Ninguém sai vivo daqui – biografia Jim Morrison

  • View
    217

  • Download
    2

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Conheça a vida, a arte e os segredos de Jim Morrison, protagonista de uma das mais impressionantes tragédias modernas. A biografia Ninguém sai vivo daqui é o resultado de sete anos de escrita, e mostra em toda sua complexidade o cantor, filósofo, poeta, delinquente e fundador do The Doors. Escrito por Jerry Hopkins, autor de Elvis: the biography, e Danny Sugerman, confidente e assessor dos Doors, o livro tornou-se best-seller do The New York Times, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos e serviu como principal fonte do filme de Oliver Stone, The Doors.

Text of Ninguém sai vivo daqui – biografia Jim Morrison

  • S o P a u l o , 2 0 1 3Traduo: renaTo rezende

  • Ningum Sai Vivo DaquiCopyright 1980 by Haky Olelo, Inc.

    Updated Material 1995 by Haku Olelo, Inc.Copyright 2013 by Novo Sculo Editora Ltda.

    Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa (Decreto Legislativo n 54, de 1955)

    Dados Internacionais de Catalogao da Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Hopkins, JerryNingum sai vivo daqui : a biografia de Jim Morrison / por Jerry

    Hopkins e Danny Sugerman ; [traduo Renato Rezende]. -- Barueri, SP : Novo Sculo Editora, 2013.

    Ttulo original: No one here gets out aliveBibliografia.

    1. Morrison, Jim, 1943-1971 2. Msicos de rock - Estados Unidos - Biografia 3. The Doors (Banda de rock) I. Sugerman, Danny. II. Ttulo. III. Ttulo: A biografia de Jim Morrison.

    13-11261 CDD-782.42166092

    ndices para catlogo sistemtico:1. Msicos de rock : Biografia e obra 782.42166092

    2013IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL

    Direitos cedidos para esta edio Novo Sculo Editora Ltda.

    CEA Centro Empresarial Araguaia IIAlameda Araguaia, 2190 - 11 andar - Bloco A - Cj. 1111Alphaville Industrial - Barueri /SP - CEP 06455-000

    Tel.: (11) 3699-7107 - Fax (11) 3699-7323

    www.novoseculo.com.bratendimento@novoseculo.com.br

    Coordenao Editorial

    Editor-assistente

    Traduo

    Preparao

    Diagramao

    Reviso

    Capa

    Mateus Duque ErthalFilipe Nassar Lardo

    Daniel Lameira

    Renato Rezende

    Paulo Ferro Jr.

    Natalli Tami

    Jonathan Busato

    Mateus Valadares

  • VDigamosque eu estava apenas testanDo os limites Da realiDaDe. estava curiosopara vero queaconteceria. e foi s isso: apenascuriosiDaDe.

    Jim morrisonloS angeleS,1969

  • V I I

    prefcio

    Embora os favoritos dos deuses morram jovens,

    eles tambm vivem eternamente na companhia dos deuses.

    Friedrich NietzscheO nascimento da tragdia

    O The Doors foi uma espcie de anomalia no panteo do rock. Em seu apogeu, eles no eram folk nem jazz, e enquanto al-guns crticos de rock chamavam sua msica de acid rock, eles no faziam parte daquele acid rock paz e amor tipo Airplane-Dead-Quicksilver de So Francisco. Eles no tinham nada em comum com a invaso inglesa ou at mesmo com a msica pop em geral, embora tenham lanado trs singles que alcanaram o primeiro lugar nas paradas de sucesso; e embora a cidade de Nova York tenha sido boa para o The Doors quase ao ponto de adot-los como seus , eles continuavam sendo uma turma diferente daquela do Velvet Underground, apesar de haver uma afinidade mtua pelos temas escuros e sombrios. Eles no eram nem mesmo parte da cena folk rock que dominava Los Angeles naquela poca, representada pela msica dos Byrds, Buffalo Springfield e outros. Mesmo estando entre a hierarquia que

  • NINGUM SAI VIVO DAQUI

    V I I I

    inclua Elvis, Joplin e Hendrix, eles eram um mundo parte. Um mundo estranho e assustador, como o prprio Jim disse certa vez, sugerindo um oeste novo e selvagem.

    Para se ter uma melhor viso de Jim Morrison, deve-se pas-sar direto pelo The Doors, e a coisa mais importante a se lembrar sobre o The Doors que eles foram uma banda, e cada indivduo formava um lado do diamante, que era o todo. Uma noite, na es-trada, um pouco antes do show comear, um disc jokey subiu ao palco para iniciar o evento:

    Senhoras e senhores anunciou para o pblico , por favor, deem as boas-vindas para Jim Morrison e o The Doors! Houve o aplauso costumeiro.

    Enquanto o DJ descia as escadas que levavam ao palco, Jim o puxou para um canto e disse:

    Cara, volte l e nos apresente direito.

    O apresentador entrou em pnico.

    O que eu disse? O que eu fiz?

    THE DOORS disse Jim , o nome da banda THE DOORS.

    Ali estava uma banda cujo objetivo no expresso era nada menos do que sua prpria alquimia musical eles pretendiam, de uma maneira ainda nunca ouvida antes, unir o rock poesia e este hbrido com o cinema e o teatro. Eles pretendiam unir intrpre-te e pblico conectando-se diretamente Mente Universal. Eles no aceitariam nada menos que isso. Para eles, isso significava risco, nenhum truque, nada nas mangas, nenhuma encenao elaborada nem efeitos especiais apenas realidade nua, perigosa, perfurando o vu de Maya com a capacidade da msica de des-pertar no homem seus prprios poderes adormecidos e eternos.

    O The Doors constantemente cortejava sua musa ou seja, Morrison cortejava a sua musa e a banda o seguia; a banda ficava com ele. Jim acreditava que no se pode simplesmente desejar a

  • prefcio

    I X

    musa; o poder do escritor ou do artista est em sua capacidade de receber, bem como de inventar, e dever do artista fazer todo o possvel para aumentar seu poder de recepo. Para atingir este objetivo, o poeta do sculo XIX Arthur Rimbaud defendeu uma sistemtica perturbao racional de todos os sentidos. Por qu? Para alcanar o desconhecido. Como? De qualquer maneira possvel.

    A inclinao de Jim e sua busca pelo desconhecido bem documentada nas pginas a seguir. Existem coisas conhecidas, Jim diria em uma citao frequentemente atribuda a William Blake, mas, na verdade, do prprio Jim, e existem coisas des-conhecidas, e entre elas esto as portas [the doors]. Mas Blake de fato disse, em seu primeiro Provrbio do Inferno, A estrada do excesso conduz ao palcio da sabedoria. E na linha seguinte: A Prudncia uma velha solteirona, rica e feia, cortejada pela Incapacidade. No preciso acrescentar que Jim no cortejava a solteirona e cortejava a capacidade sempre que podia. Bebia e gritava e implorava, persuadia e danava na inspirao de unir a banda, de inflamar o pblico, de tocar fogo na noite, de uma vez por todas, para sempre.

    Infelizmente, foi o compromisso de Jim a este critrio, defi-nido to cedo em sua carreira profissional, que finalmente acabou tanto com o homem quanto com a banda. Jim Morrison foi um homem que no iria, no podia, e se recusava a comprometer a si mesmo ou sua arte. E a que residia sua inocncia e pureza sua breve bno e maldio. Percorrer todo o caminho ou morrer tentando. Tudo ou nada. O risco exttico. Porque ele no fabricaria ou baratearia o que escrevia, ele no podia falsificar desespero nem fingir xtase. Ele no iria meramente entreter, ou seguir a onda; ele era brilhante e desesperado, ele era levado por uma necessidade incessante de testar os limites da realida-de, de sondar o sagrado, de explorar o profano. E isto o deixou louco... louco para criar, louco para ser real. Estas qualidades o deixaram instvel, perigoso e em conflito. Ele procurou consolo e conforto nos mesmos elementos que inicialmente o inspiraram e o ajudaram a criar: os entorpecentes.

  • NINGUM SAI VIVO DAQUI

    X

    As teorias do surrealista francs Antonin Artaud sobre o confronto, expostas em sua tese O teatro e seu duplo, foram uma influncia significante para Jim e o grupo. Em um dos en-saios mais impactantes do livro, Artaud estabelece um paralelo entre a praga e a ao teatral, sustentando que a atividade dramtica deve ser capaz de promover uma catarse no espec-tador da mesma forma que a praga purificou a humanidade. O objetivo? Desta forma eles ficaro aterrorizados e despertaro. Eu quero despert-los. Eles no percebem que j esto mortos.

    Jim iria, em breve, gritar Acordem! mil vezes, mil noites, em um esforo para tirar a audincia de sua inconscincia. Ainda me lembro do primeiro show do The Doors em que fui, ame-drontado at o mais fundo de minha alma de apenas 13 anos, pensando: Este cara perigoso. Algum vai se machucar, prova-velmente ele. Ou eu. Ou todos ns. Ningum sai vivo daqui, ele cantou na msica Five to One e, quando voc enfrenta esse tipo de medo ou o terror profano que uma msica como The End pode gerar , algo dentro de voc muda. Ao confrontar o fim, a eternidade pisca. Aquele show mudou minha vida. Eu sabia: no poderia ficar melhor ou mais real do que aquilo. Hoje, mais de vinte anos depois, eu ainda me sinto da mesma maneira. Eu ainda no sei exatamente o que aconteceu comigo naquela noi-te em 1967. Mas sei que foi transcendente. Jim Morrison mudou minha vida. Ele mudou a vida de Jerry Hopkins. Ele tinha poder, ele fazia magia, Mr. Mojo Risin.

    Os festivais de mistrio deveriam ser eventos inesquecveis, projetando suas sombras sobre toda a vida futura das pessoas, criando experincias que transformam a existncia, escreveu Aristteles. Os shows do The Doors as performances de Jim, quando bem-sucedidas realizavam tal transformao.

    Plutarco tentou descrever o processo de morrer em termos de uma iniciao semelhante: Vagando perdido, na escurido, por caminhos assustadores que no levam a lugar nenhum; e ento logo que posto diante do fim de todas as coisas terrveis,

  • prefcio

    X I

    pnico e espanto. H sons mgicos e danas e palavras sagradas passadas adiante, e ento o iniciado solto e fica livre de toda a escravido e vagueia, celebrando o festival com outras pessoas sagradas e puras e olha com superioridade para os no iniciados...

    Isso se aproxima bastante da descrio do The Doors no auge de seus poderes: cavalgando a cobra, a serpente, antiga e arquetpica, estranha e ao mesmo tempo perturbadoramente familiar, poderosamente evocativa, sensual e m, forte, proibitiva. Quando Morrison entoou: O assassino acordou antes do ama-nhecer e colocou suas botas / ele tirou uma foto da antiga galeria / e ele andou pelo corredor1, ns andamos por aquele corredor com ele, apavorados, paralisados, incapazes de parar, medida que a msica tecia uma teia de histeria em torno de ns, envolvendo-nos cada vez com mais fora em sua teia, Morrison interpretando a tragdia, o parricdio, o horror, o tormento indescritvel. NS VIMOS, NS SENTIMOS, ns est-vamos l. Estvamos hipnotizados. A realidade abriu sua bocarra escancarada e nos engoliu int