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Revista ACIM junho 2016

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  • Revista ACIM / 1

  • Revista ACIM / 3

    A equipe econmica do presi-

    dente interino Michel Temer anun-

    ciou, em maio, dias depois do

    afastamento da presidente Dilma

    Rousseff, um teto para os gastos p-

    blicos, com base na inflao do ano

    anterior. A medida foi bem vista

    por analistas e pela classe produti-

    va, at porque esses gastos vm su-

    bindo numa escalada maior que a

    economia do pas. Outras medidas

    de longo prazo da rea econmica

    trouxeram novo nimo. Mas ainda

    h dvidas em relao s medidas

    de curto prazo para que haja a re-

    tomada do crescimento. O ann-

    cio de que o deficit entre receitas

    e despesas chegar a R$ 170,5 bi-

    lhes tambm trouxe pessimismo

    no mercado e foi mais uma notcia

    negativa para uma economia que

    anda aos solavancos.

    Nos ltimos 12 meses o pas fe-

    chou 1,85 milho de postos de tra-

    balho, o que significa que h 10,2%

    dos trabalhadores fora do mercado.

    Isso representa mais 10,4 milhes de

    desempregados. O nmero reflexo

    da queda na produtividade e do fa-

    turamento das empresas. O crdito

    est caro e em menor volume e a

    inflao deve fechar o ano em cerca

    de 7%, segundo analistas o nme-

    ro superior ao teto de 6,5% do sis-

    tema de metas do governo.

    Os analistas, de acordo com re-

    latrio do Banco Central, estimam

    que a economia encolher 3,8% nes-

    te ano, semelhante ao resultado de

    2015, que foi o pior resultado desde

    1990, quando a economia recuou

    4,35%. Com tantos nmeros negati-

    vos, a equipe econmica tem muito

    trabalho pela frente.

    Ainda que o governo no descar-

    te aumento de impostos, entidades

    como a Federao das Indstrias do

    Estado de So Paulo (Fiesp) j se po-

    sicionaram contra a medida. Num

    momento em que a classe empre-

    sarial sofre com a debandada de

    consumidores e a queda do fatura-

    mento, aumentar impostos no

    prudente. Os governos tm que criar

    mecanismos para conter os gastos

    pblicos, em vez de aumentar ou

    criar impostos.

    Alm de medidas rpidas e ur-

    gentes para cessar a crise econmi-

    ca e poltica, os governantes preci-

    sam ouvir o clamor da populao,

    que quer mais transparncia e efici-

    ncia na gesto pblica. Os brasilei-

    ros no aguentam mais arranjos e

    manobras para que os maus polti-

    cos se perpetuem no poder. Este

    ano eleitoral, e a populao poder

    ajudar a tirar do poder aqueles que

    no tm cumprido o seu papel e

    que governam tendo vistas apenas

    os interesses polticos e pessoais.

    // Jos Carlos Valncio presidente da Associao Comercial e Empresa-

    rial de Maring (ACIM)

    Economia tem que voltaraos trilhos urgentemente

    PALAVRA DO PRESIDENTE

  • Junho 2016

  • Revista ACIM / 5

  • ndice //

    ENTREVISTA // RElACIoNAmENTo //

    REPoRTAGEm

    DE CAPA //

    30

    A ideia que o povo brasileiro pacfico no verdadeira, segundo o historiador e pro-fessor Leandro Karnal: ab-solutamente fantasioso. H uma longa linha de violncia e genocdio no Brasil. De pac-fico o povo brasileiro no tem absolutamente nada

    Douglas do Amaral, da Aki Im-veis, investe em networking, afinal praticamente todas as pessoas vo precisar de um imvel. Por isso, importante estar na mente dos clientes quando esta hora chegar; veja como evitar a linha que separa bem-relacionados e chatos

    Apoio Intitucional

    O nmero de Microempreen-dedores Individuais (MEI) j soma mais de seis milhes no Brasil; entre eles est Mara Ca-legari, que vai dobrar o tama-nho do espao onde trabalha e, com o aumento do faturamen-to, est estudando a migrao para outra faixa tributria

    8

    16 24

  • Revista ACIM / 7

    lIDERANA // ATENDImENTo //

    mERCADo //

    Claudia Baioni comeou no McDonalds de Maring como atendente e hoje consultora de operaes; no cargo, ela faz questo de ou-vir opinies e sugestes dos subordinados, que uma das receitas de lderes bem--sucedidos

    A vocao para vendas se so-breps timidez de Izabel Abiko, que trabalha desde a dcada de 70 na Genko; a dis-posio, o sorriso denotando o gosto pela profisso e a gra-tido so as sugestes dela; outros profissionais de vendas do dicas para o sucesso

    Mesmo diante do mal mo-mento econmico brasileiro, a Ciaseg, de Clodoaldo de Rossi, deve faturar at 30% mais neste ano; para reduzir custos, empre-sas terceirizam servios como segurana e limpeza, mas antes de assinar o contrato, confira o que dizem os especialistas

    3630 42

    ano 53 edio 565junho/2016

    Factory Totalnossa capa:

  • Junho 2016

    Imaginar que todo o mal esteja numa pessoa ou partido ingenuidade. E se eliminssemos todos os atuais polticos e substitussemos por pessoas comuns, em quanto tempo este sistema estariaruim de novo?

    entrevista // Leandro KarnaL

    O historiador e professor Leandro Karnal questiona: algum imagina que as mesmas empreiteiras que construram a Itaipu, Transamaznica e a ponte Rio-Niteri eram poos de candura e honestidade e, de repente, ficaram infestadas de gente do mal? No, s que naquela poca no se podia investigar // Graziela Castilho e Rosngela Gris

    No de hoje que escndalos de

    corrupo na poltica brasileira so

    destaques em noticirios dentro

    e fora do pas. E nem poderia ser

    diferente, j que, segundo o histo-

    riador e professor Leandro Karnal,

    a corrupo no Brasil uma he-

    rana do perodo colonial. O que

    torna o momento atual histrico

    que, diferentemente de dcadas

    passadas, os holofotes se voltaram

    para polticos e empreiteiros li-

    gados presidente afastada Dil-

    ma Rousseff (PT). Na histria do

    Brasil, tica era algo a ser cobrado

    da oposio anterior, destaca o

    professor da Unicamp, doutor em

    Histria Social. Para ele, a mudan-

    a um sinal de independncia

    do Judicirio e de fora da Polcia

    Federal.

    Em passagem recente por Ma-

    ring, a convite do Instituto Cultu-

    ral Ing (ICI) e da Associao Brasi-

    leira de Recursos Humanos (ABRH)

    Regional Noroeste, Karnal falou

    tambm sobre a crise brasileira, o

    trabalho da imprensa e as relaes

    humanas. Confira:

    Corrupo no Brasil endmica e estrutural

    Qual a natureza real da crise brasileira: econmica, poltica ou moral? um conjunto dos trs. H a crise

    econmica internacional, com a

    desacelerao do crescimento chi-

    ns, que est impedindo o cresci-

    mento das exportaes brasileiras.

    Existe a dificuldade com a inflao,

    que chegou a 83% ao ms no go-

    verno Sarney, e agora est prxima

    de 11% ao ano. Parece pouca coisa,

    mas temos uma juno de crise de

    legitimidade e representao, que

    nasceu em junho de 2013, quando

    a populao deixou de reconhecer

    nos partidos polticos, no voto e na

    democracia representativa as ni-

    cas vias para se expressar. Isso pode

    ser muito rico, mas perigoso. A po-

    ltica discutida na rua no ruim.

    O problema que o pas est bi-

    polarizado e as pessoas s querem

    taxar, adjetivar, classificar. Ningum

  • Revista ACIM / 9

    Quem ?Leandro Karnal

    O Que FAZ?Historiador e professor da

    Unicamp

    destAQue pOR?

    Doutor em Histria Social e autor de

    diversos livros

    Walter Fernandes

    escuta ningum. No momento em

    que se decide que o indivduo

    petralha ou coxinha, morreu a fi-

    losofia poltica e passamos para o

    campo da adjetivao.

    e a natureza da corrupo no brasil? endmica e estrutural, e est pre-

    sente desde o perodo colonial. Hoje,

    graas abertura democrtica, h

    condies de investigao. Algum

    imagina que as mesmas empreitei-

    ras que construram a Itaipu, Tran-

    samaznica e a ponte Rio-Niteri

    eram poos de candura e honesti-

    dade e, de repente, ficaram infesta-

    das de gente do mal? No, s que

    naquela poca no se podia inves-

    tigar. Hoje so investigadas tanto a

    corrupo passiva, do poltico, quan-

    to a ativa, do empresrio. Estamos

    discutindo a tica nacionalmente.

    Um milionrio empreiteiro preso no

    Brasil um fato indito. Prendemos

    apoiadores do governo que estava

    em curso, e na histria do Brasil ti-

    ca era algo a ser cobrado da oposi-

    o anterior. Getlio Vargas mandou

    prender Washington Luiz, a ditadura

    mandou prender JK [Juscelino Ku-

    bitschek]. Sempre investigvamos

    o governo anterior. a primeira vez

    que prceres do ento governo fo-

    ram para a cadeia. um bom sinal

    da independncia do Judicirio e

    de fora da Polcia Federal.

    o senhor afirmou Que as pessoas felizes no brasil so as Que acreditam Que a corrupo est a cargo de um partido. nos ltimos anos, o dio poltico se intensificou e esta polarizao continua. como explicar esse movimento?Gostamos de polarizao, uma for-

    ma de pensamento simples. Pensar

    dialeticamente, contraditoriamente

    ou filosoficamente mais compli-

    cado. bom pensar que h certo e

    errado. Defendo que se algum par-

    tido for comprovadamente corrupto

    deve ser punido. Porm, imaginar

    que todo o mal esteja numa pes-

    soa ou partido ingenuidade. E se

    eliminssemos todos os atuais po-

    lticos e substitussemos por pesso-

    as comuns, em quanto tempo este

    sistema estaria ruim de novo? Se o

    problema estivesse no partido ou no

    poltico seria muito fcil porque ele

    ser derr