PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA TRAUMÁTICA PERIFERIC

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    PARALISIA FACIAL PERIFRICA TRAUMTICA

    PERIFERIC FACIAL PALSY CAUSED BY TRAUMA

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    A paralisia perifrica do VII par de nervos cranianos, decorrente da interrupo do influxo nervoso de qualquer

    um dos seus segmentos. Esta apresenta diferentes e variadas etiologias, sendo a traumtica a de maior interesse

    para o cirurgio bucomaxilofacial, uma vez que acomete a face e/ou a regio temporal. Sero abordados neste

    trabalho os variados mtodos de diagnstico, os tipos de prognstico e condutas teraputicas mais usuais da

    paralisia facial perifrica de origem traumtica.

    UNITERMOS: Paralisia facial, Fratura do osso temporal

    Rev. Cir. Traumat. Buco-Maxilo-Facial,v.1, n.2, P. 13-20, jul/dez - 2001

    *Professor Assistente Doutor da disciplina de Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial da Faculdade de Odontologia de Pernambuco/UPE; Coordenadordo programa de Mestrado em Odontologia (BucoMaxiloFacial) da Faculdade de Odontologia de Pernambuco/UPE**Cirurgio-Dentista, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, Professor Adjunto IV e Regente da Disciplina de Cirurgia e TraumatologiaBuco-Maxilo-Facial da FOP/UPE.***Aluno do programa de Doutorado em Odontologia (BucoMaxiloFacial) da Faculdade de Odontologia da Universidade de Pernambuco. ProfessorAssistente da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.****Aluna da graduao da Faculdade de Odontologia de Pernambuco/UPE.*****Aluna da graduao da Faculdade de Odontologia de Pernambuco/UPE

    Belmiro E. C. VASCONCELOS*Emanuel Dias de Oliveira e SILVA**

    Wagner Ranier M. DANTAS*** Erika Salviano BARROS****

    Gabriela Queiroz de M. MONTEIRO*****

    INTRODUOA paralisia facial perifrica decorre da in-

    terrupo do influxo nervoso de qualquer um dos

    segmentos do nervo facial. Esta apresenta diver-

    sas etiologias, tais como: idioptica, traumtica,

    infecciosa, metablica, herptica, tumoral, txicas,

    congnitas, otite mdia aguda, otite mdia crnica

    entre outras.

    Mais de 50% da populao acometida pela

    paralisia facial perifrica, tambm denominada

    paralisia de Bell, tem etiologia desconhecida 9.

    A segunda maior incidncia da paralisia

    facial perifrica de origem traumtica, podendo

    ocorrer como conseqncia tanto das fraturas da

    face, como as crnio-enceflicas. Seu diagnstico

    feito atravs de avaliaes clnicas, e testes

    eletrofisiolgicos.

    O prognstico depender do tipo de le-

    so, quantidade de tecido cicatricial, nutrio do

    nervo, idade do paciente e teraputica instituida.18

    REVISTA DA LITERATURAPARALISIA FACIAL PERIFRICA TRAUM-TICA

    A paralisia facial perifrica decorrente de

    traumatismo crnio-enceflico no uma entida-

    de rara, podendo est associada a fratura do

    osso temporal, inclusive em diversos segmentos 2,3.

    O osso temporal participa da composio da par-

    te lateral da caixa timpnica e corresponde, tam-

    VASCONCELOS, B.E.C.; DIAS, E.; DANTAS, W.R.M; BARROS, E.S.; MONTEIRO, G.Q.M. - Paralisia facial perif-rica traumtica. Rev. Cir. Traumat. Buco - Maxilo-Facial, v.1, n.2, p. 13-20, jul/dez - 2001

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    bm, a quase dois teros do soalho da fossa cere-

    bral mdia e a um tero da fossa cerebral posteri-

    or. Cerca de 80% das fraturas da base do crnio

    atingem a fossa cerebral mdia, comprometendo,

    deste modo, o osso temporal11.

    A leso do VII par craniano pode ocorrer

    tanto nas fraturas transversas como nas longitu-

    dinais do osso temporal ou por ferimentos de arma

    de fogo, atingindo-o diretamente ou comprimin-

    do-o pelo deslocamento de fragmentos 7,10,11. Tam-

    bm existe a possibilidade da etiologia ser por fra-

    turas mistas que so aquelas em que ocorre uma

    associao das fraturas longitudinais e transver-

    sas, podendo ser ainda chamadas de cominutivas3,12.

    A paralisia facial perifrica ocorre em

    aproxidadamente 40% das fraturas transversas, e

    em aproximadamente 20% das fraturas longitudi-

    nais do osso temporal. Outras causas atribudas

    so edema local, lacerao e rutura do nervo 3,7,11.

    O nervo facial pode ser lesado no segmen-

    to timpnico ou no mastideo 3,7,11, podendo ser

    atribudo a hematoma, leso completa do nervo

    facial ou ainda compresso por fragmento sseo

    deslocado dentro do conduto de Falpio. Mais de

    90% das leses do nervo facial devidas a fratura

    longitudinal esto localizadas na altura do gnglio

    geniculado 7,11, mais especificamente na poro

    mais distal7.

    Em geral, vrios dias aps o acidente

    que se vai notar a paralisia facial, em razo de

    acentuado edema de face (decorrente do trauma

    craniano), prejudicando o exame, ou pelo fato do

    estado geral do paciente ser grave, quase sempre

    em coma 11.

    As otorragias ps-trauma craniana cons-

    tituem sinal de fratura da base do crnio, quase

    sempre do tipo longitudinal11,

    Os pacientes com paralisia facial traumti-

    ca devem ser estudados radiologicamente, atravs

    de radiografias simples ou, de preferncia, pela

    tomografia computadorizada em cortes axiais e

    coronais, quando disponvel, para evidenciar tra-

    os de fratura e eventuais leses da cpsula tica3.

    A paralisia facial perifrica, tambm pode

    decorrer das fraturas dos ossos da face, que so

    comumente associadas fratura temporal. So, por

    ordem de freqncia: as do cndilo mandibular,

    zigomtico orbital e disjunes crnio-faciais seve-

    ras.

    comum tambm atribuir-se a etiologia

    ferimentos por arma de fogo na regio facial, ocor-

    rendo na maioria das vezes a associao do com-

    prometimento do nervo facial intratemporal e

    extratemporal (poro parotdea).

    DIAGNSTICOO diagnstico de leso do nervo facial

    relativamente simples, nos primeiros momentos

    aps o trauma de face, baseando-se na anamnese

    e no exame fsico 4.

    O exame fsico inicia-se ao primeiro contato

    com o paciente, uma vez que a assimetria facial

    chama logo ateno. Aps avaliar o paciente com

    fisionomia em repouso, passa-se a execuo de

    vrios testes, tais como, franzir a testa, aproximar

    o superclio do outro, fechar os olhos, expirar e

    inspirar rapidamente, abrir a boca, fazer caretas e

    insuflar bochechas11.

    O tipo e a localizao do trauma apontam

    possvel comprometimento do nervo facial. Os trau-

    mas fechados cobrem o tronco do facial e podem

    provocar esmagamento do nervo contra a mand-

    bula. Raramente os traumas mais intensos que se

    localizam no osso temporal podem afetar a por-

    o infratemporal (fraturas, hematomas). Os

    VASCONCELOS, B.E.C.; DIAS, E.; DANTAS, W.R.M; BARROS, E.S.; MONTEIRO, G.Q.M. - P aralisia facial perifricatraumtica. Rev. Cir. Traumat. Buco - Maxilo-Facial, v.1, n.2, p. 13-20, jul/dez - 2001

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    ferimentos lacerantes, principalmente aqueles pro-

    duzidos por impacto da face contra vidros, costu-

    ma atingir os ramos nervosos 4 .

    O diagnstico da paralisia facial se torna-

    r clinicamente difcil se o paciente for examinado

    algumas horas aps o trauma e houver formao

    de edema na face. Este edema quando intenso

    dificulta bastante o movimento da face, mesmo que

    a funo do nervo facial seja normal4.

    TOPODIAGNSTICOO topodiagnstico da leso perifrica do

    nervo facial de importncia fundamental, uma

    vez que, principalmente na paralisia traumtica

    pode-se obter com preciso o ponto de injria

    nervosa para fornecer dados sobre o prognstico

    e evoluo do quadro7. Clinicamente, deve ser

    determinado se a leso perifrica ou central5.

    Nesta ltima devido s conexes bilaterais da por-

    o do ncleo facial responsvel pela musculatu-

    ra frontal, no encontramos dficit motor em an-

    dar superior. Porm pacientes com leso do n-

    cleo ou do nervo facial propriamente dita apre-

    sentam comprometimento de toda hemiface5. Na

    leso perifrica do facial pode-se precisar o local

    de comprometimento do nervo testando a funo

    de cada um de seus ramos.

    Utilizam-se, rotineiramente, trs testes para

    estes fins:

    Teste de Lacrimejamento ou de Schimer -

    tem como objetivo evidenciar leses localizadas

    acima do nervo petroso superficial, aps estmu-

    los olfatrios de amnia5. Este teste consiste na

    anlise quantitativa e comparativa da funo da

    glndula lacrimal 5,7. A diminuio ou mesmo au-

    sncia de lacrimejamento significa que a leso est

    no nervo petroso superficial ou acima 4,5,7.

    Teste do Reflexo Estapediano tem como

    objetivo detectar leses acima do estapdio. Este

    teste realizado atravs do impedancimetro.

    Quando houver ausncia deste reflexo significa que

    a leso esta acima da emergncia do nervo

    estapediano 5,7.

    Gustometria - tem como objetivo testar a

    funo do nervo corda do tmpano. No utiliza-

    mos de rotina o teste para volume de salivao,

    pois seus resultados na prtica so discutveis1. Se

    a funo do nervo corda do tmpano estiver alte-

    rada, haver suspeita de leso supracordal 5,11.

    Evidentemente, numa paralisia facial peri-

    frica que se apresente com lacrimejamento, refle-

    xo estapediano presente e gustao normal, a le-

    so estar na poro extratemporal do nervo

    facial4.

    O topodiagnstico complementado com

    a utilizao de exames por imagens, principalmen-

    te pela politomografia multidirecional, por acha-

    dos ao exame otolgico e histria do paciente pelo

    eletrodiagnstico7.