Newsletter Agosto 2015

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  • Conselho EditorialAnabela Lemos, Daniel Ribeiro, Janice Lemos, Ruben Manna, Samuel Mondlane e Vanessa Cabanelas

    Boletim informativo com a autorizao Nr. 17/GABINFO-DEC/2007

  • 01

    JA | Julho 2015

    Caros parceiros e amigos,

    A JA! mudou de instalaes. Por fora dessa mudana o nosso boletim saiu este ms significativamente mais tarde, as nossas sinceras desculpas.E j agora, a nova morada do nosso escritrio em Maputo Rua de Kamba Simango n 184.

  • 02

    JA | Julho 2015

    A Explorao dos Recursos Naturais e os

    Crimes Contra o Ambiente Luz do Novo

    Cdigo Penal

  • 03

    JA | Julho 2015

    I. Introduo

    Em Moambique, a explorao de recursos naturais em grande escala tornou-se a retrica do dia e matria de acesos debates pblicos. Curiosamente, o novo Cdigo Penal, j em vigor, introduziu alguns novos tipos legais de crime contra o ambiente, quais sejam: (art. 349) Pesquisa e explorao ilegal de recursos minerais, (art. 350) Disseminao de enfermidades, (art.351) Sustncias Txicas e Nocivas sade, (art. 352) Explorao ilegal de recursos florestais, (Art. 353) Abate de espcies protegidas ou proibidas e (354) Poluio.A criminalizao de determinadas condutas sobre a proteco ambiental traz consigo grandes expectativas de maior proteco do meio ambiente ao mesmo tempo que traz desafios, no s de compreenso destes crimes pela sociedade, mas, sobretudo, de partilha de informao e fiscalizao sria das actividades de explorao dos recursos naturais que tem resultado na violao de inmeros direitos humanos.

    II. Responsabilizao criminal das empresas por danos ambientais

    A sociedade civil e as comunidades locais afectadas pela explorao dos recursos naturais em diversificados pontos do Pas tm reclamado e denunciado uma srie de violaes de direitos humanos, incluindo o direito ao ambiente por parte das empresas no mbito dos megaprojetos, no que tange explorao dos recursos naturais. Tais violaes tm sido frequentes e persistentes mesmo na vigncia do Cdigo Penal em vigor que criminaliza tais condutas.A ttulo de exemplo, a Justia Ambiental tem conhecimento atravs das denncias feitas pelas comunidades e atravs das suas intervenes junto s autoridades, de que h graves ilegalidades na implantao e funcionamento da Empresa mineradora JINDAL Mozambique Minerais Limitada, cuja actividade tem resultado na violao dos direitos das comunidades locais afectadas pelo projecto.A JINDAL est a explorar uma das maiores minas de carvo da Provncia de Tete a cu aberto numa rea que abrange as terras das comunidades locais e que esto a habitar na rea de explorao da mina de carvo em questo numa situao clara de violao constante dos seus mais elementares direitos e liberdades fundamentais, incluindo os direitos sobre a terra e a violao do direito ao ambiente devido poluio causada pela JINDAL. A Justia Ambiental tem conhecimento ainda de que a mina entrou em funcionamento sem que o Estudo de Impacto Ambiental tivesse sido concludo e aprovado nos termos da lei e no houve estudos para efeitos de reassentamento, nem outra forma de proteco dos direitos das comunidades afectadas pela actividade da mineradora JINDAL.At ao presente, as famlias afectadas vivem no mesmo espao em que est implantada a mineradora, num ambiente violentamente poludo pelas actividades da JINDAL devido emisso constante de grandes quantidades de fumos e poeiras para o ambiente.

  • 04

    JA | Julho 2015

    A poluio do ambiente pela JINDAL um manifesto perigo para a sade da comunidade afectada, uma vez que essa poluio incide mais sobre a gua e o ar que a comunidade consome e respira, para alm dos efeitos, em certa medida, da degradao do solo. Ora, considerando que as pessoas colectivas podem ser sujeitas a responsabilidade criminal, como o caso das empresas, a conduta da mineradora JINDAL passvel de uma anlise mais cuidada luz do novo Cdigo Penal, uma vez os factos estarem a demonstrar que os termos em que a mesma est a explorar o carvo mineral em Tete parecem violar a licena mineira que lhe foi concedida pelo Governo Moambicano. Pelo que, importante as autoridades competentes averiguarem, em defesa do meio ambiente, se a conduta da JINDAL consubstancia um acto criminal ou no, uma vez haver elementos bastantes para o efeito.Outrossim, sabido que no ano transato a empresa ANADARKO derramou significativos litros de lama oleosa na sequncia de uma perfurao num dos poos desta petrolfera que pesquisa gs e petrleo na Bacia do Rovuma. Todavia, as autoridades competentes trataram esta questo de forma secreta, obscura e leviana, quase que em proteco da conduta da multinacional ANADARKO e em detrimento do direito ao ambiente, do direito informao e do princpio da transparncia.A monitoria do incidente em apreo foi feito atravs da Anadarko, com base nos dados recolhidos pela Anadarko apenas, numa clara demonstrao de fraca capacidade tcnica e organizacional das autoridades competentes para avaliar e monitorar as consequncias deste incidente. Ademais, no foi dado a conhecer ao pblico sobre o Relatrio de avaliao do ocorrido, a informao sobre os preliminares e concretos danos humanos, ambientais e marinho, bem como o nvel de perigosidade que este derrame representa para o meio ambiente. Tambm, no houve informao sobre as medidas tomadas para apurar as responsabilidades Anadarko por este derrame.

    Concluso

    Portanto, de salutar a introduo dos crimes contra o ambiente no novo Cdigo Penal, mas os mesmos s tero efeito prtico apenas se as autoridades competentes deixarem de acobertar as empresas pelas suas violaes no mbito da explorao dos recursos naturais e, na medida que as mesmas autoridades demonstrarem vontade em tornar o processo de explorao de recursos naturais transparente e participativo, num contexto de maior partilha de informao e fiscalizao das actividades que afectam o meio ambiente. Caso contrrio, estes crimes contra o ambiente transformar-se-o em normas legais mortas como tantas outras existentes no nosso Pas e que protegem o meio ambiente apenas no plano terico.

  • 05

    JA | Julho 2015

    Nyusi acarinha a Portucel

    A Portucel Moambique um dos vrios projectos de plantaes industriais a ser implementado em Moambique. Pertence ao grupo portugus Portucel Soporcel, proprietrio de grandes reas de plantaes para o fabrico e comercializao de papel e outros derivados da madeira.O grupo Portucel Soporcel detem o DUAT de duas reas nas provncias de Manica e Zambzia que totalizam cerca de 356 000.00 hectares para plantao de eucalipto. Apesar de ainda estar numa fase inicial j tem havido relatos de alguns conflitos de terra entre a empresa e as comunidades locais.Ficamos de certo modo surpresos ao saber atravs dos meios de comunicao que o nosso presidente em visita oficial a Portugal visitou o complexo industrial da Portucel Soporcel em Setbal, e deu a sua beno ao projecto em Moambique assegurando que o mesmo ser implementado em paz e com tranquilidade... porque o mesmo ir entre outros criar 7000 postos de emprego. A nossa questo seria, e quantas pessoas habitam a rea em questo? Quantas pessoas tero de ceder as suas terras? A rea em questo, os 356 000 hectares, tem cerca de 24000 agregados familiares, podemos supor que sero afectados directa e indirectamente 24000 agregados familiares, correspondem a cerca de 120 000 pessoas. Mas estamos eternamente gratos e iremos compensar com a nossa terra rica, com a qualidade do nosso ambiente, com a nossa gua ainda com qualidade, pois teremos 7000 postos de trabalho. com grandes elogios que temos visto notcias sobre um dos maiores viveiros de plantas da regio, referindo se ao viveiro que a Portucel pretende implementar em Moambique com capacidade de 12 milhes de plantas por ano, no entanto, preciso lembrar que so 12 milhes de plantas de eucalipto. Um gnero de planta extica que se naturalizou em Moambique e hoje certas espcies pertencentes a este genero de plantas so consideradas invasoras devido sua capacidade de se implantar rapidamente em habitats tropicais, sem se esquecer dos seus efeitos alelopticos.O governo de Moambique tem sido consistente na sua busca por investimentos, tem conseguido atrair sistematicamente os piores investimentos, plantaes exticas, minas de carvo, prosavana, etc... curiosamente e apesar de tanta contestao a nvel nacional, apesar de tantos e to bvios casos de conflitos de terra, a imagem que passa de Moambique esta... um pas pronto a receber qualquer investimento, desde que d alguns postos de trabalho! E os impactos destes investimentos? Quem vai compensar os impactos destes investimentos j que ns moambicanos teremos de compensar o esforo e investimento com o produto moambicano? O nosso sonho de acarinhar este projeto no vai parar por aqui. Teremos de fazer mais coisas como estas. Queremos que a Portucel seja uma realidade em Moambique. Vamos compensar todo este esforo e investimento com o produto moambicano, garantiu Fiipe Nyusi.Esperamos o dia em que o nosso chefe de estado planeie as suas visitas oficiais levando consigo os sonhos, as aspiraes e as necessidades do povo que jurou servir, que negoceie o nosso futuro em nosso nome e no s nossas custas.

  • 06

    JA | Julho 2015

    Minerao de CarvoDas Violaes e Empobrecimento Marginalizao e Conflitos

    Os projectos que tm vindo a ser implementados em Moambique, promovidos pelo Governo em parceria com investidores estrangeiros e rotulados de desenvolvimento e/ou de interesse pblico, tm merecido muita ateno na comunicao social nacional e internacional. Contudo, a ideia de que estes investimentos e de que a explorao de certos recursos benfica e constitui um grande contributo para o desenvolvimento do pas relativa, uma vez que, alm dos investidores, apenas uma parte da nossa elite poltica se beneficia desse dito desenvolvimento. A verdade que a populao moambicana em geral e as comunidades locais em particular, vem-se mergulha