PACTA 10ª Edição

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  1. 1. PACTA Euquandofundeiestacasah30 anos,quemaisconcretamentefar dia 5 de Dezembro deste ano 30 anos, nunca tinha sonhado que pudssemos ter alcanado as acesquealcanmos. FernandoNobre MAISQUEUMAREVISTA,UMAJANELAPARAOMUNDO Edio especial dedicada s ONGs 10Edio,Julho,2014.RevistadoNcleodeEstudantesdeRelaesInternacionaisEspecialONGs
  2. 2. CoordenadoresdaPACTA: MiguelBrito,n210962 SofiaRamos,n212430 Colaboradores: TiagoNobre,n216492 FilipeGomes,n216427 GabrielMachado,n216387 JooPinto,n214903 Ediodeimagem: MiguelBrito Responsaveispelasredessociais: SofiaRamos,TiagoNobre CONTEDOS *CadernosdoTiaguisto4 -Nobastaahistriaensinar,temosque quereraprenders *DaCasa6 -Populaoedesenvolvimentodepoisde 2014umtestemunhodeEstocolmo *EntrevistaaFernandoNobre9 *ONGS18 -AIDGlobal,SusanaDamasceno -CPR,MnicaFrechaut -Oikos,PedroKrupenski *Cronologia26 *Experincia30 -AmnistiaInternacional,SaraBernardo AEQUIPA Segue-nosem: https://www.facebook.com/PACTARI http://ae.iscsp.utl.pt/ 2
  3. 3. Preparando o ano lectivo que a vem, a equipa da Pacta foi reestruturada. Para a ltima edio deste ano, foi decidido que seria uma edio de natureza no habitual mas original: uma edio temtica exclusivamente dedicada s Organizaes No Governamentais (ONGs), um importante vector da sociedade civil. Desde a segunda metade do sculo XX, a sociedade civil organizada tem assistido a um aumento progressivo do seu poder de aco e de mobilizao. Aumento esse que, por consequncia, tambm qualitativo e quantitativo relativamente s questes propostas para discusso, debate e defesa bem como aos agentes que o passaram a conseguir e a poder fazer. Nada disto seria possvel, sem o desenvolvimento, modernizao e democratizao do acesso s actualmente to conhecidas tecnologias da informao e da comunicao (TIC). Nesta mais recente edio da Pacta apresentamos, como no podia deixar de ser, os habituais contedos, tanto oriundos do ISCSP como da restante comunidade acadmica, de investigao e de trabalho na rea do resto do pas. Neste contexto, decidimos entrevistar o Professor Fernando Nobre, o presidente da Assistncia Mdica Internacional (AMI), uma das mais proeminentes ONGs portuguesas com uma relevante vertente internacional, a fim de perceber o papel da ONG em especial para um eventual ponte para a importncia das ONGs na generalidade. Em nome da equipa, a todos agradeo o apoio que no deixam nunca de manifestar e que to essencial continuao deste projecto. Sofia Ramos Coordenadora da Revista Pacta EDITORIAL 3
  4. 4. NO BASTA A HISTRIA ENSINAR, TEMOS QUE QUERERAPRENDER interessante o modo como a Histria dialoga com os Homens. ComoseaHistriativessevidaprpriae,na ausncia de palavras, nos desse algumas pistas sobre o nosso futuro prximo se estivermosdispostosaolharparaopassado. Comoemtudo,nobastaaHistriaquerer ensinar-nos preciso que queiramos aprender. Em1505,enquantoPortugalestabeleciaem Sofala(Moambique)asuaprimeiracolnia em frica Ocidental, Al-Ashraf Qansuh al- Ghawri, Sulto do Egipto, ordenava uma expedio contra os portugueses estacionados em Aden (Imen). Nesse mesmo ano, o Reino da Polnia transformou-se numa Commonwealth de Nobres (iniciando o perodo da Liberdade DouradaI) e Moscovo ganhou um novo GrandePrncipe:VasiliIII. Enquanto Portugal liderava, a par com a vizinhaEspanha,atransformaodaEuropa acelerandoasdinmicasdaglobalizao,na sia Central um espao sociopoltico fragmentado pelas duas incurses mongis (Genghis Khan no sculo XIII e Timur no sculoXIV)entravanumafasedeprofunda reorganizao interna. A ideia central era fecharumciclodeconflitosfratricidasede constantederramamentodesangue. Shaybani khan (Uzbeque), em 1505, conquista as importantes cidades de Khwarezm e Urgench (ambas no actual Uzbequisto) derrotando as foras turquemenas que dominavam a regio e afastando os lderes Timuridas que haviam provadoasuaincapacidadeparapacificara regio, viciados que estavam em golpes palacianos com o objectivo de conquistar, ampliarourecuperarpoder. AEuropateriaqueesperarpelosculoXIX para ser varrida pelo furaco bonapartista. No rescaldo, a Europa da SantaAliana foi acossada por movimentos liberais, pela Primavera dos Povos, pela acelerao da independentizao da Amrica Latina, pela queda de algumas casas reais, por duas Guerras Mundiais, pelo aparecimento e desaparecimento de pases e de projectos polticos. Em1957,umgrupodeseispasesprocurou fazer em conjunto o que Shaybani khan fizera sozinho, cerca 450 anos antes. E o Tratado de Roma surgiu. Em 1992, com Maastricht,ogrupopassouadesignar-sede Unio Europeia. O objectivo mantinha-se: pacificar, reconstruir e unir a Europa, especialmente aps a imploso da Unio Sovitica.CaberiaUnioorganizaroVelho Continente. Durante o reinado de Shaybani khan uniram-se uzbeques, nmadas turcfonos, CADERNOSDOTIAGUISTO 4
  5. 5. semi-nmadas iranianos, semi-nmadas mongis e cazaques. Mais tarde at os turquemenos e alguns grupos tnicos de origem chinesa juntaram-se ao conforto pacifista do khanato. A sia Central viveu umperododeligeiraacalmia,antesdanova tempestade A morte do khan e as desvirtuaes, feitas pelos seus herdeiros, ao modelo de governao por ele criado levariamaumarpidaimplosodokhanato. certoqueapressodopoderosoImprio Persa Safavida acelerou a destruio do espao construdo por Shaybani khan. igualmentecerto,contudo,queosherdeiros deShaybanikhanapostaramnumapoltica de centralizao do poder, que limitava a capacidade de incluso, de representao, de ter voz. Os lderes locais, que contavam com os generosos favores das autoridades centrais,tentavamatodoocustomascarara realidade: o khanato reduzira-se a uma cidade-estado. AUnioEuropeia,apsaimplosodaUnio Sovitica,viucomoobrasuaainclusodos povos que, sem Moscovo, pareciam ter ficado num estado de semi-orfandade. O espaoprotectordaUniocresceu.Aideia deEuropeidadedeveriasubstituiranoo dosvriosNsnacionaisMasenquantose criava um Ns-Europeu, ao nvel psicossocial, espartilhava-se o poder cada vez mais afunilado e concentrado numa nicacidade. Osherdeirosde1957parecemteresquecido o propsito inicial da Unio, embriagados pelo aparente sucesso do projecto que lideram, que recentemente at recebeu o galardodeNobeldaPaz(pronnciodeum momento pr-pstumo?), foram transformandoomesmo,semrespeitopela natureza desta: a incluso. E, curiosa coincidncia, no primeiro abalo srio, a tal Crise das Dvidas Soberanas, a Europa descobriuquenonadaEuropeia No topo da hierarquia o poderoso Norte Escandinavo;seguidopeloprodutivoespao Austro-Germnico-Francs; depois os relaxadosedespesistasdosLatinosdoSule emquartolugarospobrezinhosecorruptos dos Eslavos. No entremeio as repblicas Blticas acham-se parte do segundo grupo, enquanto este as v como pertena do quarto. A Europa unida no pela ideia de comum, mas por uma corrente esparvoada deesteretipos. NokhanatodeShaybanikhanascoisasno forammuitodiferentes.OsUzbequeslogose declararam herdeiros de Genghis Khan; os grupos Turcfonos viriam em segundo, seguidos de pertinho pelas tribos semi- nmadas Iranianas que no devotassem lealdadeaoX;osCazaques,maisprximos do futuro Imprio que aglutinaria todos, vinham em quarto. E no fim da cadeia, os MongiseosTurquemenos. No levou muito a que a ausncia de um sentidodepertenaaalgocomum,defacto partilhado,levasseaosurgimentodenovos projectos sociopolticos, menos ambiciosos nofactorinclusivo,masmaiscapazesdese tornarem representativos. A Europa da Unio corre o mesmo risco, enquanto o caminhotrilhadoforodeumcentralizao castradora que apenas empodera os j poderosos. 5
  6. 6. No preciso soarem as trombetas do apocalipse, porque a Europa da Unio caminha mesmo para a sua imploso com passoincerto,semqualquernooderitmo. Nofinal,restarapenasumacidade-estado- tecnocrtica esvaziada de representatividade real, entupida em questes regulamentares e incapaz de travar a desagregao da ideia de um Ns Europeu. Mas,aocontrriodoquedizemasvozesdos lderes locais favorecidos pela tal cidade- estado-tecnocrtica, a imploso do Ns Europeu no levar necessariamente ao abismo. O fim do khanato de Shaybani permitiu o florescimento dos khanatos de Khiva, Bukhara, Samarkand, Tashkent e Kokand;ofimdaEuropadaUnioconduzir- nos- a algo diferente, por certo; mas diferentenotemquesernecessariamente pior. Resta-nos aguardar e olhar para trs, parasaberoqueveremosparaafrente! POPULAOEDESENVOLVIMENTODEPOISDE2014 UMTESTEMUNHODEESTOCOLMO De22a25deAbril 260 parlamentares de 134pasesdetodasas regies do mundo reuniram-se em Estocolmo para avaliar o estado de implementao do Programa de Ao (PoA) da Conferncia Internacional sobre Populao e Desenvolvimento (CIPD), realizadanoCairoem1994. Naquelaquefoiasextagrandeconferncia internacional deste tipo, o/as 260 parlamentares debateram os sucessos, as limitaese,sobretudo,ofuturodoPoA Por Tiago Ferreira, Professor na UniversidadeKirikkaleeInvestigadordo InstitutodoOriente cujo quadro temporal de aplicao (20 anos)terminaem2014. A Conferncia do Cairo revolucionou a forma como governos, parlamentos, organizaes internacionais e sociedade civilorganizadaolhavamparaasdinmicas DACASA 6
  7. 7. populacionais e a sua corelao com os processosdedesenvolvimento.Populao, igualdade, direitos, educao, sade, ambiente e desenvolvimento so entendidoscomodimensesdeummesmo objetivo: o desenvolvimento humano. As ligaes entre estes elementos e as suas sinergiasforamplasmadosnoPoAdoCairo com a definio de grupos-alvo e aes prioritrios: os jovens, as mulheres, a igualdade de gnero, a preveno da gravidez adolescentes, das infees sexualmentetransmissveis De facto, o Cairo efetuou uma revoluo paradigmtica na forma como olhvamos paraosindicadorespopulacionaiseparaa sua relao com o desenvolvimento. De uma perspetiva puramente demogrfica passou-separaumaperspetivadedireitos, istosignifica,porexemplo,queemvezde nosperguntarmoscomoquechegamosa esteouaquelevalorpopulacional,devemos tentar perceber como que podemos con