MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS NA PRÁTICA ESCOLAR

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C A D E R N O S

DA

TV ESCOLA00159

MLTIPLAS INTELIGNCIAS NA PRTICA ESCOLAR

MINISTRIO DA EDUCAOSECRETARIA DE EDUCAO A DISTNCIA

N. 1/1999

Presidente da Repblica Fernando Henrique Cardoso Ministro da Educao Paulo Renato Souza Secretrio de Educao a Distncia Pedro Paulo Poppovic

Secretaria de Educao a Distncia Cadernos da TV Escola Diretor de Produo e Divulgao Jos Roberto Neffa Sadek Coordenao Geral Vera Maria Arantes Projeta e Execuo Editorial Elzira Arantes [texto] e Alex Furini [arte] Capa Ilustrao de Jos Rodolfo de Seixas sobre desenho de Leonardo da Vinci Este caderno complementa a srie "Cadernos da TV Escola" Mltiplas Inteligncias na Prtica Escolar 1999 Secretaria de Educao a Distncia/MEC Tiragem : 110 mil exemplares Informaes: Ministrio da Educao Secretaria de Educao a Distncia Esplanada dos Ministrios, Bloco L, sobreloja, sala 100 CEP 70047-900 Caixa Postal 9659 - CEP 70001-970 - Braslia, DF Fax: (0XX61) 410.9158 e-mail: [email protected] Internet: http://www.mec.gov.br/seed/tvescola Este livro foi financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educao (FNDE).

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Smole, Ktia Cristina Stocco Mltiplas Inteligncias na Prtica Escolar/ Ktia Cristina Stocco Smole - Braslia : Ministrio da Educao, Secretaria de Educao a Distncia, 1999. 80 p. ; 16 cm. - [Cadernos da TV Escola. Inteligncias Mltiplas, ISSN 1517-2341 n.1) 1. Conceito de inteligncia 2.Tipos de capacidade 3.Desenvolvimento da inteligncia. 4. Inteligncias mltiplas. I-Brasil. Secretaria de Educao a Distncia CDU 159.922

SUMARIO

MLTIPLAS INTELIGNCIAS NA PRTICA ESCOLAR Ktia Cristina Stocco Smole Afalsa medida do homem

A teoria de Gardner Um outro olhar para o aluno

Seleo de atividades Aes e avaliaes

Programa 1

A FALSA MEDIDA DO HOMEM

epare um pouco em seus alunos. Talvez haja algum que goste muito de desenhar e pintar, produzindo excelentes desenhos, ilustraes, ou mesmo charges; j um outro tem grande interesse pela msica e sabe tocar muito bem um instrumento. Outros podem se mostrar mais ligados ao esporte - sem muito esforo, realizam sries complexas de movimentos corporais. Mas h tambm aqueles que desenvolvem de forma prazerosa raciocnios matemticos precisos. Refletindo a respeito dessa observao, voc ver que as diferenas vo longe! Alguns amam escrever e vivem produzindo pequenos poemas e inventando histrias. E h os lderes, que naturalmente se colocam como modelo para a classe, de modo positivo. Uns poucos podem demonstrar interesse em metas extremamente pessoais: autoconhecimento, um bom controle das emoes. H aqueles que tm uma boa percepo do ambiente, so bons em localizar coisas, em descrever trajetos, analisar espaos. Entre os alunos descritos, qual seria o mais inteligente? impossvel responder a essa questo. Cada um dos exemplos mencionados corresponde a crianas cujas atitudes sugerem diferentes tipos de inteligncia. Talvez hoje essas consideraes no nos paream to estranhas. Mas... nem sempre foi assim.

Programa 1

Medidas, de intelignciaDurante longo tempo, a concepo dominante de inteligncia foi - e em muitos casos ainda - a de algo que podia ser medido. Por essa tica, seria possvel quantificar a inteligncia por meio de testes especialmente preparados para isso. Tais testes, baseados em questes lgico-matemticas e lingsticas, tinham por funo medir quanta inteligncia uma pessoa possua, ou seja, o quociente de inteligncia - o conhecido Ql -, que identificaria sua capacidade intelectual. Desde os primeiros testes, idealizados em 1908 por Alfred Binet, at hoje, distintas verses desse tipo de instrumento foram sendo elaboradas e utilizadas com as mais variadas finalidades - explicar o fracasso escolar, avaliar candidatos a empregos, justificar determinados comportamentos e assim por diante. Ao comear a desenvolver seu trabalho, Binet e seus colaboradores no pretendiam testar a inteligncia. Sua preocupao central consistia em identificar alunos que mostrassem dificuldades para aprender e ajud-los a melhorar. Os pesquisadores no planejavam atribuir um rtulo aos alunos, nem determinar seus limites, fosse qual fosse a causa do mau desempenho escolar, mas apenas identificar essa causa. No entanto, especialmente nos Estados Unidos, a notcia da elaborao dos primeiros testes de inteligncia representou, para alguns psiclogos e educadores, um enorme potencial para avaliar e comparar pessoas. No demorou muito para que se manifestasse, tanto na comunidade cientfica quanto em toda a sociedade, um grande entusiasmo pelos instrumentos que serviriam para testar a inteligncia. Em seu livro A falsa medida do homem, Stephen Gould afirma que alguns pesquisadores adotaram os testes com boas intenes, mas que na maioria das

A falsa medida do homem

vezes esse instrumento foi utilizado de maneira estigmatizadora, para rotular e classificar pessoas, alm de gerar julgamentos a respeito das limitaes dos indivduos. O uso dos testes de Ql caminhou junto com a crena de que a inteligncia era herdada, passada de uma gerao para outra. De acordo com essa perspectiva, cada indivduo nasceria com uma determinada 'quantidade' de inteligncia; assim, seria possvel elaborar testes para qualificar e classificar as pessoas em relao a sua inteligncia. Essa concepo ainda persiste muito fortemente entre ns. Mesmo nos dias atuais, no hesitamos em falar - e cansamos de ouvir falar - de pessoas 'mais' ou 'menos' inteligentes, 'mais ou 'menos' capazes, que herdaram a 'maior' ou 'menor' inteligncia dos pais.

Inteligncia uma grandeza?Desde sua criao, os testes de inteligncia tm recebido crticas freqentes, em particular a partir da dcada de 70. Segundo seus adversrios, eles quase sempre se resumem a medir aptides lingsticas e lgi-co-matemticas do indivduo, deixando de fora uma srie de outras habilidades que tambm podem constituir manifestaes de inteligncia. De uns tempos para c, o fato de a idia de inteligncia como grandeza estar sendo questionada pelos estudiosos colocou o assunto 'inteligncia' no foco das atenes do pblico em geral. E no raro encontrar em diferentes contextos, em jornais e revistas populares - e quase sempre de modo enftico ou sen-sacionalista -, expresses do tipo 'inteligncia emocional', 'inteligncia coletiva', 'inteligncia artificial', 'inteligncia mltipla' ou 'inteligncia criadora'. Para os pesquisadores e crticos da concepo de uma inteligncia nica, que pode ser medida e com-

Programa 1

parada, h evidncias persuasivas da existncia de diversas competncias intelectuais humanas, indicando que a inteligncia consiste em algo muito mais amplo que apenas a capacidade de dar respostas curtas para perguntas curtas. Para esses estudiosos, os testes de Ql serviriam apenas para medir a competncia de um indivduo para resolver testes de QL j Nessas tendncias mais atuais, a inteligncia no algo que 'se tem' ou 'no se tem', nem alguma coisa que uma pessoa possa ter 'mais' ou 'menos', mas sobretudo algo que se vai fazendo e desfazendo em situaes individuais e sociais, sem as quais ela se resumiria a uma 'propriedade virtual'. Pelas novas concepes, a inteligncia faz muitas coisas, alm de computar informaes: inventa projetos, pensa em valores, dirige a aplicao da energia pessoal, constri critrios, avalia e realiza tarefas. As reflexes recentes acerca da inteligncia parecem confirmar uma tendncia a acreditar que no existe uma inteligncia nica, uniforme, igual para todos, mas sim uma multiplicidade de inteligncias. nesse contexto que situamos a teoria proposta por Howard Gardner.

A teoria das inteligncias mltiplas de GardnerA teoria das inteligncias mltiplas foi proposta, na dcada de 80, por Howard Gardner, psiclogo e pesquisador da universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Gardner baseou sua teoria em muitas idias diferentes, mas a principal delas sustenta que as pessoas manifestam as mais distintas habilidades - para compor uma msica, construir um computador ou uma ponte, organizar uma campanha poltica, produzir um

A falsa medida do homem

quadro, alm de muitas outras -, e que todas essas atividades requerem algum tipo de inteligncia, mas no necessariamente o mesmo tipo de inteligncia. Para Gardner, as pessoas possuem capacidades diferentes, das quais se valem para criar algo, resolver problemas e produzir bens sociais e culturais, dentro de seu contexto. A teoria de Gardner pressupe que: H mais de uma inteligncia: ele inicialmente props sete, mas possvel que existam outras. As inteligncias podem ser estimuladas: o contexto social, a escola, a oportunidade de explorar e realizar atividades diferentes so fatores que podem interferir no desenvolvimento das inteligncias. As inteligncias se combinam de forma nica em cada pessoa: cada pessoa nasce com todas as inteligncias que se desenvolvero durante sua vida, de modo nico. No h como padronizar: as combinaes das inteligncias so nicas, tal como as impresses digitais.

Programa 2

A TEORIA DE GARDNER

ardner afirma que a inteligncia responsvel por nossas habilidades para criar, resolver problemas e fazer projetos, em uma determinada cultura. Segundo ele, cada indivduo possui alguns tipos diferentes de capacidade, que caracterizam sua inteligncia. A inteligncia como habilidade para criar: como seres humanos, podemos inventar e descobrir. Sempre pensamos em fazer coisas de um modo novo, sob um ngulo diferente. Portanto, a capacidade criadora que nos move uma caracterstica prpria da inteligncia humana. A inteligncia como habilidade para resolver problemas: muitas de nossas atividades cotidianas requerem tomadas de deciso, a busca dos melhores caminhos ou a superao de dificuldades. A resoluo de problemas est presente em todos esses casos, e o que nos habilita a resolv-los so nossas diferentes capacidades cognitivas. A inteligncia como habilidade para contribuir em um con

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