O GRITO ABENÇOADO DA PERIFERIA: trajetórias e ... ?· MARIANA ESTEVES DE OLIVEIRA O GRITO ABENÇOADO…

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  • MARIANA ESTEVES DE OLIVEIRA

    O GRITO ABENOADO DA PERIFERIA:

    trajetrias e contradies do Iajes e dos movimentos populares na

    Andradina dos anos 1980.

    MARING - UEM

    2006

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    MARIANA ESTEVES DE OLIVEIRA

    O GRITO ABENOADO DA PERIFERIA:

    trajetrias e contradies do Iajes e dos movimentos populares na

    Andradina dos anos 1980.

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Histria da Universidade Estadual de Maring UEM, como requisito parcial para a obteno do ttulo de Mestre em Histria (rea de concentrao: poltica, movimentos sociais e populacionais). Orientador: Prof. Dr. Sidnei Jos Munhoz

    MARING - UEM

    2006

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    MARIANA ESTEVES DE OLIVEIRA

    O GRITO ABENOADO DA PERIFERIA:

    trajetrias e Contradies do Iajes e dos Movimentos Populares

    na Andradina dos Anos 1980.

    COMISSO JULGADORA

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    Maring, _______de ______________________ de 2006.

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    DEDICATRIA

    Dedico este trabalho minha me, Clia, mulher guerreira que todos os dias volta da incessante luta e me ensina mais um pouquinho sobre o amor. Me, ainda que eu falasse a lngua dos homens e falasse a lngua do anjos, sem o amor que me dedicas cotidianamente, eu nada seria... Ao v Bastio que, com entusiasmo, viu esse sonho nascer, mas no pde ficar para v-lo concretizado. Aos sobrinhos amados, Felipe e Vitria, pelo companheirismo que mostram em to tenra idade. Aos homens e mulheres comuns, das comunidades, das periferias e das favelas, Joos, Anas, Marias, Joss e Antnias que resistem, com garra, graa e coragem, na guerra silenciosa e dissimulada do capitalismo.

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    AGRADECIMENTOS

    Antes de agradecer a todos que, de alguma forma, contriburam para minha formao e para a consecuo deste trabalho, gostaria de enfatizar que esse agradecimento tambm uma forma de tentar justificar a minha ausncia do seio familiar e da companhia dos amigos nos ltimos dois anos. Isso por que, para ser uma mestranda, preciso ser um pouco menos filha, um pouco menos irm, um pouco menos neta, um pouco menos sobrinha, um pouco menos tia, um pouco menos amiga, um pouco menos professora e um pouco menos companheira. No entanto, na etapa final do processo de uma pesquisa que me foi to saborosa, sinto fortalecidos todos os laos que me ligam a esses entes com os quais estive um pouco menos presente, pois ver este trabalho concretizado significa haver recebido muito apoio e muita compreenso deles. Hoje, eu e este trabalho resultamos dessas preciosas contribuies. Presentes valiosos que tentarei agradecer neste espao, rogando queles que ficaram ausentes, por qualquer negligncia, que continuem dispensando a mesma compreenso. Saibam que pertencem minha histria e minha vida. Em primeiro lugar, agradeo minha me, Clia Esteves, por sua dedicao, por sua abnegao, por seu companheirismo e pelo esforo imensurvel em promover minha formao. Sua luta por bem criar as filhas e ajud-las a trilhar os caminhos da felicidade a maior histria de amor que conheo. Ao professor Sidnei Munhoz, orientador e, agora, amigo inestimvel, de quem nunca esquecerei o incentivo, a compreenso, o auxlio, a prontido e a pacincia. Portador de uma generosa capacidade em equilibrar as crticas com o estmulo, deu-me fora e confiana para seguir com os sonhos. Detentor de uma admirvel competncia e de um respeito incomum, deu-me liberdade para trilhar meus prprios caminhos. Suas lies ecoaro em meus trabalhos e, sobretudo, em meu viver. Aos professores do curso de Histria da UFMS de Trs Lagoas, em especial, Maria Celma Borges, Vitor W. N. de Oliveira e Jos Carlos Ziliani. Pela abnegada dedicao que dispensaram a mim desde as minhas primeiras pinceladas com o tema, enquanto ainda era aluna nessa universidade to carente de recursos e to rica em luta. A contribuio na elaborao do projeto e o intenso dilogo no decurso da pesquisa foram fundamentais para a concretizao desse trabalho. Aos professores do PPH da UEM, em especial, Joo Fbio Bertonha, Luiz Miguel do Nascimento, ngelo Priori e Reginaldo Dias, pelas valiosas indicaes no decurso das disciplinas e no exame da Qualificao. Ao professor e queridssimo amigo Valdeci Fontoura, por sua leitura e correo das normas, dedicando-me generosa disponibilidade em meio a tantos compromissos profissionais. Ao professor Joo Bortolanza, meu tio, meu amigo, meu sujeito histrico, que saltou da sua atribulada rotina intelectual para fazer a correo gramatical desse texto. Seu desprendimento, sua histria, sua luta e seu amor pela famlia fazem de ti o meu horizonte, o meu grande exemplo.

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    Ao professor e queridssimo amigo Daniel Martos Costa, pela traduo do resumo para o ingls e pela disposio em contribuir sempre. minha estimada tia Ana Maria Esteves Bortolanza, por se fazer sempre presente em minha vida, em meus sonhos e em meus projetos, e por me deixar participar dos seus. Por sua preocupao em contribuir para este trabalho sempre: no vis de tia, de amiga, de educadora, de pesquisadora e, sobretudo, de militante do Iajes, na esperana da transformao e na certeza da continuidade da luta. Aos tios e padrinhos Flvio Antnio Ribeiro e Cristina Esteves Ribeiro, pelo carinho, pela ateno e pelos recursos a mim dispensados. Contribuies que me garantiram a fundamental tranqilidade nos tempos das disciplinas do curso, em que me ausentei de Andradina para viver plenamente o mestrado. V Bel, aos primos e Juliana, minha querida irm, pelo apoio e pelo respeito que dedicaram ao meu trabalho, aos meus projetos e s minhas opes. Ao Alex, por ser mais do que um companheiro. Por ser meu grande interlocutor e incentivador. Por trocar comigo, nas longas e dirias conversas ao fone, as experincias de pesquisa, os projetos, as perspectivas do trabalho, as expectativas e os sonhos. Por me emprestar seu infindvel amor ao conhecimento e, assim, me motivar na busca pelo desvelar dessas histrias e trajetrias que ora apresento. Estendo meus agradecimentos sua me, Maria Roberta, e sua irm, Charlene, por me acolherem em sua casa nas minhas tantas idas e vindas para Maring. Aos professores Flvio Antnio Moreira, Maria das Graas Gomes e Wilson Rodrigues, pela confiana, pela compreenso, pela leitura do texto da qualificao e por disponibilizarem os recursos logsticos que possibilitaram a concretizao desse sonho. Estendo os agradecimentos s Firb, pelo apoio e confiana. Aos velhos amigos de Andradina: Patrcia, Ricardo, Beto, Denise, Fer, Emiliana, Madu, Fernando, Gil, Mara, Srgio e todos os que contriburam para minha lucidez no decurso da pesquisa, ainda que muitas vezes isso tenha se dado por meio de reunies etlico-gastronmicas que nos levassem a momentos de embriagus. Aos novos amigos de Maring: s queridas amigas de repblica, Ana Paula, Fernanda, Janana e Silvana, com quem troquei experincias, angstias e conquistas e estabeleci laos indestrutveis, e toda turma de 2004 do PPH da UEM, Sandra, Leandro, Alex, Eurico, Rosa, Edilaine, Altair, der e, em especial, minha querida amiga Rosngela. Todos so grandes contribuidores para as reflexes aqui apresentadas. E tambm Giselle, por sua prontido e simpatia. Aos meus queridos alunos da Firb e da UFMS, pela compreenso, pelo dilogo e por me ensinarem tanto. Finalmente, aos militantes do Iajes, que possibilitaram o acesso aos documentos e permitiram que eu revelasse suas histrias de resistncias e conformismos. Histrias lindas, alegres e tristes, guardadas num velho barraco. Em especial, agradeo dona Arlinda, guardi incansvel desse tesouro. Pela pacincia e pelo caf quentinho.

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    HISTRIA DO BRASIL Eu vi No vou esquecer jamais De algum que fez dos desiguais Um povo unido em mutiro Numa s direo Pra no ser vencido Pelas garras da opresso Eu vi Das plancies e serras Dos confins desta terra Elevar-se um anseio To forte mas calou como veio Quando a sombra da morte Encobriu todos ns Juro que... Eu vi Quase tudo deu certo Quem no viu chegou perto Mas nos legou um sonho Risinho Hoje, vejo meu povo Merecendo de novo Ser feliz Agora lutar Por tudo que ele quis hora de mudar Conheo o meu pas Agora lutar Por tudo que ele quis hora de mudar Jorge Arago e Nilton Barros

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    OLIVEIRA, Mariana Esteves. O grito abenoado da periferia: trajetrias e contradies do Iajes e dos movimentos populares na Andradina dos anos 1980. Maring, 2006. Dissertao (Mestrado em Histria) Departamento de Histria, Universidade Estadual de Maring.

    RESUMO

    Nesta dissertao socializamos os resultados de pesquisa que teve como objeto a a entidade eclesistica Iajes, organizadora de movimentos populares e programas de educao popular na periferia da cidade de Andradina SP, nos anos 1980, sobre forte influncia das matrizes discursivas da Teologia da Libertao e de uma esquerda marxista gramsciana. Tivemos como objetivo compreender os processos das lutas populares focando as possveis causas de seu declneo no caso de Andradina, por meio de coleta e anlise de documentos produzidos pelo IAJES nas dcadas de 1970 a 1990. Como resultados apontamos: a) A histria regional reproduz as contradies do sistema e revela algumas das condies concretas de sua emergncia, tendo em vista um passado de explorao e lutas e um presente de intenso autoritarismo; b) A trajetria do IAJES tem histrias incoerentes e contraditrias, prprias do que o popular, sempre a oscilar entre o resistir e o conformar-se; c) A crise dos movimentos e da prpria instituio, ocorrida nos anos 1990, pode ser compreendida pela atuao consciente dos sujeitos e suas opes dentro dos campos religioso e poltico daquele cenrio; d) O referencial da Teologia da Libertao i