Relações Econômico-Financeiras com o ?· com o Exterior Política de comércio exterior A política…

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  • V Relaes Econmico-Financeiras com o Exterior 73

    VRelaes Econmico-Financeiras com o Exterior

    Poltica de comrcio exterior

    A poltica de comrcio exterior brasileira manteve, em 2014, as linhas tradicionais de atuao: adoo de mecanismos de simplificao burocrtica; ampliao das aes em promoo comercial; desonerao tributria das exportaes; apoio inovao; e aperfeioamento do sistema de defesa comercial.

    Com relao s aes voltadas para a desburocratizao das operaes de comrcio exterior, destacou-se o lanamento do Portal nico de Comrcio Exterior. Essa iniciativa possibilitou que as empresas apresentem a informao digitalmente, uma nica vez, aos diversos rgos federais envolvidos no trmite do comrcio exterior. Espera-se que a implementao dessa medida reduza, de 13 para oito dias, o prazo de exportao; e, de 17 para dez dias, o de importao.

    Na mesma linha de atuao, foi criado o Servio Brasileiro de Informaes de Comrcio Exterior (Comex-Responde), que unificou o atendimento por meio de 23 rgos pblicos do governo federal para responder dvidas sobre temas de comrcio exterior, como normas e estatsticas de exportao e importao, acordos e oportunidades comerciais e de logstica.

    O drawback modalidade iseno tambm foi objeto de aperfeioamento, com a adoo de processamento eletrnico, o que simplificou e reduziu os custos envolvidos nesse regime de importao. Na modalidade suspenso, as empresas foram autorizadas a substituir os insumos adquiridos por mercadorias equivalentes compradas sem o benefcio para exportaes vinculadas ao regime. Esta permisso eliminou a obrigao de controles segregados de estoques fsicos por parte das empresas beneficirias, reduzindo os custos de acesso desonerao. Por meio do drawback suspenso, as aquisies de insumos, sejam importados ou nacionais, a serem empregados na industrializao de produtos de exportao, so cursadas com a suspenso dos seguintes tributos: II, IPI, PIS/Cofins e ICMS. Com a exportao do produto final, a suspenso convertida em iseno. Ao evitar o pagamento de tributos que seriam posteriormente convertidos em crditos, o drawback colabora para preservar o caixa das empresas.

  • 74 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2014

    A exemplo de anos anteriores, foi mantida a poltica de ex-tarifrios, que tem por objetivo reduzir o custo de investimentos no pas, por meio da reduo temporria e excepcional da alquota do Imposto de Importao para bens de capital e bens de informtica e de telecomunicaes, sem produo nacional equivalente. Ressalte-se que a Cmara de Comrcio Exterior (Camex), pela Resoluo n 66, de 14 de agosto, aperfeioou a sistemtica de anlise e concesso de ex-tarifrios, destacando-se, dentre as principais inovaes, o detalhamento de procedimentos para garantia do contraditrio, a definio de prazos e a delimitao mais precisa de atribuies dos atores do processo decisrio.

    No mbito das medidas de desonerao tributria, foi institudo, de maneira permanente, o Reintegra10, que possibilita o retorno, parcial ou integral, do resduo tributrio remanescente na cadeia de produo de bens exportados. A pessoa jurdica que exporta bens poder apurar crdito, mediante a aplicao de percentual de 0,1% a 3,0%, de acordo com o bem estabelecido em portaria do Ministro de Estado da Fazenda, sobre a receita auferida com a exportao desses bens para o exterior.

    No plano da inovao, foi iniciada a segunda fase do programa InovAtiva Brasil, que oferece capacitao, coaching e mentoria para negcios inovadores com apoio de empreendedores, consultores, investidores e executivos. Os 300 projetos selecionados na Fase 2 recebero mentoria gratuita por cerca de 2 meses e os 100 empreendedores mais bem preparados sero selecionados para a Fase 3, passando a receber mentoria por prazo mais longo e oportunidade de interagir com potenciais investidores e parceiros no Brasil e no exterior.

    Na rea de defesa comercial, contabilizavam-se, em 7 de janeiro de 2015, 157 medidas de direitos antidumping, sendo 148 definitivas e nove provisrias; trs de direito antidumping e compromisso de preo; e uma de compromisso de preo. Essas medidas esto relacionadas a 149 produtos, fornecidos por 36 pases ou blocos, com destaque para a China, os EUA, Taip Chins, Coreia do Sul, Tailndia e Ucrnia.

    Com relao ao contencioso relativo ao algodo entre Brasil e EUA, foi assinado, em 6 de outubro de 2014, Memorando de Entendimento encerrando a disputa e estipulando pagamento adicional de US$300 milhes pelos EUA, que se comprometeram a efetuar ajustes no programa de crdito e garantia exportao, que passar a operar dentro de parmetros estabelecidos por negociaes bilaterais. O contencioso do algodo comeou em 2002, quando o Brasil pediu a abertura de um painel na Organizao Mundial do Comrcio (OMC) com a alegao de que a lei agrcola ento vigente distorcia o comrcio mundial de produtos agrcolas por oferecer aos produtores norte-americanos subsdios que deixavam em desvantagem os de outros pases. Ressalte-se que o acordo firmado limitado apenas a este setor e preserva intactos os direitos

    10/ O Reintegra foi criado pela converso da Medida Provisria n 651, de 9 de junho, na Lei n 13.043, de 13 de novembro, regulamentada pelo Decreto n 8.304, de 15 de setembro.

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    brasileiros de questionar junto a OMC, caso necessrio, a nova lei agrcola norte-americana em relao aos demais produtos.

    Os desembolsos do BNDES vinculados s operaes de apoio ao comrcio exterior totalizaram US$4,4 bilhes em 2014 (recuo anual de 38,7%), dos quais US$3,4 bilhes destinados indstria de transformao (outros equipamentos de transporte, US$1,5 bilho; veculos, reboque e carroceria, US$845,6 milhes; mquinas e equipamentos, US$523 milhes; mquinas e aparelhos eltricos, US$200 milhes) e US$1,0 bilho ao setor de comrcio e servios.

    As operaes do Programa de Financiamento s Exportaes (Proex) somaram US$6,8 bilhes em 2014, dos quais US$6,3 bilhes referentes equalizao das taxas de juros e US$514 milhes modalidade financiamento, na qual houve reduo no nmero de operaes, de 881 para 795, e na quantidade de empresas brasileiras exportadoras, de 204 para 183. As empresas do setor de agronegcio responderam por 58,0% do valor das operaes na modalidade financiamento, seguindo-se as participaes dos segmentos mquinas e equipamentos (15,0%); txtil, couros e calados (14,0%); e produtos minerais (3,0%). A anlise do pas de destino evidencia que 53% das exportaes cursadas nessa modalidade destinaram-se Cuba, seguindo-se China (7,0%); e EUA, Frana e Itlia (4,0% cada).

    O valor das operaes do Proex na modalidade equalizao aumentou 9,4% no ano, e as emisses de ttulos que as lastreiam elevaram-se 4,8%, para US$313 milhes. Foram realizadas 2.654 operaes por 31 exportadores, concentradas nos setores mquinas e equipamentos (40,0% do total), servios (35,0%); e transporte (25,0%), destacando-se as vendas externas direcionadas aos EUA (44,0% do total), Angola (8,0%), Peru (8,0%), Mxico (5,0%), e Argentina (3,0%).

    Adicionalmente, ressalte-se a internalizao, pelo Decreto n 8.327, de 17 de outubro de 2014, da Conveno das Naes Unidas sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias. Essa conveno uniformizou os direitos e deveres das partes em contratos de compra e venda internacional celebrados entre empresas sediadas em pases diferentes, criando maior segurana jurdica e previsibilidade nas transaes internacionais. Tambm foram internalizados, pelo Decreto n 8.322, de 7 de outubro de 2014, o regime de drawback em relao ao Acordo Comercial com o Chile; pelo Decreto n 8.323, de 7 de outubro, o regime de drawback do Acordo Comercial com a Bolvia; e pelo Decreto n 8.324, de 7 de outubro, o regime de preferncias concedidas no comrcio entre Brasil e Venezuela.

  • 76 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2014

    Poltica cambial

    O Decreto n 8.263, publicado em 4 de junho de 2014, reduziu, de 360 para 180 dias, o prazo mdio mnimo dos ingressos de recursos sujeitos alquota de 6,0% de IOF, em vigncia desde dezembro de 2012. Com a mudana, a alquota do IOF ficou reduzida a zero nas operaes com prazo mdio superior a 180 dias.

    O programa de leiles de swap e venda de dlares, iniciado pelo Banco Central em agosto de 2013, foi prorrogado, em 24 de junho, para o perodo de 1 de julho a at pelo menos 31 de dezembro de 2014. A ampliao que constituiu a segunda prorrogao do programa contemplou as seguintes condies:

    (i) realizao de leiles de swap de segunda a sexta-feira, com oferta de US$200 milhes por dia; (ii) realizao de leiles de venda de dlares com compromisso de recompra em funo das condies de liquidez do mercado de cmbio; e (iii) possibilidade de, sempre que julgar necessrio, realizao pelo Banco Central de operaes adicionais de venda de dlares.

    Em 30 de dezembro, em razo da necessidade de continuar provendo hedge cambial e liquidez ao mercado de cmbio, foi anunciada nova extenso, de 2 de janeiro a at pelo menos 31 de maro de 2015, do referido programa de leiles. Em relao s regras anteriores, a oferta diria dos leiles de swap de segunda a sexta-feira foi reduzida de US$200 milhes para US$100 milhes.

    O estoque de swap cambial tradicional registrou tendncia constante de crescimento em 2014 e totalizou US$109,6 bilhes ao final de dezembro (US$75,1 bilhes ao final de 2013). O estoque de leiles de venda de dlares com compromisso de recompra no mercado interbancrio recuaram de US$17 bilhes, em dezembro de 2013, para US$10,5 bilhes, ao final de 2014, destacando-se que o saldo dessas operaes havia atingido US$200 milhes de agosto a novembro. Em dezembro, em ambiente de aumento da volatilidade e da averso ao risco nos mercados financeiros internacionais, os leiles com compromisso de recompra totalizaram US$10,3 bilhes. No ocorreu interveno da autoridade monetria no mercado spot de cmbio em 2014.

    O CMN fixou