Relaxamento de prisão fabrício

Embed Size (px)

Text of Relaxamento de prisão fabrício

  • Rua Alfredo Osrio, 247, Tamarineira - Recife-PE (81) 3268.6547

    CEP. 52.051-180 atendimento@ffs.adv.br

    ALBZIO DE MELO FARIAS EDUARDO GOMES DE FIGUEIREDO PEDRO EURICO DE BARROS E SILVA

    EXCELENTISSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA 13 VARA CRIMINAL DA

    CAPITAL

    PROCESSO N 0048784-74.2011.8.17.0001

    FABRICIO BARROS DE SOUZA, brasileiro, solteiro, profissional autnomo, filho de Flvio

    Vicente de Souza e Maria Jos Barros Gomes, portador da cdula de identidade

    nmero 8.387.072 SDS-PE, residente e domiciliado na Rua 14 de Maro, n 45, bairro

    de Roda de Fogo , Cidade do Recife, Capital do Estado de Pernambuco, CEP.

    52.090-099, neste ato representado pelos seus procuradores judiciais in fine

    subscritos, constitudo nos termos do apenso instrumento de mandato (Doc. 01),

    constante no rodap da presente pea, local onde recebe comunicaes e

    correspondncias de estilo, vem a devida vnia de V.Exa, com fundamento no art.

    5, LXV e LXVI da Constituio Federal, requerer o

    RELAXAMENTO DA PRISO EM FLAGRANTE

    levada a efeito pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

    I EXRDIO

    O requerente foi detido volta das 14 horas do dia 23 de agosto do corrente ano,

    pela suposta prtica conduta tipificada no art. 158 do CPB (extorso).

    Compulsando as peas informativas do flagrante, elaborado pela Delegacia

    Policial da 1 Circunscrio Recife Antigo. Verifica-se atravs do depoimento da

  • Rua Alfredo Osrio, 247, Tamarineira - Recife-PE (81) 3268.6547

    CEP. 52.051-180 atendimento@ffs.adv.br

    ALBZIO DE MELO FARIAS EDUARDO GOMES DE FIGUEIREDO PEDRO EURICO DE BARROS E SILVA

    suposta vtima MARCELO EURICO DA ROCHA a total inexistncia de qualquer

    conduta de violncia ou grave ameaa praticada pelo acusado, a saber:

    QUE na tarde de hoje estacionou seu veculo na Rua da Moeda

    neste bairro do Recife Antigo, em rea de zona azul, contudo,

    logo que desceu do veculo um flanelinha aproximou-se e

    mandou retirar o veculo pois aquela era rea dele e se quisesse

    ficar teria que pagar R$ 2,00 (dois reais); QUE tentou argumentar

    de que ele no tinha o direito de fazer aquilo e disse ser policial

    civil e que ele teria que lhe respeitar. QUE nesse momento o

    flanelinha (FABRICIO BARROS DE SOUZA) disse que no lhe

    interessava se ele, vtima, era policial civil ou se era policial

    militar, ele era dono da rea, alm de trat-lo com palavras de

    baixo calo; (DEPOIMENTO VTIMA MARCELO EURICO DA

    ROCHA, fl. 05 do caderno flagrancial.

    Observa-se no auto de priso em flagrante que nenhuma das testemunhas

    apresentadas acompanharam a narrada tentativa de extorso, resultando nas

    declaraes do policial civil e vtima, como nico meio probante, de sorte,

    ilatrio, para a incorreta tipificao penal por parte da ilustre delegada de titular,

    Sylvana Lellis, fl. 01 do caderno.

    O acusado, de 21 anos, primrio e sem antecedentes trabalha como flanelinha

    para garantir o sustento de sua famlia. Tem contra si, to somente um abuso de

    autoridade que precisa ser combatido neste exame das peas de flagrante.

    II DAS ARBITRARIDADES E NULIDADES DO FLAGRANTE

    No exaustivo, confrontando-se as verses apresentadas pela vtima com a do

    imputado FABRICIO BARROS DE SOUZA, verifica-se que os fatos narrados remetem

    exclusivamente a interpretao legal de conduta tpica do artigo, 146 do Cdigo

    Penal Brasileiro, CONSTRANGIMENTO ILEGAL, AMEAA, INJURIA ou DIFAMAO,

    no autorizadora da priso em flagrante.

    Art. 146 - Constranger algum, mediante violncia ou grave

    ameaa, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro

    meio, a capacidade de resistncia, a no fazer o que a lei

    permite, ou a fazer o que ela no manda:

    Pena - deteno, de trs meses a um ano, ou multa.

    Por esta leitura, verifica-se que o indicado dispositivo legal existe para proteger a

    autodeterminao das pessoas, a liberdade que elas tm no serem obrigadas a

  • Rua Alfredo Osrio, 247, Tamarineira - Recife-PE (81) 3268.6547

    CEP. 52.051-180 atendimento@ffs.adv.br

    ALBZIO DE MELO FARIAS EDUARDO GOMES DE FIGUEIREDO PEDRO EURICO DE BARROS E SILVA

    fazer ou deixar de fazer algo, seno em virtude de Lei. Definio jurdica

    perfeitamente aplicvel ao caso em exame. Sendo o sujeito passivo qualquer

    pessoa que tenha autodeterminao, e que se veja forada a realizar ou a ser

    abster de determinada conduta pela ao do agente.

    O agente pode ser qualquer pessoa que impea o exerccio da liberdade individual

    de outrem.

    O ncleo do tipo penal evitar uma conduta lcita utilizando vis corporalis ou vis

    compulsiva (violncia corporal e ameaa, respectivamente), bem como qualquer

    outro meio que venha a impedir ou dificultar a resistncia da vtima.

    A violncia pode ser dirigida prpria vtima, terceiros ou a objetos, desde que

    efetivamente impeam a lcita realizao ou absteno pretendida pela vtima.

    No caso em exame inexite prova material para caracterizao de vantagem

    economica, pois no foi apreendido o indicado carto de zona azul, muito menos

    qualquer valor decorrente da suposta ao.

    Inexiste materialidade para a combatida tipificao.

    Como narrado em seu depoimento o acusado afirma ser guardador de carros e

    mantem sua famlia de uma forma dgna, e no deve ser penalizado por trabalhar

    informalmente.

    O flagrante demonstra em sua totalidade excessos, arbitrariedades e ausncia de

    cumprimento de formalidades legaisl

    No mais, poderia ainda a vtima clamar pela representao contra o acusado no

    crime de ameaa, injria ou difamao. Todas, matrias de Termo circunstanciado

    de Ocorrencia (TCO) , jamais justificando-se a priso em flagrante do acusado.

    Oportuno salientar ainda, que inobstante o erro de tipificao e de procedimento

    por parte da respeitvel delegada, haja vista que todas as condutas acima

    analisadas refletem crimes de menor potencial ofensivo, o flagrante encontra-se

    faltamente prejudicado, pois inexiste nota de culpa, to pouco comunicao

    famlia, e ainda, somente foi protocolado perante o distribuidor deste forum aps 48

    h (quarenta e oito) horas do ocorrido.

    Art. 306. Dentro em 24 (vinte e quatro) horas depois da priso, ser

    dada ao preso nota de culpa assinada pela autoridade, com o motivo

    da priso, o nome do condutor e os das testemunhas.

    Pargrafo nico. O preso passar recibo da nota de culpa, o qual ser

    assinado por duas testemunhas, quando ele no souber, no puder ou

    no quiser assinar.

  • Rua Alfredo Osrio, 247, Tamarineira - Recife-PE (81) 3268.6547

    CEP. 52.051-180 atendimento@ffs.adv.br

    ALBZIO DE MELO FARIAS EDUARDO GOMES DE FIGUEIREDO PEDRO EURICO DE BARROS E SILVA

    Est, assim, o ACUSADO, sofrendo coao por parte da Autoridade Policial, uma

    vez que o mesmo no se enquadra em nenhuma das hipteses do art. 302 do

    Cdigo de Processo Penal.

    De tal entendimento no discrepam nossos tribunais, seno vejamos:

    Priso em flagrante Inocorrncia Agente que

    no foi surpreendido cometendo a infrao penal,

    nem tampouco perseguido imediatamente aps

    sua prtica, no sendo encontrado, ademais, em

    situao que autorizasse presuno de ser o seu

    autor. (TJSP Cm. Crim. h.c. n 128260, em 3.2.76,

    Rel. Des. Humberto da Nova RJTJESP 39/256)

    Segundo Ada Pellegrini Grinover, Antonio Scarance Fernandes e Antonio Magalhes

    Gomes Filho, pressuposto essencial da busca que a autoridade, com base em

    elementos concretos, possa fazer um juzo positivo, embora provisrio, da existncia

    dos motivos que possibilitem a diligncia. Deve dispor de elementos informativos

    que lhe faam acreditar estar presente a situao legal legitimadora da sua

    atuao (in As Nulidades no Processo Penal. 7 ed. So Paulo: Editora Revista dos

    Tribunais, 2001, p. 171).

    III - O RELAXAMENTO DA PRISO DEVIDO NULIDADE NO FLAGRANTE

    visvel o equvoco da autoridade policial. Em primeiro lugar, porque houve erro de

    tipificao, e ainda o caderno flagrancial encontra-se desacompanhado das

    peas obrigatrias tais como nota de culpa e comunicao famlia.

    Alm de cristalizar-se flagrante de crime de menor potencial ofensivo, indicamos

    ainda o descumprimento do prazo legal de 24 horas, indicado no art. 306 do CPP.

    Assim, como no foi verificada a prtica de qualquer conduta tpica pelo

    requerente que justifique o seu acautelamento. E sob esta mira, sendo ilegal,

    portanto, a priso em flagrante, merecendo imediato relaxamento.

    A Constituio Federal, no art. 5, inc. LXV garante que a priso ilegal ser

    imediatamente relaxada pela autoridade judiciria.

    IV - DA LIBERDADE PROVISRIA

    Caso V. Exa. entenda pela legalidade da priso em flagrante, ainda assim dever o

    requerente ser posto em liberdade, em razo da inocorrncia de qualquer das

    hipteses autorizadoras da priso preventiva, consoante o pargrafo nico do art.

    310 do CPP.

  • Rua Alfredo Osrio, 247, Tamarineira - Recife-PE (81) 3268.6547

    CEP. 52.051-180 atendimento@ffs.adv.br

    ALBZIO DE MELO FARIAS EDUARDO GOMES DE FIGUEIREDO PEDRO EURICO DE BARROS E SILVA

    O dispositivo citado contm a seguinte redao:

    Art.