei do

    Ventre Livre e as que tivessem pouca condio econmica.

    A ideia de proteger a infncia comeava a despertar, mas o atendimento se restringiaas iniciativas isoladas que tinha, portanto, um carter isolado. Assim, mesmo aquelas instituies dirigidas s classes desfavorecidas,..., eram insuficientes e quase inexpressivas frente situao de sade e educao da populao brasileira. (KRAMER, 1992, p. 49 E 50)

    Percebe-se at este perodo que as iniciativas quanto educao das crianas no

    Brasil eram precrias, o que ocorria muitas vezes por causa do descaso das

    autoridades. Como afirma Kramer (1992) faltava de maneira geral, interesse da

    administrao pblica pelas condies da criana brasileira, principalmente a pobre.

    (p. 50)

    Com a consolidao da Abolioe a Proclamao da Republica no fim do sculo

    XIX e adentrando ao sculo XX, surge no Brasil uma nova sociedade voltada para a

    aceitao de idias capitalistas e para o desenvolvimento industrial, provocando

    revolues no pas. Surgindo creches populares (1908), que visava proporcionar

    alimentao, higiene e segurana fsica para as crianas de mes que trabalhavam

    nas indstrias ou em lares como empregadas domsticas, sendo assistidas

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    basicamente por instituies de carter mdico sendo muito poucas as iniciativas

    educacionais a elas destinadas. (Kramer, 1992, p. 55)

    Torna-se necessrio lembrar que as creches no Brasil eram um reflexo do que j

    acontecia no Europa desde o sculo XVIII. Situao mediada sob a influncia de

    muitos pensadores, tais como: Joo Comnio (1592-1657), pai da Didtica Moderna

    que defendia que desde a infncia deveria ser trabalhado tudo; Jean Jaques

    Rousseau (1712-1778), que enfatizava a infncia como um momento que se v,que

    se pensa e se sente o mundo de um modo prprio; Pestalozzi (1746-1827), em seu

    entusiasmo pela educao pblica influenciou empresrios a construirem creches

    para os filhos de operrios; Froebel (1782-1852), afirmou que a criana um ser

    dinmico que interage a todo momento com objetos e pessoas; Vygotsky (1896-

    1934) deu ateno a importncia da interao; Piaget; Maria Montessouri e outros.

    (KRAMER, 1992,p.25 a 30)

    A partir da dcada de 30, com a acelerao dos processos de industrializao e

    urbanizao do pas, eleva-se a nacionalizao de polticas sociais, as quais, como

    diz Kramer (1992), se refletiram nas instituies voltadas as questes de educao

    e sade,...(p.50). Neste perodo a criana passa a ser valorizada no como criana,

    mas sim como adulto em potencial. Mesmo com algumas inovaes na rea da

    educao, a creche e a pr-escola ainda ofereciam uma ao assistencialista e

    muitas vezes prestada de forma precria.

    Entre as dcadas de 40 a 70, surgem diferentes rgos que deramateno a criana

    brasileira, entre estes: Departamento Nacional da Criana (1940); Servio de

    Assistncia a Menores (1941); OMEP Organizao Mundial de Educao Pr-

    escolar (1952); FUNABEM Fundao de Bem estar ao Menor (1964); LBA Legio

    Brasileira de Assistncia (1942); e outros. Inicialmente,dava-se ateno a proteo,

    a sade, a assistncia social e s depois a educao. Apenasna dcada de 70 a

    educao da criana brasileira reconhecida e as polticas governamentais

    comeam a dar ateno ao atendimento das crianas de 4 a 6 anos.

    Nos anos 80, sob a influncia de modelos piagetianos, montessourianas,

    comportamentalistas e construtivistas novos rumos ocorrem na educao.

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    Arealizao de congressos da ANPED (Associao Nacional dos Pesquisadores em

    Educao) e elaborao da Constituio de 1988, a educao pr-escolar vista

    como necessria, direito detodos e dever do Estado, sendo integrada no Sistema de

    Ensino, tanto em creches como em escolas. Deixando seu carterassistencialista,

    mas estando agora numa viso pedaggica, que como afirma Kramer (2002),

    precisa se orientar por uma viso das crianas como seres sociais, indivduos que

    vivem em sociedade, cidados e cidads, (p. 19). O que nos faz lembrar Angotti

    (2006) ao mencionar:

    Elementos da historia do atendimento a infncia precisam e merecem ser reconhecidos, entendidos e analisados, para que se possa elaborar e manter a luta pelas condies educacionais que favoream a insero da criana na sociedade a qual pertence, sua condio de direito de ser pessoa, em ser e viver as perspectivas sociopolticas histrico culturais que sustentem as bases do sujeito protagonista da historia do seu prprio desenvolvimento, interlocutor_ de dilogos abertos com um e em um mundo permanente e abs