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RAI Inovacao

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inovação e estrutura de capital.

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  • RAI Revista de Administrao e Inovao

    ISSN: 1809-2039

    DOI:

    Organizao: Comit Cientfico Interinstitucional

    Editor Cientfico: Milton de Abreu Campanario

    Avaliao: Double Blind Review pelo SEER/OJS

    Reviso: Gramatical, normativa e de Formatao

    RELAES ENTRE INOVAO TECNOLGICA E ESTRUTURA DE CAPITAL: UM

    ESTUDO DE EMPRESAS BRASILEIRAS DE CAPITAL ABERTO

    Emmanuel Sousa de Abreu

    Mestre em Contabilidade pela Universidade Federal da Bahia UFB [email protected] (Brasil)

    Adriano Leal Bruni

    Doutor em Administrao pela Universidade de So Paulo USP Professor da Universidade Federal da Bahia UFB [email protected] (Brasil)

    Sonia Maria da Silva Gomes

    Doutora em Engenharia de Produo pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC Professora da Universidade Federal da Bahia UFB [email protected] (Brasil)

    Roberto Brazileiro Paixo

    Doutor em Administrao pela Universidade Federal da Bahia UFB Professor da Universidade Federal da Bahia UFB [email protected] (Brasil)

    RESUMO

    A captao de recursos para projetos inovadores assunto relevante e com caractersticas peculiares j

    que esses tendem a terem altos nveis de intangibilidade, difcil apropriao e elevada assimetria

    informacional que acabam por transferir altos riscos e custos para as organizaes. Nesse caminho, o

    presente trabalho avaliou a existncia de relaes entre variveis de estrutura de capital e de inovao

    tecnolgica no ambiente brasileiro, a partir de premissas do modelo linear de inovao. O universo da

    pesquisa correspondeu s empresas brasileiras de capital aberto dos ramos de Tecnologia da

    Informao, Qumico, Telecomunicaes e de Bens Industriais. Diferentes procedimentos estatsticos

    foram aplicados, a exemplo da anlise de regresso linear mltipla e o teste no-paramtrico de

    Kruskal-Wallis. Para a varivel input, foram encontradas correlaes significativas entre os gastos em

    P&D com capacidade de pagamentos, custo de capital e investimento em subsidirias. Em relao s

    variveis output, no foi possvel verificar relao entre inovao e estrutura de capital. A avaliao

    conjunta dos resultados demonstra que parece haver uma ligao direta entre estrutura de capital e

    input de inovao ligado a esforos financeiros, mas que o output de inovao, a priori, ou no possui

    a mesma fora na relao com os indicadores de estrutura de capital, ou apresentam uma relao mais

    tnue. Os diferentes resultados demonstram que o modelo linear serve como uma simplificao do

    mundo real que possibilita avaliaes quantitativas parciais, mas que modelos interativos parecem ser

    mais coerentes ao no vincular linearmente esforo em pesquisa com resultados de processos de

    inovao.

    Palavras-chave: Inovao tecnolgica; Estrutura de capital; Pesquisa e desenvolvimento; Patentes.

  • Relaes entre inovao tecnolgica e estrutura de capital: Um estudo de empresas brasileiras de capital

    aberto

    Revista de Administrao e Inovao, So Paulo, v.12, n.1, p.326-350, jan./mar. 2015.

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    1. INTRODUO

    O estudo da inovao requer a contribuio de diferentes reas do saber que, muitas vezes, no

    se comunicam. As Finanas, como rea do conhecimento, tambm podem oferecer respostas de como

    se entender a dinmica do processo de inovao tecnolgica nas organizaes. A presente pesquisa

    buscou justamente entender a inovao de um ponto de vista especfico das Finanas, analisando a

    estrutura de capital das empresas de acordo com o seu grau de inovao tecnolgica.

    Trabalhos empricos assumem como pressuposto a existncia de relao entre estrutura de

    capital e capacidade de investimentos em inovao, e, adicionalmente, que a primeira poderia explicar

    ltima (Blass & Yosha, 2003; Magri, 2009; Bond et al., 2003). O raciocnio parte de caractersticas

    ligadas inovao tecnolgica, como a incerteza, a intangibilidade, e a difcil apropriao que

    tornariam o financiamento de projetos inovativos mais arriscados, custosos e com disponibilidade de

    recursos limitada. Essas caractersticas alinhadas s falhas de mercado - como a assimetria

    informacional, risco moral e indivisibilidade - tornariam as estruturas de capital de empresas com alto

    esforo em inovao diferenciadas das demais. Contudo, existem outras formas de se explicar a

    relao entre inovao e estrutura de capital. J que inovaes podem ser capazes de abrir novas

    oportunidades, pode-se supor igualmente que surjam demandas por instrumentos financeiros

    especficos que afetariam diretamente a estrutura de capital das organizaes. Este raciocnio inverteria

    a lgica de causa e efeito da relao (Ueda & Hirukawa, 2003; Geronikolaou & Papachristou, 2008).

    No entanto, estudos no Brasil que tratam sobre o relacionamento entre estrutura de capital e

    inovao tecnolgica so bastante incipientes, conforme verificado por pesquisa bibliogrfica sobre os

    artigos cientficos apresentados entre 2000 e 2012 nos anais dos encontros anuais da Associao

    Nacional de Ps-Graduao e Pesquisa em Administrao, Anpad, e da Associao Nacional dos

    Programas de Ps-graduao em Cincias Contbeis, Anpcont, e em peridicos brasileiros de

    Administrao, Contabilidade e Economia, classificados pela CAPES como QUALIS superior a B3,

    que listaram os temas inovao (innovation), "patente" (patents), "estrutura de capital" (capital

    structure) ou "P&D" (R&D) em suas palavras-chave. Tambm foram acessadas as seguintes bases:

    Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertaes, Portal Peridicos da Coordenao de

    Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior, Capes, Scielo, Domnio Pblico, ProQuest,

    ABI/Inform complete e Business Source Complete.

    Assim, estudos nacionais poderiam ajudar a esclarecer a natureza da relao entre inovao e as

    escolhas de financiamento. Em particular, a investigao ao nvel da firma e o uso de proxies para

  • Emmanuel Sousa de Abreu, Adriano Leal Bruni, Sonia Maria da Silva Gomes & Roberto Brazileiro Paixo

    Revista de Administrao e Inovao, So Paulo, v.12, n.1, p.326-350, jan./mar. 2015.

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    ambos os comportamentos financeiros e inovativos podem fornecer uma imagem mais clara da

    exitncia do relacionamento dessas variveis no mercado brasileiro.

    Ao mesmo tempo, para se chegar a concluses mais robustas, os resultados obtidos em outros

    ambientes precisam ser confrontados com as caractersticas locais, como, por exemplo, a no

    participao do sistema financeiro tradicional no financiamento dessas atividades, e o comum uso de

    fundos e subsdios governamentais para investimentos em inovao tecnolgica.

    Considerando que o investimento em inovao constitui um importante fator da estrutura de

    capital das organizaes, formulou-se o seguinte problema de pesquisa para o presente estudo: at que

    ponto a estrutura de capital ajuda a explicar o esforo e os resultados em inovao tecnolgica de

    empresas brasileiras de capital aberto? A hiptese geral assuminda pelo presente estudo de que

    existe relao entre estrutura de capital e inovao tecnolgica.

    Nesse sentido, configura-se como objetivo geral a avaliao da relao entre estrutura de

    capital e o processo de inovao tecnolgica de empresas brasileiras. Para que se possa alcanar esse

    objetivo, buscou-se investigar a existncia de evidncias de que empresas com diferentes nveis de

    inovao tecnolgica tendem a apresentar elementos de estrutura de capital distintos; verificar a

    existncia de correlao entre as variveis pr-estabelecidas de inovao e de estrutura de capital no

    contexto nacional; como tambm avaliar a capacidade dessas variveis na predio de indicadores de

    inovao tecnolgica.

    Para operacionalizao da pesquisa foram utilizados dados de empresas brasileiras de capital

    aberto dos ramos de Tecnologia da Informao, Qumico, Telecomunicaes e de Bens Industriais, e

    diferentes procedimentos estatsticos foram aplicados, a exemplo da anlise de regresso linear

    mltipla e o teste no-paramtrico de Kruskal-Wallis.

    Este artigo encontra-se dividido em outras quatro sees, alm da presente introduo. A

    segunda seo apresenta a fundamentao terica. A terceira discute os procedimentos metodolgicos.

    A quarta aborda a anlise dos resultados. Por fim, a quinta e ltima seo apresenta as consideraes

    finais.

    2. FUNDAMENTAO TERICA

  • Relaes entre inovao tecnolgica e estrutura de capital: Um estudo de empresas brasileiras de capital

    aberto

    Revista de Administrao e Inovao, So Paulo, v.12, n.1, p.326-350, jan./mar. 2015.

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    Originalmente o conceito de inovao utilizado para aqueles processos que causavam ruptura

    no sistema econmico, contudo os conceitos schumpeterianos, notoriamente os de inovaes

    incremenais, foram absorvidos pelos atuais conceitos de inovao tecnolgica, inclusive pela prpria

    legislao brasileira. A ttulo de exemplo, a Lei n 11.196 (2005), no pargrafo 1 do art. 17, estabelece

    como (...) inovao tecnolgica a concepo de novo produto ou processo de fabricao, bem como a

    agregao de novas funcionalidades ou caractersticas (...).

    Neste mesmo caminho, a OECD (2006) considera que uma inovao tecnolgica de produto,

    servio ou processo tenha sido implementada se a mesma tiver sido introduzida no mercado (inovao

    de produto), ou utilizada no processo de produo (inovao de processo).

    Importante destacar ainda que existem diferentes modelos que buscam traduzir o processo de

    inovao nos sistemas econmicos. Com base em Rothwell (1994) e Tidd, Bessant e Pavit (